Cores & Chakras

Antes de começar a trabalhar com meditação e chakras, tive uma breve carreira de músico. Uma noite, me lembro que eu tocava em um bar e uma moça que transbordava em sensualidade, com um vestido longo, preto e decotado, veio para o meu lado, pousou seu copo de uísque sobre o piano de cauda, empinou os seios e fez o tipo fatal “sou charmosa e sedutora, toca o que eu pedir”. Era impossível negar, se eu o fizesse, naquela altura, o dono do bar se voltaria contra mim, ela era já, e desde o início, mais estrela que eu naquele show, agia como uma prima-dona, e virei mero acompanhante de seus desejos e extravagâncias. Ela começou por me pedir uma música de Cole Porter, que toquei sem certeza de estar tocando certo, era bastante fora de meu repertório. Em um momento, fiquei em dúvida se deveria colocar um fá sustenido ou um sol em determinado acorde, então, fiz um trinado gaiato, uma oscilação rápida entre as duas notas, no início do compasso para sentir como uma e outra soavam na melodia. Minha surpresa foi grande, o copo dela começou a vibrar excessivamente sobre o piano. Fiquei em dúvida e curioso de saber qual das duas notas tinha provocado tal abalo sísmico na bebida que era o néctar dos deuses naquele ambiente esfumaçado. 

Engatei imediatamente em outra canção de Cole que conhecia melhor e pude constatar que era o fá sustenido que criava aquele tremor frêmito no copo. Coloquei o microfone junto a ele e passei a apontá-lo com o indicador prenunciando cada novo fá sustenido que iria tocar. A platéia entendeu a brincadeira e passei a atrasar a nota, manter a música em suspenso por meio segundo, apontando o copo antes de tocar o novo fá sustenido. Aquilo criou uma emoção diferente em todos, parecia que todo o bar mantinha a respiração suspensa antes do fá ser tocado, e depois todos riam da reverberação. Foi quando a “femme fatale”, preocupada em perder a posição de centro do show, pegou o copo e se serviu de uma golada generosa, desafinando o copo. Desafinando não, para surpresa dela, o copo ficou afinado em mi. Troquei para o Samba de Uma Nota Só, que eu sempre havia tocado com o “si” sendo a “nota só”, e desta vez a fiz em mi. Brinquei com o ritmo da música, fazendo o copo se contorcer de tanto vibrar com a nota única do samba. Foi um delírio da platéia, eu retardava uma nota e todos prendiam novamente a respiração, como que querendo escutar melhor a próxima reverberação do copo.

Minha parceira de número não se fez de rogada, tomou um novo gole e dessa vez, o copo não ficou afinado em nenhuma nota. Levantei o indicador pedindo licença, humildemente, como cabia a um mero pianista-de-fundo-de-conversas, e beberiquei do copo da moça, afinado-o a uma nova nota. A brincadeira durou o suficiente para que re-enchêssemos três vezes o copo e eu ficasse um pouco alto e ela praticamente bêbada. A música tem essa capacidade, de fazer vibrar algo em que não encosta. Assim com a luz o tem.

Na Índia se estuda há milênios a relação entre notas musicais, cores e as diferentes regiões do corpo, assim como com os sete chakras. Musicalmente, os chakras se afinam às sete notas da escala de dó, assim, o dó corresponde ao primeiro chakra, o ré ao segundo, o mi ao terceiro e assim por diante, até o sétimo e último chakra se relacionar com a sétima e última nota da escala, o mi.

As cores ativam os chakras conforme a escala do arco-íris, indo do vermelho no primeiro chakra até o violeta, no sétimo e último. Os primeiros chakras são ativados pelas cores mais quentes, e, conforme se vai subindo pela coluna vertebral, os chakras são ativados por cores mais frias. Dessa forma, ao expor um chakra à sua nota musical ou cor, se consegue que ele vibre tal e qual o copo de minha diva daquela noite. Em estudando os efeitos psicológicos das notas ou das cores, pode-se entender muito sobre o comportamento e a psicologia dos diferentes chakras. E interferir neles.

