{"id":1589,"date":"2012-08-26T00:45:51","date_gmt":"2012-08-26T03:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1589"},"modified":"2020-11-11T06:22:36","modified_gmt":"2020-11-11T09:22:36","slug":"amor-infantil-e-amor-adulto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?p=1589","title":{"rendered":"O Mestre da Pr\u00f3pria Lucidez"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O fisiologista brit\u00e2nico Joseph Barcroft, que dedicou sua vida e privilegiada intelig\u00eancia a entender os mist\u00e9rios da respira\u00e7\u00e3o e da vida intra-uterina e que tornou-se c\u00e9lebre por emprestar o pr\u00f3prio corpo a ousados e instigantes experimentos m\u00e9dicos &#8211; que visavam entender os mecanismos do sistema respirat\u00f3rio &#8211; sentenciou na maturidade: &#8220;A no\u00e7\u00e3o de vida liga-se t\u00e3o intimamente \u00e0 de respira\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio termo expira\u00e7\u00e3o passou a significar extin\u00e7\u00e3o da vida e o termo inspira\u00e7\u00e3o, a eleva\u00e7\u00e3o da vida a n\u00edveis sobre-humanos.&#8221; \u00c9 verdade, o sentimento popular de que respirar \u00e9 viver \u00e9 quase onipresente. E essa equa\u00e7\u00e3o tem desdobramentos: respirar bem \u00e9 viver bem; respirar mais ou menos \u00e9 viver mais ou menos, respirar mal \u00e9 viver mal, quando a respira\u00e7\u00e3o nos falta, sentimos a vida nos escapando, quando a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 fluente e f\u00e1cil, torna-se t\u00e3o f\u00e1cil sentirmo-nos vivos que, facilmente, nos esquecemos de que estamos vivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 verdade, mas faltou assinalar que, al\u00e9m de significar vida, a respira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 sin\u00f4nimo de consci\u00eancia e intelig\u00eancia. Vinte por cento do ar que respiramos \u00e9 consumido pelo c\u00e9rebro, detentor de menos de dois por cento de nossa massa corporal. Nossa capacidade de discernir, entender e administrar a vida \u00e9 alimentada e mantida pela respira\u00e7\u00e3o e, dessa maneira, respirar com amplid\u00e3o significa alimentar a inteireza de nossas capacidades mentais. E, quanto \u00e0 intelig\u00eancia, a frase de Brarcroft deixa passar um lapso de sua reconhecida lucidez e esp\u00edrito cr\u00edtico, um descuido comum entre pessoas notadamente inteligentes: desde pequenos nos foi passada a associa\u00e7\u00e3o entre inspira\u00e7\u00e3o e criatividade, mas, inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 o momento em que o ar entra em n\u00f3s, em que pegamos algo de fora; a criatividade devia estar muito mais ligada \u00e0 expira\u00e7\u00e3o, o momento em que algo sai de n\u00f3s para os outros, para o mundo. Fomos treinados a nos inspirarmos em Van Gogh para pintar um quadro, ou em Nietzsche para dizer algo, ou em Tom Jobim para compor uma m\u00fasica, sempre algo que vem de fora. A criatividade deveria mesmo\u00a0ser associada \u00e0 id\u00e9ia de expira\u00e7\u00e3o. Em meus grupos de Terapia da Respira\u00e7\u00e3o, tenho constatado ser muito mais efetivo trabalh\u00e1-la com exerc\u00edcios focados na expira\u00e7\u00e3o &#8211; ou no momento em que passamos da inspira\u00e7\u00e3o para a expira\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Mas, esse \u00e9 um passo a ser dado. A alguma hora. Que pode ser agora. Por termos sido ensinados a seguir modelos que nos s\u00e3o introduzidos de fora para dentro, ignoramos que podemos ser indiv\u00edduos, ignoramos que j\u00e1 o somos, mas que nosso indiv\u00edduo est\u00e1 adormecido, congelado dentro de n\u00f3s, esperando o dia em que ser\u00e1 acordado, reabilitado. Quando entendermos os mecanismos da respira\u00e7\u00e3o, descobriremos que temos a chave para esse &#8220;acordar&#8221;, o calor da fric\u00e7\u00e3o de seu vento \u00e9 capaz de descongelar, de maneira n\u00e3o traum\u00e1tica, o gelo que se acumulou em camadas milenares em torno de nossa individualidade esquecida. Qualquer um de n\u00f3s &#8211; incluindo