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O Sentido do Reveillon

O Sentido do Reveillon

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Pedro Tornaghi

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A escolha do dia primeiro de janeiro para se comemorar o ano novo se dá pelo periélio, o momento do ano em que a Terra mais se aproxima do Sol. Como cada volta do planeta em torno do astro-rei acontece em aproximadamente 365 dias, 6 horas e 9 minutos, a cada 4 anos temos um ano bissexto para corrigir as 6 horas a mais que cada ano possui. Mas, os 9 minutos excedentes não são corrigidos, o que causou com o tempo um certo deslocamento de nossas comemorações de “ano novo” em relação ao momento de aproximação máxima do Sol. Atualmente, o periélio acontece sempre entre os dias 2 e 6 de janeiro, e em 2014 ele acontecerá no dia 4. 

O periélio torna o reveillon um momento cheio de significados, não apenas por convenção cultural. Uma vez entendidos esses significados, podemos usufruir melhor de nossos “ritos de passagem”.

Se o Sol apagasse neste instante, morreríamos todos em menos de 5 minutos, donde, podemos dizer que não possuímos vida própria, mas que somos parte da vida do Sol, somos como um raio dele. Costumamos achar que quem nos sustenta é nosso salário, ou nossos pais, ou para alguns mais afortunados, a reserva no banco, mas quem verdadeiramente nos sustenta vivos é o Sol. Todo o resto é consequência de como ele organiza ritmos e ciclos por aqui. E, se entendermos ao Sol e aos seus ciclos e nos afinarmos à sua dinâmica, nos afinaremos à lei que sustenta a vida, a felicidade e a realização. 

Para esse entendimento, o ciclo do periélio é fundamental. Para entender melhor sua mecânica, chame uma criança para brincar em um lugar ao ar livre; peça a ela que venha correndo em sua direção e, quando ela chegar perto, segure-a pela mão, dê uma volta com ela sobre si mesmo e lance-a novamente na mesma direção de onde ela veio. Peça a ela que quando for acabando o impulso com que você a lançou, ela volte novamente a você com a mesma atitude da primeira vez. Repita por três ou quatro vezes. Ela terá desempenhado um papel semelhante ao da Terra em sua órbita e você ao do Sol. 

Será mais fácil para ela entender o que acontece ao planeta, uma vez que sentirá na carne o impulso com que é lançada para fora, mas você terá uma localização privilegiada de observador que também facilitará importantes conclusões. Será fácil notar como ela irá aumentando de velocidade conforme estiver chegando a você, como atingirá a velocidade máxima ao dar a volta em você e diminuirá aos poucos essa velocidade ao se distanciar. É o que acontece com a Terra em relação ao Sol. 

Pode-se dizer que o Sol escolhe a que distância cada planeta deve ficar de si, ou seja, que ele tem uma força que atrai o planeta e outra que o expele. Nossa situação de vida depende do equilíbrio entre essas duas forças. Se o Sol apenas atraísse, a Terra já teria sido tragada e devorada há tempos por suas chamas inclementes. Se ele somente expelisse, já estaríamos há milhões de anos fora de seu sistema, e sem as condições ideais de temperatura para viabilizar a vida tal e qual a conhecemos. No entanto, embora haja um equilíbrio entre essas duas forças, há uma sazonalidade entre a predominância de uma e outra sobre nós, que afeta nossos processos vitais, nossos humores e nossa psicologia. 

Quando a Terra se aproxima do Sol, a força de atração está preponderante, quando se afasta, a que expele passa a ser a dominante. O periélio é o instante de mudança de equilíbrio entre essas forças, e o momento em que mudamos o rumo, estávamos sendo tragados pela estrela-mãe, e agora estamos sendo expelidos de seu “útero” devorador. É o instante em que estamos sendo lançados a mais um “vôo” no espaço. É uma circunstância de ser lançado a uma maior liberdade, que poderá ser usada para buscarmos a liberdade de nossas concepções e convicções anteriores sobre a vida, sobre nossas relações, sobre nossos compromissos assumidos, sobre hábitos repetitivos que não nos interessam mais, enfim, sobre tudo o que “prendia” e limitava nossa existência nos ciclos anteriores, e nos lançarmos de maneira mais livre para decidir sobre nossos destinos em um novo ciclo. Em um novo ritmo, inédito. 

Sim, um novo ciclo e um novo ritmo inédito. O que caracteriza nosso nascimento é a instalação de ritmos individuais em nós. Antes de nascermos, temos uma válvula aberta entre o lado direito e o esquerdo do coração. Isso permite que o sangue passe pelo coração sem ser bombeado para nossos pulmões, e o gás carbônico que produzimos seja trocado por oxigênio no pulmão de nossa mãe. Quando o cordão umbilical é cortado, essa válvula se fecha instantaneamente e nosso sangue passa a ser bombeado diretamente para o pulmão. Nesse momento, três ritmos se instalam de maneira independente, o da respiração, o da circulação e o das energias sutis dentro do corpo. A isso chamamos nascimento, o momento em que brotam certos ritmos independentes em nós. Podemos considerar o periélio um nascimento. E uma chance para renascermos no que queremos renascer e de abandonar situações que desejamos abandonar. E, para isso, usamos leis naturais. Para livrarmo-nos de restrições criadas por circunstâncias mais próximas da vida cotidiana, lançamos mão de uma relação mais ampla, nossa relação com o Cosmos e com as leis que regem a vida. 

Sim, com o Cosmos e as leis que regem a vida. Vivemos na superfície da Terra, que gira em torno de si mesma. Logo, podemos dizer que nós, seres da superfície do planeta, giramos em torno do centro dela, que gira por sua vez em torno do Sol, que gira em torno do centro da galáxia, que gira em torno do centro do Universo. 