Van Gogh ao descrever seu famoso quadro da sala de sinuca, explica que colocou uma rosa vermelho-forte sobre uma das mesas para destacar paixão naquela zona do quadro. Sim, o vermelho é a cor das paixões fortes e incontroladas. Assim sendo, não é difícil de imaginar que o primeiro chakra seja o de mais intensa e selvagem energia. O “chakra cor-de-sangue” quando despertado, deixa a pessoa com o sangue quente, passional, com uma grande necessidade de afirmação da própria energia. A pessoa se torna excitada, por vezes agitada, necessitando movimentar-se, fazer algo. O vermelho é uma cor que esquenta rapidamente, logo, esse chakra quando energizado na pessoa, faz com que ela desencadeie fortes processos vitais, e queira ir direto e rapidamente ao ponto naquilo que busca.

Certa vez, uma aluna em um curso de meditação perdeu os sentidos em um surto de hipoglicemia, ligamos para uma ambulância, mas enquanto essa não chegava, me lembrei de minhas aulas de cromoterapia com as irmãs-doutoras Valéria e Elaine Moreira em minha adolescência e mentalizei a luz vermelha internamente em minha testa e sobrepus minhas duas mãos sobre a moça. Tomei um susto com a rapidez com que ela voltou do surto e se levantou, sem demonstrar traço de tonteira. Ensinei a ela, que comprou lâmpadas vermelhas e avisou aos filhos, que usaram outras duas vezes para tirá-la do desmaio. O vermelho atua muito rapidamente, como o faz o primeiro chakra. O primeiro chakra é o apelo sexual do adolescente, que acha que quer tudo para ontem, que não pode esperar até amanhã para ser feliz. Você dificilmente encontrará uma pessoa cujo chakra predominante seja o primeiro que seja mais ou menos em algo. O vermelho é uma cor tipo ame-a ou deixe-a, o primeiro chakra é tipo “quem vai com tudo não cansa”.

Doenças ligadas ao primeiro chakra, como doenças de próstata, são amenizadas se comemos alimentos com licopeno, alimentos vermelhos, como tomate, melancia, morango, beterraba e etc.

O laranja, cor que rege o segundo chakra é uma cor que abre o apetite. Dizem que o Mac Donalds escolheu essa cor por deter essa informação. Mas é também a cor usada pelos monges renunciantes da índia. Se o primeiro é o chakra da paixão e da vida, o segundo é o da morte, onde a pessoa lida com a desidentificação com os objetos de desejo. O laranja é uma cor ligada ao jogo de sedução, ao aconchego, à vontade de ser escolhido por alguém, às trocas afetivas, à sensualidade e todas essas são qualidades ligadas ao segundo chakra. Porém, esse é um chakra de sutilezas. Ao mesmo tempo em que ele é mestre em criar laços e dar nós, é mestre em desdá-los. A superfície desse chakra está ligada ao atrair e reter. O centro dele, ao desapegar-se e deixar ir. É o chakra que rege nossos intestinos e seus movimentos peristálticos. Se ficarmos só na superfície do chakra tenderemos ao apego e a dificultar o andamento do tráfego intestinal. Se nos vincularmos ao seu centro, deixaremos ir do alimento coletado e digerido, aquilo que não nos diz respeito.

O amarelo é uma cor viva como o é o terceiro chakra, que ela rege. Uma cor de brilho forte para administrar um chakra que nos inclina a disputar um lugar ao sol. É uma cor ligada à atenção, relacionada ao chakra responsável pelo plexo solar, o centro da ansiedade. Sim, a ansiedade está ligada ao estado de apreensão, a estarmos extremamente atentos aos mínimos sinais do ambiente, para interpretá-los e reagir a contento aos desafios que nos aparecem pela frente. A ansiedade é algo que surge em nós quando entendemos que necessitamos alcançar algo e corremos o perigo de não alcançá-lo. Dessa maneira, o terceiro chakra nunca deixa que a claridade do amarelo se apague, e usa a agilidade intelectual que essa cor representa, para raciocinar o mais rapidamente possível e encontrar sempre a resposta mais afiada. Pode-se dizer que o terceiro chakra nos inclina ao estado de alerta constante, simbolizado pelo amarelo.

