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O Jardim Interno Intocado

O Jardim Interno Intocado

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Pedro Tornaghi

“Amor, clamam todas as pedras”

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A palavra Anahata, que nomeia o Chakra do Coração em sânscrito, significa invicto, inviolado. Se carregamos mágoas no peito, elas se hospedam no espaço externo desse Chakra, encobrindo-o e impedindo nosso contato com ele, mas não penetram no íntimo dele. No momento em que entramos em contato com o chakra, percebemos que a essência de nosso sentimento nunca foi violada por nada que possa ter contrariado nossas vontades e convicções.

O centro do Anahata Chakra é um espaço onde a pureza e a inocência estão intocadas e preservadas. Esse espaço secreto é o Shangri-lá que todos temos no peito, nosso jardim secreto, com flores de uma fragrância especial e divina, de um aroma íntimo, que revela os segredos da inspiração e da felicidade. Ao tocá-lo, evaporam-se quaisquer sentimentos de rancor, vingança ou mesquinhez. O Chakra do Coração traz consigo a possibilidade de entrarmos em contato com um espaço interno que permanece puro e intocado por todas as incompreensões e violentações de nossa biografia. Nesse lugar, nos percebemos plenos, sadios e capazes de lidar com cada situação nova à nossa frente, de maneira harmônica. Muitos dizem que esse chakra possui uma infinita capacidade de regeneração emocional, mas, na verdade, ele permite o contato com algo que nunca chegou a ser maculado e não precisa ser regenerado – a capacidade de amar, que se mostra inteiramente viva dentro de nós. No caminho até o centro do chakra podemos encontrar barreiras, nuances, sinuosidades e até caminhos tortuosos. Se anteriormente fomos estimulados a abafar a manifestação do chakra, as dificuldades se apresentam, mas o caminho até ele existe. E, se fomos nós quem o tampamos por inconsciência, podemos desimpedí-lo com a meditação. De qualquer modo, o centro do chakra permanece intacto e fresco. O tesouro permanece aí, inviolado.

O Anahata Chakra promove regularidade à vida, sem que essa regularidade se confunda com monotonia. No centro dele é possível escutar o “anahata-nada”. Nada, na Índia ancestral, significa som. O Anahata-nada é um som contínuo, não corrompido, sem início e sem fim, que podemos escutar desde o princípio até o final dos tempos – se é que existe um final dos tempos. É um som infinito e ao escutá-lo, temos – só por esse ato – uma conexão direta com o infinito, uma afinidade de nossa alma individual com a alma universal e ilimitada.

A palavra Anahata também pode ser traduzida por “não tocado”. Este chakra – do coração e do afeto – nos leva a uma sensação de virgindade em relação ao mundo, nos sentimos virgens em cada novo instante que vivemos, limpos e livres para viver o momento de uma maneira totalmente fresca e nova. Quando se chama o conteúdo desse chakra de “não tocado”, evidencia-se que o amor experimentado anteriormente é diferente do amor que brota agora. E será sempre diferente, a cada vez. É como ilustra a parábola de Heráclito: “não se pode pisar duas vezes no mesmo rio”; você pode dar o mesmo nome ao rio que está à sua frente e ao que estava ontem, mas a água que está passando nele é outra. Ele é outro. O amor é sempre inédito, é sempre verde, é sempre algo surgindo do nada dentro de nós. É uma força brotando do zero.

 

Brahman

 

A expressão “não tocado” remete ao imanifestado: Brahman. Brahman é o nome que se dá na Índia à essência divina que não tem forma. Esse chakra permite uma intimidade tal com Brahman – o impalpável – que parece que ele foi apalpado. Ele permite sentir a fragrância do não manifestado, ouvir o som do silêncio maior. Por um lado, percebemos que a sua essência é tão sutil que não pode ser tangida, mas, por outro lado, tão próxima que parece tateável. Aqui podemos vivenciar o que não pode ser tangido pelos dedos, o que as mãos emitem, mas não podem segurar: o amor.

O amor, essa substância formadora da própria existência. São Francisco de Assis dizia: “Amor clamam todas as pedras”. O amor quando o experimentamos, percebemos que tudo em volta grita por ele, tudo em volta o almeja, o quer, o deseja ardentemente, anseia por ele, tudo em volta se alimenta dele e se desenvolve a partir dele, da energia dele. A expressão “não tocado” faz referência ao som que se ouve quando se penetra fundo no Anahata Chakra, o som de Brahman, a perfeita melodia do silêncio. É um som não expresso, não é proferido por nós – ele é apenas escutado, apenas percebido. Quando o contatamos o espaço onde ele ecoa, não podemos mais interferir, só podemos usufruir, curtir. 

O coração físico cuida do ritmo da circulação. O Chakra do Coração, quando funcionando na plenitude, ordena as funções do coração e organiza os diversos ritmos do corpo. Ele sintoniza o pulsar do coração físico com o emocional, o vital, o mental e o espiritual, proporcionando a harmonização entre os ritmos dos seus diferentes corpos.

