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Os Sentidos Internos

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Os Sentidos Internos e o Senhor do Castelo

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Pedro Tornaghi

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Se você quer alcançar sua realidade última, comece por sua realidade mais próxima, que é o corpo. O corpo possui uma sabedoria própria. Você cruza com ela a cada momento, mas normalmente não está disponível para percebê-la, notar suas nuances e decifrar seus sinais. A mente sempre esquece de seus propósitos, mas a inteligência que comanda o corpo está sempre atenta, sem nunca arrefecer, ao comandar as batidas do coração, os movimentos peristálticos do intestino ou o fluxo da respiração.

O corpo é engenhoso por estar diretamente ligado à fonte de sua inteligência criativa, o espírito. O corpo é o lado exterior de seu ser e o espírito é o interior. O corpo é a porção exterior do espírito e o espírito é a porção interior do corpo. O espírito é como um filme não revelado; o corpo é o mesmo filme, depois de revelado. Uma vez revelado, quem tem olhos, pode reconhecê-lo. Algumas pessoas quando meditam, se vêem como seres humanos tendo uma experiência espiritual, outros, têm a sensação de serem espíritos passando por uma experiência humana, não importa, a verdade é que somos uma coisa só, e se experimentamos essa unidade, podemos constatar isso. Mas, como chegar à essa unidade? Para isso é preciso chegar à sua porção “esquecida”.

O corpo é a casa do espírito e, se você quer encontrar o espírito, o melhor lugar para encontrá-lo é em casa. Vá até sua casa com a intenção de visitá-lo, porém, não espere que ele esteja à porta. Toque a campainha; tenha a generosidade de tocá-la e, em seguida, abra a maçaneta e entre, por que ele está sempre lá, sentado, no centro da casa, quieto, calmo, disponível, inteirado de tudo o que acontece na casa. Quando você encosta na maçaneta, ele já percebe. Você não o percebe, mas ele já te percebe. Quando você adentra pelos corredores, você ainda não o percebe, mas ele acompanha, passo a passo, respiração a respiração, a sua aproximação.

Para entrar numa casa, você pega na maçaneta e abre a porta. Para chegar no espírito você faz a mesma coisa, abre a porta do corpo, que são os sentidos, através da maçaneta que são as meditações que envolvem os sentidos, incluindo aí, as “meditações da visão e da audição”. Se os sentidos externos são as portas e janelas da mansão, os sentidos internos são os corredores que levam ao âmago dela, onde habita a sua sabedoria interior.

Sim, se o corpo é o castelo do mestre que mora em você e os sentidos são as portas e janelas que dão acesso ao interior do castelo, é neles que a aventura de exploração deve começar. E a aventura deve continuar com os sentidos internos, os corredores que conduzem ao quarto do mestre, à intimidade máxima dele, ao seu domínio. Devemos persistir e prosseguir neles. Porém, quando o fazemos, encontramos uma dificuldade: a mente é o mordomo desse castelo. Quando o mestre se ausenta, ela fica se achando dona do castelo. O mordomo é sempre o culpado, a mente extrapola seus poderes e funções e tenta comandar o castelo. Quando adentramos o castelo interno, o mordomo que tomou conta do castelo fará de tudo para não perder a soberania.

A mente será ladina com você, criará dispersões, enganos, ilusões que o distraiam, arrastará correntes para assustá-lo e, principalmente, fará muito barulho dentro do castelo para que você não escute a voz suave e delicada do mestre, recolhido no quarto central. Experimente não escutar a mente e avance para o centro de si, você encontrará o mestre intacto, a mente não teve a ousadia – ou a capacidade – de destruí-lo, apenas o escondeu de você.

No entanto, mesmo não dando ouvidos à mente, há outro fator que dificulta a aventura: a casa está escura e os seus sentidos passaram muito tempo adaptados à claridade externa, eles se encontram sem sensibilidade para enxergar com pouca luz. Como quando você está na rua em um dia ensolarado e de repente entra em uma casa escura, você demora um pouco para começar a enxergar, suas pupilas precisam de um tempo para relaxar e deixar os olhos sensíveis à luz mais sutil do ambiente, você só tem a luz que entra da janela. Depois de alguns minutos você já é capaz de perceber um cinzeiro cheio sobre a mesa do telefone, ou que o copo sobre o piano está cheio de água, mas no início, você nem percebia o cinzeiro ou o copo. Basta esperar um pouco.

No início da exploração interna é semelhante, basta esperar um pouco que se começa a perceber coisas dentro de si que não se percebia antes. No entanto, se você quer chegar em seu âmago, é preciso algo mais; quando você se aproxima do centro do castelo, você se distancia também das janelas da sala, a escuridão é muito maior, não basta apenas relaxar as pupilas, é preciso desenvolver um novo olho, uma nova pupila, é preciso começar a utilizar os sentidos internos.

Para isso foram criadas as meditações da visão, para possibilitar essa exploração, desde os primeiros momentos na entrada da porta, até os últimos, deixando nossos olhos internos tão sensíveis, que podemos enxergar a incrível riqueza e harmonia de cores de dentro do castelo e perceber o mínimo movimento de nosso mestre interior. De quebra, essas meditações tornam o ouvido interior delicado e perceptivo, o suficiente para se escutar os sussurros mais íntimos do mestre. As meditações começam por melhorar os olhos e ouvidos físicos, deixando-os mais precisos, mas em seguida vão nos deixando aptos a perceber cada vez mais o que se passa em nosso íntimo mais inalcançável, até então.

Os sentidos internos são o instrumento natural e adequado para que você escute a voz interior e passe a atuar orientado por sua sabedoria mais legítima. Quando desenvolvidos em sua plenitude, você passa a sentir o aroma do mestre interno o envolvendo a todo momento, você passa a sentir a presença dele em seu toque, perceber a presença dele por trás do seu olhar e, seus amigos mais despertos, passam a também perceber a presença dele através de seu olhar. Seus amigos mais despertos perceberão que você contatou a fonte de todos os seus talentos, virtudes e discernimento.

Não conhecer o mestre interior, é perder a oportunidade de uma vida, é perder o próprio crescimento, o próprio desenvolvimento, é contentar-se em ser uma semente que nunca chega a germinar, muito menos a dar ramos ou flor.

Mas, há ainda um porém, se os sentidos internos podem lhe levar à experiência maior, à experiência que não cabe em palavras, à experiência preciosa e fugidia a sentidos inquietos, eles não são garantia suficiente de que a experiência será duradoura. É necessário quietude para permanecer nessa experiência. Aí volta a entrar a importância das meditações da visão, com sua habilidade de desintoxicar os sentidos e acalmar olhos e cérebro. Os sentidos “pacificados” e purificados pela meditação proporcionam essa quietude e podem tornar a vida tão bela, amorosa e divina quanto possível. Os sentidos “descontaminados” percebem matéria e espírito como unidade indissolúvel. Os sentidos internos desobstruídos percebem a presença do espírito na matéria e percebem o invólucro, a roupagem da matéria no espírito. Percebem a matéria como tradução do espírito. Os sentidos externos lêem a matéria, os internos lêem a língua do espírito, lêem o livro no original, sem tradução. Um direito seu de nascimento. Um direito acessível a qualquer um. Pratique e veja.

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Praticipe do curso

“Meditações da Visão e Audição”

Início : 12 de agosto de 2015

Informações e inscrições: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=107

Assista à Palestra: 

“A Espiritualidade do Olhar” 

Data: 5 de agosto de 2015

maiores informações: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=107

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