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Afogado no Mar sem Horizonte

Afogado no Mar sem Horizonte

 

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Ai, caio,
como um raio.

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!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Admiro sua profundidade, mesmo que, em lugar equivocado. Você aprofunda os sete palmos da derradeira retirada do mundo e nomeia de vida profunda o que é a própria fuga da vida. Suas palavras fortes me sensibilizam, a intensidade da sua seiva é nobre, mas, envenenada. Admiro o que há de honesto na sua busca, mas, repudio e temo, temo o que há de desvio, de veneno amargo e cruel, esse veneno com o qual você se acostumou, se enamorou e por fim se viciou, esse veneno que tem te mantido vivo, mas nos cinco por cento de vitalidade, não responde nem às suas questões. Não é honesto achar que ele responda à minha. 

Por favor, poupe-me. Como tem poupado aliás, entre momentos de perigo de erupção dos seus instintos mais incontroláveis. A delicadeza hipócrita que você acusa de mediar nossas conversas e eternizar o erro de nossa relação atrapalhada, tem sido sobrevivência para nós. Conheço, talvez como só você conheça, seu lado lobisomem e vampiro, que tantas vezes vi acordado e excitado à Lua Cheia e à Nova. Ele já está insegurável, querendo aparecer até sob o Sol. Ora ora. Afago seus pelos e ele me rosna, resignado, com medo de que a mordida seja fatal e definitiva, o fim do próprio lobisomem. Ok. Você se esconde por trás das palavras fortes e eu, impotente, tento me revelar nelas. Meu lado vampiro, suga cada gota do néctar inteligente que se derrama de seu desespero por mim, na esperança de lançar luz sobre tudo isso, e sobre todo o resto. 

Cruelmente, busco luz no generoso sacrifício, embalado pela sinfonia do seu desespero. Escuto só a abertura. Nunca tenho coragem de ficar até o auge, com medo de que a desgraça anunciada no primeiro movimento se consuma. Não há por que não se consumar. Mas, no dia seguinte, te provoco a cantar novamente a abertura, que me alimenta, preenche e também me permite continuar, continuar nossa história sem desfecho, de dois amantes, que até hoje não sabem se se escolheram ou se foram simplesmente riscados na mesma pauta, mas que sabem não poder escapar do convívio comum, do fluir de um coração rumo ao outro, de uma alma que deita, com rara delicadeza, os olhos sobre a sensibilidade da outra e, corre de um lado a outro antes que algo mais se consuma. Algo que se anuncia trágico. Algo que se ambiciona trágico e que se teme trágico. Você é desejo e medo. O você que ainda não se conseguiu inventar é o meu desejo, assim como sei que o eu que ainda não consegui inventar é o seu pavor. 

É cínico sim. Sou cínico também, mas, por favor, não condene já o cinismo. Devemos a ele, talvez, a mais importante relação afetiva que já ousamos, por mais que não ousemos e teimemos em não ousar. Devemos a ele a não existência da relação, mas devemos também sua possibilidade de existir. Talvez, se pudermos desmontar com calma o cinismo, possamos nos ir aproximando devagar, da única maneira possível sem que nossos fogos, eternamente apaixonados, devorem a vida que há em nós. 

Mas você. Você dinamita, súbito, o cinismo, em ímpetos incontidos de se revelar. E não se revela em coisa alguma. E eu mais uma vez assisto. Que jeito. Assisto ao show que já conheço, do desespero existencial de quem quer se apresentar inteiro, de quem não aguenta mais suas faltas e carências, que você sabe que não vieram de mim, mas que nutre a esperança de que eu seja solução. Esperança cínica você sabe, esperança de quem sabe que se engana para continuar remando o barco, remando, remando… e você tira ganhos disso, claro que tira. Mas sabe que os ganhos são migalhas. Te mantêm respirando, mas em caixa baixa. À meia vela. Qual o sentido? 

