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O céu do país em 2015

O céu do país em 2015

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Pedro Tornaghi

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Quatro aspectos chamam a atenção no mapa astrológico do Brasil em 2015. Os três primeiros formam um bloco que começou a operar em março de 2014 e durará até outubro de 2015, está extremamente ligado ao clima de insatisfação que começou a ficar claro com as manifestações de junho e que levou até mesmo candidatos de situação a se oferecerem como alternativa de mudança.

O primeiro deles, Netuno em quadratura a Júpiter, inclina multidões a ficarem impacientes com restrições com as quais tenham que lidar. Júpiter também é um planeta ligado à justiça e Netuno ao oceano, essa quadratura contribuiu para que todos ficassem sensíveis ao excesso de corrupção e ao mar de ilegalidades que transbordou os limites do mais generoso bom senso e do tolerável. Essa quadratura contribuiu para a torcida nacional pela punição dos envolvidos no “mensalão” e estimulará agora a claque a favor da condenação nos novos casos de corrupção na Petrobrás e estatais.

O segundo ângulo planetário desse bloco é Netuno em quadratura a Lua. A Lua na astrologia está ligada à popularidade e Netuno à intuição e à imaginação. Em uma quadratura assim pessoas podem confundir intuição com imaginação e governantes se tornam propensos a palpites equivocados quanto à economia e assuntos de governo. Qualquer má avaliação nesse momento facilmente resulta em debilitação da popularidade (Lua) e em dúvidas e desconfiança por parte da população acerca de intenções ocultas por trás de atitudes de seus governantes.

O terceiro e último aspecto do bloco é Urano em quincúncio ao Sol. Em mapa de um país, Urano representa os ministros e Sol o governo central, esse aspecto aponta para um provável descompasso entre ambos. Provavelmente estimulou a ministros como Marta Suplicy e Gilberto Carvalho terem deixado seus cargos explicitando insatisfações, mas o aspecto tende a se fazer mais presente ainda com o novo ministério, escalado e anunciado no ponto central do quincúncio. Vai ser preciso muita habilidade para contornar diferenças de visão entre ministros e entre ministros e governo. Com esse aspecto espera-se algumas dissonâncias entre o desejo de ministros de independência e liberdade para tomar atitudes necessárias (Urano) e uma forte intenção do governo central de manter rédeas sob controle (Sol). Compromissos e contratos assumidos anteriormente podem ser sentidos pelo governo (Sol) como restrições intoleráveis à sua liberdade e tornar-se irresistível a ele a tentação de rompê-los de forma repentina e inesperada (Urano), o que não costuma redundar em bons resultados a médio e longo prazo.

O quarto aspecto importante do ano no mapa do país é uma novidade que aponta para uma luz no fim do túnel, possibilitando a esperança de dias melhores. Plutão em trígono ao Sol, é o único dos quatro que começa em 2015 (os outros são continuação de 2014). Sua força começa a ficar perceptível a partir de 22 de janeiro e se estende até outubro de 2016.

Plutão proporciona condições de superação de desafios, no limite da capacidade aparente do país. Plutão em trígono ao Sol indica a capacidade do país de organizar suas forças e caminhar em uma direção construtiva e restauradora. É quando se tem a sensação de ter sobrevivido a fortes desafios no passado e se recupera a sensação de poder ser eficaz. E realmente se pode, se as pessoas envolvidas se propõem a um esforço. Em um aspecto desses, há o que se colher mesmo se todos formos passivos, mas a colheita será muito mais generosa se houver empenho objetivo por ela e pelas mudanças estruturais. Plutão em trígono ao Sol acena com a existência da energia e a capacidade necessárias para uma reestruturação sadia, não será justo culpar os céus pelo que porventura der errado.

Esse aspecto permite que feridas possam ser curadas, mas não garante que tudo será um mar de rosas, ele também confere poder (Plutão) a quem estiver no governo (Sol), o que pode ser usado de maneira autoritária por governantes, para impor seus desejos, suas ideias e crenças. Plutão é um planeta diretamente relacionado ao poder e à consciência, se é priorizado o desejo de consciência, pode-se fazer reformas estruturais capazes de sanar a economia do país, mas se é priorizada a manipulação do poder pelo poder, torna-se um aspecto perigoso de imposição do desejo de governantes.

Plutão em trígono ao Sol é ainda e também um momento positivo para o país se articular em postos de poder em organizações internacionais. O país não será visto como capaz de gerenciar de maneira revolucionária, mas como eficiente em funções pragmáticas; o país poderá contribuir para a ordem mundial mesmo em meio à crise interna. Esse aspecto favorece principalmente o relacionamento com nações mais ricas.

Para se ter uma visão mais ampla das condições do país, é preciso conferir também o mapa do comandante da nação. O de Dilma Roussef está caracterizado por três aspectos no próximo ano.

O primeiro é Plutão em quadratura a Netuno que vem marcando seu mapa desde janeiro de 2014 e se estenderá a novembro de 2015. Essa quadratura costuma obrigar a pessoa a lidar com forças externas poderosas, que ignoram os desejos ou a visão pessoal dela. As crenças da pessoa parecem não valer muito para os outros nesse momento, o que torna argumentos usados anteriormente, como “respeitem meu passado”, inócuos para enfrentar críticas.

Netuno é deus do mar e Plutão dos vulcões. Vulcão no mar sempre pode significar um tsunami, forças reprimidas podem eclodir e trasbordar. Plutão em quadratura com Netuno é quando segredos particulares e “cadáveres” que estavam ocultos no oceano vêm à tona, de maneira mais forte do que se pode segurar. Coisas com as quais a pessoa sempre contou, parecem escapar entre os dedos, e ela fica na mão. Numa situação normal já não é fácil de lidar com um aspecto dessa natureza, em uma configuração como a atual, torna-se um desafio gigantesco. É um fermento a mais aumentando a crise em que a presidente já se encontra. Mas é bom lembrar que, se o momento joga no ventilador a poeira escondida sob o tapete, toda a poeira que dali voar é por ter sido ali depositada, o aspecto não tira a responsabilidade pelo que foi feito, pelo contrário, a evidencia. Netuno está também relacionado à inflação, Plutão em quadratura cobrará tudo o que foi empurrado com a barriga, exigirá uma atualização dos débitos contraídos e da verdade.

Coisas e pessoas com quem a presidente sempre contou, tendem a falhar de maneiras que se apresentam difíceis para ela entender. Muitas coisas que sempre fizeram sentido para ela, tendem a perder o seu direito de ser. E não há com quem lutar quanto a isso. Quem passa por esse aspecto pode ficar se lamentando pelo esvair-se do projeto antigo ou pode negociar com a nova situação que se impõe e tornar-se parte dela. A segunda opção, a que Dilma escolheu, é geralmente a melhor para a pessoa. A única capaz de garantir a continuidade em posição de mando e poder.

O segundo aspecto do mapa da presidente aponta para uma janela no meio da crise, um momento de maior possibilidade de solução para impasses aparentemente impossíveis de serem transpostos. O problema dele é sua curta duração. Ele já aconteceu em 2014, mas sua próxima e última ocorrência será entre 17 de fevereiro e 22 de março de 2015. Trata-se de Urano em trígono a Plutão. São os dois mais criativos planetas, e podem favorecê-la com a capacidade de encontrar saídas onde parecia não havê-las, como verdadeiros “ovos de Colombo”.

Nesse período ela terá a criatividade aumentada, a capacidade de se articular melhor, de empolgar e arrebanhar colaboradores e de objetivar projetos. É um “hiato” em meio à crise em que ela se viu e se verá obrigada a encarar impedimentos maiores do que suas forças. É o momento de apostar e tentar tudo, o momento em que ela pode esperar o melhor resultado de suas tentativas para driblar obstáculos, qualquer coisa feita após esse período não terá as mesmas chances de sucesso.

Esse é um aspecto que habitualmente leva a pessoa a uma nova, maior, mais profunda e dinâmica compreensão das coisas. Permite a ela enxergar o que há de errado no rumo que vem dando a cada assunto e a perceber a correção de rumo que deve adotar. Ele facilita enxergar de maneira mais aberta e livre de vícios de entendimento anteriores. A presidente poderá surpreender tirando ainda alguns novos coelhos da cartola e oferecendo soluções pontuais e precisas, que amenizem os sustos e dores previstos. Urano em trígono a Plutão inspira bons insights e disposição para aceitar o novo e aprender.

É um período propício também para a pessoa buscar recursos que a ajudem a ampliar sua consciência, a pessoa quando passa por esse trânsito ambiciona ir além do nível superficial usual e se vê tomada pelo desejo de enxergar e mudar mais profundamente. Esse trígono enriquece e aprofunda a compreensão e auxilia a enxergar onde mudanças podem ser construtivas e a tirar vantagem de oportunidades que se apresentam. Provavelmente em sua primeira passagem contribuiu para que a presidente visse e entendesse a economia de uma nova maneira.

O terceiro aspecto será Urano em quadratura a Vênus, uma conjuntura que poderá proporcionar dissabores resultantes de suas oscilações de humores. Ele começará em abril e se estenderá até dezembro de 2015.  A partir de seu início, tornar-se-á bem mais difícil à presidente encontrar boa vontade de colaboradores. O melhor para ela parece ser, sem dúvidas, “amarrar” de maneira bem redonda todos os pactos de governança possíveis até 22 de março, no restante do ano, com essa quadratura de Vênus, ela facilmente tropeçará em suscetibilidades, insatisfações e, pode-se especular ou quase afirmar, má vontade e resistências onde ela mais precisar de apoio.

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Leia também:

As manifestações das ruas segundo a quadratura de Urano com Plutão: 

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2234

O Que Será o Amanhã?:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2251

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8 Responses to O céu do país em 2015

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A Simplicidade da Fênix

A Simplicidade da Fênix

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Pedro Tornaghi

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Um dos 12 trabalhos de Hércules foi limpar os dejetos fecais de centenas de cavalos no estábulo de um rei. Muitos se perguntam se isso é uma façanha digna de estar elencada entre os 12 feitos do mais emblemático dentre os heróis. Talvez seja difícil entender o que há de tão heroico na missão. Hércules não sujou suas mãos. Foi muito prático, desviou o curso de dois enormes rios de maneira que eles lavassem, de uma só tacada, todo o perímetro afetado pela manada real. Mostrou possuir a criatividade, agudeza e objetividade de uma fênix.

 

Às vezes precisamos evocar a eficiência e frieza de uma fênix para dar passos necessários ou para nos desembaraçarmos de percalços em nossas vidas. Entender esse animal, sua natureza e estratégias pode ser fundamental em momentos de dificuldades ou de impasses.

