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O Simbolismo do Coelho

Tirando Coelhos da Cartola

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Pedro Tornaghi

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A primeira lembrança que tenho de uma Páscoa é de minha infância em Itaipava. Ao acordar, eu e meus irmãos procurávamos ovos de chocolate engenhosamente escondidos pela casa e pelo jardim. Mais tarde, íamos todos ao Itaipava Country Clube onde nossos pais se esforçavam para fazer o melhor para nós em múltiplas brincadeiras, como corridas com ovo na colher, corridas com sacos envolvendo as pernas e por último, a que todos mais gostávamos: ganhávamos pintinhos e em seguida soltavam dezenas de coelhos de casinhas de madeira em um grande  campo de futebol gramado onde corríamos, cerca de 20 crianças, atrás dos cerca de quarenta coelhos. Quem pegasse algum poderia levá-lo para si. E meus pais eram generosos, não nos deixavam criar os pintos até crescerem porque tínhamos que voltar para o Rio de Janeiro onde morávamos em apartamento, mas, nos deixaram criar um dos coelhos, solto no apartamento, por anos.

Essas experiências eram marcantes e a Páscoa era uma delícia esperada todos os anos. Mas desprovida de maiores significados espirituais para nós. Nunca entendia e nunca me explicavam a relação de um coelho ou de ovos de chocolate com a páscoa religiosa. Minha família era extremamente cristã, daquelas que levava a sério a missa. Em lugar nobre da sala em nossa casa havia um oratório, um móvel cheio de santos onde meu pai e minha mãe rezavam todas as noites. E pediam por mim e meus irmãos. Meu pai sempre dizia que pedia a Deus que desse jeito em mim, e me orientasse onde ele se sentia falhando: em me fazer acreditar nas mesmas coisas que ele. Em grande parte o rogo parecia nunca funcionar e eu teimava em ter opinião própria, discordante da dele em mais pontos do que ele achava razoável e conveniente. Mas ele respeitava e permitia as diferenças, embora voltasse a pedir todas as noites a seus santos que me afinassem com aquilo que acreditava ser o melhor para mim.

Com tamanha devoção à Igreja, eles se esforçavam para que a Páscoa fosse realmente inesquecível. O faziam com um amor e zelo tocantes. Mas, embora fosse fácil perceber um enorme significado emocional naquelas comemorações, eu nunca entendia a relação entre um ovo e um coelho, uma vez que coelhos não colocavam ovos. E muito menos a relação entre aquela festa de coelhos e ovos pintados de alegria e doçura e o sacrifício de Cristo, tal qual me contavam. Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes. E, minhas aulas de catecismos eram mais centradas no fato de que aquele homem havia morrido e sofrido por mim. A ressurreição passava quase que desapercebida no discurso do padre.

Oras eu perguntava e ficava sem resposta, oras me esforçava para ligar os fatos por mim mesmo, mas era impossível para meus precários neurônios. E ficava me sentindo incapaz. O significado da páscoa parecia escapar de minhas mãos com a mesma facilidade com que o coelho que criávamos pulava para fora de meus dedos quando brincávamos. E parecia não haver menção a coelhos no evangelho, de onde eles tinham saído? Com que propósito? Perguntei a outras famílias de amigos, mas nenhum outro pai foi feliz em me esclarecer. Me impressionava sempre quantos rituais os adultos eram capazes de repetir sem se perguntar o significado.

Mais tarde, um dia refleti que a páscoa era comemorada no início da primavera no hemisfério norte, de onde vem nossa cultura. Daí imaginei que coelhos e ovos remetessem à fertilidade, ao novo ciclo de vida que as plantinhas inauguravam a cada novo mês de março e abril, após um inverno rigoroso, onde toda a seiva havia sido guardada em suas raízes, como garantia e meio de sobrevivência ao rigor da estação fria. Custei a entender que essa alegoria da vida brotando poderia também estar ligada à ressurreição do Cristo, após os anos de submissão à força dramática da cruz eclipsando qualquer imagem de ressurreição em minha mente infantil.

Mas foi depois de adulto, lendo o Popol-Vuh, o livro sagrado maia, que comecei a vislumbrar a universalidade da imagem do coelho. Para eles, Menebuch, um coelho gigante, era a divindade máxima que combateu monstros gigantes no grande dilúvio e restabeleceu a vida tal qual está até os dias de hoje no planeta. Menebuch apareceu na Terra em forma de uma pequena lebre e possibilitou ao homem que vivesse como o faz hoje em dia. Ensinou a ele a destreza e as artes manuais. O deus coelho era considerado pelos maias o único interlocutor entre o mundo do sagrado e o terreno. O Messias por assim dizer. Mais tarde, quando evangelizados e constrangidos a abandonar seus “deuses pagãos” pelo colonizador, os descendentes dos maias passaram a representar Menebuch como Jesus Cristo. Assim como fizeram os afro-descendentes no Brasil ao buscar referenciais da Igreja Católica que representassem e possibilitassem a continuação do culto e adoração a seus orixás.

Ainda segundo os maias a deusa Lua certo dia, vendo-se em perigo, foi socorrida por um coelho que, salvando-a, salvou o princípio da renovação cíclica da vida, o princípio que rege a continuidade das espécies vegetais, animais e humana. Com isso, eternizou-se como um patrono da fertilidade e entidade ligada à primavera. Especificamente para os maias algonquinos, que habitavam e cujos descendentes ainda habitam a costa oeste norte-americana desde o Canadá até o México, assim como para alguns povos sioux, o coelho possui o segredo da vida elementar.

Mais tarde fui descobrir que para os Egípcios, que mantiveram o povo judeu escravizado e de cujas terras a fuga deu a origem à páscoa judaica, o coelho também era detentor dos segredos da origem da vida. Na mitologia egípcia Osíris é por vezes representado por uma lebre que é despedaçada e atirada no fecundo rio Nilo para garantir que a regeneração periódica não falte àquele povo. O povo egípcio tinha o Nilo como centro da vida. A relação que outros povos têm entre a primavera e a fertilidade, o egípcio tinha com os ciclos de cheias do rio. Na época do ano em que ele enchia, alargava em quilômetros suas margens. Na estação de baixa das águas, o povo plantava na extensão de terra fertilizada pelo alagamento e corria para colher antes da próxima cheia. Por essa razão o povo egípcio desenvolveu técnicas revolucionárias de armazenamento de alimentos, que permitiram o encaminhamento da humanidade na direção do que hoje em dia se chama civilização urbana. O Nilo era a renovação e fertilidade. E o coelho se misturava ao símbolo da água por lá.

Ainda nos dias de hoje, os camponeses xiitas da Anatólia respeitam a proibição de se alimentar de coelhos por defenderem que o animal é encarnação de Ali, para eles o interlocutor entre Alá e os crentes. Também na China clássica a lebre representava a ideia de morrer para renascer e por isso é representada em imagens da alquimia taoista sempre preparando a “poção da imortalidade”. Não é difícil encontrar relação entre o coelho e o ciclo de renovação e esperança de nova vida, que costuma ser identificada como a razão do coelho representar a páscoa. Porém, símbolos não fincam raízes por questões racionais, mas orgânicas. Acho que uma das principais razões para o coelho ter “colado” como símbolo da páscoa cristã é sua relação com a delicadeza e a sensibilidade. Coelhos são seres lunares por que dormem durante o dia e saem à noite em pulos e saltos. E sabem, como a lua, aparecer e desaparecer com o silêncio e a eficácia das sombras. Foram identificados com a lua não apenas pelos maias, manchas da lua são vistas como coelhos em diferentes civilizações europeias, asiáticas, africanas ou entre os astecas que dividiam a América do Norte com os maias. E, identificados com a lua, suas representações divinas são sempre descritas como entidades que se impõem pela delicadeza.

Cristo inaugurou a era de Peixes, encerrando a de Áries. Na era de Áries, a espiritualidade esteve sempre ligada ao espírito guerreiro. Gregos, persas, indianos e povos nórdicos foram invadidos e dominados por Arianos vindos das estepes russas, que trouxeram consigo uma mitologia repleta de heróis guerreiros. Os profetas dessas civilizações vinham sempre das castas guerreiras. Cristo vem ao mundo para inaugurar uma religião baseada na delicadeza, no amor matizado de gentileza, no perdão, em uma maneira feminina de se relacionar com a espiritualidade. Muito diferente do bélico Odim “deus dos deuses” nórdicos, muito diferente do indiano Krishna, um general que não hesita em aconselhar seu discípulo a mergulhar em uma guerra sangrenta e não parar com o banho de sangue até que o poder da Índia esteja em suas mãos e seus primos mortos; em um raciocínio ético oposto ao do profeta de “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou de “Dê a outra face ao inimigo”. Muito diferente da crença imperialista dos aqueus na Grécia, ou de Dario e Xerxes na Pérsia.

Enquanto os deuses bélicos das civilizações de cultura ariana eram heróis solitários que impunham justiça e ordem pela força, o coelho surge como um animal delicado e grupal, que considera o outro como igual. Segundo Gilbert Durand, “Para os negros da África e da América, assim como para alguns índios, a Lua é a lebre, animal herói e mártir, cuja ambiência simbólica deve ser associada ao cordeiro cristão, animal doce e inofensivo, emblema do Messias lunar, do filho em oposição ao guerreiro solitário”. Coelhos são companheiros e caem como uma luva para representar uma religião ligada à era de peixes, fundada teoricamente no amor ao próximo e na democratização do divino.

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Leia também:

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A Lei do Dharma e as Leis dos Homens: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

O Sentido do Reveillon: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2656

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763

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One Response to O Simbolismo do Coelho

  • silvia regina micocci de menezes:

    O seu texto é tão maravilhoso que o arquivei em meu computador para posteriores leituras. Quando você fala da sua família, lembrei-me da minha também. A Páscoa para as crianças é uma grande alegria mas à medida que crescem ficam as dúvidas. Me identifico em várias passagens do seu texto e uma delas é: “Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes.”
    Feliz Páscoa querido! Namastê! _/\_

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Tirando Coelhos da Cartola

Tirando Coelhos da Cartola

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Pedro Tornaghi

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A primeira lembrança que tenho de uma Páscoa é de minha infância em Itaipava. Ao acordar, eu e meus irmãos procurávamos ovos de chocolate engenhosamente escondidos pela casa e pelo jardim. Mais tarde, íamos todos ao Itaipava Country Clube onde nossos pais se esforçavam para fazer o melhor para nós em múltiplas brincadeiras, como corridas com ovo na colher, corridas com sacos envolvendo as pernas e por último, a que todos mais gostávamos: ganhávamos pintinhos e em seguida soltavam dezenas de coelhos de casinhas de madeira em um grande  campo de futebol gramado onde corríamos, cerca de 20 crianças, atrás dos cerca de quarenta coelhos. Quem pegasse algum poderia levá-lo para si. E meus pais eram generosos, não nos deixavam criar os pintos até crescerem porque tínhamos que voltar para o Rio de Janeiro onde morávamos em apartamento, mas, nos deixaram criar um dos coelhos, solto no apartamento, por anos.

