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Tao & Meditação

Tao & Meditação

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curso com Pedro Tornaghi

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Este é um curso que alia técnicas de meditação a práticas de respiração e à filosofia do Tao. 

Nele buscaremos, em ensinamentos de antigos mestres taoistas, inspiração e meios para chegar ao autoconhecimento e, nas meditações, o silêncio interior e a lucidez necessárias para o entendimento das dimensões sutis do taoismo. 

Tao e meditação se auxiliarão durante as práticas. As meditações permitirão que o contato com o Tao seja uma experiência direta, e não apenas um entendimento intelectual, enquanto os ensinamentos taoistas contribuirão para que as meditações não se tornem momentos de pouco proveito.

 

Início 13 de agosto de 2014
turmas às 16:00h e 20:00h
Mensalidade: R$ 270,00 

Local: Academia Ananda
Av Nossa Senhora de Copacabana 769/102 – Rio de Janeiro
Informações e inscrições: (21) 2508-8608
meditarsempre@gmail.com
ou mensagem pelo site

 

Palestra 

Tao, O Caminho da Água Corrente

6 de agosto de 2014
16:00 h ou 20:00 h
Entrada Franca

 

O Tao 

 

O Tao é uma filosofia milenar chinesa que sugere um estilo de vida em que tudo flua com a naturalidade da água corrente de um rio. Assim como a água segue seu caminho fluindo sem nenhum guia, sem nenhum mapa, sem nenhuma regra e chega ao seu destino, o oceano, aquele que adota o Tao segue sua natureza interna e chega ao seu destino, a consciência. 

O homem que se dedica ao Tao enxerga em todas as manifestações da natureza a presença da realidade oposta, encontrando assim, uma maneira de mudar situações de impasses em momentos de abertura de novos horizontes. 

Fundamentada na simplicidade, essa filosofia pode ser de grande ajuda para entendermos nossas contradições e encontrarmos um caminho de harmonia. Ela não oferece respostas prontas, mas meios para o entendimento próprio através da percepção pessoal. 

Em tempos de excessivas informações, estímulos e apelos de nossa atenção, um caminho como o Tao pode ser essencial para fornecer a atmosfera de inocência e sobriedade necessárias ao melhor discernimento, transformação pessoal, paz e felicidade. 

O Trabalho 

O curso é formado por quatro pilares, que atuam em sinergia, auxiliando uns aos outros e os tornando mais eficazes: 

- Trabalhos corporais que reorganizam nossas energias conforme sua natureza original, proporcionando maior flexibilidade e melhor saúde física e permitindo o fluir natural da energia. São exercícios que além de aumentar a disposição e gerar um bem estar natural, criam as bases para o estado de “relaxamento ativo” do corpo, possibilitando-o agir sem esforço e sem desgastes desnecessários. 

- Respirações dos Cinco Animais Sagrados Chineses, que estimularão a atenção mais desperta ao mesmo tempo em que aumentarão o metabolismo do corpo, proporcionando a melhor performance de suas funções e uma longevidade saudável. 

- Meditações que geram paz, harmonia e consciência e fixam as transformações promovidas pelos trabalhos corporais e as práticas de respiração. 

- Ensinamentos de mestres taoistas, apresentados como caminhos para experimentarmos estados de “espontaneidade consciente”.

 

Rio, 16 de julho de 2014

Amigos e amigas, 

No meio dos anos 80 Rose Marie Muraro me pediu para escrever um livro sobre o Tao te King e Astrologia. Tao Te King é o livro mais emblemático do taoísmo, o segundo livro mais publicado do mundo, só perdendo para a Bíblia e, pouca gente sabe, seus 81 poemas contém a síntese da astrologia mais moderna, apresentando os 12 signos astrológicos como 6 eixos de energia e mostrando como um signo é complemento de seu signo oposto. 

Sentei-me naquela época com Caio Fernando Abreu por trinta dias das 9 da manhã até às 22 horas com a ilusão, minha e dele, que conseguiríamos dar conta da encomenda da Rose. Caio morava em São Paulo e eu no Rio, tínhamos que aproveitar o período de suas férias no “Estadão”, onde ele era editor do caderno de cultura. Ele se mudou para meu apartamento no Rio e fomos rigorosos com os horários, às nove em ponto nos sentávamos em dois computadores em uma mesma mesa e começávamos a produzir. Só parávamos para o almoço e à noite, quando tínhamos um ritual que se repetia cotidianamente, andávamos por dois quilômetros no calçadão de Copacabana e jantávamos no mesmo restaurante, para depois desmaiarmos exaustos, até a manhã seguinte. 