 

A fênix é um pássaro quase onipresente em mitologias, ela está presente nas tradições chinesa, indiana, persa, egípcia e grega, entre outras. Ninguém sabe afirmar onde ela surgiu primeiro, por muito tempo se acreditou que ela vinha do “benu”, pássaro que habitava o antigo Egito. Em tempos recentes passou-se a crer que a alegoria nasceu no oriente, provavelmente na Índia.

 

Seu mito fala de um pássaro nascido no coração do Deus-Sol que, quando sente a morte se aproximar, constrói ele mesmo uma pira de ramos de plantas sagradas e aromáticas, em cujas chamas morre queimado. De suas cinzas, mais tarde, brota uma nova fênix, que junta os restos da sua antecessora dentro de um ovo de mirra e voa com ele à cidade do Sol, onde o coloca em um altar.

 

Trata-se de uma história de renascimento e perpetuação que sempre teve o poder de fascinar por falar de alguns elementos essenciais ao ser humano. Mas por outro lado, diferentemente da façanha pedida a Hércules, de limpar um estábulo, a capacidade da fênix de renascer das próprias cinzas parece sobre-humana e inalcançável por um mortal comum. Talvez porque levemos o mito ao pé da letra e percamos de vista possíveis  significados apontados por ele.

 

A engenharia e a força desse mito começam pela fênix morrer de auto-combustão. Seus recados mais essenciais já estão presentes aí. Como uma fênix, é preciso sabermos o momento de morrer para aquilo que vínhamos fazendo e sendo e com isso saber quebrar o ciclo de hábitos repetitivos, já destituídos de importância ou de possibilidades de crescimento, para mais adiante recuperar o contato com a essência milagrosa da vida.

 

Mas morrer é uma palavra forte. Fica menos dramático se lembramos que a fênix na China é comparada ao sol, que aparentemente morre todo final de dia para renascer pela manhã. Sim, na verdade ele não morre, apenas se esconde no horizonte ao fim da tarde, para reaparecer no lado oposto pela manhã. Ou podemos olhar para uma árvore que aparentemente morre no inverno porque sua seiva se retira toda para as raízes, de maneira a economizar forças no inverno e ter a necessária energia para, na próxima primavera, ressurgir com disposição e criar novos caminhos no tronco em direção ao Sol.

 

Sim, o aparente renascimento dramático das cinzas pode ser apenas o retomar de um vigor guardado nas profundezas de si. Dessa forma, a missão de nossa fênix pode ser a de mergulhar em nossas próprias raízes e contatar a verdade interior esquecida pela excitação do verão, para que ela volte com força à superfície, recuperando para nossos dias, o sentido evolutivo guardado a sete chaves e esquecido em algum lugar do passado.

 

A fênix se torna brasa, depois cinza, depois adubo que fertilizará o – solo para o – novo nascimento. Uma grande fênix – que não podia mais crescer – se vai, uma pequena surge, com todas as possibilidades de crescimento em si.

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13 Responses to A Simplicidade da Fênix

  • jacqueline rodrigues pino:

    Gostaria de informações sobre cursos.

  • Cida Teixeira:

    Adorei seu texto, sempre me impressionei com essa história e você mostrou outras informações muito interessantes. Parabéns!!!!!

  • edna Rodrigues leite seixas:

    Um trabalho maravilhoso! Adorei!
    Parabéns!!!

  • edna seixas:

    Parabéns!!!!!

  • Valéria:

    Belo texto como todos os demais! Sou grata a você por tudo que você escreve com tanta clareza e iluminação! Tenha um 2015 abençoado!!!

  • Andreisa Nunes:

    Fascinante essa historia!! E que possamos ter essa sabedoria de renascer a cada etapa difícil!!

  • Eu adoro a Fênix, meu pseudônimo poético é Fênix e tenho vários poemas, esse é um deles: http://blocosonline.com.br/literatura/poesia/temdomes/2013/12/tempoe02.php

  • cris:

    Me identifico bastante com o conceito com que a Fênix é vista na China .Aparentemente falece ao findar do dia para renascer ao amanhecer…. pode até durar mais que um anoitecer bem mais e se formos observados pela lente intrigada dos demais seres à nossa volta, tenderão a pensar que não temos mais fôlego quando, de repente, resolvemos acordar como um vulcão que entra em chamas depois de adormecido e, tomados pela força inquestionável da seta quando atinge o alvo certeiro da vitória, reaparecemos com um brilho que causa espanto, admiração talvez, mas visivelmente emoldurados pela luz indecifrável do poder !

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Linda história de Renascimento, Vida e Morte. Símbolo de força, da imortalidade e do renascimento. ” Nascer é Natural, e Renascer é Arte.” mas podemos renascer na arte de viver.
    Que o seu renascer de todos os dias seja iluminado pelo Divino com todo seu esplendor.
    Grata!!! Bjsss!…

  • Fatima Paleari:

    Essa historia me encanta. Obrigada Obrigada.

  • Zélia Siqueira:

    Um presente oportuno o seu texto. Ele dialoga com minha interioridade, principalmente no dia de hoje. Como a Fenix, preciso renascer, desgarrar de sentimentos equivocados, que escravizam e não permite o fluir da vida.

  • Fatima lopes matos:

    Amei, muito interessante! DEUS abençoe você por colocar essas maravilhas prá gente. Bjs no teu coração

  • Beatriz Carolina Mó:

    Há alguns anos atrás participei de um trabalho contigo no (treinamento na Petrobrás) e depois refeição no Restaurante Gohan(Arcos). Prazer!

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Escolhendo a Felicidade

Escolhendo a Felicidade

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Pedro Tornaghi

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” O que define o seu destino não são suas condições e sim suas decisões”

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Arthur Rubinstein ficou famoso em seu início de carreira não apenas como exímio pianista mas também por seus instintos irrefreáveis, o gosto por fartura e a excelência em seus gastos. Ele sempre surpreendia por sua capacidade de desperdiçar grandes somas de dinheiro com qualquer coisa em um intervalo muito pequeno de tempo. Auto indulgente, era incapaz de viver modestamente e sempre confiava que sua “estrela da sorte” providenciaria mais quando fosse necessário. Ele criava grandes débitos e sempre, miraculosamente, conseguia se safar. A providência costumava sorrir com generosidade para ele. 

No entanto, um dia o desânimo venceu sua confiança. Sem fundos para pagar o aluguel e nem para comer, e sem perspectivas futuras, ele decidiu se matar. Imediata e impetuosamente, tirou o cinto da cintura e armou uma forca em um gancho alto no banheiro, subiu em um banco e o derrubou com os pés. Mas, não era mesmo o dia de conseguir o que desejava, o cinto rasgou e ele caiu no chão. Meio aturdido e estupefato com a sensação de que nem a morte o queria naquele momento, ele se arrastou até a sala e confidenciou ao piano suas lágrimas e visões. 

Mais tarde ele contou ter amado profundamente aquela música, ter sentido um compêndio de todos os seus sentimentos entrando pelos poros e ouvidos, o que o inflamou a voar e acordou nele um enorme amor que amenizou suas dores. A música o trouxe de volta à vida naquele dia. 

No entanto ele ainda sentia fome e decidiu sair à rua em busca de comida. Ao chegar ao ar livre, uma sensação estranha o atravessou – ele a chamou de revelação. Rubinstein viu o mundo como se pela primeira vez; a rua, as árvores, as casas, os cachorros se perseguindo… tudo parecia diferente, tudo parecia novo. Mesmo os ruídos da cidade soavam inéditos. Fascinado, enxergou uma vida maravilhosa e sentiu que valia a pena vivê-la, mesmo que fosse em uma prisão, desde que vista com esses novos olhos. Se percebeu em um renascimento, que alterou inteiramente sua psique; em pleno caos dos seus pensamentos ele descobriu o que ele mesmo chamou de “o mistério da felicidade”. E ele conta ter se agarrado firmemente a essa experiência que o ensinou a “amar todo o bom e ruim”. A partir desse dia, ele passou a reconhecer nos momentos de tristeza a semente da alegria e da felicidade.  Rubinstein passou a cultivar uma filosofia que poderia ser traduzida por “intenção de estar feliz”. 

Muitos se perguntam, desde que a humanidade existe: é a felicidade uma escolha ou uma consequência de nossas experiências? Ou, em que medida ela é uma ou outra coisa? Ela depende mais de nós ou das circunstâncias em que vivemos? 

Há na tradição sufi a história de um místico que vivia sempre sorridente. Um dia perguntaram a ele o segredo da sua felicidade. Ele disse não haver segredo: “Apenas, toda manhã quando levanto, eu medito por cinco minutos e digo a mim mesmo: ‘Escute, existem agora duas possibilidades: você pode ser triste ou pode ser feliz. Escolha.’ E eu sempre escolho ser feliz”. 

Certamente uma grande parte de nossa felicidade depende de escolhas, mas vale lembrar que existem duas qualidades de felicidade. A primeira, é uma felicidade que depende de alguma situação. A pessoa que tem excesso de peso sabe que ficará feliz se emagrecer, a pessoa que passa por necessidades sabe a felicidade que virá quando ganhar dinheiro, a que sofre por solidão imagina o quanto experimentará de felicidade ao encontrar um grande amor. São experiências felizes legítimas e que são estimuladas pela atitude que tomamos frente a vida. Mas são experiências que possuem o seu oposto no terreno da infelicidade, se a magreza, o dinheiro ou o amor não vierem, apesar de todo o empenho para que venham, não se vai experimentar essa felicidade. 

O segundo tipo de felicidade é fruto de uma coesão da pessoa com o seu íntimo; independente de qualquer sucesso em alcances pessoais, a pessoa se sente feliz por estar sendo coerente consigo mesma, por estar agindo conforme sua verdade interior, e não por indução do que os outros acham conveniente. Deveríamos ter duas palavras diferentes para esses dois estados, é inegável que os dois podem ser traduzidos por “felicidade”, mas são experiências diferentes. A língua inglesa tem “happiness” e “bliss”. Talvez pudéssemos traduzi-las por “felicidade” e “júbilo”. Mas, tendo ou não palavra que defina, uma coisa é certa: para o primeiro estado de felicidade nossa decisão pesa muito mas não é garantia de alcance, para o segundo, nossa decisão é tudo.