Essas experiências eram marcantes e a Páscoa era uma delícia esperada todos os anos. Mas desprovida de maiores significados espirituais para nós. Nunca entendia e nunca me explicavam a relação de um coelho ou de ovos de chocolate com a páscoa religiosa. Minha família era extremamente cristã, daquelas que levava a sério a missa. Em lugar nobre da sala em nossa casa havia um oratório, um móvel cheio de santos onde meu pai e minha mãe rezavam todas as noites. E pediam por mim e meus irmãos. Meu pai sempre dizia que pedia a Deus que desse jeito em mim, e me orientasse onde ele se sentia falhando: em me fazer acreditar nas mesmas coisas que ele. Em grande parte o rogo parecia nunca funcionar e eu teimava em ter opinião própria, discordante da dele em mais pontos do que ele achava razoável e conveniente. Mas ele respeitava e permitia as diferenças, embora voltasse a pedir todas as noites a seus santos que me afinassem com aquilo que acreditava ser o melhor para mim.

Com tamanha devoção à Igreja, eles se esforçavam para que a Páscoa fosse realmente inesquecível. O faziam com um amor e zelo tocantes. Mas, embora fosse fácil perceber um enorme significado emocional naquelas comemorações, eu nunca entendia a relação entre um ovo e um coelho, uma vez que coelhos não colocavam ovos. E muito menos a relação entre aquela festa de coelhos e ovos pintados de alegria e doçura e o sacrifício de Cristo, tal qual me contavam. Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes. E, minhas aulas de catecismos eram mais centradas no fato de que aquele homem havia morrido e sofrido por mim. A ressurreição passava quase que desapercebida no discurso do padre.

Oras eu perguntava e ficava sem resposta, oras me esforçava para ligar os fatos por mim mesmo, mas era impossível para meus precários neurônios. E ficava me sentindo incapaz. O significado da páscoa parecia escapar de minhas mãos com a mesma facilidade com que o coelho que criávamos pulava para fora de meus dedos quando brincávamos. E parecia não haver menção a coelhos no evangelho, de onde eles tinham saído? Com que propósito? Perguntei a outras famílias de amigos, mas nenhum outro pai foi feliz em me esclarecer. Me impressionava sempre quantos rituais os adultos eram capazes de repetir sem se perguntar o significado.

Mais tarde, um dia refleti que a páscoa era comemorada no início da primavera no hemisfério norte, de onde vem nossa cultura. Daí imaginei que coelhos e ovos remetessem à fertilidade, ao novo ciclo de vida que as plantinhas inauguravam a cada novo mês de março e abril, após um inverno rigoroso, onde toda a seiva havia sido guardada em suas raízes, como garantia e meio de sobrevivência ao rigor da estação fria. Custei a entender que essa alegoria da vida brotando poderia também estar ligada à ressurreição do Cristo, após os anos de submissão à força dramática da cruz eclipsando qualquer imagem de ressurreição em minha mente infantil.

Ma foi depois de adulto, lendo o Popol-Vuh, o livro sagrado maia que comecei a vislumbrar a universalidade da imagem do coelho. Para eles, Menebuch, um coelho gigante, era a divindade máxima que combateu monstros gigantes no grande dilúvio e restabeleceu a vida como está até os dias de hoje no planeta. Menebuch apareceu na Terra em forma de uma pequena lebre e possibilitou ao homem que vivesse como o faz hoje em dia. Ensinou a ele a destreza e as artes manuais. O deus coelho era considerado pelos maias o único interlocutor entre o mundo do sagrado e o terreno. O Messias por assim dizer. Mais tarde, quando evangelizados, constrangidos a abandonar seus “deuses pagãos” pelo colonizador, os descendentes dos maias passaram a representar Menebuch como Jesus Cristo. Assim como fizeram os afro-descendentes no Brasil ao buscar referenciais da Igreja Católica que representassem e possibilitassem a continuação do culto e adoração de seus orixás.

Ainda segundo os maias, a deusa Lua certo dia, vendo-se em perigo, foi socorrida por um coelho, que, salvando-a, salvou o princípio da renovação cíclica da vida, o princípio que rege a continuidade das espécies vegetais, animais e humana. Com isso, eternizou-se como um patrono da fertilidade e entidade ligada à primavera. Especificamente para os maias algonquinos, que habitavam e cujos descendentes ainda habitam a costa oeste norte-americana desde o Canadá até o México, assim como para alguns povos sioux, o coelho possui o segredo da vida elementar.

Mais tarde fui descobrir que para os Egípcios, onde o povo judeu ficou escravizado e de onde a fuga deu a origem à páscoa judaica, o coelho também era detentor dos segredos da origem da vida. Na mitologia egípcia Osíris é por vezes representado por uma lebre que é despedaçada e atirada no fecundo rio Nilo para garantir que a regeneração periódica não falte àquele povo. O povo egípcio tinha o Nilo como centro da vida. A relação que outros povos têm entre a primavera e a fertilidade, o egípcio tinha com os ciclos de cheias do rio. Na época do ano em que ele enchia, alargava em quilômetros suas margens. Na estação de baixa das águas, o povo plantava na extensão de terra fertilizada pelo alagamento e corria para colher antes da próxima cheia. Por essa razão, o povo egípcio desenvolveu técnicas revolucionárias de armazenamento de alimentos, que permitiram o encaminhamento da humanidade na direção do que hoje em dia se chama civilização urbana. O Nilo era a renovação e fertilidade. E o coelho se misturava ao símbolo da água por lá.

Ainda nos dias de hoje, os camponeses xiitas da Anatólia respeitam a proibição de se alimentar de coelhos por defenderem que o animal é encarnação de Ali, para eles o interlocutor entre Alá e os crentes. Também na China clássica a lebre representava a ideia de morrer para renascer e por isso é representada em imagens da alquimia taoísta sempre preparando a “poção da imortalidade”. Não é difícil encontrar relação entre o coelho e o ciclo de renovação e esperança de nova vida, que costuma ser identificada como a razão do coelho representar a páscoa. Porém, símbolos não fincam raízes por questões racionais, mas orgânicas. Acho que uma das principais razões para o coelho ter “colado” como símbolo da páscoa cristã é sua relação com a delicadeza e a sensibilidade. Coelhos são seres lunares por que dormem durante o dia e saem à noite em pulos e saltos. E sabem, como a lua, aparecer e desaparecer com o silêncio e a eficácia das sombras. Foram identificados com a lua não apenas pelos maias, manchas da lua são vistas como coelhos em diferentes civilizações européias, asiáticas, africanas ou entre os astecas que dividiam a América do Norte com os maias. E, identificados com a lua, suas representações divinas são sempre descritas como entidades que se impõem pela delicadeza.

Cristo inaugurou a era de Peixes, encerrando a de Áries. Na era de Áries, a espiritualidade esteve sempre ligada ao espírito guerreiro. Gregos, persas, indianos e povos nórdicos foram invadidos e dominados por Arianos vindos das estepes russas, que trouxeram consigo uma mitologia repleta de heróis guerreiros. Os profetas dessas civilizações vinham sempre das castas guerreiras. Cristo vem ao mundo para inaugurar uma religião baseada na delicadeza, no amor matizado de gentileza, no perdão, em uma maneira feminina de se relacionar com a espiritualidade. Muito diferente do bélico Odim “deus dos deuses” nórdicos, muito diferente do indiano Krishna, um general que não hesita em aconselhar seu discípulo a mergulhar em uma guerra sangrenta e não parar com o banho de sangue até que o poder da Índia esteja em suas mãos e seus primos mortos; em um raciocínio ético oposto ao do profeta de “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou de “Dê a outra face ao inimigo”. Muito diferente da crença imperialista dos aqueus na Grécia, ou de Dario e Xerxes na Pérsia.

Enquanto os deuses bélicos das civilizações de cultura ariana eram heróis solitários que impunham justiça e ordem pela força, o coelho surge como um animal delicado e grupal, que considera o outro como igual. Segundo Gilbert Durand, “Para os negros da África e da América, assim como para alguns índios, a Lua é a lebre, animal herói e mártir, cuja ambiência simbólica deve ser associada ao cordeiro cristão, animal doce e inofensivo, emblema do Messias lunar, do filho em oposição ao guerreiro solitário”. Coelhos são companheiros e caem como uma luva para representar uma religião ligada à era de peixes, fundada teoricamente no amor ao próximo e na democratização do divino.

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Leia também:

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A Lei do Dharma e as Leis dos Homens: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

O Sentido do Reveillon: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2656

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763

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O Progresso que Interessa

O Progresso que Interessa

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Pedro Tornaghi

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“O homem sensato se adapta ao mundo;
o insensato insiste em adaptar o mundo a ele.
Todo o progresso depende, portanto, do homem insensato.”

Bernard Shaw

 .

Bernard Shaw disse que todo o progresso depende do homem insensato e meu irmão Eduardo – de ascendente virgem – ao ouvir questionou: “a propósito, o que vem mesmo a ser progresso?”. 

A pergunta procede. Fiquei curioso de saber o que é progresso no entendimento dele, mas preferi ficar com a pergunta, ecoando, como um “koan zen”, cavucando o solo do inconsciente, até beirar ou mesmo se esbaldar em alguma fonte interna. 

É, o que vem mesmo a ser progresso? Progresso é romper com o estabelecido e dar um passo adiante. Se é bom ou ruim, para o bem ou para o mal… depende do sentido em que o passo é dado e do ângulo em que se vê a cena. Não pretendo me estender em especulações filosóficas em todas as direções e possibilidades que a ideia de progresso permite, mas pegar a deixa para aprofundar uma questão. Estamos buscando um progresso que nos interessa ou perseguindo algo que enganosamente nos satisfaz? 

O que é o progresso no sentido humano? Somos um produto de luxo da natureza, cada um de nós uma semente de um Buda, sim, cada um de nós provido de alguma qualidade de consciência e carregando consigo a possibilidade de levá-la ao ápice. Mas quantos de nós chegam a esse estado? Quantos regam a semente de consciência, quantos a deixam crescer e chegar ao auge? Quantos chegam a usufruir da fragrância de suas flores e o sumo de seus frutos? 

Tenho amigos montanhistas que sonham em escalar o Everest, sabem que arriscam suas vidas nessa aventura, mas questionam qual o sentido da vida se você não puder se arriscar pela felicidade e auto-realização? Sim, verdade, mas quantos no mundo atual são capazes de “dar tudo”, realmente tudo o que têm para escalar os everests internos? E, quantos vislumbram que a felicidade pode estar neles? 

O progresso é algo inevitável, a questão é: para onde ele está acontecendo. O que está progredindo em nós? A inconsciência ou a consciência? 

Quando a pessoa adoece, pode-se entender o momento como o progresso da doença no corpo dela. A colônia de vírus em pleno progresso e sua saúde… caminhando para a falência. O mesmo acontece com relação à psicologia e às emoções. Quando a inconsciência avança dentro da pessoa, ela vê sumir, entre labirintos ocultos da memória e pelos corredores dos cânions de dias tensos, uma lucidez que trazia consigo. Quando a ansiedade progride dentro dela, o prazer e a calma fenecem. Quando o medo se desenvolve, o amor encolhe, se espreme e, o que era puro néctar, transforma-se numa alquimia nefasta e perversa, em asqueroso pus. Quando a ambição e a vaidade progridem, a lucidez se dissipa. 