Vou remando também sabendo que há algum descanso quando me atraco ao seu barco, e pegamos carona um na meia vela do outro… Mas não somos vocacionados para a metade. Nunca fomos ou nunca acreditamos sê-lo. Em, nosso mar sem fim, planamos e criamos nossas próprias tempestades para contornar a monotonia. Você teme a melancolia. Você teme a monotonia. Eu, o abandono. E me sinto estranhamente não abandonado por você, como não conhecia, como não me sentia, talvez, há vidas. Mas, sei que você não me entende nada. Não quer. Não pode. Tão ocupado que está em me fantasiar como o fim do seu sofrimento e isolamento. Mas, da maneira que você imagina, não, da maneira que podia ser. 

De qualquer modo, você é ousado. E me quer ver usado. Você me pede verdades existenciais, que quando começo a dizê-las, você se esconde feito filhote de lobo apavorado. Depois, fantasia que conversamos como lobos adultos. Não. Não faça isso. Ainda não é a solução. Nem ao menos o encaminhamento do nosso caso. 

Antes, é a manutenção de tudo o que ele tem de bonito e de feio em banho-maria. Aceito que não digeri o que vomito sobre você, e, agradeço – como sempre agradeci – tua sinceridade neste ponto. Não sei se conseguirei digerir. Isso seria maturidade e você sabe – sempre reclamou disso – o quanto isso é difícil para mim agora. Mas, começarei devargarinho, tentando comer o angu pelas bordas. Mas, confesso que também o quero adulto. E, o meu lado criança que você implica e cobra, é dele que o seu vampiro se alimenta, na dificuldade de se prover do próprio sangue. 

Também enxergo onde você não digere. Talvez os deuses pudessem ser mais generosos e ter nos permitido, a nós dois, nos enxergarmos com a mesma clareza e falta de pontos cegos com que enxergamos um ao outro. Ou pelo menos nos desse a sabedoria de enxergar um pouco mais, um pelos olhos do outro. Admiro sua lucidez, mas odeio sua cegueira. Mas não tenho o direito de te cobrar nada. Você, que foi mais generoso, atencioso e delicado comigo do que tudo mais de anterior. Você que foi curativo nem sei de quê em mim… mas de qualquer maneira, sofro por não podermos ir adiante. Uma relação tão oceânica e.. sem horizonte. Eu com medo de me afogar, e você de morrer de sede. Eu feliz, e você fisgado na rede. Você sonhando com pedras e facas que me atira e eu, atônito te ligando para dizer que não entendi. Claro que entendi. Quis dizer apenas que não sei de onde vem isso. Certamente, não foi de mim. Deve ter vindo desse oceano sem fim. 

Oceano que é você, que sou eu, que passa por nós. 

 

No dia seguinte, após o sono…

 

Faltou dizer: 

Se te vomito o que não digeri, você vomita para todos a tua indigestão, numa súplica de que alguém mais engula e dê conta das pedras que acordaram teu paladar. Mas, que você não suportou. Você é corajoso para engolir, mas despreparado para dar conta. E metralha pedras, paus e facas para todo lado. Reverencia o velho ditado passarinho-que-come-pedra-sabe-o-cu-que-tem, mas, com seu pescoço magro e comprido, prefere ser a girafa, que regurgita o que engoliu sem ter passado todo o trato intestinal. Suas entranhas retêm o alimento, num gesto egoísta/vivencial, mas, você também não suporta retê-lo, quer compartilhar, do jeito torto, achando que tenho complexo de Cronos, e que vou bem-vindar suas pedras disfarçadas de filhos. 

Deixo-as para você, que tanto as reverencia e adora. Mas, não deixo de te adorar, com ou sem pedra, tua indigestão, teu vômito, e as flores que nascem no esterco fétido de tua matéria decomposta. Você, que só consegue vislumbrar o paraíso através do contraste do inferno, você que constrói e sustenta o inferno com a esperança de enxergar o mais sublime, mas reconheço, com uma coragem inigualável quando diz: o que vier eu traço. Mas, não traça. Risca traços, mas não traça. Antes de ser poeta, você já era. Mas você procura na poesia o que já existia antes dela. E, como não dizer, me alimenta de poesia, com o gosto e os traços daquilo que está além dela, com o cheiro do que queremos e ambicionamos. Mas, por que não dar o passo? Por que não atravessar para o lado do sublime? Por que o apego às cicatrizes? Elas podem ser o mapa, indicar o caminho, mas não são o paraíso almejado. Nem substituto à altura. Talvez se você não me chicoteasse com sua dor, fosse possível a comunhão desejada. Talvez se eu ousasse os riscos de sua emotividade torta, pudéssemos ir adiante em algo mais, ou quem sabe em tudo mais. Talvez, mas, dessa vez não foi. Não pude, não soube. 