O terceiro chakra é a busca da perfeição do ouro. Mas também da retidão de caráter, da claridade elucidadora. Na Índia ele é chamado de manipura. Mani significa jóia, aquela que é intocada pela impureza, traduzindo o desejo do competitivo terceiro chakra, de não se contaminar com o que o cerca.

O verde é uma cor equilibrada e intermediária, entre o quente e o frio e rege o quarto, o chakra central, situado entre os três primeiros, ligados a nossas ocupações materiais e os três últimos, relacionados a nossa inteiração com o universo espiritual. O verde é uma cor que equilibra quase tudo em nós, seja a nível psíquico, emocional, físico, energético ou espiritual. Ele é muito usado no final de sessões de cromoterapia, quando terapeutaa desconfiam ter exagerado na exposição do paciente a alguma cor. Eles finalizam a sessão com um banho de verde, como garantia de que a pessoa sairá equilibrada do consultório. O verde é uma cor que suscita a felicidade, o renascimento e a revitalização, propriedades também do coração e das emoções ligadas a esse chakra.

O verde é ainda uma cor que dilata e contrai as veias, sendo indicado para tratamento de varizes, que também melhoram a partir de outros exercícios que acordem e harmonizem esse chakra. O verde aumenta a variação entre contração e expansão do coração e ajuda a tirar o líquido espalhado pelo corpo. Ele aumenta a diurese e, pode-se de certa maneira dizer, que ele “enxuga” o corpo dos excessos de líquidos.

O azul celeste e turquesa estão ligados à paz e são cores que aumentam a criatividade, qualidade intrínseca do quinto chakra. Experimente passar algumas tardes deitado na grama, ou em um banco de praça, de quarenta minutos a uma hora por dia, deixando os olhos, relaxados, se alimentarem do azul do céu. Você se surpreenderá ao realizar como a cor que rege o quinto chakra o deixará mais e mais criativo. O azul celeste está ligado à maternidade, o momento de criação mais concreta disponível a um ser humano. Essa cor é usada na cromoterapia para tratamento de transtornos que aparecem do nada e que desaparecem repentinamente. O quinto chakra é assim, sua criatividade vem, não se sabe de onde, mas também desaparece facilmente, sem que se saiba para onde foi. O azul celeste é uma cor com propriedades adstringentes, anti-sépticas e calmantes. Para a ciência das cores, ela tem a qualidade de fechar os poros. Se assemelha ao quinto chakra que, por momentos, nos inibe de respirar as influências ambientes e nos permite tirar soluções próprias, de um baú pessoal, para os desafios externos.

O azul marinho ou índigo é uma cor calmante que estimula a meditação. O sexto chakra, regido por ela, é o chakra onde ficamos no limiar entre o mundo dual da natureza e a integração total com o universo. Ramakrishna, a grande referência mística da Índia no século XIX, costumava falar sobre os chakras para seus discípulos. Ele começava a falar pelo primeiro e ia avançando por ordem, mas nunca chegou a falar do sétimo. Quando começava a dissertar sobre o sexto, seus dois olhos iam se virando para o espaço entre as sobrancelhas e, de repente, ele entrava em samadhi, em estado de êxtase. O sexto cakra fica tão próximo do sétimo e último, o chakra da dissolução do eu no todo, da gota no oceano para usar a expressão dele, que quando mergulhamos profundamente no sexto chakra, ficamos a um fiapo de distância do êxtase espiritual derradeiro. Assim como o azul escuro da noite, que quando está profundamente escuro, se confunde com a escuridão total do negro.

  

O azul marinho é uma cor isolante, que estimula nosso estado de neutralidade entre a atividade e o descanso, entre o yin e o yang, entre os apelos passivos e os ativos da vida.