Pode-se dizer que a energia que alimenta a inconsciência e a consciência é a mesma. A única a nosso dispor. Se ela, como um rio, corre na direção da inconsciência, a consciência adormece desnutrida. E vice-versa. Se a energia irriga o amor, o medo se dissipa, se ela alimenta a musculatura do medo, o amor é eclipsado. Se ela se adensa nos corredores da ansiedade, o prazer morre de inanição; se ela alimenta as crenças que levam ao orgulho e à vaidade, a lucidez some no ar como um balão de hélio, que voa tão alto até se perder de vista. 

Sim, a energia é uma só, as terras que ela irrigar se tornarão culturas férteis, as que sofrerem de abstinência de seu fluxo, minguarão. 

Se o homem é a semente de um Buda, se traz consigo todas as possibilidades de se tornar um iluminado, quando a energia irriga sua natureza original, ele tem tudo para tornar o projeto de consciência, que costumamos chamar de homem, em uma realidade. Mas, os desvios e as apropriações da energia pelos oportunistas de plantão, como o medo, a ansiedade, a ambição, o orgulho e cia, facilmente abortam o projeto legítimo que ele traz consigo. 

E, o problema é que nos esquecemos do projeto original que trazemos dentro de nós. O que fazer então para retomá-lo? E, se retomado, será que ele terá a capacidade de nos tornar felizes e realizados? 

Sim, dentro de nós, todos temos a lembrança de que um dia soubemos que esse “projeto original” era mais que um destino, era a verdadeira “terra prometida”, o lugar onde nos sentiríamos novamente “em casa” e à vontade no mundo em que estamos. Todos temos essa memória guardada em algum lugar recôndito dentro de nós. E, ao resgatá-la, não será difícil entender onde mora nossa felicidade. 

Mas a questão é, como recuperar essa memória do que nos é essencial? Como chegar a essa região interna onde supostamente temos a lucidez e o bom senso mais afiados? 

A resposta não é difícil. Nem mesmo de ser entendida. Todos temos algum amigo que um dia já foi assaltado. Quando chegou à delegacia para prestar queixa o delegado pergunta se ele pode descrever o assaltante, ao que o amigo reage: “como me lembrar do rosto dele? Eu estava muito tenso”. Mas e se o delegado é diferenciado e sugere uma sessão de hipnose… o que era impossível por se tornar mesmo fácil. Há registro de pessoas que foram capazes de se lembrar detalhes impressionantes com precisão cirúrgica, do tipo “tinha duas pequenas pintas acima do lábio direito superior e uma menor acima da sobrancelha, três fios de cabelo branco na extremidade esquerda da sobrancelha”. O rosto do assaltante estava todo lá. Como uma fotografia. Que, de repente, pode ser recuperada da memória graças ao profundo estado de relaxamento que a hipnose proporcionou à pessoa. 

Nossa memória funciona assim. Registramos nossas experiências em zonas rasas e profundas de nossa psique. Quando estamos tensos, temos acesso apenas à superfície desse mar, para chegar às zonas mais profundas, onde a memória está melhor organizada e nítida, é preciso relaxamento também profundo. Quando aprendermos a relaxar profundamente, teremos acesso a memórias como essas, mas também à memória que nos pode ser mais essencial e significativa. A memória de quem somos e de quem poderemos chegar a ser. A memória do que dentro de nós anseia, de maneira mais legítima, por progredir. O que era o nosso desejo original de progresso, antes que acreditássemos em tantos outros projetos de felicidade, implantados pela convivência social. Por vezes torta e equivocada. 

Quando recuperarmos essa memória interna, vamos nos lembrar do que sempre soubemos, mesmo quando nos esquecemos nas regiões mais rasas de nosso oceano interior: quem somos e a que viemos.

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Participe do curso:

“Memória e Rejuvenescimento Celular Através da Meditação”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=82

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Leia Também:

“A Arte Milenar da Memória “: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1159

“As Meditações da Pineal”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1135

“O Paraíso Esquecido”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1177

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2 Responses to O Progresso que Interessa

  • Natividade:

    Texto profundíssimo e lindo. Me vi diante de reflexões inusitadas na minha concepção de caminhante. Tantas vezes me perguntava, por que me atraem tanto os temas do mistério da vida e de nós mesmos? Que há comigo? E a espiritualidade, saber das leis ocultas que regem nossa vida e o universo, por que gosto tanto? A resposta: “o homem tem tudo para tornar o projeto de consciência, que costumamos chamar de homem, em uma realidade”.
    O texto é maravilhoso!

  • Marisa Oreiro:

    Olá,
    Gostaria de participar da palestra nesta segunda sobre meditar para se ter memória e rejuvenescimento.

    Olá Marisa,
    A palestra é aberta, basta aparecer,
    Um abraço fraterno,
    Pedro

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Ascensão ou Declínio

Ascensão ou Declínio

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Pedro Tornaghi

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É a vida uma ascensão positiva ou um declínio negativo? 

Certa tarde dos anos 70 eu conversava com um amigo na praia de Itapoã quando chegou Caetano Veloso com mais duas ou três pessoas e se sentou a poucos metros de nós. Pelo resto da tarde, ficamos apenas os dois grupos ali. Caetano brincou por quase todo o tempo construindo formas com areia e conchas e, quando se foi, me aproximei para admirar uma sereia um tanto mitológica que ele havia esculpido, as conchas maiores formavam uma bela e sinuosa cauda e as pequenas uma generosa e ondulante cabeleira enquanto a areia dava forma tridimensional a seu corpo. 

Fiquei impressionado com a atmosfera espiritual da figura que ele criara e me tornei ainda mais ferrenho admirador seu. Não imaginava que ainda coubesse mais um talento naquele corpo franzino. Mais tarde, vendo-o em uma apresentação na televisão levar os dois olhos ao espaço entre as sobrancelhas enquanto cantava, me convenci de sua vocação para a espiritualidade. E pensei, esse é um “cara” em que o passar dos anos vai significar crescimento e melhora de vida. Nessa época eu devia ter vinte e poucos anos e ele trinta e tantos. Claro, Itapoã uma tarde inteira com apenas meia dúzia de pessoas, só naquele tempo. Hoje seria impossível. Mas não foi só Itapoã quem mudou, minha ideia de Caetano também. Ultimamente o ouvi comentar mais de uma vez que o avanço da idade era muito ruim, todas as faculdades se deterioravam e havia menos disposição. Não o ouvi citar nada de bom a respeito do avanço da idade. 

Se eu levar em conta apenas as entrevistas que li, vou concluir que para ele a vida é uma descensão negativa. Aos vinte anos acho que concordava com quase tudo que ele fazia e falava. Pelo menos concordava no essencial. Hoje em dia, embora continue seu admirador – como não admirar alguém tão sensível? – não é difícil enxergar o quanto nossas percepções evoluíram em direções diferentes em muitos aspectos. Esse é um deles. 

Caetano não é o único, sou cercado de bons amigos que pensam como ele. A avó de minha filha, uma mulher questionadora e talentosa, que dedicou boa parte de sua vida ao espiritismo e buscava discernimento através dele, uma tarde, em conversa na cozinha me perguntou “todo dia vou ao mercado e à padaria, arrumo a casa, lavo, cozinho e fico me perguntando, a vida é isso? Ir ao mercado e voltar?” Respondi a ela: para alguns sim. Sim, a vida pode ser vista não apenas como um subir ou descer evolutivo, mas até como um administrar horizontal. Há alguns que nem percebem a evolução ou involução de coisas e seres. Se contentam em “ir vivendo”. Quis com minha resposta, sinalizar à avó de minha filha que ela poderia escolher ser diferente, que não estava condenada àquela situação que lhe parecia desconfortável. Infelizmente ela viveu pouco tempo para levar adiante os questionamentos que passou a ter a partir daquele dia. E, acontece a muitos, demorar a se questionar e depois não encontrar tempo suficiente para evoluir na nova estrada que vislumbraram. 

Então comecemos já: é a vida uma ascensão positiva ou uma descensão negativa? É ambas as coisas? Ela pode ser ambas as coisas. Ou uma só. A descensão negativa é inegável, não é necessário possuir a inteligência privilegiada de um Caetano para percebê-lo. Um espelho é o suficiente, as rugas aparecem, a pele fica mais seca e quiçá com manchas, os cabelos ficam mais descorados… A descenção é inevitável, nunca ninguém escapou dela. Já quanto à ascensão, participar ou não dela, é opcional. Pode-se ignorar sua possibilidade por toda a vida ou, ao contrário, dedicar suas melhores forças para evoluir em sua direção. 

O que difere a pessoa que está simplesmente administrando sua vida da pessoa que está ascendendo, é a qualidade de consciência com que participa do que vive. Sim, uma pessoa que observa corajosamente tudo o que lhe acontece, por dentro e por fora, percebe que o avançar dos anos é uma ascensão positiva, um participar cada vez mais ativo e presente daquilo que faz. E dificilmente tem saudades do passado. 

Uma pessoa que olha a vida como um decrescer negativo de qualidades físicas, vai achar que avançar nos anos é um exercício de renúncia. Renúncia de suas capacidades vitais, de seus objetos pessoais, de amigos que se vão, de coisas que se estragam, de verdades que não condizem mais com a realidade… A vida parecerá para ela um itinerário da alegria da juventude para a tristeza da velhice. Já aquele que desenvolve a agudeza de sua capacidade de observar, vai enxergar o avançar dos anos como um crescer positivo da profundidade de consciência e lucidez. Conforme a consciência cresce em profundidade, novos planos de felicidade surgem, e, em um determinado momento do aprofundar, como em um buraco que se aprofunda na areia da praia, encontra-se a água pura do êxtase. A mina da felicidade.

A felicidade pura e cristalina, sem motivo exterior. E, ao mesmo tempo, camadas e camadas de tristeza vão se despregando de nós, naturalmente, com a espontaneidade de um fruto maduro que se desprende da árvore. 

A pergunta é: se é tão melhor ser consciente, por que tão poucos o são? Sim, claro, há um preço. O preço é encarar sua realidade interior. E poucos se dispõem. Em primeiro lugar pelo equívoco de só enxergarem o que terão que renunciar se evoluírem, em segundo, pelo medo da dor de perceber seus “defeitos”, tristezas e vulnerabilidades. Mas, não há opção melhor, a outra opção é participar apenas da dimensão da vida em que ela se deteriora. 

O medo do “mergulho interior” não é exatamente o medo do desconhecido, mas o medo de se perder o conhecido. A começar pela perda da auto-imagem que a pessoa possui. Em seguida, o medo de perder investimentos feitos anteriormente e que ainda não renderam o prometido. Sim, a pessoa investiu em ser alguém que teria direito a certas felicidades e ainda não as conseguiu. Como abandonar o investimento? 