voc\u00ea e eu &#8211; \u00e9 capaz de expressar sua personalidade e maneira \u00fanica &#8211; e por isso bela &#8211; de ser, com a mesma verdade e grandeza com que um Van Gogh, um Nietzsche ou um Tom Jobim o fizeram. E a respira\u00e7\u00e3o pode ser o ovo de Colombo, o meio simples e \u00f3bvio para que realizemos isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Respira\u00e7\u00e3o \u00e9 alimento, que pode nutrir o gelo que nos envolve ou aquilo que foi \u00a0envolvido por esse gelo: nossa intelig\u00eancia. Se estamos inconscientes da respira\u00e7\u00e3o, ela alimenta nossa inconsci\u00eancia, refor\u00e7a em n\u00f3s tudo o que nos inclina \u00e0 inconsci\u00eancia. Quando melhoramos nossa percep\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o, alimentamos nossa consci\u00eancia, tornamos t\u00e3o vital a consci\u00eancia que vinha sufocada, soterrada, que ela n\u00e3o se cont\u00e9m mais sob as camadas sedimentares de ignor\u00e2ncia e descaso que a cercam; ela come\u00e7a por abrir frestas e dar sinais de criatividade, at\u00e9 por fim, irromp\u00ea-las e mostrar sua face. Simples assim. Como ovo de Colombo. \u00c0 frente de nosso nariz e ao alcance de nossas m\u00e3os, o tempo todo, quando quer que decidamos us\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Respira\u00e7\u00e3o \u00e9 alimento, e, desde beb\u00eas, desde os seios de nossa querida m\u00e3e, associamos, muito diretamente, alimento a amor. Dessa maneira, liberdade para aceitar a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m liberdade para aceitar o amor, plenitude de respira\u00e7\u00e3o \u00e9 potencialmente plenitude amorosa, respirar mais \u00e9 amar mais e respirar menos \u00e9 amar menos. Respira\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas sin\u00f4nimo de consci\u00eancia, mas tamb\u00e9m de amor. E, mais uma vez, uma chave fundamental pode estar guardada na expira\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o na inspira\u00e7\u00e3o, a chave do amor pode estar em dar, em lugar de receber.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O beb\u00ea recebe alimento e amor da m\u00e3e, os dois se tornam dois lados de uma mesma moeda e, nesse momento, o amor est\u00e1 ligado \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o, ao receber. E, talvez da\u00ed, desses anos de depend\u00eancia tenha ficado congelada a no\u00e7\u00e3o de que amor \u00e9 receber &#8211; e o da crian\u00e7a realmente o \u00e9. O amor adulto \u00e9 de uma qualidade diferente, est\u00e1 mais presente no exerc\u00edcio da expira\u00e7\u00e3o. No dar, que a m\u00e3e experimenta ao amamentar. E se ela n\u00e3o o fizer, seus seios ir\u00e3o doer. Da mesma maneira, se n\u00e3o dermos o amor que brota espont\u00e2neo, como o leite das gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias, sentiremos congest\u00e3o interna e dor. E, para n\u00e3o senti-la, cultivaremos a inconsci\u00eancia, pela diminui\u00e7\u00e3o &#8211; ou quase supress\u00e3o &#8211; da respira\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No in\u00edcio da vida somos como sementes de abacate que precisam de chuva para se desenvolver, quando adultos dever\u00edamos nos tornar frondosos abacateiros, que d\u00e3o seus frutos para alimentar in\u00fameras outras vidas. Esse \u00e9 o ciclo da vida; esse \u00e9 o ciclo da inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se no in\u00edcio da vida, o objeto de amor e nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo, a m\u00e3e, essa pode se comportar de diversas maneiras. O alimento e o calor v\u00eam dali, daquele par de seios, mas essa m\u00e3e pode amar ou n\u00e3o a o filho, pode am\u00e1-lo mais ou menos. Isso tornar\u00e1 esses seios mais ou menos quentes, mais ou menos sens\u00edveis, mais ou menos vibrantes, e tornar\u00e1 nossa no\u00e7\u00e3o de amor como sendo abundante ou rarefeito. Se a m\u00e3e ama o filho, amamentar se torna uma experi\u00eancia de \u00eaxtase para ela, seus seios permanecem sens\u00edveis e a crian\u00e7a