O violeta é uma cor que desencadeia processos em locais menos visíveis do corpo, age em doenças sutis e de difícil diagnóstico. Ela obtém uma resposta muito acentuada do sistema imunológico. O sétimo chakra, que é administrado por ela, nos torna imunes a provocações, por nos desidentificarmos delas. O violeta acelera todas as nossas respostas hormonais e esse chakra se liga diretamente à administração da chave-mestra de nosso sistema glandular. É uma cor muito usada em meditação, por desencadear insights e mesmo facilitar o contato com a fonte de onde vêm todos os insights. O violeta tem uma porção de vermelho que nos mantém acordados, mesclado a uma porção de azul que nos mantém calmos. Essa é a essência do sétimo chakra, estar ativo mas em plena consciência, estar participante da cena, ao mesmo tempo que reflexivo. É considerado na cromoterapia um “acelerador de karma”. Já o sétimo chakra, é quando, finalmente, nos vemos livres de todos os liames psicológicos que nos prendem ao mundo.

Pedro Tornaghi

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http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68

Leia também:

As Rodas da Vida: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2039

Psicologia dos Chakras: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1258 

Os Aliados da Transformação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1345

 

10 comentários em “Cores & Chakras

  1. Muito bons estes ensinamentos sobre chakras; sendo eu terapeuta, não perco assuntos com estes conhecimentos. Gostei demais. É uma pena que essa turma vive mais em São Paulo e Rio de Janeiro; aqui em Brasília não conheço Terapeuta.

    Olá Graça,
    Obrigado pela receptividade ao artigo, quando houver agenda em Brasília avisaremos pelo e-mail que você forneceu.
    Abraço fraterno,
    Pedro

  2. *** Muito interessante essa postagem * Realmente usar as cores, da mais forte até chegar à bem clara quase, ou até à branca* É de grande ajuda e faz toda diferença * NAMASTÊ ***

  3. Muito bom, muito bem explicado, só gostaria de saber como ativar cada um dos chakras. Parabéns pelo conteúdo. Aprendi muito.

    Olá Denise,
    Se você morar no Rio de Janeiro, há a possibilidade de fazê-lo no curso “Meditação Através dos Chakras e da Respiração”. Você encontra os detalhes nesse link: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68
    Um abraço fraterno,
    Pedro

  4. Seu antigo sobre os chakras é encantador… você não deu pinceladas, mas nos faz pontilhar a cada um tocando em nossa sensibilidade os acordes de cada um no conjunto como um todo, do vermelho ao violeta. “As notas musicais…as cores… e os chakras” Lindo Pedro! Parabéns!!!!
    Bjsss!!!!

  5. Muito esclarecedor seu artigo sobre os chakras.
    Gostei muito mesmo.
    Quando eu puder gostarei muito de fazer esse curso.
    Bjs
    Cláudia

  6. Nunca havia me interessado por este assunto. Divirto-me com artes plásticas e senti muita proximidade entre minhas percepções e suas pinceladas.

  7. Assunto interessantíssimo, porém a leitura prolongada na tela cansa demais a vista. Mais confortável a leitura em livros. Grato pela orientação !

  8. Pedro, terminei nesta semana a meditação da visão, por isso só vou iniciar dos chakras em junho, você pode me informar quando vai ser o encontro do Muladhara chakra? abração!!!!ah divisão do curso será prioritariamente por cada chakra em cada encontro?

    Oi Algenir,

    Fico feliz por você participar do curso de chakras. A organização dele será com uma introdução em maio e a partir de junho, um encontro para cada chakra.
    Copio aqui o quadro de datas:

    Maio 17 & 18
    Junho 14 &15
    Julho 19 & 20
    Agosto 16 & 17
    Setembro 20 & 21
    Outubro 18 & 19
    Novembro 15 & 16
    Dezembro 13 & 14

    Na página do curso você encontra todos os detalhes: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68
    Abraço amigo,
    Pedro

  9. Muito útil a publicação; sou diabética e tenho sempre baixa de glicemia, por não gostar de comer passo mal, chegando quase a desmaiar, por sorte minha filha sempre está ao meu lado e me socorre, vou enviar essa publicação aos meus filhos para saberem socorrer-me quando necessário. Obrigada foi de muito proveito. Moro no estado da Bahia, em Salvador.

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