A vida realmente é feita de ganhos e perdas. Mas, para aquele que opta pelo caminho do aumento de consciência, as perdas que vão acontecendo são irrelevantes. A pessoa se percebe perdendo o que não é essencial para dar lugar ao que é essencial. E isso é sinônimo de maturidade, a perda do não essencial e o adquirir do essencial. E quando se experimenta isso conscientemente, não é difícil perceber o quanto esse essencial é quem preenche e alimenta a pessoa internamente. Você descobre que antes esperneava por perder miçangas, sem saber que em seu lugar apareceriam os mais cristalinos diamantes. 

O segredo para esse caminho não está em negar a dor da perda das mais diversas miçangas colecionadas por toda uma vida, mas em observar a dor, observá-la de maneira intensa e aguda. A dor parecerá grande e talvez até insuportável no primeiro momento, mas, com a persistência da atitude de observar, você a verá primeiro diminuir, até se tornar ínfima, até se dissipar, como se dissipa a escuridão quando alguém acende a luz. 

No entanto, essa observação não pode ser apenas mental. É preciso observar com todo o ser, com sua porção emocional, com o físico, com toda a energia disponível. E, para isso, o melhor é criar um ritual, um momento ritual diário de observação. Separe uma hora por dia para observar-se, aconteça o que acontecer com você naquela hora, observe de frente. Sozinho, em um ambiente protegido, feche os olhos e observe-se. Honestamente. Inteiramente. Corajosamente. Custe o que custar. Depois de algum tempo você se verá observando de outros espaços. A lucidez aumentará, o desconforto diminuirá e em algum momento você perceberá com os próprios olhos o que perceberam os grandes místicos, que a vida não é uma descensão negativa, mas uma ascensão positiva.

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Leia Também:

“O Lugar Certo”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=781

“A Lei do Dharma e a Lei dos Homens”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

“Evoluir em Profundidade”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=999

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Participe do Curso:

“Memória e Rejuvenescimento Celular Através da Meditação”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=82

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2 Responses to Ascensão ou Declínio

  • Averilda:

    Sabe quando você quer dizer tanta coisa sobre algo que lhe preencheu e as palavras não saem? É o que estou sentindo agora. Apenas silencio e lhe digo GRATA

  • Silvia Almeida de Oliveira Costa Martinez:

    Bom dia Pedro… você tem razão… emoção… sensação… intuição…. tks _()_ bjsssss S

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Osho – A Vida Está Além do Seu Controle

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A Vida Está Além do Seu Controle

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A vida está além do seu controle.

Você pode desfrutá-la, mas não pode controlá-la.

Você pode vivê-la, mas não pode controlá-la.

Você pode dançá-la, mas não pode controlá-la.

Normalmente dizemos que respiramos, e isso não é verdadeiro – a vida respira por nós.

Mas continuamos a nos considerar agentes, e isso cria o problema. Quando você fica controlado, excessivamente controlado, não permite que a vida lhe aconteça. Você impõe demasiadas condições, e a vida não pode satisfazer nenhuma.

A vida lhe acontece somente quando você a aceita incondicionalmente e está disposto a dar-lhe as boas-vindas, não importa a forma que ela tome.

Mas uma pessoa muito controlada está sempre querendo que a vida chegue até uma certa forma, está sempre pedindo que ela satisfaça certas condições – e a vida não se importa; ela simplesmente não leva em conta pessoas como essa.

Quanto mais cedo você quebrar o confinamento do controle, melhor, porque todo controle é da mente. E você é maior do que a mente.

Uma pequena parte está tentando dominar, tentando dar ordens. A vida segue em frente, você é deixado para trás e fica frustrado.

A lógica da mente é tal que diz: “Olhe, você não controlou bem e por isso perdeu; controle mais.”

A verdade é justamente o oposto: as pessoas perdem muitas coisas devido ao exagerado controle.

Seja como um rio selvagem e muito do que você nem pode sonhar, nem pode imaginar, nem pode esperar, está disponível logo ali, ao seu alcance.

Mas abra as mãos; não continue vivendo a vida com mãos fechadas, porque essa é a vida de controle.

Viva a vida com as mãos abertas.

Todo o céu está disponível; não se contente com menos.

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Osho

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 Leia também:

Amar se Tornará a sua Natureza, Osho: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1074

Celebração, Osho: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1901

 Mestres da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2539

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6 Responses to Osho – A Vida Está Além do Seu Controle

  • Isilda Mesquita:

    Será que é pecado viver mais que um amor em simultâneo?…todos dentro de parâmetros diferentes…Será que é tão difícil entender que ninguém é de ninguém…Amar livremente sem condicionamentos…Simplesmente amar…Viver as emoções…É pecado?…Por quê as cobranças?…Serei eu uma depravada?…Afinal quem sou eu?…Um ser incompreendido pela lei dos homens…Quem disse que a lei dos homens é a correta?…Aqui não está a questão de quem está correto…Mas sim o que é certo…
    Alguém me pode responder a estas questões?…
    Obrigado por me ouvirem…

  • Solange Zomer:

    Excelente lembrança. Amo Osho.
    Este texto também me faz lembrar o grande filme “Instinto” com Anthony Hopkins.
    Obrigada pela maravilhosa lembrança.
    Bjs na alma,

  • Maria Ângela:

    A vida é um mistério. A gente sabe, mas não consegue lidar com essa ideia. Precisamos crescer e evoluir. Obrigada.

  • dulce:

    Sou fã do Osho; tenho o baralho e vários livros dele.

  • Nat:

    Texto excelente.
    Sempre aprendi a me controlar. Me é difícil soltar esse controle. É uma questão de educação que foi sedimentando pedra sobre pedra na minha construção. Tenho meu lado lírico, lúdico, dou risadas, mas é uma pequena amostra. Tento sair dessa armadilha nas brincadeiras, mas sou fraca nisso. Preciso trabalhar em mim a espontaneidade, a liberdade.

  • ANA PAULA:

    CADA VEZ TENHO MAIS CERTEZA QUE PRECISO MUITO EVOLUIR SOBRE A VIDA QUE SE VIVE

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O Fluxo entre Riqueza Material e Espiritual

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O Fluxo entre Riqueza Material e Espiritual

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Foto: "We are all connected. When you touch one thing, you are touching everything. Whatever we do has an effect on others. Therefore, we must learn to live mindfully to touch the peace inside each of us.</p>
<p>Peace in the world starts with peace in oneself. If everyone lives mindfully, everyone will be more healthy, feel more fulfilled in their daily lives and there will be more peace. This collective mindfulness can bring positive change to our families, organizations, communities, nations and future generations."</p>
<p>~ Thich Nhat Hanh</p>
<p>The Global Meditation<br />
www.theglobalmeditation.net” /></p>
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Pedro Tornaghi

 

Em frente ao Ashram do Osho em Puna havia uma mansão abandonada, herança do império britânico, ocupada e dividida por famílias carentes. Na cocheira vivia dentre inúmeros moradores um franzino rapaz chamado Nanu. Provavelmente todos os que frequentaram Puna nos anos em que o Osho lá esteve o conheceram ou tiveram alguma relação com ele. 

Menino pobre, comunicativo e sempre sorridente, Nanu um dia percebeu que muitos dos discípulos estrangeiros do Osho – no início aparentando serem ex-hippies em sua maioria – fumavam cigarros e tinham dificuldades em comprá-los. Para se comprar um maço de cigarros ocidental nessa época era preciso deslocar-se pelo menos quatro quilômetros da atmosfera de paz profunda, aprazível e acolhedora do ashram, enfrentar um trânsito caótico e embrenhar-se por ruas barulhentas, poeirentas e super-populosas do centro da cidade. Indianos não fumavam cigarros estrangeiros, logo, esses eram vendidos em raros locais. 

Nessa ocasião, alguns “sanyasins” ocidentais tiveram a ideia de pedir a Nanu, sempre muito disponível, que buscasse os cigarros no mercado. As gorjetas eram verdadeiras fortunas para um menino pobre da Índia, alguns lhe davam vinte centavos de dólar, outros até um dólar. Em um país onde ser professor era considerado um ótimo trabalho e, depois de estudar por muitos anos, o que recebiam pelo ofício girava entre40 a60 dólares, Nanu rapidamente se viu equiparado a eles em estilo de vida. E não demorou a ultrapassá-los. 

Também não foi necessário muito tempo para que o esperto Nanu percebesse que podia  adquirir e estocar cigarros antes mesmo de haver encomenda e montasse sua “banquinha” em frente ao Ashram. A cada dia chegavam mais e mais discípulos estrangeiros, encantados com a obra do Osho e não faltariam fregueses e nem demoraria para que a mercadoria fosse passada adiante. Em pouco tempo porém, Nanu percebeu que sua maior mina de ouro não estava nos cigarros. Não havia casas de câmbio no bairro do ashram e aqueles estrangeiros, para alimentar seu vício, lazer, ou mesmo se alimentarem, precisavam trocar dinheiro em moeda local. 

Fazia-se necessário sair do Ashram para isso também. Alguns pediam a Nanu que aceitasse o pagamento pelos cigarros em moeda estrangeira, outros pediam o troco em moeda local para ficar com algum dinheiro indiano no bolso, outros, começaram mesmo a pedir que Nanu quando fosse ao centro, trocasse dólares para eles. No inicio Nanu recebeu comissões de doleiros, mas assim que pode, e não demorou muito, passou a ter reserva financeira o suficiente para trocar diretamente o dinheiro. 

O menino cresceu, em idade e em posses. A convivência diária e íntima com os sanyasins estrangeiros o levou a conhecer seus hábitos e gostos e ele foi ampliando sua oferta de serviços. Abriu uma loja de cristais para os jovens esotéricos, mais tarde outra de roupas com o gosto daquele público tão específico, adquiriu uma lanchonete de estilo ocidental e acabou, depois de poucos anos, dono de loja de departamentos. Sem abandonar sua galinha dos ovos de ouro, o câmbio. Hoje ele pode ser considerado uma das maiores fortunas de Puna. 

Fiquei, como muitos sanyasins, amigo do boa praça Nanu, ele me convidou a entrar em sua casa no dia em que comprou sua primeira televisão, precisava mostrar, orgulhoso e fascinado, a tela de quarenta polegadas de seu tubo. Naquela tarde, perguntei a ele se nunca sentira vontade de entrar no ashram para meditar, ele que se dizia também discípulo do Osho. Ele me jurou ter feito isso no passado, mas nunca soube de alguém que o tivesse presenciado. 

Sempre me impressionou como uma pessoa inteligente e sensível como Nanu, vivendo como vizinho de porta de um iluminado que inspirava a tantas pessoas – incluindo a mim – a venderem tudo o que tinham para passar uma temporada meditando com ele, conseguiu enxergar a possibilidade de alcançar a estrondosa riqueza material e não tenha se ocupado de se beneficiar de sua riqueza espiritual. Dinheiro tantos têm, em tantos lugares, mas o que acontecia ali naquele ashram naqueles dias era algo raro. E único. E se oferecia gratuito a ele. 

Concordo com Nanu que a riqueza material é muito melhor do que a pobreza. Mas por que não esticar a mão e se beneficiar de ambas as riquezas? Talvez Nanu não pudesse enxergar outras riquezas. Mas talvez tenha sido vítima de uma armadilha da qual todos somos vítimas diariamente; uma armadilha que pode ser evitada, se entendermos a estrutura de nossas mentes. 

