{"id":999,"date":"2012-01-15T10:24:27","date_gmt":"2012-01-15T13:24:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=999"},"modified":"2020-11-11T07:29:08","modified_gmt":"2020-11-11T10:29:08","slug":"investiguemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?p=999","title":{"rendered":"Evoluir em Profundidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em artigo anterior falei da import\u00e2ncia da intensidade, mais do que uma poderosa aliada, algo indispens\u00e1vel a quem pretende desenvolver-se, ao m\u00e1ximo, em seus potenciais e possibilidades pessoais. No entanto \u00e9 preciso perguntar-se: desenvolver em que sentido, andar para onde? O que queremos realmente nessa vida, a que viemos, o que \u00e9 uma pessoa plenamente realizada? O que nos tornar\u00e1 verdadeiramente felizes?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Meu convite neste artigo n\u00e3o \u00e9 o de que voc\u00ea assuma respostas minhas para perguntas que eu propus e formulei, mas que investiguemos juntos essas quest\u00f5es existenciais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Clarisse Lispector em uma confer\u00eancia na Universidade de Austin, no Texas, em 1963, refletindo sobre o of\u00edcio do escritor, sua rela\u00e7\u00e3o com a vanguarda e o que ela acreditava ser a tarefa da arte, sentenciou: \u201ctoda verdadeira arte \u00e9 uma experimenta\u00e7\u00e3o e, lamento [contrariar] muito[s], toda verdadeira vida \u00e9 experimenta\u00e7\u00e3o.\u201d (os colchetes s\u00e3o do texto original)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Retirei o texto do livro \u201cMulheres Claricianas\u201d de Paulo Germano Albuquerque. Paulo sugere que por \u201cexperimenta\u00e7\u00e3o na arte\u201d, \u201cClarice entende n\u00e3o uma maneira de representar a realidade, mas um instrumento avan\u00e7ado de pesquisa da realidade, cuja meta \u00e9 arrebentar com nossa vis\u00e3o comum das coisas, em vistas de uma realidade outra que a linguagem pode apenas pr\u00e9-sentir.\u201d Dos quatro livros que Paulo Germano analisa, vou ficar aqui com \u00c1gua Viva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Vejo \u201c\u00c1gua Viva\u201d como um fluxo de &#8211; geniais &#8211; palavras a respeito de estar no \u201cinstante\u201d, no agora. Clarice, em sua palestra, sugere que sua espada para abrir a picada na floresta da ignor\u00e2ncia, rumo a uma \u201crealidade outra, que a linguagem pode apenas pr\u00e9-sentir\u201d \u00e9 a arte; mas o manuseio experimental da espada, e n\u00e3o ela em si, \u00e9 quem possibilita avan\u00e7ar, terreno adentro, para a realidade al\u00e9m e mais significativa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Dizia Assuri Kapilananda Swami que \u201cuma grama de pr\u00e1tica vale mais que uma tonelada de teoria\u201d e eu concluo que uma pitada de conhecimento vindo de experi\u00eancia pr\u00f3pria tem o gosto da verdade, enquanto toneladas de conhecimento te\u00f3rico s\u00e3o apenas disfarces da realidade, com o poder de nos distanciar, cada vez mais, dela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em sua primeira visita \u00e0 Inglaterra, o monge budista Achaan Chah falou a muitos grupos budistas. Uma tarde, ap\u00f3s uma palestra, uma distinta senhora inglesa se apresentou como \u201cantiga estudiosa da complexa cibern\u00e9tica da mente de acordo com os \u2018oitenta e nove tipos de consci\u00eancia\u2019\u00a0estudados nos textos da psicologia abhidharma budista\u201d &#8211; ufa, \u00e9 de perder o f\u00f4lego &#8211; e perguntou se ele poderia \u201cexplicar os tortuosos aspectos dessa psicologia, a fim de que ela pudesse prosseguir com seus estudos\u201d. Implac\u00e1vel, Achaan Chah respondeu: \u201cA senhora se assemelha \u00e0queles que criam galinhas em seu quintal e que, em vez de recolherem os ovos, recolhem o estrume\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quando adolescente, achava que Clarisse andava lendo Krishnamurti e os budistas quando escreveu \u00c1gua Viva. \u00c9 o caminho que ela aponta, pisa e repisa, de todas as maneiras ao seu alcance. Num certo ponto do livro, a personagem conta que sua maneira de escutar m\u00fasica \u00e9 colando as m\u00e3os nas caixas de som e deixando que os acordes entrem pelos bra\u00e7os, at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 onde as ondas sonoras forem capazes de penetrar (tradu\u00e7\u00e3o livre minha, sou incapaz nesse momento de achar a p\u00e1gina exata do livro, lido h\u00e1 tanto tempo).