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Escolhendo a Felicidade

Escolhendo a Felicidade

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Pedro Tornaghi

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” O que define o seu destino não são suas condições e sim suas decisões”

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Arthur Rubinstein ficou famoso em seu início de carreira não apenas como exímio pianista mas também por seus instintos irrefreáveis, o gosto por fartura e a excelência em seus gastos. Ele sempre surpreendia por sua capacidade de desperdiçar grandes somas de dinheiro com qualquer coisa em um intervalo muito pequeno de tempo. Auto indulgente, era incapaz de viver modestamente e sempre confiava que sua “estrela da sorte” providenciaria mais quando fosse necessário. Ele criava grandes débitos e sempre, miraculosamente, conseguia se safar. A providência costumava sorrir com generosidade para ele. 

No entanto, um dia o desânimo venceu sua confiança. Sem fundos para pagar o aluguel e nem para comer, e sem perspectivas futuras, ele decidiu se matar. Imediata e impetuosamente, tirou o cinto da cintura e armou uma forca em um gancho alto no banheiro, subiu em um banco e o derrubou com os pés. Mas, não era mesmo o dia de conseguir o que desejava, o cinto rasgou e ele caiu no chão. Meio aturdido e estupefato com a sensação de que nem a morte o queria naquele momento, ele se arrastou até a sala e confidenciou ao piano suas lágrimas e visões. 

Mais tarde ele contou ter amado profundamente aquela música, ter sentido um compêndio de todos os seus sentimentos entrando pelos poros e ouvidos, o que o inflamou a voar e acordou nele um enorme amor que amenizou suas dores. A música o trouxe de volta à vida naquele dia. 

No entanto ele ainda sentia fome e decidiu sair à rua em busca de comida. Ao chegar ao ar livre, uma sensação estranha o atravessou – ele a chamou de revelação. Rubinstein viu o mundo como se pela primeira vez; a rua, as árvores, as casas, os cachorros se perseguindo… tudo parecia diferente, tudo parecia novo. Mesmo os ruídos da cidade soavam inéditos. Fascinado, enxergou uma vida maravilhosa e sentiu que valia a pena vivê-la, mesmo que fosse em uma prisão, desde que vista com esses novos olhos. Se percebeu em um renascimento, que alterou inteiramente sua psique; em pleno caos dos seus pensamentos ele descobriu o que ele mesmo chamou de “o mistério da felicidade”. E ele conta ter se agarrado firmemente a essa experiência que o ensinou a “amar todo o bom e ruim”. A partir desse dia, ele passou a reconhecer nos momentos de tristeza a semente da alegria e da felicidade.  Rubinstein passou a cultivar uma filosofia que poderia ser traduzida por “intenção de estar feliz”. 

Muitos se perguntam, desde que a humanidade existe: é a felicidade uma escolha ou uma consequência de nossas experiências? Ou, em que medida ela é uma ou outra coisa? Ela depende mais de nós ou das circunstâncias em que vivemos? 

Há na tradição sufi a história de um místico que vivia sempre sorridente. Um dia perguntaram a ele o segredo da sua felicidade. Ele disse não haver segredo: “Apenas, toda manhã quando levanto, eu medito por cinco minutos e digo a mim mesmo: ‘Escute, existem agora duas possibilidades: você pode ser triste ou pode ser feliz. Escolha.’ E eu sempre escolho ser feliz”. 

Certamente uma grande parte de nossa felicidade depende de escolhas, mas vale lembrar que existem duas qualidades de felicidade. A primeira, é uma felicidade que depende de alguma situação. A pessoa que tem excesso de peso sabe que ficará feliz se emagrecer, a pessoa que passa por necessidades sabe a felicidade que virá quando ganhar dinheiro, a que sofre por solidão imagina o quanto experimentará de felicidade ao encontrar um grande amor. São experiências felizes legítimas e que são estimuladas pela atitude que tomamos frente a vida. Mas são experiências que possuem o seu oposto no terreno da infelicidade, se a magreza, o dinheiro ou o amor não vierem, apesar de todo o empenho para que venham, não se vai experimentar essa felicidade. 

O segundo tipo de felicidade é fruto de uma coesão da pessoa com o seu íntimo; independente de qualquer sucesso em alcances pessoais, a pessoa se sente feliz por estar sendo coerente consigo mesma, por estar agindo conforme sua verdade interior, e não por indução do que os outros acham conveniente. Deveríamos ter duas palavras diferentes para esses dois estados, é inegável que os dois podem ser traduzidos por “felicidade”, mas são experiências diferentes. A língua inglesa tem “happiness” e “bliss”. Talvez pudéssemos traduzi-las por “felicidade” e “júbilo”. Mas, tendo ou não palavra que defina, uma coisa é certa: para o primeiro estado de felicidade nossa decisão pesa muito mas não é garantia de alcance, para o segundo, nossa decisão é tudo.