Nossa mente funciona de maneira semelhante a nossos olhos. Nossa visão opera com foco. Quando focamos os olhos em um objeto perto, desfocamos o que esteja mais distante. E, em seguida, torna-se fácil e comum esquecermos da existência do que não está em nosso ângulo de visão. Do mesmo modo, quando a mente dá atenção a um assunto de profundidade rasa e próxima, deixa de perceber e esquece com facilidade a existência do que esteja em maiores e mais distantes profundezas. 

Alguns dos sanysins que naqueles dias se dedicavam à meditação, quando voltaram a seus países de origem se envolveram com os afazeres de sobrevivência ou de sucesso profissional e, com o tempo, deixaram de dar oportunidade à meditação. Ainda pensam que ela seja importante mas, na prática, não meditam. O que houve com eles? Dedicaram a atenção a assuntos mais rasos da mente e esqueceram as águas profundas que tantas vezes matara suas sedes existenciais, que em outros tempos os renovaram e deram sentido de vida, que em outras estações foram prioridade única de suas vidas. 

O que os fez esquecer? A que se deveu o desvio de um caminho que só lhes trouxe felicidade? Não terá sido exatamente esse “modus operandi” da mente? E se tiver sido, haverá como mergulhar em afazeres mais próximos, cotidianos e muitas vezes necessários sem esquecer de sua natureza mais profunda? Não temos como controlar a mente ou mudar sua natureza, então o que fazer? 

A resposta pode estar nessa semelhança e proximidade entre o funcionamento dos olhos e da mente. Os olhos são na realidade parte do cérebro. O nervo óptico é um feixe de neurônios. Os olhos podem ser vistos como uma parte exposta da mente. Uma parte com a qual podemos facilmente interagir e interferir em seu comportamento. Dessa maneira, ensinando certas coisas ao olho, estaremos ensinando também à mente. Particularmente quanto ao foco. Treinando o olho para transferir o foco do próximo para o distante, podemos também treinar a atenção para passar das regiões rasas para as profundas dentro de nós. Com certos exercícios em que nos lembramos do distante enquanto olhamos para algo perto, podemos treinar a atenção para se lembrar do que nos é essencial enquanto cuida de assuntos circunstanciais. Certas técnicas que se utilizam do foco do olhar para nos levar a estados meditativos nos permitem – e estimulam a – desenvolver essa arte. 

É sim um ovo de Colombo. Podemos criar um fluxo entre o raso e o profundo e nos entregarmos a esse fluxo; e passarmos a viver em contato com os assuntos e ocupações mais superficiais, sentindo sempre a presença do profundo. A mente no princípio será contra o fluxo. Tentará sabotá-lo. E o conseguirá muitas vezes. Mas, se você volta à meditação que trabalha o fluxo da mudança do olhar outra e outra vez e, aos poucos, a mente já não consegue fazê-lo esquecer totalmente de sua natureza, não consegue mais tampar com seu véu a realidade interna, a sua face espiritual. 

A mente não imagina deixar de dominá-lo e sabe que esse fluxo será libertador para você. Ela irá criar muros de pedra que impeçam o fluxo, mas você deixará sua água jorrar de dentro e encontrar brechas nesses muros, ou transbordá-los. A mente sabe que só há uma chance de dominá-lo, e essa será se você não estiver fluindo. Mas, se você restabelecer o fluxo de novo e de novo com novas meditações, sua energia será tal, que uma inundação levará todas as pedras da mente e pensamentos para o oceano. Ela não conseguirá ficar no caminho. E, novos caminhos, novas avenidas, novos universos se abrirão para você. 

As meditações da visão possibilitam esse fluxo. E não será preciso estar pronto de nenhuma maneira especial para experimentá-lo. Pelo contrário. Se houver algum preparo anterior talvez o melhor seja descartá-lo. As imagens antes criadas sobre o que é meditação ou sobre quem seja você… descarte tudo. Para estabelecer esse fluxo através da meditação só é necessário estar disponível. Com olhos sensíveis e receptivos. Com entrega, empenho e dedicação. 

E, quando isso acontecer, nada o impedirá se você escolher ser rico ao mesmo tempo material e espiritualmente.

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Participe do curso:

“Meditações da Visão e da Audição”

Início : 15 de Fevereiro de 2014

Assista à Palestra:

“Os Olhos como Caminho para a Meditação”

Data: 10 de fevereiro de 2014

maiores informações: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=107

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Foto: "An old Chinese Zen Master once said, "From birth to death it's just like this!" ...We always imagine that there's got to be somewhere else better than where we are right now, the great 'Somewhere Else' we all carry around in our heads. We believe 'Somewhere Else' is out there for us if only we could find it. But there's no somewhere else. Everything is right here."</p>
<p>~ Brad Warner” /></p>
<p style=.

Leia também:

A Calma Absoluta do Olhar: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1804

Os Sentidos Internos: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=375

A Arte de Escutar e Enxergar: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=399 

As Meditações da Visão e da Audição:  http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=31

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Foto: “To bow to the fact of our life's sorrows and betrayals is to accept them; and from this deep gesture we discover that all life is workable. As we learn to bow, we discover that the heart holds more freedom and compassion than we could imagine.”</p>
<p>~ Jack Kornfield” /></span></p>
<p style=.

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7 Responses to O Fluxo entre Riqueza Material e Espiritual

  • Christiane Cardenas Pires Ferreira:

    Gostei muito do artigo e da história de Nanu que se envolve numa armadilha, a qual todos nós podemos ou não vivenciá-la em nosso dia a dia. Sempre temos escolhas na vida e caminhos a seguir. Seja qual for a sua escolha, se você teve uma boa orientação dos seus pais, da sua família, do seu entorno, você terá sempre uma saída quando perceber que caiu numa cilada, numa armadilha da vida. Meditar é respirar, é abrir brechas na mente , é dar oxigênio a pensamentos, é limpar, acalmar, tirar a umidade e o mofo do elemento terra, é ligar o “fio terra” e consequentemente limpar a neblina que o impede de enxergar (elemento madeira).
    Sou Terapeuta da MTC ( Medicina Tradicional chinesa) por isso faço conexões com os cinco elementos.
    Christiane Cardenas

  • marcia godoy:

    Adoro tudo que você escreve

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    Que legal!!!
    tks
    bjs
    S

  • Ivone Martins:

    Adorei o texto…

    A luta é grande pois muitas vezes a nossa mente, nos leva a
    acreditar na necessidades de prazeres momentâneos…
    nos tirando do nosso verdadeiro caminho.

    Namastê!

  • Adelaide Anversa:

    Adorei, muito legal, gosto de ler tudo sobre o que escreves

  • Selma Fernandes:

    Acredito que a Meditação, é o melhor caminho para a melhoria da qualidade de vida. Leva-nos a aprender equilibrar as emoções e a aproveitar e usar melhor a inteligência!

  • Andrea do carmo garcia:

    Sempre foi e ainda é um eterno exercício em minha vida – prosseguir nessa jornada material sem se descuidar da mente. Maravilhoso texto que muito contribuiu para uma nova visão e novos olhares….obrigada. Namastê……….

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O Sentido do Reveillon

O Sentido do Reveillon

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Pedro Tornaghi

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A escolha do dia primeiro de janeiro para se comemorar o ano novo se dá pelo periélio, o momento do ano em que a Terra mais se aproxima do Sol. Como cada volta do planeta em torno do astro-rei acontece em aproximadamente 365 dias, 6 horas e 9 minutos, a cada 4 anos temos um ano bissexto para corrigir as 6 horas a mais que cada ano possui. Mas, os 9 minutos excedentes não são corrigidos, o que causou com o tempo um certo deslocamento de nossas comemorações de “ano novo” em relação ao momento de aproximação máxima do Sol. Atualmente, o periélio acontece sempre entre os dias 2 e 6 de janeiro, e em 2014 ele acontecerá no dia 4. 

O periélio torna o reveillon um momento cheio de significados, não apenas por convenção cultural. Uma vez entendidos esses significados, podemos usufruir melhor de nossos “ritos de passagem”.

Se o Sol apagasse neste instante, morreríamos todos em menos de 5 minutos, donde, podemos dizer que não possuímos vida própria, mas que somos parte da vida do Sol, somos como um raio dele. Costumamos achar que quem nos sustenta é nosso salário, ou nossos pais, ou para alguns mais afortunados, a reserva no banco, mas quem verdadeiramente nos sustenta vivos é o Sol. Todo o resto é consequência de como ele organiza ritmos e ciclos por aqui. E, se entendermos ao Sol e aos seus ciclos e nos afinarmos à sua dinâmica, nos afinaremos à lei que sustenta a vida, a felicidade e a realização. 

Para esse entendimento, o ciclo do periélio é fundamental. Para entender melhor sua mecânica, chame uma criança para brincar em um lugar ao ar livre; peça a ela que venha correndo em sua direção e, quando ela chegar perto, segure-a pela mão, dê uma volta com ela sobre si mesmo e lance-a novamente na mesma direção de onde ela veio. Peça a ela que quando for acabando o impulso com que você a lançou, ela volte novamente a você com a mesma atitude da primeira vez. Repita por três ou quatro vezes. Ela terá desempenhado um papel semelhante ao da Terra em sua órbita e você ao do Sol. 

Será mais fácil para ela entender o que acontece ao planeta, uma vez que sentirá na carne o impulso com que é lançada para fora, mas você terá uma localização privilegiada de observador que também facilitará importantes conclusões. Será fácil notar como ela irá aumentando de velocidade conforme estiver chegando a você, como atingirá a velocidade máxima ao dar a volta em você e diminuirá aos poucos essa velocidade ao se distanciar. É o que acontece com a Terra em relação ao Sol. 

Pode-se dizer que o Sol escolhe a que distância cada planeta deve ficar de si, ou seja, que ele tem uma força que atrai o planeta e outra que o expele. Nossa situação de vida depende do equilíbrio entre essas duas forças. Se o Sol apenas atraísse, a Terra já teria sido tragada e devorada há tempos por suas chamas inclementes. Se ele somente expelisse, já estaríamos há milhões de anos fora de seu sistema, e sem as condições ideais de temperatura para viabilizar a vida tal e qual a conhecemos. No entanto, embora haja um equilíbrio entre essas duas forças, há uma sazonalidade entre a predominância de uma e outra sobre nós, que afeta nossos processos vitais, nossos humores e nossa psicologia. 

Quando a Terra se aproxima do Sol, a força de atração está preponderante, quando se afasta, a que expele passa a ser a dominante. O periélio é o instante de mudança de equilíbrio entre essas forças, e o momento em que mudamos o rumo, estávamos sendo tragados pela estrela-mãe, e agora estamos sendo expelidos de seu “útero” devorador. É o instante em que estamos sendo lançados a mais um “vôo” no espaço. É uma circunstância de ser lançado a uma maior liberdade, que poderá ser usada para buscarmos a liberdade de nossas concepções e convicções anteriores sobre a vida, sobre nossas relações, sobre nossos compromissos assumidos, sobre hábitos repetitivos que não nos interessam mais, enfim, sobre tudo o que “prendia” e limitava nossa existência nos ciclos anteriores, e nos lançarmos de maneira mais livre para decidir sobre nossos destinos em um novo ciclo. Em um novo ritmo, inédito. 