A hipocrisia tem nos salvado do pior. A doçura tem mantido a possibilidade. A possibilidade que nos engana, mas que mantém um fio vivo, e desse fio, também tento decifrar o carretel. Decifro-te ou devoro-te. Sem pressa, mas o faço. E pergunto: podemos dar um passo adiante? Agora??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????? 

Pedro Tornaghi

“Os Dragões não Reconhecem o Paraíso”

 

À Beira do Mar Aberto

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………e de novo me vens e me contas do mar aberto das costas de tua terra, do vento gelado soprando desde o pólo, nos invernos, sem nenhuma baía, nenhuma gaivota ou albatroz sobrevoando rasante o cinza das águas para mergulhar, como certa vez, em algum lugar, rápido iscando um peixe no bico agudo, mas essas outras águas que lembro eram claras verdes, havia sol e acho que também um reflexo de prata no bico da ave no momento justo do mergulho, nessas águas de que me falas quando me tomas assim e me levas para histórias ou caminhadas sem fim não há verde nem é claro, o sol não transpõe as nuvens, e te imagino então parado sozinho entre a faixa interminável de areia, o vento que bate em teu rosto, as mãos com os dedos roxos de frio enfiadas até o fundo dos bolos, o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos, e eu sem saber que me envolve agora quando teu olho outra vez escorrega para fora e longe do meu, entre tua testa larga de onde às vezes costuma afastar os cabelos com ambas as mãos, numa mistura de preguiça e sensualidade expostas, e quando teu olho se afasta assim, não sei para onde, talvez para esse mesmo lugar onde te encontravas ontem, à beira do mar aberto, onde não penetro, como não te penetro agora, mas é quando a pedra ou faca no fundo do meu olho afasta o teu é que te olho detalhado, e nunca saberás quanto e como já conheço cada milímetro da tua pele, esses vincos cada vez mais fundos circundando as sobrancelhas que se erguem súbitas para depois diluírem-se em pêlos cada vez mais ralos, até a região onde os raspas quase sempre mal, e conheço também esses tocos de pêlos duros e secretos, escondidos sob teu lábio inferior, levemente partido ao meio, e tão dissimulado te espio que nunca me percebes assim, te devassando como se através de cada fiapo, de cada poro, pudesse chegar a esse mais de dentro que me escondes sutil, obstinado, através de histórias como essa, do mar, das velhas tias, das iniciações, dos exílios, das prisões, das cicatrizes, e em tudo que me contas pensando, suponho, que é teu jeito de dar-se a mim, percebo farpado que te escondes ainda mais, como se te contando a mim negasses quase deliberado a possibilidade de te descobrir atrás e além de tudo que me dizes, é por isso que me escondo dessas tuas histórias que me enredam cada vez mais no que não és tu, mas o que foste, tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno, veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar por inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar, talvez penalizado do teu olho que não se debruça sobre nenhum outro assim como sobre o meu, temendo a faca, a pedra, o gume das tuas histórias longas, das tuas memórias tristes, cheias de corredores mofados, donzelas velha trancadas em seus quartos, balcões abertos sobre ruazinhas onde moças solteiras secam o cabelo, exibindo os peitos, tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar enquanto meus dentes penetrando nas veias de tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente, de cada vez que me procuras e me tomas, contudo me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência, e me anoiteço ainda mais e me entrevo tanto quando estás presente e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, onde teu dedo não roce tão passageiro no meu braço, onde te detenhas mais demorando sobre isso que sou e penses que sabe que se aceito tuas tramas, e vomitas sobre mim, e depois puxa a descarga e te vais, me deixando repleto dos restos amargos do que não digeriste, mas mesmo assim penses que poderias aceitar também meus jogos, esses que