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14 Responses to Escolhendo a Felicidade

  • Clarice Rosa:

    Uma excelente maneira de começar o dia, lendo um artigo assim. Vou decidir hoje pela felicidade. Obrigada. Cla

  • Carmen Lia Araújo:

    Desde pequena intuitivamente decidí ser feliz! Apesar de tudo ou exatamente por ter tudo para não sê- lo.
    Contrariando todas as expectativas e até mesmo o desejo de uns sobreviví, vinguei continuei viva e cada vez mais feliz!
    Isso intriga algumas pessoas, desperta curiosidade e admiração de outros que convivem comigo. Me questionam como consigo? Devo ser uma pessoa com dons especiais? Sempre lhes digo a minha verdade: prefiro permear os problemas quando surgem com a minha felicidade assim eles não resistem muito tempo e pouco à pouco se adoçam e se aliam à mim e juntos buscamos uma solução!
    Outro dia encontei uma amiga que não me via à alguns anos e que me disse:- o que fizestes estás mais bonita?
    Estás melhorando da EM?
    Respondi-lhe:- Não! Também não estou pior, mas é que agora tenho um câncer e como é uma doença nova é necessário que eu recarregue as baterias. Preciso de mais luz, mais energia e mais alegria para compreender com maior compaixão os meus semelhantes!
    Não foi minha intenção, muito pelo contrário, mas ela chorou!
    Todos querem saber, mas nem sempre suportam a minha verdade!
    Recebo muitas graças de Deus diariamente. Uma delas foi ter te encontrado Pedro com essa sabedoria tão grande e confortadora! Tens me ajudado muito!
    Sinto-me completamente recompensada e agradecida à vida por ter persistido e chegado até aqui! Sempre querendo aprender mais! Um abraço fraterno com toda a minha gratidão!

  • Perfeitas lições da escolha da felicidade. Gostei muito de ambas. Temos que caminhar e lutar entre os opostos e assim aprendemos a aquiescer a um princípio maior em detrimento de um menor. Experimentando o caos, às vezes aprendemos como fazer as melhores escolhas na vida e à medida que formos levados para mais perto de nossa alma, esta influência fará a diferença. Namastê.

  • Sinto que esta ideia é bastante pertinente para que possamos definir o que queremos e até que ponto podemos alcançar o que queremos. É importante, e a gente aprende isso com as dificuldades que aparecem em nossa vida, que saibamos também agir (ou reagir) diante das perdas e das “derrotas”. Sempre digo que não adianta ficar olhando para trás, chorando o que perdeu; ao contrário, é necessário persistir, se há possibilidade de retornar ao objetivo ou desistir e procurar alguma coisa que tenhamos mais condições de alcançar. Sempre pensei que tudo o que vem em nossa vida, para bem ou para mal, depende das escolhas que fazemos. Muitas vezes, inclusive, deve-se pesar se essas escolhas terão resultados só para a nossa vida ou também poderá refletir na vida de outros que nos cercam. Tomar decisões é gerenciar o presente e investir no futuro.

  • Que incrível, esta experiência neste texto vem expressar o que venho venho vivenciando
    em minha vida nos dias de hoje, com a segunda escolha a sua vida se torna mágica, maravilhosa, feliz, a manifestação da alma e do espírito(santo), dentro de você, então você é feliz, próspero, inteligente, disposto, viril, calmo, compreensivo, enfim, a mais pura e simples manifestação de uma existência nova de alma em espirito, é muito bom isso, aproveitem, a vida aqui é para aproveitar, tornar a sua existência exuberante.

  • Desde muito cedo na vida, escolhi ser feliz independente das circunstâncias! Manter um jardim interior povoado de sorrisos, atitudes nobres e coragem! Felicidade para mim é um estado de espírito e acredito que podemos nos manter assim sem nos contaminar pelo entorno! Assim como não concedo a ninguém o pode de roubar a minha paz, também não permito que roubei a minha alegria e fé na vida! Eu escolho ser feliz! ♡♡

  • Desde muito cedo na vida, escolhi ser feliz independente das circunstâncias! Manter um jardim interior povoado de sorrisos, atitudes nobres e coragem! Felicidade para mim é um estado de espírito e acredito que podemos nos manter assim sem nos contaminar pelo entorno! Assim como não concedo a ninguém o poder de roubar a minha paz, também não permito que roubem a minha alegria e fé na vida! Eu escolho ser feliz! ♡♡

  • Apesar de muitos percalços, escolhi ser feliz. Somos singulares. Temos defeitos, mas temos dons e predicados. Lendo uma matéria sobre hábitos de filósofos, vi que podemos, com força de vontade separar o joio do trigo.