Sim, um novo ciclo e um novo ritmo inédito. O que caracteriza nosso nascimento é a instalação de ritmos individuais em nós. Antes de nascermos, temos uma válvula aberta entre o lado direito e o esquerdo do coração. Isso permite que o sangue passe pelo coração sem ser bombeado para nossos pulmões, e o gás carbônico que produzimos seja trocado por oxigênio no pulmão de nossa mãe. Quando o cordão umbilical é cortado, essa válvula se fecha instantaneamente e nosso sangue passa a ser bombeado diretamente para o pulmão. Nesse momento, três ritmos se instalam de maneira independente, o da respiração, o da circulação e o das energias sutis dentro do corpo. A isso chamamos nascimento, o momento em que brotam certos ritmos independentes em nós. Podemos considerar o periélio um nascimento. E uma chance para renascermos no que queremos renascer e de abandonar situações que desejamos abandonar. E, para isso, usamos leis naturais. Para livrarmo-nos de restrições criadas por circunstâncias mais próximas da vida cotidiana, lançamos mão de uma relação mais ampla, nossa relação com o Cosmos e com as leis que regem a vida. 

Sim, com o Cosmos e as leis que regem a vida. Vivemos na superfície da Terra, que gira em torno de si mesma. Logo, podemos dizer que nós, seres da superfície do planeta, giramos em torno do centro dela, que gira por sua vez em torno do Sol, que gira em torno do centro da galáxia, que gira em torno do centro do Universo. 

Afinar-se ao ciclo do Sol é afinar-se ao diapasão Universal e, assim, ao pulsar da vida em você. É afinar-se aos ritmos maiores do Universo. É deixar com que a vida flua em suas artérias conforme seu projeto original. É afinar-se ao ritmo que sustenta a tudo no Universo. É afinar-se ao seu propósito original, a lei evolutiva que sustenta a você e a tudo no Universo. Fazer uma conexão de seus ritmos internos com o Sol nesse dia não é apenas aproveitar uma chance de obter vigor e uma melhor saúde para todo o ano, mas a maior facilidade de adquirir clareza de quem se é, de quais os seus propósitos individuais e quais assuntos dizem respeito a você, somente a você. 

O início de um novo ciclo é quando se instala o ritmo em que tudo se desenvolverá dentro dele. É onde se instala “mapa astral” do ano. A maneira como o Sol está se comportando, dará o “tom” em que tudo se desenvolverá nesse ano. A maneira com que você se comporta nesse momento de transição, influenciará o que há de crescer ou diminuir em você no novo ciclo. 

Quanto mais profunda sua meditação durante os dias que cercam o periélio, e principalmente no próprio dia, maior sua afinação consigo mesmo, com sua fonte e com o novo ciclo do Sol. Esse liame com o ritmo solar irá refletir de muitas maneiras saudáveis para você. 

Se você é uma pessoa que vem buscando o auto-aprofundamento, mas seus esforços vêm esbarrando em dificuldades, falta de clareza, auto-sabotagem, falta de energia e ânimo para esse empreendimento, falta de ritmo ou perseverança em sua busca e você gostaria que fosse diferente, use esse momento como aliado. A sintonia com a dinâmica do novo ciclo do Sol vai injetar ânimo e uma autoconfiança sadia capaz de viabilizar a jornada na direção de realizar o próprio self. Não que baste afinar-se ao momento solar, mas se você é dessas pessoas que deseja ardentemente um salto quântico de autoconsciência e não tem encontrado forças ou clareza para ir mais adiante, esse pode ser o momento ideal para descobrir onde essas forças e clareza se escondem. 

Se você não estiver interessado em autoconhecimento mas deseja ser mais saudável, afinar-se ao ritmo do Sol no início de um ciclo de translação da Terra (dia 4) pode ser útil a você por outras razões. Na Índia se diz que temos cinco pranas em nosso corpo e que o que diferencia um prana do outro é o ritmo de cada um deles. Todos os cinco são na realidade a mesma energia, o mesmo prana, vibrando em diferentes ritmos que, uma vez afinados ao mesmo diapasão, criam as condições ideais para um corpo saudável. E, uma vez afinados não apenas entre si, mas ao “ritmo das esferas celestes”, garante um suporte extra de capacidade para reagir a qualquer doença oportunista; proporciona um sistema imunológico natural. 

Se você não vem buscando nem o autoconhecimento e nem se preocupa com a saúde, mas deseja um maior sentimento de felicidade, afinar-se ao sol nesses dias também pode ser mais do que útil. Uma vez afinados nossos 5 pranas ao “diapasão universal”, temos uma sensação de pertencimento à vida, ao lugar em que estamos e a todo o Universo. Quando isso acontece, qualquer contrariedade terá que fazer um esforço muito grande para conseguir nos provocar qualquer sensação de desconforto. Todo sorriso se impregnará de presença solar. 

Qualquer dia do ano serve para que nos afinemos mais aos “ritmos naturais do sistema solar” e colhamos esses benefícios, mas, no dia 4, onde a Terra estará 3% mais próxima dele que o normal e estará no momento mais rápido de sua translação, todas as possibilidades de mudança e de auto-sintonização estarão aumentadas. Um aparente “pequeno aumento”, mas que faz a diferença para que consigamos fazer as mudanças mais essenciais em nós. 

O início de um novo ciclo solar proporciona sempre e reiteradamente o impulso extra e necessário para quem busca um grande salto quântico em sua lucidez, saúde e felicidade. Bom proveito e feliz ano novo!

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Leia também:

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763 

Simplicidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1544

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5 Responses to O Sentido do Reveillon

  • Noemy Mortari e Silva Santos:

    Perfeito, Pedro. Venho buscando essa integração há tempos por meios diversos, várias práticas, principalmente meditação e autoconhecimento.
    Dia 04 de janeiro faço aniversário, e sinto necessidade de estar “em retiro” comigo e com a fonte. Sempre ocorreu isso, antes mesmo de estudos astrológicos e correlatos, apesar da constante solicitação de amigos para festejarmos a data. Você pode adicionar algum comentário específico? Muita luz! Noemy

  • Sandra Helena ilhar Di Filippo:

    Beleza!

  • Ana Maria Prazeres da Guia:

    Gostei demais de ler este texto. É muito bom encontrar respostas para perguntas silenciosas que moram dentro da gente e sempre despertam nessa ocasião. Fim de ano sempre traz a sensação de fechamento de um ciclo e abertura de outro. Mas ficamos perdidos em divagações sem respostas. Lendo o texto percebo resposta prática e clara. Aproveito para desejar um lindo ano cheio de paz e harmonia.

  • Lucy:

    Muito bom…luz e paz!!

  • Sueli Canova:

    Olá Pedro!

    Gostei muito de seu texto, conseguiu explicar de forma clara e muito simples o que muitas vezes fica difícil compreender, muito esclarecedor.
    Comemorarei com mais Esperança este dia!

    Feliz Ano Novo !

    Sueli

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Mudança Interna e Harmonia no Planeta

 

Mudança Interna e Harmonia no Planeta

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Pedro Tornaghi

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Tantos tentam salvar o mundo e ele continua insistentemente cada dia mais perto da destruição das condições de vida humana. E nos perguntamos: onde falha o esforço dessas inúmeras  pessoas bem intencionadas? Em dispendiosas reuniões internacionais tenta-se legislações que impeçam a emissão de gases e o desmatamento, ensaiam-se acordos objetivos que freiem as mais diversas formas de destruição do habitat natural da vida…

O engano está exatamente no foco em providências objetivas. É fácil imaginar, que com legislações e tratos sociais, vamos resolver o problema, mas, para resolvê-lo, é preciso saber antes onde ele se origina e, assim, conseguir tratá-lo desde a raiz.

Quem destrói a vida certamente é o homem, isso, todos concordam. Então por que não começar tentando entendê-lo?

O homem viveu cerca de quatro milhões de anos como caçador coletor. Ou seja, sobreviviam melhor os que tivessem capacidade de correr atrás de suas presas. Era uma questão de sobrevivência. Quatro milhões de anos criando um instinto, o de caçador. Nos últimos dez mil anos, com o surgimento da civilização, os mais preparados para sobreviver passaram a ser aqueles que possuíam terras. Seres sedentários passaram a mandar no planeta. Mas, o que foi feito do instinto de caçador?

Nada. Ele continua onde sempre esteve. Nas entranhas e nas garras do ser humano, que ainda não sabe como lidar com ele nas novas circunstâncias. Por vezes esse instinto surge no rapaz que trata agressivamente a moça que passa, querendo fazer dela a sua caça, por vezes quando uma pequena multidão resolve linchar um menino que assaltou uma casa, outras vezes em uma torcida que se degladia com outra no estádio, ou em um louco que joga um avião sobre o prédio do “inimigo”. Ou muito comumente, em rapazes que se armam de fuzis nas comunidades carentes e assaltam e aterrorizam, cirando um pandemônio para todos nós.

O instinto de caçador quer ver sangue. É só reparar o quanto reúne curiosos um acidente de automóvel ou uma pessoa morta estirada na rua para constatarmos o quanto a morte mobiliza os passantes.

O instinto do caçador se transformou em um instinto destruidor. E se manifesta – consciente ou inconscientemente – nos mais diversos níveis. É ele quem está por trás do impulso auto-destrutivo do homem. É ele quem está por trás também dos pequenos ou grandes desrespeitos cotidianos à natureza.

Se quisermos desarmar a bomba, precisamos ir até ela. Só com o conhecimento da subjetividade seremos capazes de reverter o sentido que temos dado ao nosso “impulso evolutivo”. Só mergulhando mais fundo em nós mesmos do que as raízes do comportamento destrutivo, poderemos inverter o processo. Só com a popularização de todas as terapias, métodos de autoconhecimento, técnicas de meditação e etc, poderemos sensibilizar o homem. E, o homem capaz de sentir verdadeira e plenamente a fragrância de uma rosa, dificilmente será capaz de apertar o botão de uma bomba atômica. O homem de plena sensibilidade respeita o meio ambiente não porque aprendeu que isso é o certo, ético ou por que a lei manda, ou por querer ser “direitinho” com a sociedade. Ele respeita as sensibilidades à sua volta porque se identifica com elas. Ele respeita a vida porque pode tolerá-la em si, por que pode desfrutá-la plenamente.

A verdadeira revolução, se possível for, não se dará pelas armas, mas pela compreensão. E essa virá do empenho individual – e intransferível – de cada um por conhecer e pacificar o seu universo interno. O dia em que estivermos equilibrados internamente, nossos atos certamente contribuirão para o equilíbrio externo.