Nesse estado de integração, ele nos evidencia Brahman – o criador – dentro de nós e dos outros. Ele evidencia a presença do “Não manifestado” dentro de cada objeto existente, seja ele vivo ou inanimado. Ele nos leva a descobrir o amor de Brahman e a perceber o que há de mais digno dentro do que antes podia parecer indigno. O Anahata Chakra muda a concepção de julgamentos que possamos ter dos que estão em volta de nós. Ao meditarmos no “Quarto Chakra” e nos afinarmos com Brahman, um sentimento profundo de afeto nos invade e contatamos com o lugar de onde toda a criação vem. Sentimos uma entusiasmada afeição por tudo que é criado ou incriado e percebemos que a própria essência da criação é o amor. Com isso, nossas palavras se tornam mais inspiradas e com uma música própria. Elas fluem de maneira original e tocam o coração do outro, tornando-o receptivo. Quando as palavras vêm da mente, parecem arrumadas de uma forma lógica, quando fluem do coração, têm uma delicadeza genuína e exalam frescor e poesia.

Meditar no Anahata Chakra restaura a inocência e o sentimento de pureza, levando-nos a enxergar cada coisa que vivemos como algo especial e de maneira totalmente original e fresca. Aumentamos a nossa capacidade de compreensão, e nos sentimos invadidos por um sentimento de generosidade e alegria. Encontramos uma incrível capacidade de aceitação e de compaixão e nos vemos vivendo numa atmosfera de receptividade e aceitação. A abertura emocional que acontece em nós, aliada à sintonia e sensação de eixo, nos levam a uma bondade espontânea e a uma constante sensação de auto-estima e felicidade.

Por tudo isso, o Anahata Chakra equilibra as diversas intenções e tendências dentro de nós e tem a chave de todos os equilíbrios. Ele é o chakra que, com suas meditações, mais facilmente aproxima o mestre do discípulo. E o ser comum do mestre interior.

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Anahata Yoga – As Meditações do Chakra do Coração

Início 30 de janeiro de 2016
Duração: 4 meses
Informações e inscrições: 21 2508-8608
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Programa do curso: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=88

Leia também:

Chakra do Coração: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=294

Psicologia dos Chakras: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1258

Chakras & Ritmos Respiratórios: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1319

Conheça também o curso:

Ampliação da Consciência Através da Respiração : http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=92

 

 

 

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17 Responses to O Jardim Interno Intocado

  • Felomenia Pinho:

    Pedro Tornaghi, eu sempre aprendo muito com você.

    Gratidão pelos ensinamentos.

    Namastê!

    Felomenia

  • Rosamaria:

    …Que beleza!…
    Estas palavras do texto souberam me fazer entender bem sobre os sentidos do coração.
    Anahata Chakra.
    Agora entendí o “porque” não consigo guardar mágoas nem rancor no coração…

  • Sheila Alves Lopes:

    Parabéns Pedro Tornaghi, maravilhosos ensinamentos!!!

  • Dalva Rausch:

    Como, Pedro querido, haveria você de saber que eu estava PRECISANDO tanto de ler estas palavras e de ter alguém para me lembrar desse nosso precioso CHAKRA? Bebi as palavras como delicioso vinho …. Vou precisar reler muitas vezes … many thanks!

  • daniela portas:

    Você não sabe o quanto me ajuda a entender certas coisas, beijos e obrigado

  • cristina maria:

    Obrigada.Namaskar.

  • Marisa:

    Agradeço tua bondade por distribuir teu conhecimento. Namastê

  • Pedro, o amor transborda de seu coraçao, bravíssimo! Agradeço, Campos de Altitude.

  • Elisa Heilbuth Verçoza:

    Que texto bom de ler! Obrigada, Pedro. Maravilha!

  • lucelia:

    Lindo e inspirador artigo.
    Parabéns e obrigada.

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Pedro…Lindíssimo texto que muita me encanta por ser profundo, intenso, divino e maravilho. Já li e reli várias vezes e fico agradecida pela dedicação.
    Paz pra ti _()_

  • vera santana:

    O centro do Anahata Chakra é um espaço onde a pureza e a inocência estão intocadas e preservadas. Esse espaço secreto é o Shangri-lá que todos temos no peito, nosso jardim secreto, com flores de uma fragrância especial e divina, de um aroma íntimo, que revela os segredos da inspiração e da felicidade. Ao tocá-lo, evaporam-se quaisquer sentimentos de rancor, vingança ou mesquinhez. O Chakra do Coração traz consigo a possibilidade de entrarmos em contato com um espaço interno que permanece puro e intocado por todas as incompreensões e violentações de nossa biografia. NÃO SÃO SÓ PALAVRAS EM QUE APENAS LI E SIM ALGO QUE TOCOU FUNDO MINHA ALMA ESTOU PRECISANDO PREENCHER MEU CORAÇÃO DE AMOR E DE ME LIBERTAR DE MAGOAS……GENTE PRECISO SABER COMO ME AJUDAR PRA NÃO DESFALECER DE TRISTEZA OBG.

  • dalva schroder:

    Percebi que poderia obter muitas respostas num momento de minha vida tipo encruzilhada. Infelizmente não poderia ir tão seguidamente ao Rio. Quando se vier a Porto Alegre gostaria de conhecê-lo e fazer cursos se possível. Agradeço muito.

  • carla:

    Estou encantada com as coisas que você escreve, toca minha alma <3

  • Carolina Aparecida Sbragi Crecente:

    Olá!! Vc nos enriquece com suas publicações!! Um gnd abrç.

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