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14 Responses to Escolhendo a Felicidade

  • Clarice Rosa:

    Uma excelente maneira de começar o dia, lendo um artigo assim. Vou decidir hoje pela felicidade. Obrigada. Cla

  • Carmen Lia Araújo:

    Desde pequena intuitivamente decidí ser feliz! Apesar de tudo ou exatamente por ter tudo para não sê- lo.
    Contrariando todas as expectativas e até mesmo o desejo de uns sobreviví, vinguei continuei viva e cada vez mais feliz!
    Isso intriga algumas pessoas, desperta curiosidade e admiração de outros que convivem comigo. Me questionam como consigo? Devo ser uma pessoa com dons especiais? Sempre lhes digo a minha verdade: prefiro permear os problemas quando surgem com a minha felicidade assim eles não resistem muito tempo e pouco à pouco se adoçam e se aliam à mim e juntos buscamos uma solução!
    Outro dia encontei uma amiga que não me via à alguns anos e que me disse:- o que fizestes estás mais bonita?
    Estás melhorando da EM?
    Respondi-lhe:- Não! Também não estou pior, mas é que agora tenho um câncer e como é uma doença nova é necessário que eu recarregue as baterias. Preciso de mais luz, mais energia e mais alegria para compreender com maior compaixão os meus semelhantes!
    Não foi minha intenção, muito pelo contrário, mas ela chorou!
    Todos querem saber, mas nem sempre suportam a minha verdade!
    Recebo muitas graças de Deus diariamente. Uma delas foi ter te encontrado Pedro com essa sabedoria tão grande e confortadora! Tens me ajudado muito!
    Sinto-me completamente recompensada e agradecida à vida por ter persistido e chegado até aqui! Sempre querendo aprender mais! Um abraço fraterno com toda a minha gratidão!

  • Perfeitas lições da escolha da felicidade. Gostei muito de ambas. Temos que caminhar e lutar entre os opostos e assim aprendemos a aquiescer a um princípio maior em detrimento de um menor. Experimentando o caos, às vezes aprendemos como fazer as melhores escolhas na vida e à medida que formos levados para mais perto de nossa alma, esta influência fará a diferença. Namastê.

  • Sinto que esta ideia é bastante pertinente para que possamos definir o que queremos e até que ponto podemos alcançar o que queremos. É importante, e a gente aprende isso com as dificuldades que aparecem em nossa vida, que saibamos também agir (ou reagir) diante das perdas e das “derrotas”. Sempre digo que não adianta ficar olhando para trás, chorando o que perdeu; ao contrário, é necessário persistir, se há possibilidade de retornar ao objetivo ou desistir e procurar alguma coisa que tenhamos mais condições de alcançar. Sempre pensei que tudo o que vem em nossa vida, para bem ou para mal, depende das escolhas que fazemos. Muitas vezes, inclusive, deve-se pesar se essas escolhas terão resultados só para a nossa vida ou também poderá refletir na vida de outros que nos cercam. Tomar decisões é gerenciar o presente e investir no futuro.

  • Que incrível, esta experiência neste texto vem expressar o que venho venho vivenciando
    em minha vida nos dias de hoje, com a segunda escolha a sua vida se torna mágica, maravilhosa, feliz, a manifestação da alma e do espírito(santo), dentro de você, então você é feliz, próspero, inteligente, disposto, viril, calmo, compreensivo, enfim, a mais pura e simples manifestação de uma existência nova de alma em espirito, é muito bom isso, aproveitem, a vida aqui é para aproveitar, tornar a sua existência exuberante.

  • Desde muito cedo na vida, escolhi ser feliz independente das circunstâncias! Manter um jardim interior povoado de sorrisos, atitudes nobres e coragem! Felicidade para mim é um estado de espírito e acredito que podemos nos manter assim sem nos contaminar pelo entorno! Assim como não concedo a ninguém o pode de roubar a minha paz, também não permito que roubei a minha alegria e fé na vida! Eu escolho ser feliz! ♡♡

  • Desde muito cedo na vida, escolhi ser feliz independente das circunstâncias! Manter um jardim interior povoado de sorrisos, atitudes nobres e coragem! Felicidade para mim é um estado de espírito e acredito que podemos nos manter assim sem nos contaminar pelo entorno! Assim como não concedo a ninguém o poder de roubar a minha paz, também não permito que roubem a minha alegria e fé na vida! Eu escolho ser feliz! ♡♡

  • Apesar de muitos percalços, escolhi ser feliz. Somos singulares. Temos defeitos, mas temos dons e predicados. Lendo uma matéria sobre hábitos de filósofos, vi que podemos, com força de vontade separar o joio do trigo.

    Interessante matéria. Trazida a luz da razão, ninguém foge a oráculos e profecias. Os livros ditos sagrados estão pleno dessas histórias. Acredito que somos marcados por tragédias quer queiramos ou não. O mundo nos faz sentir isso. Há N fatores. Um novo paradigma surge com Kardec e sua doutrina, nasce como uma ciência sobre os espíritos e reencarnações. Há uma resistência a ela que aos poucos estão se desfazendo. Sempre notei que os espíritas são por demais preconceituosos e irrelevantes com os que não professam a sua crença. Respeito todas as crenças, mas creio que o foco verdadeiro seria o conhecimento e uma paneira, jogando fora tudo o me faz mal, e ficando com o trigo, sem discriminação ou preconceito, cada um cada um… cada dois… cada dois… Minha mãe sempre achava que morreria cedo e morreu aos 51 anos. Falava em forças ocultas e em maldições. Éramos uma família de 11 irmãos. Pediu-me que rezasse muito. Após sua morte aconteceria muitas tragédias. E aconteceram. Sobrevivi e muito feliz vou fazer 72 anos. Fui levada quando mais moça, por uma cunhada e pelo meu ex-marido a cultos macabros de magia negra. Não podia imaginar, tal coisas. Professora 44 horas, tive um esgotamento nervoso. Minha filha acidentou-se, depois teve câncer neoplasia linfática. Sobrevivemos. Creio que foram minhas orações. Durante o esgotamento li muito: evangelho salmos a bíblia, filosofia, matérias de conhecimento. Vi que não dá pra ir atrás do que dizem, principalmente leigos. Tudo é dito e escrito por humanos. O tomate de uma forma é muito bom, mas metaforicamente, se eu não gosto, não vou comê-lo e ponto. Gostei imenso da matéria. Rir é o melhor remédio. Tive um sonho entre tantos pesadelos que temos. Gostei muito: Era um imenso, infinito mar. Estava na areia da praia a contemplá-lo. Mas eis que ele se agitava com fúria. Senti temor. Um leviatã imenso emergia daquelas águas que subiam e desciam em colossais ondas. Era um homem. Um gigante e se parecia com Deus. Ainda tremia. Deitado sobre aquelas ondas que se transformavam num lindo colchão ondulante, deixava sair de cada um de seus olhos, dois imensos oceanos de águas cristalinas. Essas águas corriam para um imenso bosque de belas e altíssimas árvores verdejantes. Esqueci do gigante e debrucei-me para melhor observar aquelas águas. Qual não foi minha surpresa. Lá estava a Sagrada Família, Jesus Maria José, lindíssimos como numa linda tela. São os mais lindos ícones e símbolos jamais visto. Acordei. Impressionei-me muito com esse sonho. E um dia vi numa figura, foto o rosto do gigante, parecia-se com Sócrates, o filósofo. Somos carne e alma e não podemos fugir. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.Tudo de bom aos amigos. o conhecimento nos liberta e parabéns Jakson Paul pela matéria.

  • Interessante matéria. Trazida a luz da razão, ninguém foge a oráculos e profecias. Os livros ditos sagrados estão plenos dessas histórias. Acredito que somos marcados por tragédias quer queiramos ou não. O mundo nos faz sentir isso. Há “n” fatores. Um novo paradigma surge com Kardec e sua doutrina, nasce como uma ciência sobre os espíritos e reencarnações. Há uma resistência a ela que aos poucos estão se desfazendo. Sempre notei que os espíritas são por demais preconceituosos e irrelevantes com os que não professam a sua crença. Respeito todas as crenças, mas creio que o foco verdadeiro seria o conhecimento e uma paneira, jogando fora tudo o me faz mal, e ficando com o trigo, sem discriminação ou preconceito, cada um cada um… cada dois… cada dois… Minha mãe sempre achava que morreria cedo e morreu aos 51 anos. Falava em forças ocultas e em maldições. Éramos uma família de 11 irmãos. Pediu-me que rezasse muito. Após sua morte aconteceria muitas tragédias. E aconteceram. Sobrevivi e muito feliz vou fazer 72 anos. Fui levada quando mais moça, por uma cunhada e pelo meu ex-marido a cultos macabros de magia negra. Não podia imaginar, tal coisas. Professora 44 horas, tive um esgotamento nervoso. Minha filha acidentou-se, depois teve câncer neoplasia linfática. Sobrevivemos. Creio que foram minhas orações. Durante o esgotamento li muito: evangelho salmos a bíblia, filosofia, matérias de conhecimento. Vi que não dá pra ir atrás do que dizem, principalmente leigos. Tudo é dito e escrito por humanos. O tomate de uma forma é muito bom, mas metaforicamente, se eu não gosto, não vou comê-lo e ponto. Gostei imenso da matéria. Rir é o melhor remédio. Tive um sonho entre tantos pesadelos que temos. Gostei muito: Era um imenso, infinito mar. Estava na areia da praia a contemplá-lo. Mas eis que ele se agitava com fúria. Senti temor. Um leviatã imenso emergia daquelas águas que subiam e desciam em colossais ondas. Era um homem. Um gigante e se parecia com Deus. Ainda tremia. Deitado sobre aquelas ondas que se transformavam num lindo colchão ondulante, deixava sair de cada um de seus olhos, dois imensos oceanos de águas cristalinas. Essas águas corriam para um imenso bosque de belas e altíssimas árvores verdejantes. Esqueci do gigante e debrucei-me para melhor observar aquelas águas. Qual não foi minha surpresa. Lá estava a Sagrada Família, Jesus Maria José, lindíssimos como numa linda tela. São os mais lindos ícones e símbolos jamais visto. Acordei. Impressionei-me muito com esse sonho. E um dia vi numa figura, foto o rosto do gigante, parecia-se com Sócrates, o filósofo. Somos carne e alma e não podemos fugir. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.Tudo de bom aos amigos. o conhecimento nos liberta e parabéns Jakson Paul pela matéria.

  • Dinair Mendanha:

    Nasci para Ser Feliz!

  • Emerson Santos:

    Olá… Jesus disse – Há mais prazer em dar do que em receber… Outra pessoa com teor de pureza de espirito é Jó, que disse – Só devemos esperar as coisas boas Deus, nu nasci e nu serei, mas mesmo com tudo isto bendito seja o Criador do Universo. Estou começando a aproveitar melhor a meditação (algo interno) junto com a oração (algo externo) que melhora nossa alma, é a cura do espirito humano. Principalmente no mundo egoísta que vivemos.

  • Elvira Gama:

    Felicidade relativa e felicidade absoluta!!! Fica a dica.