não proponho, ah detritos, mas tudo isso é inútil e bem sei de como tenho tentado me alimentar dessa casca suja que chamamos com fome e pena de pequenas-esperanças, enquanto definho feito um animal alimentado, apenas com água, uma água rala e pouca, não essa densa espessa turva do mar de que me falaste no começo da tarde que agora vai-se indo devagar atrás das minhas costas, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone, recomponho sozinho um por um dos teus traços, dos teus pêlos, para que quando esses teus olhos escuros e parados como as águas do mar de inverno na praia onde talvez caminhes ainda, enquanto me adentro em gumes, resvalaram outra vez pelos meus, que seu fio esteja tão aguçado que possa rasgar-te até o fundo, para que te arrastes nesse chão que juncamos todos os dias de papéis rabiscadas e pontas de cigarro, sangrando e gemendo, a implorar de mim aquele mesmo gesto que nunca fizeste, e nem sempre sei exatamente qual seria, mas que nos arrancasse brusco e definitivo dessa mentira gentil onde não sei se deliberados ou casuais afundamos pouco a pouco, bêbados como moscas sobre açúcar, melados de nossa própria cínica doçura acovardada, contaminado por nossa falsa pureza, encharcados de palavras e literatura, e depois nos jogasse completamente nus, sem nenhuma história, sem nenhuma palavra, nessa mesma beira de mar das costas da tua terra, e de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno porco que me ilumina e me anoitece a cada dia, e passo a passo afundo nesse charco que não sei se é o grande conhecimento de nós ou o imenso engano de ti e de mim, nos afastamos depois cautelosos ao entardecer, e na solidão de cada um sei que tecemos lentos nossa próxima mentira, tão bem urdida que na manhã seguinte será como verdade pura e sorriremos amenos, desviando os olhos, corriqueiros, à medida que o dia avança estruturando milímetro a milímetro uma harmonia que só desabará levemente em cada roçar temeroso de olhos ou de peles, os gelos, os vermes roendo os porões que insistimos em manter até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerosa para quem sabe explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele que recusamos tocar por nojo ou covardia ou paixão tão endemoniada que não suportaria a água benta de seu próprio batismo, e enquanto falas e me enredas e me envolves e me fascinas com tua voz monocórdia e sempre baixa, de estranho acento estrangeiro, penso sempre que o mar não é esse denso escuro que me contas, sem palmeiras nem ilhas nem baías nem gaivotas, mas um outro mais claro e verde, num lugar qualquer onde é sempre verão e as emoções limpas como as areias que pisamos, não sabes desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, faminta, as pequenas-esperanças, mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui……………………………………………………………….

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Caio Fernando Abreu

Os Dragões não Conhecem o Paraíso

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4 Responses to Afogado no Mar sem Horizonte

  • maria matos:

    kkkkkk Comentários… só depois de saborear lenta e profundamente linha por linha no largar-me solta no vagar em minha rede… pois já me vejo em estado de devaneio afogada em mares de Tornaghi e caída na profundezas dos extratos indigestos de um Caio esplendoroso…
    E só mesmo a rede conseguiria captar as sensações de um certo estado Caio&Tornaghi!!!! KKKKKKK
    A vida sem vocês dois …..sei não…. impensável!!!
    GRATA POR SUAS EXISTÊNCIAS!!!!

  • andrea guimaraes phebo:

    Comunhão de almas…
    Arrebatador!

  • ar nor:

    Afogado me sinto no teu Mar de Criatividade, de Vida, horizontes impensados, distantes e pertos de mim.
    Obrigado pelo deleite de te ler e ouvir o murmúrio do mar que inventaste.

  • Vislumbro o meu ideal de encontrar-me neste teu mar tão próximo de nossos sonhos de um mar capaz de nos transpor a horizontes nunca dante navegados…
    Grata por poder imaginar e ouvir o som; deste mar que inventaste.

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