Afinar-se ao ciclo do Sol é afinar-se ao diapasão Universal e, assim, ao pulsar da vida em você. É afinar-se aos ritmos maiores do Universo. É deixar com que a vida flua em suas artérias conforme seu projeto original. É afinar-se ao ritmo que sustenta a tudo no Universo. É afinar-se ao seu propósito original, a lei evolutiva que sustenta a você e a tudo no Universo. Fazer uma conexão de seus ritmos internos com o Sol nesse dia não é apenas aproveitar uma chance de obter vigor e uma melhor saúde para todo o ano, mas a maior facilidade de adquirir clareza de quem se é, de quais os seus propósitos individuais e quais assuntos dizem respeito a você, somente a você. 

O início de um novo ciclo é quando se instala o ritmo em que tudo se desenvolverá dentro dele. É onde se instala “mapa astral” do ano. A maneira como o Sol está se comportando, dará o “tom” em que tudo se desenvolverá nesse ano. A maneira com que você se comporta nesse momento de transição, influenciará o que há de crescer ou diminuir em você no novo ciclo. 

Quanto mais profunda sua meditação durante os dias que cercam o periélio, e principalmente no próprio dia, maior sua afinação consigo mesmo, com sua fonte e com o novo ciclo do Sol. Esse liame com o ritmo solar irá refletir de muitas maneiras saudáveis para você. 

Se você é uma pessoa que vem buscando o auto-aprofundamento, mas seus esforços vêm esbarrando em dificuldades, falta de clareza, auto-sabotagem, falta de energia e ânimo para esse empreendimento, falta de ritmo ou perseverança em sua busca e você gostaria que fosse diferente, use esse momento como aliado. A sintonia com a dinâmica do novo ciclo do Sol vai injetar ânimo e uma autoconfiança sadia capaz de viabilizar a jornada na direção de realizar o próprio self. Não que baste afinar-se ao momento solar, mas se você é dessas pessoas que deseja ardentemente um salto quântico de autoconsciência e não tem encontrado forças ou clareza para ir mais adiante, esse pode ser o momento ideal para descobrir onde essas forças e clareza se escondem. 

Se você não estiver interessado em autoconhecimento mas deseja ser mais saudável, afinar-se ao ritmo do Sol no início de um ciclo de translação da Terra (dia 4) pode ser útil a você por outras razões. Na Índia se diz que temos cinco pranas em nosso corpo e que o que diferencia um prana do outro é o ritmo de cada um deles. Todos os cinco são na realidade a mesma energia, o mesmo prana, vibrando em diferentes ritmos que, uma vez afinados ao mesmo diapasão, criam as condições ideais para um corpo saudável. E, uma vez afinados não apenas entre si, mas ao “ritmo das esferas celestes”, garante um suporte extra de capacidade para reagir a qualquer doença oportunista; proporciona um sistema imunológico natural. 

Se você não vem buscando nem o autoconhecimento e nem se preocupa com a saúde, mas deseja um maior sentimento de felicidade, afinar-se ao sol nesses dias também pode ser mais do que útil. Uma vez afinados nossos 5 pranas ao “diapasão universal”, temos uma sensação de pertencimento à vida, ao lugar em que estamos e a todo o Universo. Quando isso acontece, qualquer contrariedade terá que fazer um esforço muito grande para conseguir nos provocar qualquer sensação de desconforto. Todo sorriso se impregnará de presença solar. 

Qualquer dia do ano serve para que nos afinemos mais aos “ritmos naturais do sistema solar” e colhamos esses benefícios, mas, no dia 4, onde a Terra estará 3% mais próxima dele que o normal e estará no momento mais rápido de sua translação, todas as possibilidades de mudança e de auto-sintonização estarão aumentadas. Um aparente “pequeno aumento”, mas que faz a diferença para que consigamos fazer as mudanças mais essenciais em nós. 

O início de um novo ciclo solar proporciona sempre e reiteradamente o impulso extra e necessário para quem busca um grande salto quântico em sua lucidez, saúde e felicidade. Bom proveito e feliz ano novo!

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Leia também:

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763 

Simplicidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1544

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5 Responses to O Sentido do Reveillon

  • Noemy Mortari e Silva Santos:

    Perfeito, Pedro. Venho buscando essa integração há tempos por meios diversos, várias práticas, principalmente meditação e autoconhecimento.
    Dia 04 de janeiro faço aniversário, e sinto necessidade de estar “em retiro” comigo e com a fonte. Sempre ocorreu isso, antes mesmo de estudos astrológicos e correlatos, apesar da constante solicitação de amigos para festejarmos a data. Você pode adicionar algum comentário específico? Muita luz! Noemy

  • Sandra Helena ilhar Di Filippo:

    Beleza!

  • Ana Maria Prazeres da Guia:

    Gostei demais de ler este texto. É muito bom encontrar respostas para perguntas silenciosas que moram dentro da gente e sempre despertam nessa ocasião. Fim de ano sempre traz a sensação de fechamento de um ciclo e abertura de outro. Mas ficamos perdidos em divagações sem respostas. Lendo o texto percebo resposta prática e clara. Aproveito para desejar um lindo ano cheio de paz e harmonia.

  • Lucy:

    Muito bom…luz e paz!!

  • Sueli Canova:

    Olá Pedro!

    Gostei muito de seu texto, conseguiu explicar de forma clara e muito simples o que muitas vezes fica difícil compreender, muito esclarecedor.
    Comemorarei com mais Esperança este dia!

    Feliz Ano Novo !

    Sueli

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