  • VERA COSTA:

    16 de dezembro de 2014 as 21:37
    Quem não almeja a felicidade? Na verdade quando pequenos não entendemos muito, mas uma coisa fica claro: sentir a energia positiva entre todos da nossa família, a harmonia, os sorrisos, os sonhos realizados, a saúde e por aí vai. Com o passar do tempo, a maturidade vem fluindo e começamos a enxergar os caminhos que nos levam a descobrir a verdadeira FELICIDADE, sim, pois se encontra dentro de cada um de nós. Agora, temos que recorrer ao ensinamento do nosso MESTRE JESUS: Vinde a mim se estás cansado, com seus fardos pesados e EU os livrarei e Aprendei de Mim que manso e humilde de coração – Mt11,28. Fiquemos atentos aos verbos anunciados por JESUS. Com certeza encontraremos a felicidade. A palavra humilde vem de humos, terra fértil, daí nasce a bondade, o amor , a compreensão, a doação , enfim você se sentirá tão bem, tão agraciado por DEUS que sentirá a FELICIDADE palpitando toda hora. Mesmo nas horas difíceis ela, a FELICIDADE, estará contigo, acredite. É muito maravilhoso!

  • Cida Teixeira:

    Como já passei por diversas situações difíceis na vida, tenho optado por selecionar muito bem o que está à minha volta, mesmo que eu goste de certas coisas, posso optar por deixá-las se estiverem me trazendo tristeza.
    Felizmente na parte interna, consigo me relacionar bem comigo mesma, me fortalecendo para enfrentar com coragem os problemas do cotidiano, geralmente apareço firme, forte e feliz para encarar a rotina e as pessoas que convivo.
    Não tenho mais vontade nem tempo para ser infeliz, quero felicidade e prazer constantes na minha vida.

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A Sabedoria e a Prosperidade

A Sabedoria e a Prosperidade

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Certo dia, em um reino distante, um jovem que entrou numa floresta e disse ao seu mestre espiritual: “Quero possuir riqueza ilimitada para poder ajudar o mundo. Por favor, conte-me, qual é o segredo para se gerar abundância?”

O mestre espiritual respondeu: “Existem duas deusas que moram no coração dos seres humanos. Todos são profundamente apaixonados por essas entidades supremas. Mas elas estão envoltas num segredo que precisa ser revelado, e eu lhe contarei qual é.” Com um sorriso, ele prosseguiu:

“Embora você ame as duas deusas, deve dedicar maior atenção a uma delas, a deusa da Sabedoria, cujo nome é Sarasvati. Persiga-a, ame-a, dedique-se a ela. A outra deusa, chamada Lakshmi, é a da Prosperidade. Quando você dá mais atenção a Sarasvati, Lakshmi, extremamente enciumada, faz de tudo para receber o seu afeto. Assim, quanto mais você busca a deusa da Sabedoria, mais a deusa da Prosperidade quer se entregar a você. Ela o seguirá para onde for e jamais o abandonará. E a riqueza que você deseja será sua para sempre.”.

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7 Responses to A Sabedoria e a Prosperidade

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Insegurança e Êxtase

Insegurança e Êxtase

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Pedro Tornaghi

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A queda inesperada de um avião com uma personalidade sempre inclina muitos a refletir sobre o quanto a vida é insegura. Mas, será sempre necessário sermos surpreendidos por um desastre para redescobrirmos essa realidade? Por que tamanha dificuldade em lidar com a insegurança? Por que escondê-la sob sete chaves? A vida é insegura por natureza, essa é uma qualidade indissociável dela. Isso não pode ser mudado. 

A vida está sempre se movendo do conhecido para o desconhecido. Como controlar o que não se conhece? Estar vivo é cruzar do conhecido para o desconhecido. E esse cruzamento é sinônimo de insegurança. O momento em que você passa por essa fronteira, você sente a insegurança. E, com essa insegurança, você se torna novamente sensível. Você se torna permeável pelo Universo. A dança da vida volta a dar voltas dentro e fora de você. O palpitar da existência acorda suas melhores qualidades. Você se torna um novo ser. Alguém que estava no ovo, quebra a casca, e você finalmente descobre o universo. Se integra a ele. Não há mais separação. Não há mais casca de ovo. Não há mais escuridão no interior do ovo. Não há mais interior, não há mais exterior, o pássaro está no universo. Suas asas serão, a partir de agora, sustentadas por esse universo. Não há mais dissociação, não há mais angústia, não há mais temor, não há mais saudade de um paraíso perdido. Há apenas o amor. A dança reveladora de cada novo momento, do conhecido para o desconhecido, do desconhecido para o conhecido. Você adentra em um tempo não mapeado. E a falta de referências é êxtase. É júbilo. É dança. É alegria. É felicidade. 

Você foi capturado por essa dança. Pelo êxtase. Pela felicidade. 

O medo do desconhecido é também o medo da verdade. A verdade é uma estrangeira em meio a nossas convicções. Nossas certezas são mentiras que alimentamos para nos proteger do desconhecido e ocultar a verdade. Tentamos nos cercar do que é conhecido como forma de nos proteger do desconhecido. E nossas crenças podem ser conhecidas, podem ser controladas, podem nos dar uma falsa noção de segurança. Experimente abrir mão das certezas, entregar-se à sua insegurança com amor e veja o que acontece. Se você amar sua insegurança, que mal ela lhe fará? 

Se você aceitar a insegurança, a vida estará em aberto para você, existirão possibilidades. Se você quiser a segurança, terá que se contentar com o já conhecido, o conhecido que não resolveu suas questões anteriormente e que também não resolverá as ainda desconhecidas que aparecerão pela frente. 

Se você aceita a insegurança, você se torna penetrável. Pela vida e pelo êxtase. 

O universo é imenso e desconhecido para você. Você só poderá aceitá-lo quando aceitar o desconhecido. Você só poderá amá-lo quando amar o desconhecido. Você só poderá ter um caso de amor com o universo e com a vida quando amar o desconhecido. E, tudo o que você vê na sua frente faz parte do universo. Você só poderá conhecer o amor com qualquer coisa à sua volta, se estiver aberto para o amor universal. A insegurança é, dessa maneira, a porta para o seu “país da maravilhas”. É a porta, a única existente, para o amor e para a realização. Ame-a e um milagre acontecerá. Ame-a e o Universo amará você.

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Leia também:

Evoluir em Profundidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=999

Desvios do Caminho: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2919

Senso de Urgência: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=921

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One Response to Insegurança e Êxtase

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    O texto é maravilhoso e o ” Pais das Maravilhas ” é uma Dádiva de Deus. O conhecido e o desconhecido….Quando chegamos na encruzilhada da vida…Ou abrimos mão da segurança, do conhecido para o desconhecido e abraçamos o Amor Universal ou continuamos na mesmice do conhecido. Grata por sua amabilidade de nos presentear com um artigo bem elaborado e explicado. Uma bela tarde.Bjsss

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Osho – Aprenda a ser paciente

Aprenda a ser paciente

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Osho

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O caminho do Tao não é o da iluminação repentina. Ele não é como o Zen. Zen é iluminação repentina, Tao é crescimento gradual. O Tao não acredita em mudanças repentinas e abruptas. O Tao acredita em respeitar o ritmo da existência, permitindo que as coisas aconteçam por elas mesmas, sem forçar o seu caminho, sem forçar o curso do rio. O Tao diz: não há necessidade de estar com pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante as sementes no tempo certo e espere; a primavera virá; ela sempre vem. E quando a primavera vier, as flores aparecerão. Mas, espere, não tenha pressa.

Não comece a puxar a árvore para cima, para que ela possa crescer mais rápido. Não tenha esse tipo de mente que pede que tudo seja como café instantâneo. Aprenda a esperar, porque a natureza tem um movimento muito vagaroso. É devido a esse movimento vagaroso que existe graça na natureza. A natureza é muito feminina, ela se movimenta como uma mulher. Ela não corre nem fica apressada. Ela vai muito devagar, uma música silenciosa. Existe grande paciência na natureza e o Tao acredita no caminho da natureza. ‘Tao’ significa exatamente natureza. Assim o Tao nunca está com pressa; isto tem que ser entendido.

O ensinamento fundamental do Tao é: aprenda a ser paciente. Se você puder esperar infinitamente, a iluminação pode mesmo acontecer instantaneamente. Mas você não deve pedir para que ela aconteça instantaneamente: se você pedir, pode ser que nunca aconteça. O seu próprio pedido se tornará um obstáculo. O seu próprio desejo criará uma distância entre você e a natureza. Permaneça em sintonia com a natureza, deixe que a natureza tenha o seu próprio curso; e sempre que ela vem, ela é boa; sempre que ela vem, ela é rápida. Mesmo que ela demore séculos para chegar, ainda assim ela não estará atrasada; ela nunca está atrasada. Ela sempre chega no momento certo.

O Tao acredita que tudo acontece quando é necessário; quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece. Quando o discípulo está finalmente pronto, Deus aparece. O seu valor, o seu vazio, a sua receptividade, a sua passividade tornam isto possível; não a sua pressa, não a sua correria, não a sua atitude agressiva. Lembre-se: a verdade não pode ser conquistada. É preciso entregar-se à verdade, é preciso ser conquistado pela verdade.

Mas toda a nossa educação, em todos os países, ao longo dos séculos tem sido de agressividade e de ambição. Nós tornamos as pessoas muito rápidas. Nós as tornamos muito medrosas. Nós lhe dizemos: ‘tempo é dinheiro e é muito precioso. Se o tempo for perdido uma vez, ele ficará perdido para sempre, por isso corra; tenha pressa.’

Isto tem levado as pessoas à loucura. Elas correm de um ponto a outro; elas nunca curtem lugar algum. Elas correm ao redor do mundo de um hotel intercontinental a outro hotel intercontinental. E eles são todos iguais, não há diferença, esteja você em Tóquio, em Mumbai, em Nova York ou em Paris. Esses “hotéis intercontinental” são todos iguais, e as pessoas continuam correndo de um para o outro, pensando que elas estão viajando através do mundo. Elas poderiam ter se hospedado em apenas um hotel intercontinental e não haveria necessidade de ir a nenhum outro mais. Todos eles são iguais. E elas pensam que estão indo a algum outro lugar. A rapidez está tornando as pessoas neuróticas.

O Tao é o caminho da natureza, do jeito que as árvores crescem e os rios correm e os pássaros e as crianças… exatamente do mesmo jeito crescemos para Deus.

Não tenha pressa e não se desespere. Se você fracassar hoje, não perca as esperanças. Se você fracassar hoje, isto é natural. Se você continuar fracassando por alguns dias, isto é natural.

