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Krishnamurti – Relacionamento

Relacionamento

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A relação baseada em necessidade mútua apenas gera conflito. Sendo interdependentes um do outro, estamos usando um ao outro para um propósito, para um fim. Com um fim em vista, não há relação. Você pode me usar e eu posso usá-lo. Neste uso, perdemos contato. Uma sociedade baseada no uso mútuo é a base da violência.

Quando usamos o outro, temos apenas o quadro do fim a ser alcançado. O fim, o ganho impede a relação, a comunhão. No uso do outro, conquanto gratificante e confortante possa ser, existe sempre medo. Para evitar este medo, devemos possuir. Desta posse surge inveja, suspeita e constante conflito. Tal relação não pode nunca trazer felicidade. Uma sociedade cuja estrutura se baseia na mera necessidade, seja fisiológica ou psicológica, deve gerar conflito, confusão e miséria. A sociedade é a projeção de você mesmo em relação com o outro, onde a necessidade e o uso são predominantes. Quando você usa o outro para sua necessidade, física ou psicologicamente, na realidade não existe absolutamente relação; você realmente não tem contato com o outro, nem comunhão com o outro. Como você pode ter comunhão com o outro quando o outro é usado como uma peça da mobília, para sua conveniência e conforto? Portanto, é essencial compreender o significado da relação na vida cotidiana.

Krishnamurti

The Book of Life

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A aprendizagem nunca é acumulativa 

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Aprender é uma coisa e adquirir conhecimento é outra. Aprender é um processo contínuo, não um processo de adição, não um processo em que você acumula e, então, age.

A maioria de nós acumula conhecimento como memória, como ideia, armazena como experiência, e daí age. Ou seja, nós agimos a partir do conhecimento, conhecimento tecnológico, conhecimento da experiência, conhecimento da tradição, conhecimento derivado das tendências particulares da pessoa; com essa base, com essa acumulação de conhecimento, de experiência, nós agimos. Nesse processo não existe aprendizagem.

A aprendizagem nunca é acumulativa; ela é um movimento constante. Eu não sei se você já examinou essa questão de fato: o que é aprender e o que é a aquisição de conhecimento? Aprender nunca é acumulativo. Você não pode armazenar aprendizagem e, então, desse armazenamento agir. Você aprende conforme vai prosseguindo. Assim, não há nunca um momento de retrocesso ou deterioração ou declínio.

Krishnamurti

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No limite do pensamento

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Já lhe aconteceu – estou certo que sim – de, de repente, perceber uma adversidade e, nesse momento de percepção, você não ter mais nenhum problema? No exato momento em que você percebeu o problema, ele cessou completamente!

Compreende? Você tem um problema, e pensa a respeito dele, argumenta, se preocupa… você usa todos os recursos dentro dos limites de seu pensamento para compreendê-lo. Finalmente diz: “Não posso fazer mais nada”. E não há ninguém ali para ajudá-lo a compreender, nenhum guru, nenhum livro… você é deixado com o problema, e não há saída! Tendo examinado o problema, com toda sua capacidade, você o abandona. Sua mente não está mais preocupada, nem se dilacerando pelo problema, nem dizendo: “Preciso encontrar uma solução!” Então ela fica quieta, não fica? E, nessa quietude, você encontra a resposta.

Aconteceu com você alguma vez? Não é algo extraordinário? Acontece com grandes matemáticos, cientistas, e muita gente experimenta isso ocasionalmente na vida diária. Significa o quê? A mente exerceu integralmente sua capacidade de pensar, e chegou ao limite de todo pensar sem ter encontrado uma solução; então ela ficou quieta não pelo cansaço ou fadiga – e também não por dizer “eu vou ficar quieta e, assim, encontrar a resposta”. Já tendo feito todo o possível para encontrar a solução, a mente se torna espontaneamente quieta. Há uma atenção sem escolha, sem nenhuma demanda, uma atenção desprovida de ansiedade e, nesse estado de mente, há percepção. Apenas essa percepção resolverá todos os nossos problemas. 

Krishnamurti

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O  intelecto não resolverá nossos problemas

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A maioria de nós é bastante indiferente ao extraordinário universo à nossa volta; nós nunca assistimos ao ondular da folha ao vento; não olhamos a folha de grama, não a tocamos com a mão e apreciamos sua qualidade de ser. Isso não é apenas ser poético, dessa maneira, não encoraje em si um escutar especulativo e emocional ao que digo.  

Digo ser essencial o sentimento profundo pela vida e não permanecer preso entre ramificações intelectuais, discussões, buscar aprovações em exames, citar e deixar alguma coisa de lado dizendo que aquilo já foi dito. O intelecto não é o caminho. O intelecto não resolverá nossos problemas; o intelecto não nos concederá a nutrição inexaurível. O intelecto pode raciocinar, discutir, analisar, chegar a uma conclusão por inferências e assim por diante, mas o intelecto é limitado, uma vez que é resultado de nosso condicionamento.  

