{"id":781,"date":"2011-12-04T15:47:22","date_gmt":"2011-12-04T18:47:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=781"},"modified":"2020-11-11T07:30:26","modified_gmt":"2020-11-11T10:30:26","slug":"procurando-no-lugar-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?p=781","title":{"rendered":"\u00a0Procurando no Lugar Certo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">H\u00e1 uma tradicional hist\u00f3ria sufi que fala do dia em que o pacato Nasrudim estava no gramado de sua casa procurando suas chaves quando chegou o leiteiro que, sensibilizado com o ar at\u00f4nito do companheiro, interrompeu seu trabalho para ajud\u00e1-lo na busca. Ap\u00f3s quinze minutos, a vizinha simp\u00e1tica e sol\u00edcita vendo a cena se juntou aos dois que, em pouco tempo, haviam tamb\u00e9m recebido a ades\u00e3o do jornaleiro, do quitandeiro e de passantes casuais. No fim do dia, havia uma verdadeira multid\u00e3o vasculhando o jardim e ningu\u00e9m encontrava vest\u00edgio das chaves, quando um dos participantes do mutir\u00e3o se lembrou de perguntar \u201cmas Nasrudin, voc\u00ea tem certeza de que perdeu as chaves no jardim?\u201d ao que este respondeu direto e certeiro, como um boxeador, \u201ctenho certeza de que foi dentro de casa que as perdi\u201d; o leiteiro exclamou irritado \u201cmas por que procur\u00e1-la aqui ent\u00e3o?!\u201d E Nasrudin respondeu \u00e0 plat\u00e9ia estupefata \u201cprocuro-a fora de casa por l\u00e1 dentro estar muito escuro\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Todos riem dessa hist\u00f3ria quando a escutam, pensando-a como uma anedota de um tolo, ou uma historia nonsense. N\u00e3o nos damos conta de que \u00e9 o que fazemos constantemente. Cansamos de procurar fora de n\u00f3s o que est\u00e1 dentro, por que nos parece mais f\u00e1cil procurar por l\u00e1, mesmo que isso torne imposs\u00edvel encontrar. Costumamos procurar a felicidade e a chave de todos os problemas do lado de fora; costumamos procurar a solu\u00e7\u00e3o para os impasses pessoais e os da coletividade onde eles n\u00e3o podem ser resolvidos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Talvez seja por isso que tantos tentam salvar o mundo com discretos ou herc\u00faleos esfor\u00e7os e ele continua, insistentemente, cada dia mais perto da destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida humana. E nos perguntamos: onde falha o esfor\u00e7o de tantas pessoas bem intencionadas? Em caras reuni\u00f5es internacionais tentam-se legisla\u00e7\u00f5es que impe\u00e7am a emiss\u00e3o de gases e o desmatamento, ensaiam-se acordos objetivos que freiem as mais diversas formas de destrui\u00e7\u00e3o do habitat natural da vida&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O engano est\u00e1 exatamente no foco em provid\u00eancias objetivas. \u00c9 mais f\u00e1cil imaginar que com legisla\u00e7\u00f5es e tratos sociais vamos resolver o problema. Mas para resolv\u00ea-lo \u00e9 preciso saber antes onde ele se origina e assim, conseguir trat\u00e1-lo desde a raiz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quem destr\u00f3i a vida certamente \u00e9 o homem, isso, todos concordam. Ent\u00e3o por que n\u00e3o come\u00e7ar por tentar entend\u00ea-lo?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O homem viveu cerca de quatro milh\u00f5es de anos como ca\u00e7ador coletor. Ou seja, sobreviviam melhor os que tivessem capacidade de correr atr\u00e1s de suas presas. Era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Quatro milh\u00f5es de anos criando um instinto, o de ca\u00e7ador. Nos \u00faltimos dez mil anos, com o surgimento gradativo da civiliza\u00e7\u00e3o, os mais preparados para sobreviver passaram a ser, aos poucos, aqueles que possu\u00edam terras. Seres sedent\u00e1rios passaram a mandar no planeta. Mas, o que foi feito do instinto de ca\u00e7ador?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Nada. Ele continua onde sempre esteve. Nas entranhas e nas garras do ser humano, que ainda n\u00e3o sabe como lidar com ele nas novas circunst\u00e2ncias. Por vezes esse instinto surge no rapaz que trata agressivamente a mo\u00e7a que passa por ele, tentando fazer dela sua ca\u00e7a; por vezes quando uma pequena multid\u00e3o resolve linchar um menino que assaltou uma casa; outras vezes numa torcida que se degladia com outra no est\u00e1dio, ou em um louco que joga um avi\u00e3o sobre o pr\u00e9dio do \u201cinimigo\u201d. Ou muito comumente, em rapazes que se armam de fuzis nas comunidades carentes e assaltam e aterrorizam, cirando um pandem\u00f4nio para todos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O instinto de ca\u00e7ador quer ver sangue. \u00c9 s\u00f3 reparar o quanto re\u00fane curiosos um acidente de autom\u00f3vel ou uma pessoa morta estirada na rua para constatarmos o quanto a morte mobiliza os passantes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O instinto do ca\u00e7ador se transformou em um instinto destruidor. E, se manifesta \u2013 consciente ou inconscientemente &#8211; nos mais diversos n\u00edveis. \u00c9 ele quem est\u00e1 por tr\u00e1s do impulso auto-destrutivo do homem. \u00c9 ele quem est\u00e1 por tr\u00e1s tamb\u00e9m dos pequenos ou grandes desrespeitos cotidianos \u00e0 natureza.