As pessoas têm tanto medo de fracassar que, devido a este medo, elas nunca arriscam fazer tentativas. Existem muitas pessoas que nunca se apaixonaram porque elas têm medo. Quem sabe? Elas podem ser rejeitadas, por isso elas decidiram permanecer sem amar, assim ninguém jamais as rejeitará. As pessoas têm tanto medo de fracassar que nunca tentam qualquer coisa nova. Quem sabe? Se elas fracassarem, o que poderá ocorrer?

E, naturalmente, para se movimentar no mundo interior você terá que fracassar muitas vezes, porque você nunca se movimentou ali antes. Toda a  sua habilidade e eficiência têm sido em movimentos externos, em extroversão. Você não sabe como se movimentar internamente. As pessoas escutam as palavras ‘movimente-se internamente, vá para dentro’, mas isso não faz muito sentido para elas. Tudo o que elas sabem é como ir para fora, é como ir para o outro. Elas não conhecem qualquer caminho de volta para si mesmas. Por causa dos seus velhos hábitos, é muito provável que você fracasse muitas vezes. Não perca as esperanças.

A maturidade chega vagarosamente. É certo que ela chega, mas isto leva um tempo. E lembre-se: para cada pessoa ela chegará num ritmo diferente, por isso não compare, não comece a pensar: ‘alguém está se tornando tão silencioso, e tão feliz, e eu ainda não alcancei isto. O que está acontecendo comigo?’ Não se compare com quem quer que seja, porque cada um viveu de uma maneira diferente em suas vidas passadas. Mesmo nesta vida, as pessoas têm vivido diferentemente. Por exemplo, um poeta pode ter mais facilidade em ir para dentro que um cientista; seus treinamentos são diferentes. Todo o treinamento científico é para ser objetivo, para se preocupar com o objeto, para observar o objeto, para esquecer a subjetividade. Para ser um cientista é preciso colocar-se completamente ausente do seu experimento. Ele não pode estar envolvido no experimento, não pode haver qualquer envolvimento emocional. É preciso estar completamente desapegado, como um computador. Ele não deve ser um humano, de jeito algum. Só assim ele será um verdadeiro cientista e será bem sucedido na ciência.

Um poeta tem uma habilidade totalmente diferente, ele fica envolvido. Quando ele observa uma flor, ele começa a dançar ao redor dela. Ele participa, ele não é um observador desapegado. Um dançarino pode vivenciar isto ainda com mais facilidade porque ele e a sua dança são apenas um e a dança é tão interna que o dançarino pode movimentar-se em seu espaço interior mais facilmente. Então, nas velhas e misteriosas escolas de mistérios do mundo, a dança era um dos métodos secretos. A dança era o fenômeno mais religioso, mas ela perdeu o seu significado tão completamente que quase caiu na polaridade oposta. Ela tornou-se um fenômeno sexual; a dança perdeu a sua dimensão espiritual. Mas lembre-se, tudo o que é espiritual, se fracassar, pode se tornar sexual; e tudo o que é sexual, se elevar-se, pode se tornar espiritual. Espiritualidade e sexualidade são irmãs gêmeas. Um músico pode ter mais facilidade que um matemático para entrar em meditação. Vocês têm habilidades diferentes, mentes diferentes e condicionamentos diferentes.

Por exemplo, um cristão pode ter mais dificuldade para meditar que um budista, porque com vinte e cinco séculos de meditação constante, o budismo criou uma certa qualidade em seus seguidores. Assim, quando um budista vem a mim, ele pode entrar em meditação muito facilmente. Quando um cristão vem, a meditação lhe é muito estranha, porque o cristianismo esqueceu-se completamente da meditação; ele só conhece prece.

A prece é um fenômeno totalmente diferente. Na prece, é necessário o outro; ela nunca pode ser independente. A prece é mais como o amor: ela é um diálogo. A meditação não é um diálogo; ela não é como o amor; ela é exatamente o oposto ao amor. Na meditação você fica totalmente só, nenhum lugar para ir, ninguém com quem se relacionar, nenhum diálogo, porque o outro não existe.Você é simplesmente você mesmo, totalmente você. Esta é uma abordagem completamente diferente.

Assim, tudo depende de suas habilidades, de sua mente, de seu condicionamento, de sua educação, da religião na qual você foi criado, dos livros que tem lido, das pessoas com as quais tem vivido, da vibração que criou dentro de si mesmo. Tudo dependerá de mil e uma coisas, mas é certo que ela chegará. Tudo que se precisa é paciência, trabalho silencioso, trabalho paciente e o centramento acontece e a maturidade chega. Na verdade, a pessoa madura e a pessoa centrada são apenas dois aspectos de um mesmo fenômeno. É por isto que a criança não consegue estar centrada, elas estão constantemente se movimentando, elas não conseguem ficar em um ponto, fixas. Tudo as atrai – um carro que passa, um pássaro que canta, o riso de alguém, o rádio do vizinho, uma borboleta voando – tudo, o mundo inteiro lhe atrai. Elas simplesmente pulam de uma coisa para outra. Elas não conseguem estar centradas, elas não conseguem viver com uma coisa tão totalmente que tudo o mais desapareça e se torne não-existencial.

Com a maturidade, o centramento surge. Maturidade e centramento são dois nomes para uma mesma coisa. Mas a primeira coisa a ser lembrada é que ela chega gradualmente. Não compare e não tenha pressa.

                                                                  The Secret of Secrets vol. II

                                                                         Tradução de Sw. Bodhi Champak

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

A força Maleável: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3065

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Participe do Curso:

“Tao, Meditação e Respiração”:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020

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3 Responses to Osho – Aprenda a ser paciente

  • paulette naressi:

    Bom dia Pedro,
    agradeço imensamente por seus posts, sempre massageiam minha alma.
    Namaste.
    Paulette.

  • Sônia de Andrade Ramos:

    Belíssimo texto, quase didático mesmo. Admiro demais o Taoísmo, grande “escola” de ensinamentos para a vida. Obrigada, Pedro.

  • Mariza:

    Oi, Pedro, cada vez aprendo mais um pouco com você e através de suas postagens! Este ensinamento de Osho sobre “aprender a ser paciente” me veio na hora certa, pois minha atual fase de vida me requer esta prática a todo momento. É um aprendizado de dentro para fora, muito interiorizado, que me puxa para a reflexão a cada ato e pensamento que cometo. Este ensinamento é o melhor que li porque me é o mais necessário agora! Muito obrigada!
    Um forte abraço.
    Mariza Binato Passos.

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Osho – A Fábula da Centopeia

A Fábula da Centopeia 

Osho

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Aquele que se tornou iluminado, aquele que uniu-se ao Tao, age sem impedimentos. Você sempre age com impedimentos, o oposto está sempre ali criando impedimentos; você não é um fluxo. 

Se você ama, o ódio está sempre ali, como um impedimento. Se você se movimenta, alguma coisa está puxando você para trás, você nunca se move totalmente, alguma coisa sempre fica para trás, o movimento não é total. Você se move com uma perna, mas a outra perna não está se movendo. Como você pode se mover? O impedimento está lá. 

E esse impedimento, esse movimento contínuo com apenas metade de você e o não-movimento da outra metade é a sua angústia. Por que você sente tanta angústia? O que cria tanta ansiedade em você? Seja o que for que você faça, por que a felicidade não acontece para você? A felicidade somente pode acontecer para o todo, nunca para a parte. 

Quando o todo se move sem qualquer impedimento, o próprio movimento é felicidade. A felicidade não é algo que vem de fora, é o sentimento que vem quando todo o seu ser se move, o próprio movimento do todo é felicidade. Não é algo acontecendo a você, é algo que surge de dentro de você, é uma harmonia no seu Ser. 

Se você está dividido – e você está sempre dividido: metade se movendo, metade se contendo; metade dizendo sim, metade dizendo não; metade amando, metade odiando, você é um reino dividido – há um constante conflito em você. Você diz alguma coisa mas aquilo nunca é o que você quer dizer, porque o oposto está ali impedindo, criando um obstáculo. 

Você já ouviu a estória da centopeia? A centopeia estava caminhando… – uma centopeia tem cem pernas – é por isso que se chama centopeia. É um milagre andar com uma centena de pernas. Controlar duas já é tão difícil, controlar cem pernas é realmente impossível, quase impossível, mas a centopeia consegue. 

Uma raposa ficou curiosa – e as raposas são curiosas. No folclore a raposa é o símbolo da mente, do intelecto, da lógica. As raposas são seres muito lógicos. A raposa olhou, observou, analisou, ela não podia acreditar ao ver como a centopeia era capaz de andar com tantas pernas. Ela disse: “Espere, só uma pergunta! Como você consegue? Como você não se confunde e sabe qual pé pôr atrás de qual? Cem pernas! Como acontece essa harmonia, como você consegue andar tão bem?” 

A centopeia disse: “Eu consigo andar, mas nunca pensei nisso. Dê-me algum tempo para pensar como eu faço”. 

Então ela fechou os olhos. Pela primeira vez ficou dividida: a mente como observadora e ela mesma como a coisa observada. Pela primeira vez a centopeia tornou-se duas. Ela costumava viver e andar, e sua vida era um todo; não havia um observador olhando para ela, ela nunca fora dividida. Ela era um ser integrado. Pela primeira vez surgiu a divisão. Ela estava olhando para si própria, pensando. Ela tinha se tornado o sujeito e o objeto, tinha se tornado duas, e então começou a andar. Foi difícil, quase impossível. Ela caiu – como pode você controlar cem pernas? 

A raposa riu e disse: “Eu sabia que devia ser difícil, sempre soube.” 

A centopeia começou a chorar, as lágrimas inundaram os seus olhos. Ela disse: “Nunca foi difícil, mas você criou o problema. Agora eu nunca mais vou conseguir andar.” 

A mente tinha entrado em cena, ela entra em cena quando você está dividido. É por isso que Krishnamurti continua dizendo que, quando o observador se torna o observado, você está em meditação. 

O oposto aconteceu com a centopeia. O todo se perdeu, se transformou em dois: o observador e o observado, divididos. o sujeito e o objeto; o pensador e o pensamento. Então tudo ficou perturbado, perdeu-se a felicidade, o fluxo de harmonia foi interrompido. E foi assim que ela ficou paralisada. 

Sempre que a mente entra em cena, ela vem como uma força controladora, um gerente. Ela não é o mestre, ela é o gerente. E você não chega ao o mestre enquanto o gerente não for posto de lado. O gerente não vai permitir que você alcance o mestre, o gerente vai estar em pé diante da porta, controlando. E todos os gerentes administram mal – a mente tem feito um ótimo trabalho de má administração. 

Pobre centopeia, ela sempre fora feliz. Não tinha problema nenhum. Vivia, cantava, amava, tudo, sem problema algum, porque não havia mente. Com a mente veio o problema – com a pergunta, com a indagação. E existem muitas raposas ao seu redor. Cuidado com elas: filósofos, teólogos, professores, todos eles são raposas. Eles levantam perguntas e criam perturbação. 