Se você é uma das almas sensíveis com desejos sinceros de salvar o planeta, comece por salvar a si mesmo, e terá feito muito. Comece por fazer uma revolução interna. Por mergulhar nas profundas águas de seu mundo subjetivo e permitir que as coisas aí dentro se ordenem. E você irá se surpreender em como muitas e tantas coisas começarão a, espontaneamente, se ordenar em torno de você. Essa maneira pode parecer trabalhosa, longa, desafiante e até perigosa, mas é a única capaz de realmente mudar – para melhor – a sua vida e a do planeta.

Não percebemos que fazemos com o planeta o que fazemos conosco mesmos. Se não desarmarmos o que há de belicoso em nosso espírito, continuaremos, consciente ou inconscientemente, rápida ou demoradamente, a colaborar com a destruição do planeta. Trabalhe-se internamente e você se perceberá dando a melhor contribuição que pode dar por um mundo e uma vida melhor.

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Leia Também:

“Rio, Mais 20 Anos Perdidos”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1454

“Montanhas Cariadas”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=235

“O que será o Amanhã?”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2251

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4 Responses to Mudança Interna e Harmonia no Planeta

  • Vera Lucia Brandão Franco:

    Pedrinho Tornaghi foi grande modelo, lindo que só ele! Só pode ser o mesmo… Não pode lembrar-se de mim mesmo, nunca conheceu a mim! Você é que sempre foi celebridade, eu apenas fui sua fan, de longe… Ainda não posso fazer nenhum comentário, só agora encontrei seu site, por puro acaso, e estou iniciando a leitura e já estou gostando muito! Sucesso! PAZ e LUZ!
    N. B. = tenho a pretensão de ler sempre…

  • Vera Lucia Brandão Franco:

    Li esta página e gostei muito da sua coerência, da sua forma de aconselhamento à humanidade! Desculpe minha intimidade ao reconhecer seu nome, mas olhando novamente percebi claramente que só pode ser, realmente, filho do ex-modelo Pedrinho Tornaghi, e não o mesmo, é que o mesmo nome só pode ser de um filho… É que não notamos que o tempo passa…

  • cristina ap. de melo garcia:

    Sim é preciso uma mudança interna e individual, para alterar a vibração e acontecimentos do planeta para melhor.

  • Leda Guimarães Migueres:

    Certamente só vamos mudar se formos primeiro capazes de sentir, isso falo por experiência própria, hoje sou muito melhor do que fui ontem e amanhã serei com certeza muito mais experiente e melhor nas minhas relações com a vida em geral.

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Mestres da Meditação


Mestres da Meditação

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“Esteja atento 24 horas por dia e não apenas durante a hora que você pode separar para a meditação formal ou ler escrituras e recitar orações. Cada ato deve ser realizado em plena consciência. Cada ato é um ritual, uma cerimônia. Levantar sua xícara de chá da boca é um rito. Será que a palavra “rito” parece muito solene? Eu uso essa palavra a fim de sacudi-lo para o entendimento da questão, de vida e morte, da consciência.”

Thich Nhat Hanh

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“Para estar no “aqui”, tudo que você tem a fazer é abrir mão do que você pensa que é. Isso é tudo! E então você perceberá: ” eu estou aqui.” Aqui é o lugar onde pensamentos não são acreditados. Toda vez que você vem para o “aqui” você se torna um “nada”. Um radiante nada. Absolutamente e eternamente um zero. Um vazio que está desperto. Um vazio que está cheio. Um vazio que é tudo. “ 

Adyashanti

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Foto: "To be here, all you have to do is let go of who you think you are. That’s all! And then you realize, "I’m here." Here is where thoughts aren’t believed. Every time you come here, you are nothing. Radiantly nothing. Absolutely and eternally zero. Emptiness that is awake. Emptiness that is full. Emptiness that is everything."</p>
<p>~ Adyashanti” /></span></p>
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“Meditação é aceitação. É a aceitação da vida ocorrendo dentro de nós e em tudo ao nosso redor. Sem a nossa interferência. A aceitação da vida é o início da satisfação humana. A transformação da vida é a culminância da satisfação divina.”

Sri Chinmoy

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Meditação é um estado de não-mente. Meditação é um estado de consciência pura sem conteúdo. Normalmente, sua consciência está repleta de lixo, como um espelho coberto de poeira. Há um tráfego constante na mente: pensamentos estão se movendo, desejos, memórias, ambições estão se movendo — é um tráfego contínuo! Dia após dia! Mesmo quando você está dormindo, a mente está funcionando, sonhando; continua pensando, continua com suas preocupações e ansiedades. Ela está se preparando para o dia seguinte; no fundo, uma preparação já está acontecendo. 

Esse é o estado não-meditativo. A meditação é exatamente o oposto. Quando o tráfego cessa e não há mais pensamentos movendo-se e desejos agitando-o, você está totalmente silencioso — este silêncio é meditação. E só nesse silêncio a verdade é conhecida, nunca de outro modo. Meditação é um estado de não-mente. 

Você não pode encontrar a meditação através da mente, pois a mente perpetua a si mesma. Você só pode encontrar a meditação colocando a mente de lado, sendo calmo, indiferente, desidentificando-se dela; vendo seu movimento, mas sem se identificar, sem pensar que você é a mente. 

Meditar é ter consciência de que você não é a mente. Quando esta consciência vai mais e mais a fundo em você, bem lentamente alguns momentos chegam – momentos de silêncio, momentos de total pureza, momentos de transparência nos quais nada o agita e tudo está sereno. Nesses momentos de tranquilidade você sabe quem você é, e conhece o mistério dessa existência. 

E chega um dia, um dia abençoado, no qual a meditação se torna seu estado natural. 

A mente não é natural; ela nunca se torna natural. E a meditação é um estado natural que foi perdido. É um paraíso perdido, mas o paraíso pode ser recuperado. Olhe para os olhos de uma criança, olhe e verá um profundo silêncio, uma inocência. Toda criança vem com um estado meditativo, mas ela tem que ser iniciada nos caminhos da sociedade — tem que aprender como pensar, como calcular, como raciocinar, como argumentar; tem que aprender palavras, linguagens, conceitos. E, pouco a pouco, ela perde o contato com sua própria inocência. Torna-se contaminada, poluída pela sociedade; torna-se um mecanismo eficiente e deixa de ser humana. 

Recuperar esse estado novamente é tudo o que é preciso. Você já o conheceu antes, por isso, quando entrar pela primeira vez na meditação, ficará surpreso – um sentimento muito forte de que você já conheceu esse estado antes surgirá em você. E essa sensação é verdadeira: você já o conheceu antes; apenas se esqueceu. O diamante se perdeu num monte de lixo. Mas se você puder tirar esse lixo de cima, descobrirá o diamante novamente – ele é seu. 

Na verdade, ele não pode ser perdido; apenas esquecido. Nós nascemos como meditadores, depois aprendemos os caminhos da mente. Mas nossa natureza real permanece escondida em algum lugar, bem no fundo, como uma subcorrente. Qualquer dia, cavando um pouquinho, você descobrirá que a fonte, a fonte de águas puras, ainda está fluindo. E a maior felicidade na vida é descobrir isso.

 

Osho – O Livro Orange

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“Pode-se dizer que meditação seja a “arte da simplicidade” – simplesmente sentar, simplesmente respirar, simplesmente ser.”

Dilgo Khyentse Rinpoche 

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Foto: “Não desperdicem suas vidas sendo escravos da sua mente e da opinião de outros.”Amma

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“A meditação é um retorno a uma condição natural: a condição natural da mente. Por ficarmos muito ocupados em diferentes “bolhas de ralidade”, mergulhados em emoções e pensamentos variados, surge uma aflição, uma necessidade de retornarmos a alguma coisas mais sólida, mais real; isso nos induz e leva a buscar a meditação. 

A meditação é algo muito simples, porque a própria mente já tem esse espaço interno, não é alguma coisa fabricada, alguma coisa nova, frente a qual nossa mente não saiba o que fazer.”

Lama Padma Santen

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”A Mente é a grande assassina do Real”.

Helena Blavatsky

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O vácuo experimentado na meditação é como o vácuo do espaço, que contém todo o Universo. Tudo, o Sol, as estrelas, as montanhas, os rios, os homens bons, os homens maus, os animais, os insetos e tudo o mais – está contido nesse “nada”. A partir desse “nada” surge tudo o que você é – sua presença. O que mais poderia você ser?

Alan Watts

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Foto: “In mindfulness one is not only restful and happy, but alert and awake. Meditation is not evasion; it is a serene encounter with reality.”</p>
<p>~ Thich Nhat Hanh” /></span></p>
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“Cesse toda a atividade física e sente-se naturalmente, à vontade. Permaneça em silêncio e deixe o som ser como um eco. Não pense a respeito de nada, olhe para a experiência além do pensamento; com a mentalidade aberta como o espaço. Deixe o controle ir-se e detenha-se e descanse com fluidez neste espaço. A experiência consciente sem projeções é a maior meditação. Treine e desenvolva-se desta maneira e você vivenciará o mais profundo “despertar”.”

Tilopa

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Foto: "Not being tense, but ready.<br />
Not thinking, but not dreaming.<br />
Not being set, but flexible.<br />
Liberation from the uneasy sense of confinement.<br />
It is being wholly and quietly alive, aware and alert,<br />
Ready for whatever may come."</p>
<p>~ Bruce Lee

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“Você alcança paz mental não ao imaginar ou pensar nessa paz, mas ao aquietar e relaxar a agitada mente. Sua natureza é a paz absoluta. Você não é sua mente. Explore o silêncio na mente através da meditação, e você descobrirá a paz de espírito que você é, e sempre foi.”

Remez Sasson

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“Se há paz em sua mente você encontrará paz em todo mundo. Se sua mente está agitada, você encontrará agitação em todos os lugares. Encontre primeiro a paz dentro de si e você verá essa paz interna refletida em todos os cantos. Você é essa paz. Você é felicidade, descubra. Onde mais você poderá encontrar a paz se não dentro de você?”

Papaji

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“A iluminação é como a Lua refletida em gotas de orvalho. Embora sua luz seja ampla e extensa, a Lua, por inteiro, é reproduzida mesmo em um pequeno pingo de garoa. Cada reflexo manifesta a vastidão imensurável do luar no céu. Da mesma maneira como a iluminação é refletida em um indivíduo.”

Dogen Zenj

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Foto: "Meditate in this way,  ~ During the rest of my life, it is my responsibility to grow in mindfulness and happiness. Each day I will expand kindness I already have and when I wake up each morning, I will open my wisdom-eye and see more and more deeply into the inner universal reality. ”</p>
<p>~ Lama Yeshe” /></span></p>
<p style=.

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“A meditação não irá levá-lo a outro mundo, mas irá revelar as mais profundas e extraordinárias dimensões do mundo no qual você já vive. Contemplar calmamente essas dimensões e colocá-las a serviço da compaixão e da amabilidade é o caminho adequado para se obter progressos rápidos na meditação, assim como na vida.” 

 Hsing Yun – Mestre Zen

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Foto: “The inner revolution will not be televised or sold on the internet. It must take place within one's own mind and heart.”</p>
<p>~ Noah Levine” /></span></p>
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“Erga-se acima das decepções e tentações da mente. Essa é a tarefa. Aprenda a tornar-se sábio, abra mão de todo desejo e seja feliz. O real progresso espiritual do meditante é medido pela extensão de tanquilidade interna e liberdade do desejo.”