se identifica com essa sensibilidade, ela percebe que a m\u00e3e est\u00e1 gostando, n\u00e3o est\u00e1 simplesmente alimentando-a de leite. Mas se a m\u00e3e est\u00e1 apenas cumprindo uma necessidade, se ela est\u00e1 com pressa de sair dali, pensando em outros interesses, a crian\u00e7a sente essa frieza e se sente n\u00e3o desejada. Ambos os casos interferem na respira\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, na institui\u00e7\u00e3o de seu padr\u00e3o respirat\u00f3rio inicial, mas interferem principalmente na maneira de inspirar da crian\u00e7a. Sua expira\u00e7\u00e3o permanece, de alguma maneira, mais defendida de interfer\u00eancias, como uma chave para que, posteriormente, a crian\u00e7a possa mudar esses padr\u00f5es iniciais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A expira\u00e7\u00e3o est\u00e1 para a sensibilidade como a inspira\u00e7\u00e3o est\u00e1 para a atividade. Quando a crian\u00e7a tem sua sensibilidade ferida pela insensibilidade dos adultos que a cercam, ela instintivamente se defende colocando sua aten\u00e7\u00e3o na expira\u00e7\u00e3o &#8211; por vezes tornando-a bem mais lenta que a inspira\u00e7\u00e3o &#8211; e ela cria um &#8220;cofre&#8221; onde a protege, para todo o sempre. Mas, muitas vezes, perde a chave, ou se esquece do segredo na vida adulta. A chave por\u00e9m, est\u00e1 sempre ali, \u00e0 frente de seu nariz, na consci\u00eancia da expira\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O amor infantil era focado na inspira\u00e7\u00e3o e (sobre)vivia em estado de total depend\u00eancia; o adulto, por ser muito mais focado na expira\u00e7\u00e3o, tem sempre a possibilidade de existir em plenitude, em situa\u00e7\u00f5es prop\u00edcias ou adversas. Ser mestre da pr\u00f3pria lucidez e amorosidade, come\u00e7a por se viver consciente da pr\u00f3pria expira\u00e7\u00e3o.<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/span><\/p>\n<h4 align=\"right\">Pedro Tornaghi<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Leia tamb\u00e9m:<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1497\"><span style=\"font-size: 18pt;\">Respirar \u00e9 Viver<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1497\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1497<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92\"><span style=\"font-size: 18pt;\">Explore a Sua Respira\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1471\"><span style=\"font-size: 18pt;\">A Trilha Libertadora da Respira\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080; font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1471\"><span style=\"color: #000080;\">https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=1471<\/span><\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff; font-size: 14pt;\">.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Participe do grupo:<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92\"><span style=\"font-size: 18pt;\">Terapia da Respira\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><a href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92\">h<span style=\"color: #000080;\">ttp:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?page_id=92<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fisiologista brit\u00e2nico Joseph Barcroft, que dedicou sua vida e privilegiada intelig\u00eancia a entender os mist\u00e9rios da respira\u00e7\u00e3o e da vida intra-uterina e que tornou-se c\u00e9lebre por emprestar o pr\u00f3prio corpo a ousados e instigantes experimentos m\u00e9dicos &#8211; que visavam entender os mecanismos do sistema respirat\u00f3rio &#8211; sentenciou na maturidade:<a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/?p=1589\">Continue Lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1589"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5559,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589\/revisions\/5559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrotornaghi.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}