Lao Tse, o mestre de Chuang Tzu, disse: “Quando não existia nem um único filósofo, tudo estava resolvido, não havia perguntas e as respostas estavam todas à disposição. Quando surgiram os filósofos, surgiram as perguntas e as respostas desapareceram.” Sempre que existe uma pergunta, a resposta está muito longe. Sempre que você pergunta, nunca obtém a resposta, mas se você para de perguntar, você verá que a resposta sempre esteve ali. 

Não sei o que aconteceu com essa centopeia. Se ela era tão tola quanto os seres humanos, está em algum hospital, aleijada, paralítica para sempre. Mas eu não acho que as centopeias sejam tão tolas. Ela deve ter deixado a questão de lado. Deve ter dito à raposa: “Guarde suas perguntas para si mesma, e me deixe andar em paz.” Ela deve ter descoberto que essa divisão não lhe permitiria viver, porque a divisão causa morte. Indiviso, você é vida; dividido, você é morte. Quanto mais dividido, mais morto. 

O que é felicidade? Felicidade é a sensação que surge em você quando o observador se torna o observado. Felicidade é a sensação que surge em você quando você está em harmonia, não fragmentado; quando você é um, não está desintegrado, é indiviso, uno. Esse sentimento não é algo que vem de fora. Felicidade é a melodia que brota da sua harmonia interior.

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

A força Maleável: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3065

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Participe do Curso:

“Tao, Meditação e Respiração”:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020

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5 Responses to Osho – A Fábula da Centopeia

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A Força Maleável

A Força Maleável

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Pedro Tornaghi

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 A Força Maleável

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Conta a lenda que, ao ser perguntado por um menino se era sempre melhor mostrar-se forte e inteligente e não deixar que os outros pensassem que se era fraco e tolo, Lao Tse respondeu: “você deve mostrar que é fraco e tolo, não deixe as pessoas pensarem que é inteligente”. Confuso, o menino argumentou que a maioria das pessoas pregava que ser forte e duro era bom, e ser fraco e mole era ruim. Lao Tse perguntou qual a parte mais dura e a mais mole do corpo. Após o menino responder que a mais dura eram os dentes e a mais mole a língua, Lao Tse sentenciou: “olhe para mim, sou tão velho que meus dentes todos já se foram, enquanto minha língua continua intacta. As coisas moles e aparentemente fracas costumam resistir melhor aos ataques do tempo e da vida, uma árvore de tronco duro por exemplo pode ser levada por um furacão, enquanto a grama macia, permanecerá firme no chão, a água maleável é capaz de esculpir duras pedras e montanhas.” 

Lao Tse era um homem surpreendente para seu tempo. Com uma visão original de vida, ele costumava ver com facilidade onde alguém estava insistindo em uma verdade pronta e inútil que trazia dentro de si e, com isso, não percebendo a resposta óbvia e apropriada que se estampava frente a seus olhos. Somos muitas vezes como a mariposa que dorme dentro de nossas casas e, pela manhã, deseja sair para a luz do dia, mas esbarra continuamente no vidro da janela. Abrimos a janela ao lado e fazemos de tudo para que ela veja a saída, mas ela insiste em dar novas cabeçadas na vidraça. Se, em vez de tentar ir em linha reta em direção ao seu desejo, ou na direção que considera certa, a mariposa voasse no sentido contrário e se afastasse da janela, poderia perceber que, logo ao lado da vidraça, havia uma saída real. Mas, ela não faz isso, poucos de nós fazemos, Lao Tse fazia. E, por fazer, enxergava o óbvio, que a quase todos costuma escapar. 

O óbvio é o natural. Como maneira de ver-se livre de soluções estudadas e encontrar as naturais, Lao Tse optou ser, ele mesmo, uma pessoa natural. E buscou sempre ser fiel não apenas à natureza exterior, mas à sua natureza interna, ao propósito legítimo e original que trazia dentro de si. Sim, cada pessoa tem sua natureza particular, quando essa natureza floresce, surge com cores e aromas únicos e próprios a cada um. Quando se fala em ser natural, não se pode imitar caminhos alheios ou já prontos desde antes. Todos os rios acabam no oceano, mas o percurso de cada rio até lá é único. 

Daí a dificuldade em ser natural, todos querem ensinar como é certo comportar-se, empurram toneladas de regras, dogmas e verdades para você acatar, acreditar e seguir. Embora o que é natural flua com facilidade de dentro para fora, foram erguidas barreiras contra a natureza pessoal de cada um, não é simples voltar a ser fluente e espontâneo. Já não era nos dias de Lao Tse. Talvez por isso ele tenha sido e seja até hoje uma exceção de lucidez, uma lucidez que grita como uma fratura exposta, mas que poucos vêm por terem sido ensinados a não ver o que é natural. 

Criou-se no homem um medo do natural. Em algum lugar, no fundo dele, foi plantada a convicção de que ser natural é perigoso. E, mesmo em dias em que por ter se afastado de sua natureza o homem está tendo sucesso em destruir o mundo, mesmo em dias em que está óbvio que o grande perigo para a sobrevivência da espécie não está na proximidade dele com a natureza, mas na distância, mesmo em dias assim, o medo de ser natural, onde quer que ele esteja plantado dentro do ser humano, dá frutos em abundância. 

Lao Tse percebeu que a coisa mais revolucionária – ou a única integralmente revolucionária – era seguir a própria natureza. Escutá-la e dar espaço a ela. Quando escutamos nossa natureza, descobrimos que tudo em nós e fora de nós está em movimento. Talvez isso seja mais fácil para um chinês perceber do que para um ocidental. Gostamos muito de substantivos em nossa cultura. Quando transformamos algo em substantivo, o transformamos em objeto, e temos a impressão de que podemos possuí-lo, guardá-lo em um bolso ou em um cofre. Para nós, consciência tornou-se um substantivo, o que sugere uma coisa estática, que uma vez alcançada, passa a ser um patrimônio seu. Até o amor foi instituído como substantivo em nossa língua, mesmo que abstrato. Para o chinês, tudo é movimento, assim por exemplo, o conceito de “chi”, que é traduzido nos livros em português como energia, para o chinês tem o sentido de “fluxo vital”, algo que corre, se esse algo parar, não é mais chi. Da mesma maneira, consciência e amor são para ele experiências que só podemos almejar no contexto do fluxo vital. 

Para Lao Tse, tudo na vida está em constante movimento, e o movimento do que vemos é dependente e afinado ao movimento do Universo. E, há algo em curso, por trás desse movimento essencial do Universo e por trás de tudo o que se move nele. Esse “algo mais” é o que ele chama de Tao. Há quem traduza a palavra Tao como um “curso contínuo”, sim, o Tao está constantemente se revelando, e é a essência de tudo o que se move no Universo. E tudo se move. 

Lao Tse nunca pretendeu deixar regras para serem seguidas para se alcançar o Tao, mas atentar para sua existência e inspirar quem o lesse a ter olhos próprios para enxergá-lo diretamente. Quando você encontra sua natureza, deixa de depender de regras para saber como agir e ganha maleabilidade. Quem age conforme regras estudadas, não tem margem de negociação com a vida, e, muito menos, consciência do que significa uma mudança de rumo. Já quem segue a própria natureza sempre será maleável, como a língua de Lao Tse. Dará resposta personalizada a cada novo desafio e cada nova questão que lhe aparecer. Quem segue sua própria natureza não precisa de certezas, mas de contato consigo e com a vida. 

Essa é parte da mensagem que Lao Tse passou no livro Tao Te King, onde ressaltou a importância de encontrarmos nossa “face original”, uma identidade anterior a todas a máscaras que aprendemos a usar, a todas as falsas noções de nós mesmos que colecionamos durante a vida. Para Lao Tse, uma identidade adquirida nos deixa presos a um mundo ilusório de dualidades, enquanto a identidade original nos leva a uma realidade sem dualidades, logo, imune a conflitos emocionais e psicológicos. 

Ele entende ser o Tao uma essência única, formadora de tudo o que existe, e sugere que quando contatamos essa essência, nos é revelada nossa real identidade, um projeto desenhado para nós nessa vida. Ao contrário da identidade adquirida, que está sempre em disputa e luta contra algo ou contra tudo, nossa face original está em paz e integrada ao Universo. A face original respira próxima do Tao, a dimensão imutável do universo, o lugar de onde viemos; logo, ela é livre de contaminações das ideias e medos que proliferam no mundo dual. 

Para Lao Tse, essa essência do Universo é informe e vive dentro de todas as coisas manifestadas. Mas, para continuar sendo universal, não pode se identificar com nenhuma dessas coisas, nem com o bem ou o mal, com o certo ou o errado, mas viver independente e neutra em relação a tudo. Essa essência não pode igualmente ser descrita, se você disser que ela é luz, você a excluirá do escuro, se você disser que ela é boa, a excluirá daquilo que considera ruim. Como onipresente, ela não cabe em definições. Assim, para atingi-la, o caminho possível é o da sensibilidade, entrega e faro intuitivo. Mas, nunca acreditando em definições e ideias que vamos construindo sobre ela durante o caminho. Quando criamos uma definição dessa essência e acreditamos saber o que ela é, acabamos de perdê-la, quando achamos que não a conhecemos, acabamos de abrir a porta da consciência para ela. 

Lao Tse entende que todos temos essa sensibilidade e faro intuitivo dentro de nós; para lançar mão dele, basta que sigamos essa nossa natureza interior. Sua filosofia prega que, assim como a água do rio sempre encontra o caminho para o oceano, quando deixamos que a natureza interior mais íntima guie nossos passos, intuímos por onde prosseguir, até chegarmos ao grande oceano de consciência para o qual fomos moldados. Esse oceano onde o rio da individualidade se integra e dissolve é nada mais, nada menos, que a essência não manifestada de onde viemos, de onde tudo vem, todo o tempo. 

Diz-se na China que Lao Tse era guardião dos manuscritos reais, o equivalente a um bibliotecário em sua época. No final da vida, resolveu se retirar da cidade para meditar nas montanhas. Ao sair, um guarda de fronteira o reconheceu e pediu que deixasse registrada sua sabedoria em um livro. Ele então, que nunca havia escrito nada, sentou-se e escreveu os 81 pequenos poemas do Tao Te King, que sintetizam a sabedoria do taoismo e da China tradicional. Nos poemas ele enfatiza a importância de nos esvaziarmos para estarmos disponíveis ao crescimento e evolução e de adotarmos o caminho da brandura para chegar longe. Em certo ponto ele diz “Nada no mundo / demonstra mais suavidade e fraqueza do que a água. // No entanto, / dentre as coisas que atacam o duro e o forte, / nada a supera ou pode barrá-la. // Portanto, o fraco vence o forte, / a maleabilidade vence a rigidez.”  