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se quisermos desarmar a bomba, precisamos ir at\u00e9 ela. S\u00f3 com o entendimento dos meandros da subjetividade seremos capazes de reverter o sentido que temos dado ao nosso \u201cimpulso evolutivo\u201d. S\u00f3 mergulhando mais fundo em n\u00f3s mesmos do que as ra\u00edzes do comportamento destrutivo, poderemos inverter o processo. S\u00f3 com a populariza\u00e7\u00e3o de todas as terapias, m\u00e9todos de autoconhecimento, t\u00e9cnicas de medita\u00e7\u00e3o e etc, poderemos sensibilizar o homem. E, uma vez sensibilizado, o homem capaz de sentir verdadeira e plenamente a fragr\u00e2ncia de uma rosa, dificilmente ser\u00e1 capaz de apertar o bot\u00e3o de uma bomba at\u00f4mica. O homem de plena sensibilidade respeita o meio ambiente n\u00e3o porque aprendeu que isso \u00e9 o certo, \u00e9tico ou por que a lei manda, ou por querer ser \u201cdireitinho\u201d com a sociedade. Ele respeita as sensibilidades em volta, por que se identifica com elas. Ele respeita a vida por que pode toler\u00e1-la em si, por que pode desfrut\u00e1-la plenamente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, se poss\u00edvel for, n\u00e3o se dar\u00e1 pelas armas, mas pela compreens\u00e3o. E essa vir\u00e1 do empenho individual \u2013 e intransfer\u00edvel \u2013 de cada um por conhecer e pacificar o seu universo interno. O dia em que estivermos equilibrados internamente, nossos atos certamente contribuir\u00e3o para o equil\u00edbrio externo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se voc\u00ea \u00e9 uma das almas sens\u00edveis com desejos sinceros de salvar o mundo, comece por salvar a si mesmo e ter\u00e1 feito muito. Comece por fazer uma revolu\u00e7\u00e3o interna. Por mergulhar nas profundas \u00e1guas de seu mundo subjetivo, e permitir que as coisas a\u00ed dentro se ordenem. E, voc\u00ea vai se surpreender em como muitas e tantas outras coisas come\u00e7ar\u00e3o a \u2013 espontaneamente \u2013 se ordenar em volta de voc\u00ea. Essa maneira pode parecer trabalhosa, longa, desafiante e at\u00e9 perigosa, mas \u00e9 a \u00fanica capaz de realmente mudar \u2013 para melhor \u2013 a sua vida e a do planeta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o percebemos, mas o que fazemos com o planeta \u00e9 o que fazemos conosco mesmos. Se n\u00e3o desarmarmos o que h\u00e1 de belicoso em nosso esp\u00edrito, continuaremos, consciente ou inconscientemente, r\u00e1pida ou demoradamente, a colaborar com a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. Trabalhe a si mesmo internamente e voc\u00ea se perceber\u00e1 dando a melhor contribui\u00e7\u00e3o que pode dar por um mundo e uma vida melhor.<\/span><\/p>\n<h4 align=\"right\">Pedro Tornaghi<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">Leia tamb\u00e9m:<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">&#8220;Os Sentidos Internos&#8221;<\/span><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=375\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=375<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\">&#8220;<strong>Lar \u00e9 onde o Cora\u00e7\u00e3o Est\u00e1<\/strong>&#8220;<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=781\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=781<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">&#8220;A Ci\u00eancia da Felicidade&#8221;<\/span><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=704\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=704<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Se voc\u00ea gostou do artigo e deseja public\u00e1-lo em seu blog ou site sinta-se \u00e0 vontade e, por favor, lembre de citar a fonte<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; H\u00e1 uma tradicional hist\u00f3ria sufi que fala do dia em que o pacato Nasrudim estava no gramado de sua casa procurando suas chaves quando chegou o leiteiro que, sensibilizado com o ar at\u00f4nito do companheiro, interrompeu seu trabalho para ajud\u00e1-lo na busca. 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