    Interessante matéria. Trazida a luz da razão, ninguém foge a oráculos e profecias. Os livros ditos sagrados estão pleno dessas histórias. Acredito que somos marcados por tragédias quer queiramos ou não. O mundo nos faz sentir isso. Há N fatores. Um novo paradigma surge com Kardec e sua doutrina, nasce como uma ciência sobre os espíritos e reencarnações. Há uma resistência a ela que aos poucos estão se desfazendo. Sempre notei que os espíritas são por demais preconceituosos e irrelevantes com os que não professam a sua crença. Respeito todas as crenças, mas creio que o foco verdadeiro seria o conhecimento e uma paneira, jogando fora tudo o me faz mal, e ficando com o trigo, sem discriminação ou preconceito, cada um cada um… cada dois… cada dois… Minha mãe sempre achava que morreria cedo e morreu aos 51 anos. Falava em forças ocultas e em maldições. Éramos uma família de 11 irmãos. Pediu-me que rezasse muito. Após sua morte aconteceria muitas tragédias. E aconteceram. Sobrevivi e muito feliz vou fazer 72 anos. Fui levada quando mais moça, por uma cunhada e pelo meu ex-marido a cultos macabros de magia negra. Não podia imaginar, tal coisas. Professora 44 horas, tive um esgotamento nervoso. Minha filha acidentou-se, depois teve câncer neoplasia linfática. Sobrevivemos. Creio que foram minhas orações. Durante o esgotamento li muito: evangelho salmos a bíblia, filosofia, matérias de conhecimento. Vi que não dá pra ir atrás do que dizem, principalmente leigos. Tudo é dito e escrito por humanos. O tomate de uma forma é muito bom, mas metaforicamente, se eu não gosto, não vou comê-lo e ponto. Gostei imenso da matéria. Rir é o melhor remédio. Tive um sonho entre tantos pesadelos que temos. Gostei muito: Era um imenso, infinito mar. Estava na areia da praia a contemplá-lo. Mas eis que ele se agitava com fúria. Senti temor. Um leviatã imenso emergia daquelas águas que subiam e desciam em colossais ondas. Era um homem. Um gigante e se parecia com Deus. Ainda tremia. Deitado sobre aquelas ondas que se transformavam num lindo colchão ondulante, deixava sair de cada um de seus olhos, dois imensos oceanos de águas cristalinas. Essas águas corriam para um imenso bosque de belas e altíssimas árvores verdejantes. Esqueci do gigante e debrucei-me para melhor observar aquelas águas. Qual não foi minha surpresa. Lá estava a Sagrada Família, Jesus Maria José, lindíssimos como numa linda tela. São os mais lindos ícones e símbolos jamais visto. Acordei. Impressionei-me muito com esse sonho. E um dia vi numa figura, foto o rosto do gigante, parecia-se com Sócrates, o filósofo. Somos carne e alma e não podemos fugir. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.Tudo de bom aos amigos. o conhecimento nos liberta e parabéns Jakson Paul pela matéria.