A água acabou se tornando símbolo do taoismo e da obra de Lao Tse, com todos os seus atributos, de suavidade, sutileza, intuição, fonte da vida e ilimitação de forma. 

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16 Responses to A Força Maleável

  • É como diz na CABALA= é preciso que nosso cântaro seja vazio para podermos receber novas águas. Se estiver cheio, nada irá entrar. ..

  • Cecília M S Carvalho:

    Gosto e me sinto familiarizada com tudo…. <3

  • Cecília M S Carvalho:

    Gosto e me sinto familiarizada com tudo….. <3

  • As forças moles são as mais difíceis de encontrar em nós mesmos… Parabéns pelo artigo, muito inspirador.

  • ROSE MARIE MEGA:

    Realmente, é um texto lindo que nos leva à reflexão.

  • Raquel Yzar de Melo:

    Fabuloso!!

  • Raquel Yzar de Melo:

    Maravilha!!

  • Mariah Bortolotti:

    Obrigada Pedro!
    Que lindo , que profundo e que valioso esse ensimamento de Lao Tse.
    Que possamos todos nós estarmos prontos para nossa viagem individual e espiritual no caminho do Oceano de Deus.
    bjs
    Grata
    LUZ!!!
    Mariah

  • CÁCIA SILVA:

    Excelente artigo, traz uma mensagem positiva para os dias atuais e descobrimos, de forma simples, como estamos absorvidos pela materialidade. Sempre que medito, passo a conhecer-me, e descubro que minha natureza sente-se atraída pelas coisas simples.

  • Alesandra Christian Abrantes:

    Adorei esse artigo. Parabéns.
    Embora eu não conheça Lao Tse, o texto pode incutir em mim curiosidade para buscar mais sobre ele e sua filosofia.

  • valter jose vieira:

    Muito boa a filosofia em si. Todavia, como mortais, temos que interagir com o mundo e com nossos semelhantes. Daí surgem as necessidades. Lao Tse nunca teve a necessidade, ao que parece, de ter filhos e descendentes. Não precisava se deslocar para um trabalho distante. Não sentia necessidade de ter um lar. Tudo isso custa e muito. Há que se trabalhar e o Estado é vigilante nas obrigações e tributos. Há que se qualificar para o enfrentamento diário. As obrigações do Estado, família e trabalho. Os cuidados com a saúde e com o merecido descanso e férias (passeios e viagens,etc.). Então, cuidar da alma realmente é muito, muito importante porque é o que segue. O corpo frágil, mas forte o suficiente para a jornada é finito; merece todo o respeito e atenção e por ele nós vivemos grandes aventuras e projetos. Uns bem sucedidos, outros nem tanto. Mas a vida é assim. Cuidar e bem do conjunto é fundamental… Que Deus tenha piedade de nós neste entendimento e valorize cada qual conforme sua função de momento e consequências, pois contas teremos que prestar. Stay wise…….08/08/14 e Viva São Vicente!……

  • Eva Faht:

    Acrescentou bastante em meus conhecimentos !

  • Marco Prado:

    Não se pode de forma alguma atribuir o taoismo que é uma religião ao verdadeiro TAO, o verdadeiro TAO está acima de tudo e de todos, Lao Tsé ou Lao Tsu recebeu o TAO de Buda e passou a Confúcio; TAO é o caminho para todos, mas nem todos são para o TAO.

  • Marcia Gomes de Carvalho Nóbrega:

    Quero agradecer por todo o trabalho de multiplicador da essência da vida . Parabéns Pedro. Que o universo conspire sempre no teu caminho. Forte Abraço

  • Rosangela Soto:

    Água, o mais puro pensar quando pensamos em vida. Ela cai do céu, escorre pelos rios e mares, anda em nossos corpos, habita a terra desde que o mundo e mundo. Água é música aos ouvidos, pode ser apenas uma gota, gotas contínuas ou torrencial. Que importa?! Interessa como a sentes, como a percebes, como a tocas. Água flui,muda de curso, perfura, água evapora. A mente flui, muda de curso, perfura barreiras, evapora no tempo se parada. Observar a natureza nos ensina a fluir como ela, sem inventar muito ou rebuscar nada, apenas sendo simples. Lao Tse observou apenas e nos deixou seu legado. Observar e tentar, ao menos dentro do caos da vida moderna, ser o mais natural possível, respirando, observando e trazendo de dentro para fora o amor a tudo, intacto, respeitando seus próprios limites de tempo a aprender em cada passo. Sendo apenas um elemento a mais no elo da vida. DEIXAR FLUIR A TUA ESSÊNCIA, com simplicidade, como o barulhinho da água.

  • Mariza:

    Adorei! Obrigada, Pedro!

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Osho – O Caminho da Água Corrente

O Caminho da Água Corrente

Osho 
Tao, sua história e seus ensinamentos

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Havia uma estátua de Lao Tse, o fundador do Tao e durante anos um jovem pensou em ir às montanhas para ver essa estátua. Ele adorava as palavras, a maneira como Lao Tse falava, o seu estilo de vida, mas nunca tinha visto nenhuma de suas estátuas.

Anos se passaram, e sempre havia muitas coisas que impediam o jovem de satisfazer seu desejo de ver a estátua.

Certa noite, finalmente ele decidiu que precisava ir; não era muito longe, apenas cem quilômetros dali, mas ele era pobre e teria que ir a pé. Ele decidiu partir no meio da noite, pois sua esposa e seus filhos estariam dormindo e não poderiam criar problemas.

A noite estava escura, então ele pegou uma lamparina e se dirigiu para as montanhas. Quando ele saiu da cidade, pensou: “Meu Deus cem quilômetros! E tenho apenas dois pés, isso irá me matar, estou pedindo o impossível, nunca caminhei tanto e não há estradas!”

Havia uma pequena trilha pelas montanhas, que também era perigosa, então ele pensou: É melhor esperar o amanhecer. Pelo menos haverá luz e poderei ver melhor; se não sairei dessa pequena trilha e sem sequer ver a estátua de Lao Tse; estarei simplesmente acabado, porque me suicidar com isso? Nisso ele parou e se sentou desanimado.

Quando o sol nasceu, passou por ali um velho, que ao ver o jovem sentado lhe perguntou: O que você está fazendo aqui?

O jovem lhe explicou, e o velho riu e disse: “Você não ouviu o velho ditado, que ninguém pode dar dois passos ao mesmo tempo, apenas um passo por vez; e não importa se a pessoa é poderosa, fraca, jovem ou velha. O ditado continua: Passo a passo, um passo por vez. Uma pessoa pode caminhar dez mil quilômetros! Parece que você não é inteligente…e quem lhe disse que você precisa caminhar sem parar? Você pode levar o tempo que quiser, depois de dez quilômetros você pode descansar por um ou dois dias e curtir a paisagem também. Este vale é muito bonito, com belas cachoeiras, flores e frutas que talvez você nunca tenha provado. De qualquer modo, estou indo na mesma direção que você, podemos ir juntos se você quiser; Já fiz esta trilha milhares de vezes e tenho pelo menos quatro vezes a sua idade. Levante-se!”

Assim foram eles, e aquilo que o velho disse era mesmo verdade. Quando foram entrando na floresta a paisagem foi se tornando mais e mais bela e cheia de novas flores, árvores e paisagens nunca vistas pelo jovem. Este foi ficando mais e mais surpreso com tudo o que via e percebeu que tinha se esquecido do tempo, tamanho encantamento em seu coração.

Nisso, os cem quilômetros passaram rapidamente e eles chegaram a estátua de Lao Tse, um dos homens mais notáveis que já caminhou sobre a terra. Até mesmo sua estátua tinha algo especial, pois havia sido criada por um artista taoísta para representar o espírito do Tao.

O Tao acredita na filosofia da entrega; acredita que você não precisa nadar, mas apenas fluir com o rio, deixar que o rio o leve para onde ele estiver indo, pois todo o rio sempre chegará no oceano. Então não se preocupe, você também chegará ao oceano, e não há necessidade de ficar tenso e preocupado.

A estátua estava naquele lugar solitário, e havia uma cachoeira ao lado, porque o Tao é chamado de O Caminho da Água Corrente. Assim, como a água segue seu fluindo sem nenhum guia, sem nenhum mapa, sem nenhuma regra, sem nenhuma disciplina…mas de uma maneira muito humilde, porque em todos os lugares ela está sempre procurando a posição menos elevada. Ela nunca vai para cima, sempre vai para baixo; ela chega ao oceano ao seu destino.

Ali, onde eles estavam emanava essa atmosfera, emanava esse deixar fluir.

O velho diz então:

“Agora começa sua jornada”.

O jovem se espantou e disse: “O quê? Eu estava pensando que depois de cem quilômetros a jornada estaria terminada”.

“Não meu jovem, disse o velho, essa é a maneira que falam os mestres ás pessoas. Mas a verdade é que a partir desse ponto, dessa atmosfera, começa uma jornada de mil quilômetros, e depois outros mil e mais mil. Apenas siga em frente. Seguir em frente é a mensagem.

A jornada é infindável, mas o êxtase continua se aprofundando mais e mais. A cada passo você é mais, sua vida fica mais viva, sua inteligência mais luminosa; na realidade ninguém pára. Uma vez que o buscador tenha chegado ao seu Ser, ele próprio torna-se capaz de perceber o que está a frente: tesouros e mais tesouros; 

A persuasão é necessária até o ponto do Ser. Esses primeiros cem quilômetros são os mais difíceis, depois deles podem vir milhares de quilômetros ou uma infinidade, não faz mais nenhuma diferença.

Agora você sabe na realidade que não há objetivo; a própria conversa sobre objetivos era para os principiantes, para as crianças. A jornada é o objetivo.

A própria jornada é o objetivo.

Ela é infinita, eterna.

Você encontrará estrelas, espaços desconhecidos, experiências impressionantes, mas nunca chegará a um ponto em que possa dizer: “Agora cheguei!”Qualquer um que diga “Cheguei!” não está no Caminho ainda. Ele nem viajou; sua jornada ainda nem começou e ele está apenas sentado no primeiro marco…”

Cada partícula é um pouco dolorosa, mas a dor será imediatamente esquecida, pois mais e mais bem aventurança se despejará sobre você.

Logo aprenderá isto: Não é preciso sentir dor quando você parte depois de um pernoite. Você se acostuma, sabe que a jornada é infindável e os tesouros ficam cada vez maiores…você não é um perdedor.