Mas a sensibilidade não é limitada. A sensibilidade não se submete a condicionamentos; ela retira você, de maneira direta, do espaço de medos e angústias. Nós gastamos os dias e anos cultivando o intelecto, argumentando, discutindo, brigando, lutando para ser alguma coisa e assim por diante. E contudo, este extraordinário e belo mundo, esta terra tão rica – não a terra de Bombaim, a terra Punjab, a terra russa ou a terra americana – esta terra inteira é nossa, sua e minha, e isso não é bobagem sentimental; isso é um fato. Mas infelizmente nós a dividimos por nossa insignificância, nosso provincianismo. E sabemos por que o fizemos, para nossa segurança, por melhores e mais empregos. Esse é o jogo político que está sendo jogado mundo afora, e assim esquecemos de sermos seres humanos, de vivermos felizmente nesta terra que é nossa, de fazermos alguma coisa por ela.

Krishnamurti

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A verdade é um estado de ser 

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Não há caminho para a verdade, e não há duas verdades. A verdade não está no passado ou no presente, ela é eterna; e o homem que cita a verdade de Buda, Shankara ou Cristo, ou quem meramente repete o que digo, não descobrirá a verdade, porque repetição não é a verdade. A repetição é uma mentira. Verdade é um estado de ser que surge quando a mente – que busca dividir, ser exclusiva, que só pode pensar em termos de resultado, de aquisição – chega a um fim. Só então haverá verdade.

A mente que está se esforçando, se disciplinando para atingir um fim, não pode conhecer a verdade, pois o fim é sua própria projeção; e a busca dessa projeção, embora nobre, é uma forma de auto-adoração. Tal ser está adorando a si mesmo e, portanto, não pode conhecer a verdade. A verdade está disponível para ser conhecida apenas quando compreendemos todo o processo da mente, ou seja, quando não há luta. 

Krishnamurti, The Book of Life

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A verdade não tem lugar permanente   

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A verdade é um fato, e o fato só pode ser compreendido quando as várias coisas que foram postas entre a mente e o fato são removidas. O fato é nossa relação com a propriedade, com sua esposa, com os seres humanos, a natureza, as ideias; e enquanto você não compreender o fato da relação, sua busca por Deus somente aumenta a confusão porque é uma substituição, uma fuga e, portanto, não tem significação.

Enquanto você dominar sua esposa ou ela dominar você, enquanto você possuir e for possuído, não pode conhecer o amor; enquanto você estiver suprimindo, substituindo, enquanto for ambicioso, não pode conhecer a verdade.

Só conhecerá a verdade aquele que não está buscando, não está lutando, não está tentando conseguir um resultado. A verdade não é contínua, ela não tem lugar permanente, ela só pode ser vista de momento a momento. A verdade é sempre nova, por isso eterna. O que foi verdade ontem, não é verdade hoje, o que é verdade hoje, não é verdade amanhã. A verdade não tem continuidade. É a mente que quer tornar contínua a experiência que ela chama verdade, e tal mente não conhecerá a verdade. A verdade é sempre nova; ela é ver o mesmo sorriso, e ver esse sorriso de novo, ver a mesma pessoa, e ver essa pessoa de novo, ver as palmeiras ondulantes de novo, encontrar a vida de novo.

Krishnamurti, The Book of Life

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 Deve-se ir profundo para conhecer a alegria

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Muitos poucos de nós apreciamos alguma coisa. Temos muito pouca alegria ao ver o pôr-do-sol, a lua cheia, uma bela pessoa, uma linda árvore, um pássaro voando ou uma dança. Nós realmente não apreciamos coisa alguma. Olhamos para ela, ficamos superficialmente entretidos ou excitados, temos uma sensação que chamamos alegria. Mas alegria é uma coisa muito mais profunda, que deve ser compreendida e examinada. Conforme envelhecemos, embora queiramos apreciar as coisas, o melhor de nós se foi; queremos apreciar outros tipos de sensações – paixões, luxúria, poder, posição. Estas são as coisas normais da vida. Embora sejam superficiais, elas não devem ser condenadas nem justificadas, mas compreendidas e terem seu lugar adequado. Se você as condena por serem sem valor, como sendo sensacionais, estúpidas ou não espirituais, você destrói todo o processo do viver.

Para conhecer a alegria a pessoa deve ir muito mais fundo. Alegria não é simples sensação. Requer extraordinário refinamento da mente, mas não o refinamento do ego que junta mais e mais para si mesmo. A pessoa deve compreender esta coisa extraordinária; do contrário, a vida se torna pequena, insignificante, superficial: nascer, aprender algumas coisas, sofrer, criar filhos, ter responsabilidade, ganhar dinheiro, ter um pouco de diversão intelectual e, então, morrer.