  • Interessante matéria. Trazida a luz da razão, ninguém foge a oráculos e profecias. Os livros ditos sagrados estão plenos dessas histórias. Acredito que somos marcados por tragédias quer queiramos ou não. O mundo nos faz sentir isso. Há “n” fatores. Um novo paradigma surge com Kardec e sua doutrina, nasce como uma ciência sobre os espíritos e reencarnações. Há uma resistência a ela que aos poucos estão se desfazendo. Sempre notei que os espíritas são por demais preconceituosos e irrelevantes com os que não professam a sua crença. Respeito todas as crenças, mas creio que o foco verdadeiro seria o conhecimento e uma paneira, jogando fora tudo o me faz mal, e ficando com o trigo, sem discriminação ou preconceito, cada um cada um… cada dois… cada dois… Minha mãe sempre achava que morreria cedo e morreu aos 51 anos. Falava em forças ocultas e em maldições. Éramos uma família de 11 irmãos. Pediu-me que rezasse muito. Após sua morte aconteceria muitas tragédias. E aconteceram. Sobrevivi e muito feliz vou fazer 72 anos. Fui levada quando mais moça, por uma cunhada e pelo meu ex-marido a cultos macabros de magia negra. Não podia imaginar, tal coisas. Professora 44 horas, tive um esgotamento nervoso. Minha filha acidentou-se, depois teve câncer neoplasia linfática. Sobrevivemos. Creio que foram minhas orações. Durante o esgotamento li muito: evangelho salmos a bíblia, filosofia, matérias de conhecimento. Vi que não dá pra ir atrás do que dizem, principalmente leigos. Tudo é dito e escrito por humanos. O tomate de uma forma é muito bom, mas metaforicamente, se eu não gosto, não vou comê-lo e ponto. Gostei imenso da matéria. Rir é o melhor remédio. Tive um sonho entre tantos pesadelos que temos. Gostei muito: Era um imenso, infinito mar. Estava na areia da praia a contemplá-lo. Mas eis que ele se agitava com fúria. Senti temor. Um leviatã imenso emergia daquelas águas que subiam e desciam em colossais ondas. Era um homem. Um gigante e se parecia com Deus. Ainda tremia. Deitado sobre aquelas ondas que se transformavam num lindo colchão ondulante, deixava sair de cada um de seus olhos, dois imensos oceanos de águas cristalinas. Essas águas corriam para um imenso bosque de belas e altíssimas árvores verdejantes. Esqueci do gigante e debrucei-me para melhor observar aquelas águas. Qual não foi minha surpresa. Lá estava a Sagrada Família, Jesus Maria José, lindíssimos como numa linda tela. São os mais lindos ícones e símbolos jamais visto. Acordei. Impressionei-me muito com esse sonho. E um dia vi numa figura, foto o rosto do gigante, parecia-se com Sócrates, o filósofo. Somos carne e alma e não podemos fugir. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.Tudo de bom aos amigos. o conhecimento nos liberta e parabéns Jakson Paul pela matéria.

  • Dinair Mendanha:

    Nasci para Ser Feliz!

  • Emerson Santos:

    Olá… Jesus disse – Há mais prazer em dar do que em receber… Outra pessoa com teor de pureza de espirito é Jó, que disse – Só devemos esperar as coisas boas Deus, nu nasci e nu serei, mas mesmo com tudo isto bendito seja o Criador do Universo. Estou começando a aproveitar melhor a meditação (algo interno) junto com a oração (algo externo) que melhora nossa alma, é a cura do espirito humano. Principalmente no mundo egoísta que vivemos.

  • Elvira Gama:

    Felicidade relativa e felicidade absoluta!!! Fica a dica.

  • VERA COSTA:

    16 de dezembro de 2014 as 21:37
    Quem não almeja a felicidade? Na verdade quando pequenos não entendemos muito, mas uma coisa fica claro: sentir a energia positiva entre todos da nossa família, a harmonia, os sorrisos, os sonhos realizados, a saúde e por aí vai. Com o passar do tempo, a maturidade vem fluindo e começamos a enxergar os caminhos que nos levam a descobrir a verdadeira FELICIDADE, sim, pois se encontra dentro de cada um de nós. Agora, temos que recorrer ao ensinamento do nosso MESTRE JESUS: Vinde a mim se estás cansado, com seus fardos pesados e EU os livrarei e Aprendei de Mim que manso e humilde de coração – Mt11,28. Fiquemos atentos aos verbos anunciados por JESUS. Com certeza encontraremos a felicidade. A palavra humilde vem de humos, terra fértil, daí nasce a bondade, o amor , a compreensão, a doação , enfim você se sentirá tão bem, tão agraciado por DEUS que sentirá a FELICIDADE palpitando toda hora. Mesmo nas horas difíceis ela, a FELICIDADE, estará contigo, acredite. É muito maravilhoso!

  • Cida Teixeira:

    Como já passei por diversas situações difíceis na vida, tenho optado por selecionar muito bem o que está à minha volta, mesmo que eu goste de certas coisas, posso optar por deixá-las se estiverem me trazendo tristeza.
    Felizmente na parte interna, consigo me relacionar bem comigo mesma, me fortalecendo para enfrentar com coragem os problemas do cotidiano, geralmente apareço firme, forte e feliz para encarar a rotina e as pessoas que convivo.
    Não tenho mais vontade nem tempo para ser infeliz, quero felicidade e prazer constantes na minha vida.

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