Parar em qualquer lugar será sim uma perda; então, não há fim, não há ponto final, nem mesmo um ponto e vírgula… 

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10 Responses to Osho – O Caminho da Água Corrente

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A Arte de Assumir Erros

A Arte de Assumir Erros

Pedro Tornaghi

 

 

Fico pensando por que será a humildade tão difícil, já que é tão bela. O que suscitou o questionamento foi a reação do técnico de futebol do país, ao defender e tentar justificar o injustificável após a massacrante derrota de sua seleção. Seu esforço para convencer a todos de que tinha feito o trabalho certo chegava aos limites do patético, não havia a menor possibilidade de persuadir a um único ouvinte a trocar o óbvio dos fatos por sua versão esfarrapada. Três dias antes da partida, zapeei a TV na hora dos telejornais e vi em três diferentes emissoras de grande audiência, times de comentaristas concordarem em unanimidade que a maneira de fazer frente à forte seleção alemã era povoar o meio-de-campo, colocar ali quatro jogadores, como havia feito a Costa Rica, como faria em seguida a Argentina, que com times inferiores, conseguiram dar trabalho ao timaço alemão. Ambos optaram pelo oposto de Scolari. Por que não reconhecer o erro, e todos os demais da preparação, não teria o passe dele saído menos combalido da tragédia? Quem quererá contratar um técnico que mostra não saber ler um jogo e ainda se diz inconsciente da própria ignorância. 

E, o que dizer do partido que governa o país há mais de uma década, que nunca se mostra disposto a refletir sobre uma crítica, se atém, em vez disso, a reagir com acusações a adversários. Não estariam em posição bem mais tranquila em pesquisas de intenção de voto se tivessem agradecido e digerido as diversas acusações, metamorfoseando-as em auto-crítica e em mudanças de rumos, onde o bom senso se mostrasse mais presente que em suas atitudes anteriores? Será que estariam com tamanho índice de rejeição? 

Admitir um erro ou atitude inconveniente é belo, eleitores e torcedores gostam de ver o lado humano em seus líderes e a vontade de acertar. Não parece ser uma estratégia inteligente de marketing, nem do técnico nem do partido no poder. Aparenta ser, sim, mera reação. Um traço de imaturidade difícil de entender em adultos com posição de tanta proeminência social. 

Admitir um erro requer desapego do ego. E não é o fim, como aqueles que estão em posição de poder costumam acreditar, mas muito mais um começo, um começo de uma atitude mais afinada, quiçá mais próspera. Admitir um erro é mostrar que se é falível e humano e isso cria uma atmosfera propícia para a aproximação dos outros; negar, estimula o afastamento, ou ao menos inibe a aproximação. Admitir um erro é mostrar que se é mais hoje do que se era ontem. Juscelino Kubitschek disse um dia: “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro.” 

O tanto que se esforça o marketing da presidência para seduzir o eleitor quando diz “vote em mim para a mudança”… eles certamente convenceriam melhor se embarcassem na dica de Juscelino e dissessem e mostrassem: “erramos, mas reconhecemos e agora estamos melhores”. Mesmo com todo o apego ao poder e revelando-se óbvio que a postura de durona não está convencendo, não é fácil identificar sinais de vulnerabilidade na postura da presidenta. Assim como na do técnico Scolari. Bom, o artigo não é para julgá-los, mas para estudá-los, aprender com eles. Se eu os estiver julgando, perdão desde já, mudemos de tom. 

Admitir um erro é admitir que não se estava no controle até então, e talvez por isso seja tão difícil para tantos. Vivemos em uma sociedade controladora, onde convencionou-se que vale mais quem controla mais. O que é um equívoco, se não uma falácia. Mostrar vulnerabilidade é visto como algo temeroso, mesmo que seja comovente e belo. Então, qualquer esforço para estar no comando parece ser justificável para eles. 

Me lembro de uma cena no final dos anos 80, quando eu estava na Índia e conheci o Swami Kabir que dirigia um trabalho original e interessante de terapia astrológica no Ashram do Osho. Houve uma grande empatia entre nós e uma admiração mútua pelo trabalho um do outro. Kabir me propôs que passássemos a trabalhar juntos, mudo afora como ele costumava fazer, dando cursos e grupos de crescimento. Ele era uma personalidade estabelecida, tinha meia dúzia de assistentes, alguns o acompanhavam há anos, destacando-se uma astróloga alemã que aparentemente não se conformou em eu ter acabado de chegar por ali e já ser considerado sócio, enquanto ela se dedicava há anos àquele trabalho e continuava como assistente. Todo dia eram nítidos os olhares de soslaio dela em minha direção. Um dia, entrando no Ashram, ela me disse “Pedro, há uma coisa que tenho que compartilhar com você: não sei porque, mas sempre que olho para você tenho a forte sensação de que eu estou certa e você errado!” Sorri para ela e sugeri: “quanto a mim, você não precisa ter dúvida, eu estou errado, mas o que você vai fazer com essa convicção de que está certa, isso é com você, em relação a isso não imagino como te ajudar.” Aquela mulher guerreira e durona, de repente parou desconcertada na porta do ashram. E eu saí com a certeza de que Lao Tse estava certo ao afirmar que ser tolo tem vantagens. E do quanto é difícil para alguém de educação européia, perder o controle. 

Saí tão leve da conversa que me pareceu mais claro do que nunca, como é gratificante não ter razão ou não ter que tê-la. Ter que ter razão é uma doença. Ou ao menos um sintoma. Sintoma de que se carrega um estado de tensão e estresse crônicos dentro de si. Em nome de quê? De uma honra? Conferida por quem? Por algum tirano que elogia e premia quem consegue estar com a razão? Qual é a recompensa? Um – falso – sentimento de inserção social. Falso sim. A que levou a certeza daquela astróloga alemã? Kabir era um experimentalista, um inovador, nunca a adotaria como sócia por ela estar sempre com a razão. Era estratégia errada mesmo para ela que acreditava em caminhos assim. 

Admitir que não se está certo, que não se possui a certeza, envolve humildade e gera fertilidade em quem o faz. Não o tipo de humildade que faz a pessoa se sentir superior por ser mais humilde que a outra, mas a humildade de que falam Lao Tse e o Tao, que nasce naturalmente quando percebemos que o controle que tínhamos da situação era tão falso quanto a promessa de que seríamos felizes se a controlássemos. A humildade que nasce de sabermos que não podemos controlar por que não somos entidades separadas do Universo, existimos como parte dele, somos “um” com ele. A cada vez que comemos ou respiramos, o universo entra em nós, passa por nós e se vai. Como pretender ser algo separado dele? 

Admitir “erros” gera vida, não admiti-los torna a pessoa estéril. A palavra humildade vem da mesma raiz da palavra humus; ser humilde é saber que se é apenas parte da fertilidade do Universo, nunca mais que ele, mas ele em si, ser humilde nos torna férteis e criativos. E seres criativos tornam-se também responsáveis. Assumir “erros” nos torna responsáveis. O que talvez seja parte do motivo para que se tema admiti-los. A atitude de assumir um erro aponta para a mudança e o crescimento, negá-lo aponta para a estagnação. 

Dizem que Thomas Edson todo dia ao escurecer, tinha ataques de fúria e mau humor e por vezes chegava a quebrar todo o seu laboratório, frustrado por mais um dia de tentativas e esforços hercúleos e em vão, sem chegar a descobrir a fórmula da lâmpada elétrica. No dia seguinte acordava leve e de bom humor e dizia: que bom, falta um erro a menos para descobrir a lâmpada. 

Negar o erro é negar o aprendizado que a experiência proporciona. Se a pessoa souber olhar, um erro reconhecido pode ser uma oportunidade de ouro, da pessoa se livrar do fardo de falsas crenças no sucesso, do fardo de compromissos assumidos anteriormente e que não se mostram produtivos ou legítimos. 

Embora seja um direito nosso, cometer os próprios erros, podemos também aproveitar os dos outros para aprender. E ficarmos gratos por isso. Posso por exemplo, ao ver um técnico de futebol com dificuldades de mudar de comportamento, aproveitar a ocasião – como um alerta – para ver onde eu também ando insistindo em algo que não me tem levado aonde eu pretendo chegar, onde estou teimando por repetição inconsciente. E, a partir disso, mudar. Críticas são para serem agradecidas. Como sugere o Tao, o tolo rebate críticas, o sábio as agradece. 

Os poemas de Lao Tse no Tao te King sugerem como um todo, que a humildade traz mais frutos que a arrogância. Diz ele no poema 78: “Nada no mundo demonstra mais suavidade que a água / No entanto, dentre as coisas que atacam o que é duro e forte, / nada a supera ou pode barrá-la. // Portanto, / o fraco vence o forte, / a maleabilidade suplanta a rigidez, // Quase todos conhecem essa verdade, / Entretanto, poucos a praticam.” Já lá atrás, há mais de dois mil anos os que detinham o poder tinham dificuldade de escutar e admitir fraquezas. Impressiona a persistência da teimosia. 

Se não admitir erro é infantilidade, admiti-lo é maturidade. O nome Lao Tse significa menino velho, sim, em seu nome ele já carrega sua obra, saber amadurecer sem perder a maleabilidade e naturalidade da criança é a arte do Tao, saber chegar no oceano com a mesma pureza da água que um dia brotou na fonte é o seu segredo. 

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

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8 Responses to A Arte de Assumir Erros

  • Belíssima reflexão! Eu tenho enorme admiração pelo modo de pensar pautado na sabedoria indo-chinesa, cresci muito nos últimos dez anos refletindo nessa vertente, demorando, mas, admitindo erros colossais antes que eles me congelassem na ilusão do tempo. (O sábio ensina sem pavaras e age por meio da não ação)

  • Este link leva a um de meus escritos oriundos de um “namoro” com a sabedoria dos aforismos místico-filosóficos do oriente e do ocidente. Eu chamo de mysthesis (um tipo de fusão da mística com a estética filosófica).

  • Muito sutil, muito lindo e verdadeiro.

  • Adélia Praia:

    Eu leio e gosto das reflexões que você escreve ou de outros sábios. Eu gosto de aprender sempre com quem sabe, quero me tornar um ser melhor. Muito obrigada por você conseguir fazer com que tenhamos prazer em ler o que você sabe e sente.

  • MARIA APARECIDA CAVALLINI DE SOUZA:

    Gratidão é a palavra exata para exprimir o sentimento pelo encontro com o Mestre… Ele realmente aparece no tempo oportuno…

  • Malu Dixon:

    Que linda e importante reflexão. Grata.

  • Alessandra Verssaly:

    Amei esse estudo, esse texto é MARAVILHOSO…

  • Hilda Heise:

    Os erros, pelo menos no meu entender, são acumulados quando sentimos que estamos na zona de conforto, que ninguém ou algo nos deixa na dúvida, ou que estamos perdendo algo…

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