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Talvez esse seja um bom come\u00e7o, talvez o que Clarisse proponha seja que n\u00e3o se pense tanto em para onde andar, mas com que profundidade e comprometimento com a vida, dar e digerir cada passo. Em vez de evoluir na horizontal, de A para B e da\u00ed para C, evoluir em profundidade, de A para A1, da\u00ed para A2&#8230; para A500, e assim por diante. E isso, pode vir em qualquer experi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas, aponta Clarice, para isso \u00e9 necess\u00e1rio que a experi\u00eancia e a arte sejam investigativas, cavar o terreno, at\u00e9 achar o po\u00e7o, a mina d\u2019\u00e1gua, viva. Tentando ser coerente com Clarice e com o que falamos at\u00e9 agora, passo a arriscar em soneto, o que propuseram ela e Achaan Chah:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff; font-size: 14pt;\">\u00a0.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Como Deuses Pag\u00e3os Enfurecidos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff; font-size: 14pt;\">\u00a0.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Talvez por perdida estares,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Perto de ti, f\u00e1cil, me perco,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Criamos galinhas para comer o esterco,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Esnobamos a imensid\u00e3o dos mares,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Por que a obstina\u00e7\u00e3o pelo pior?<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Por que desperdi\u00e7ar a ansiada ambrosia?<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Assumamos a necess\u00e1ria carpintaria,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Espantemos as moscas ao redor,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">E entreguemo-nos ao amor e ao sexo,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Como deuses pag\u00e3os enfurecidos,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Que criam significado al\u00e9m do nexo,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Busquemos a calma no fundo do arrepio,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">E deixemos a \u00e9tica de tempos idos,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt;\">Que a felicidade anda por um fio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff; font-size: 14pt;\">\u00a0.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Arrisque suas rimas tamb\u00e9m, homenageie a \u00e2nsia de Clarice, experimente, investigue, crie, que a felicidade anda por um fio.<\/span><\/p>\n<h4 align=\"right\">Pedro Tornaghi<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">\u00a0.<\/span><span style=\"color: #ffffff;\">,.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn2.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcSpL5OKmPoGq67LGUX28JZ2hToCM1yEgmUMt5oDLdE4-oT8r8l4dg\" alt=\"\" \/>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">\u00a0Leia o artigo que originou e inspirou a este:<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Senso de Urg\u00eancia<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=921\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=921<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">\u00a0.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Leia tamb\u00e9m:<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\">&#8220;Procurando no Lugar Certo&#8221;<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=781\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=781<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">&#8220;Os Sentidos Internos&#8221;<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=375\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=375<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Se voc\u00ea gostou do artigo e deseja public\u00e1-lo em seu blog ou site sinta-se \u00e0 vontade e, por favor, lembre-se de citar a fonte<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ricardopomeranz.com.br\/images\/185_post.jpg\" alt=\"\" \/>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Em artigo anterior falei da import\u00e2ncia da intensidade, mais do que uma poderosa aliada, algo indispens\u00e1vel a quem pretende desenvolver-se, ao m\u00e1ximo, em seus potenciais e possibilidades pessoais. No entanto \u00e9 preciso perguntar-se: desenvolver em que sentido, andar para onde? 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