Swami Sivananda

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Foto: "Be content with what you have; rejoice in the way things are. When you realize there is nothing lacking, the whole world belongs to you."</p>
<p>~ Lao Tzu” /></span></p>
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“Quando você puder deixar que o que o está incomodando se vá, a alegria e a felicidade naturalmente voltarão à tona… O que é realmente penoso é ficar revivendo um evento ruim de novo e de novo, segurando-o, sem ser capaz de deixá-lo ir-se. A questão não é que coisas ruins tenham acontecido, é se queremos viver lutando com elas ou eventualmente deixar que se vão. Esta é a chave para a meditação, ir dissolvendo e liberando tudo o que for trauma, no claro espaço da lucidez.”

Bruce Frantzis

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Foto: "Everything passes, nothing remains. Understand this, loosen your grip and find serenity.”</p>
<p>~ Lama Surya Das” /></span></p>
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“Não tenho desejo algum por riqueza ou posses, então, não possuo absolutamente nada. Eu não experiencio o sofrimento inicial de ter que acumular posses, o sofrimento intermediário de ter que protegê-las e preservá-las, e nem o sofrimento final de perdê-las.”

Milarepa

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“Lembre, você não medita para ganhar algo, mas para abrir mão de algo. Nós o fazemos, não com desejo, mas “deixando ir”. Se você quer algo específico da meditação, não encontrará; não será capaz de encontrar. Mas, quando seu coração estiver pronto, a paz virá, procurando por você.”

Arjahn Chah

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“Na mesma medida em que cultiva certos desejos sobre como a vida devia ser, você se torna impedido de enxergá-la.”

Ram Dass

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“Vá além de tudo. Não colete nada. Um rei não não necessita ir às compras em seu próprio reino. E ele também não esmola. Lembre, você é apenas a consciência da “genuína realidade interna”. Tudo o que brota  são aparências na consciência. Não se perturbe com tudo isso. Repouse apenas na consciência. Esse é o segredo.”

Mooji

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“A vida irrefletida
não vale a pena ser vivida.”

Sócrates

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“Não acreditem em mim, testem.”
Buda

Qual a função da meditação?

Monge Genshô – Nós vivemos numa grande turbulência. Como um copo d’agua com areia que está sendo constantemente mexido e a areia deixa a água turva, porque não paramos em nenhum momento. As pessoas tomam banho todos os dias porque suam, e aí começam a cheirar mal. Então adquirimos o hábito de tomar banho todos os dias. Nos lugares onde as pessoas não podem tomar banho todos os dias, o cheiro torna-se rapidamente muito forte.

Mas as pessoas deixam que suas mentes sejam sujas todos os dias. Secretam maus pensamentos, más atitudes, se perturbam, se preocupam com memórias, se preocupam com o futuro. Ninguém pára para limpar sua mente, muitas pessoas deitam na cama para dormir e começam a pensar – Amanhã, semana que vem, etc – e não conseguem dormir direito. O sono já tem a função de deletar muitos arquivos. Arquivos temporários que estão atravancando a mente. Mas ele não é suficiente, tanto que vemos muitas pessoas ansiosas ou com depressão. Se nós sentarmos em zazen, começaremos a mudar nossa mente. E se começarmos a ter experiências de despertar cada vez maiores, nosso cérebro torna-se cada vez mais feliz. Há uma mudança verdadeira verificável por ressonância magnética. De vez em quando a gente vê uma noticia assim, “Os médicos examinaram tal Monge Budista que pratica meditação e ele é o homem mais feliz do mundo”. Então já tivemos o homem mais feliz do mundo da Índia, o homem mais feliz do mundo do Butão, o homem mais feliz do mundo da França, etc. Isso é bobagem, basta você praticar meditação e você se torna uma pessoa mais feliz por natureza, porque você começa a descartar essas coisas, começa a aprender, ouvindo o Dharma, praticando o treinamento da mente, usando o zazen para estabilizar a mente e ganhar força psíquica. Isso é mero treinamento, não existe nada de milagroso, não existem milagres no Zen. Não existem poderes sobrenaturais que vêm de fora, não existem bençãos sobrenaturais que um monge pode dar. As imagens são só para nos lembrar.

Manjushri, discípulo de Buda, está sentado tranquilamente sobre um leão, está colocado na sala de meditação porque vocês sentam nos “leões turbulentos” de suas mentes. É só isso, na realidade é apenas pedra sabão. Mas fazemos reverências. Fazemos reverências para quem? Não para pedras, mas para “idéias”. Para treinar a nós mesmos, porque corpo e mente estão ligados e porque corpo e mente estão ligados, adotamos posturas corretas. Dessa forma, nossa mente começa a se corrigir, a ser disciplinada. Usamos roupas também para isso. Tudo são métodos de treinamento. Podem ser outros métodos, não importa, não há nada de “o verdadeiro” ou “o certo” no Zen. Não se trata disso, trata-se só de método de treinamento. Que é um método bastante interessante, tem uma certa tradição, são 2.600 anos mais ou menos de prática, então ele já foi bastante aperfeiçoado, não tente aperfeiçoá-lo apressadamente. Depois que você praticar uns trinta anos, então pode começar dar alguns palpites. Ficou bem claro para que serve o zazen? Treinamento, limpeza, felicidade, despertar. Aqueles que despertaram estão livres. O dedo do Budismo aponta para a liberdade. O Budismo não é nenhuma prisão e não depende de nenhuma crença, só de experiência. A única coisa que você precisa é acreditar que vale a pena treinar, que você desconfia que dá certo. E pronto. Buda mesmo disse – “Não acreditem em mim, testem”. Eu como Monge Zen digo a mesma coisa para vocês – “Não acreditem em mim, testem”.

Monge Genshô

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“Quando você está inspirado por algum grande propósito, algum projeto extraordinário, todos os seus pensamentos rompem as próprias amarras: sua mente transcende limitações, sua consciência se expande em todas as direções, e você encontra um mundo novo e maravilhoso. Forças adormecidas, faculdades e talentos tornam-se vivos e você se descobre uma pessoa maior, muito além do que você jamais sonhou ser.”

Patanjali

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“A meditação é uma maneira de ir para dentro de si mesmo,
de perceber que você não é o corpo e você não é a mente.
É um modo de fixar em nós mesmos, no mais profundo centro
do nosso ser; e uma vez que você encontrou o seu centro,
você terá encontrado tanto suas raízes quanto suas asas.”

Osho

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“Meditação não é uma fuga do mundo, ao contrário, ela significa olhar mais profundamente dentro dele, sem os entraves dos preconceitos ou da familiaridade com hábitos que nos cegam para as maravilhas e os profundos mistérios que nos cercam.”

Lama Anagarika Govinda

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Leia Também:

Os Sentidos Internos: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=375

Amor e Consciência: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=406 

Osho – Crescimento Espiritual: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1023

Krishnamurti – A verdade é um estado de ser: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1984

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8 Responses to Mestres da Meditação

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Cortázar – Cronópios & Famas

 

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A tarefa de amolecer diariamente o tijolo, a tarefa de abrir caminho na massa pegajosa que se proclama mundo, esbarrar cada manhã com o paralelepípedo de nome repugnante, com a satisfação canina de que tudo esteja em seu lugar, a mesma mulher ao lado, os mesmos sapatos e o mesmo sabor da mesma pasta de dentes, a mesma tristeza das casas em frente, do sujo tabuleiro de janelas de tempo com seu letreiro HOTEL DE BELGIQUE. 

Enfiar a cabeça como um touro apático contra a massa transparente em cujo centro bebemos café com leite e abrimos o jornal para saber o que aconteceu em qualquer dos cantos do tijolo de cristal. Resistir a que o ato delicado de girar a maçaneta, esse ato pelo qual tudo poderia se transformar, possa cumprir-se com a fria eficácia de um reflexo cotidiano. Até logo, querida. Passe bem. 

Apertar uma colherinha entre os dedos e sentir seu latejar metálico, sua advertência suspeita. Como custa negar uma colherinha, negar uma porta, negar tudo o que o hábito lambe até dar-lhe uma suavidade satisfatória. Quanto mais simples é aceitar a fácil solicitação da colher, usá-la para mexer o café. 

E não é mau que as coisas nos encontrem outra vez todo dia e sejam as mesmas. Que a nosso lado esteja a mesma mulher, o mesmo relógio e que o romance aberto em cima da mesa comece a andar outra vez na bicicleta de nossos óculos, por que haveria de ser mau? Mas como um touro triste é preciso baixar a cabeça, do centro do tijolo de cristal empurrar para fora, em direção ao outro tão perto de nós, inacessível como o toureiro tão perto do touro. Castigar os olhos fitando isso que anda no céu e aceita astuciosamente seu nome de nuvem, sua resposta catalogada na memória. Não pense que o telefone vai lhe dar os números que procura. Por que haveria de dá-los? Virá somente o que você tem preparado e resolvido, o triste reflexo de sua esperança, esse macaco que se coça em cima de uma mesa e treme de frio. Quebre a cabeça desse macaco, corra do centro em direção à parede e abra caminho. Oh, como cantam no andar de cima! Há um andar de cima nesta casa, com outras pessoas. Há um andar em cima onde moram pessoas que não percebem seu andar de baixo, e estamos todos dentro do tijolo de cristal. E se, de repente, uma traça parar pertinho de um lápis e palpita como um fogo cinzento, olhe-a, eu estou olhando, estou apalpando seu coração pequenino, e ouço-o: essa traça ressoa na pasta de cristal congelado, nem tudo está perdido. Quando abrir a porta e assomar à escada, saberei que lá em baixo começa a rua; não as casas já conhecidas, não o hotel em frente; a rua, a floresta viva onde cada instante pode jogar-se em cima de mim como uma magnólia, onde os rostos vão nascer quando eu os olhar, quando avançar mais um pouco, quando me arrebentar todo com os cotovelos e as pestanas e as unhas contra a pasta de tijolo de cristal, e arriscar minha vida enquanto avanço passo a passo para ir comprar o jornal na esquina.

 

Julio Cortázar
Histórias de cronópios e de famas

 

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2 Responses to Cortázar – Cronópios & Famas

  • Silvia Almeida de Oliveira Costa Martinez:

    Mais uma vez me trouxe uma intuição sensível… e fez pensar… Sou péssima citadora, nem tento… pode ter sido durante a construção de uma tipologia “sensations as if” entre Hanhnneman e Jung ou entre o spleen de Baudelaire e a náusea do Sartre, ou… sim, foi dele mesmo esse “spirit” que me fez em algum momento supor que degustações fossem apanágio de anoréticos. Veja se não faz sentido…”Até agora, nunca tinha amado as suas amantes; havia algo nele que o levava a tomá-las demasiado depressa para ter tempo de criar a aura, a zona necessária de mistério e desejo que lhe permitisse organizar mentalmente aquilo que poderia um dia chamar-se amor”. Julio Cortázar … E foi assim que tomei uma preguiça leonina de toda forma de adicção… obrigada, bjssssS

  • Elzamar da Silva:

    Lindo

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