Krishnamurti
The Book of Life

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A arte de ouvir é a arte da liberação

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Alguém está lhe dizendo alguma coisa, você ouve. O próprio ato de ouvir é o ato de liberação. Quando você vê o fato, a própria percepção desse fato é a liberação desse fato. O próprio ouvir, o próprio ver algo somente como um fato, tem um extraordinário efeito sem o esforço do pensamento. Tomemos algo, digamos, a ambição; nós já examinamos suficientemente o que ela faz, que efeitos tem. Uma mente que é ambiciosa nunca pode conhecer o que é simpatizar, ter piedade, amar. Uma mente ambiciosa é uma mente cruel, seja espiritualmente, psicologicamente ou externamente.

Você ouviu o que falei. Mas, quando ouve, traduz e diz “Como posso viver neste mundo construído sobre a ambição?” Ou seja, você não ouviu. Você reagiu a uma informação, a um fato. Então, não está olhando para o fato. Está apenas traduzindo para si o fato ou dando uma opinião sobre ele ou respondendo a ele; ou seja, não está olhando para ele. Se você ouve sem qualquer avaliação, reação ou julgamento, certamente o fato cria uma energia que destrói, varre, afasta qualquer ambição que crie conflito. 

Krishnamurti
The Book of Life

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Libertando a Inteligência

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A primeira coisa a fazer, se me permite sugerir, é descobrir por que você pensa de certo jeito, e por que sente de certa maneira. Não tente alterar isto, não tente analisar seus pensamentos e suas emoções; mas fique consciente de por que você está pensando em uma trilha particular e a partir de qual motivo você age.

E embora você possa descobrir esse motivo através da análise, sua descoberta não será real; será real apenas quando você estiver intensamente cônscio, no exato momento em que seu seu pensamento e emoção acontecem; nesse momento você verá a extraordinária sutileza deles, sua fina delicadeza.

Enquanto você tiver um “devo” e um “não devo”, nesta compulsão nunca descobrirá essa rápida viagem do pensamento e da emoção, e estou certo de que na escola lhe foi ensinado o “devo” e “não devo”.

Isto não significará licenciosidade, mas tornar-se cônscio de uma mente que está sempre dizendo “eu devo” ou “eu não devo”. Nesse momento, como a flor que desabrocha pela manhã, a inteligência acontecerá, ela estará ali, operando, criando compreensão.

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Krishnamurti
The Book of Life

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11 Responses to Krishnamurti – Relacionamento

  • Jane Leipnitz:

    Pedro, não há o que comentar. Acho impecável a forma como transmites o recado. As escolhas, o momento em que colocas à disposição de todos, sempre é a hora certa.
    Obrigada!

  • Izidoro:

    Pedro
    Krishnamurti sempre é uma novidade. Das coisas mais simples ele nos oferece uma nova reflexão que muda tudo, o nosso próprio motivo que nos damos para existir. Tenho admirado muito seu trabalho, principalmente com ênfase a neuromeditação. Parabéns pela sua iluminação.

  • Maria Angela Grolla Zanol Cavalcanti:

    Pedro…As coisas só acontecem quando têm que acontecer, tudo a seu tempo. Obrigado por nos dedicar momentos de reflexão profundos e significativos.
    Paz pra ti!
    Ângela

  • sheina maia waldek:

    Desde menina escuto comentários sobre ele, e ele continua atual, ele fala para o nosso presente. Obrigado, mais uma vez, por mais essa joia que você nos oferece. Saudade

  • edith fernandes souto:

    Amo todos seus ensinamentos, esse de alegria ao ver as cisas, como o céu, o mar e as estrelas é lindo. Abraços e continue sempre a nos ensinar algo.

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    …. ahân… sei… … …

    … e… também gosto mais do Osho “Seu” Krishnamurti,…. …

    porque além de mais generoso, ele sempre está bem humorado, sorrindo,

    olha as pessoas nos olhos, não faz patrulhas sutis…

    e nem tenta esconder a careca trazendo para frente o cabelo da nuca!!! : 0)

  • ROSA:

    SALVE PESCADOR DE VERDADES….

  • Josiane Prado:

    Muito obrigado pela sua ajuda… Lindíssimas palavras!

  • Vanda Vaz de Carvalho:

    A minha essência Divina saúda a tua essência Divina com o propósito da Luz e da Criação!
    Que viagem esta de Amor que me trouxe aqui.
    V

  • valdir bergamo:

    Krshnamurti é o único que pode estar ao nível de um Osho, Shankaracharya ou mesmo um Gurdjieff. Excelente.

  • valdir bergamo:

    Por sorte estiveram na Terra Mestres que diziam não sê-lo. Krshnamurti era um deles. Parabéns.

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