No final não ficamos satisfeitos com o resultado e pedi à Rose o direito de entregar apenas as traduções dos poemas para a editora. Ela, gentilmente como sempre era, topou. A tradução foi editada, mas o livro com a interpretação astrológica dos poemas ficou guardada em meu armário por esses quase trinta anos. Recentemente, a Paula Dip, biógrafa do Caio e que está dirigindo e roteirizando um documentário sobre ele, esteve em minha casa e pediu para ver os originais. Tirei do armário aquelas pastas com folhas amarelecidas, impressas em uma impressora matricial que, após a ida dela ficaram de fora, esperando para serem guardadas. Em um domingo ocioso, resolvi dar uma olhada no material e vi quantas coisas interessantes pensamos naqueles trinta dias. Foi o estopim para que eu quisesse dar esse curso e, quem sabe, me animar para terminar o livro, em parte como homenagem aos dois amigos queridos, Caio e Rose. 

Assim, no curso, serão fornecidos aos poucos os poemas e parte de sua interpretação astrológica. Tenho a convicção de que eles podem ser tão importantes para os participantes como foram em minha vida e do Caio. 

Um abraço fraterno, 

Pedro

 

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Leia sobre o Tao:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

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Wu Wei

Wu Wei

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Pedro Tornaghi

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Wu wei é ao mesmo tempo o principal paradoxo e a ideia central do taoismo. Frequentemente traduzido como “ação sem ação”, ele se tornou um enigma difícil de ser decifrado ou entendido por ocidentais, algo do tipo decifra-me ou devoro-te. E tem sido mais devorador do que decifrado. Pudera, Lao Tse dizia que mesmo seus contemporâneos chineses eram incapazes de entender a sutileza da linguagem do Tao e particularmente o significado do wu wei.

 

Mas ele não é tão difícil assim de ser entendido. E muito menos impossível. Wu wei é uma ação livre de dualidade, algo como deixar a energia vital fluir de dentro de você e deixar-se fluir com ela. Algo como agir a partir desse fluxo natural e assistir sua atividade. Deixar-se ir com ele, não resistir ao fluxo natural – da vida. Toda energia está em movimento e esse movimento possui um propósito e uma direção inerentes. Possui um endereçamento. Wu wei, em última análise, é assistir à energia brotar dentro de si e cumprir seu propósito, e “ir com ela”, nunca contra.

 

Existe um mundo dual, que nos divide em muitos vetores. No wu wei, tudo em você está fluindo, nada barrado, os fluxos que vêm de sua região mais profunda podem se manifestar sem restrições, barreiras ou apropriações de sua energia.

 

A dificuldade em se vivenciar uma ação sem dualidade vem de nossa mente que a tudo julga. Em sessões de meditação, quando peço a todos que prestem atenção à respiração, vejo em seguida todos tentarem controlá-la e respirarem da maneira que consideram ideal. É difícil só olhar, sem interferir a partir de um julgamento do que é bom ou ruim. Wu wei é uma ação descontaminada das ideias que temos de bom e ruim, certo e errado, melhor e pior e assim por diante.

 

É quase impossível para um ocidental simplesmente estar atento à própria respiração. Você pede para a pessoa somente testemunhar o ar entrando e saindo das narinas, mas ela extrapola o papel que lhe é pedido. Imediatamente ela deixa de ser somente uma testemunha e se torna também um promotor que se acusa de estar respirando tensamente, rapidamente ou superficialmente; e assume também o papel de juiz, decretando como a respiração deve passar a ser, e veste a carapuça do réu, se sentindo culpada e diminuída por estar respirando mal, e se torna advogada de defesa, justificando a si mesma e apontando razões aceitáveis por estar respirando de maneira inadequada. E muitas vezes se imputa uma pena por isso.

 

Freud criou o conceito de trieb, pulsão. Ele chamou de pulsão a energia excedente que criamos em nossa células e órgãos e que procura se manifestar e expressar além delas. Quando isso acontece, a energia encontra nossos pensamentos e ideias sobre a vida (ou quaisquer representações mentais) que se apropriam da energia e emprestam a ela seus objetivos. Wu wei, é agir a partir da energia pura, não impor a ela objetivos ilegítimos.

 

Na Índia se diz que temos vários corpos, um corpo físico, um mental, um de energia, um emocional e um espiritual. Esses corpos costumam formar ideias próprias do mundo, e disputam o uso de nossa energia, tentando sempre influir em nossas atitudes. Mas nem sempre os desejos e vontades dos diferentes corpos são convergentes. Todos conhecem pessoas que vivem planejando fazer regimes para emagrecer, mas que acabam sempre comendo mais do que devem, ou pessoas que se propõem a acordar mais cedo para meditar ou fazer yoga, mas pela manhã, quando o despertador toca, elas o desligam e dizem a si mesmas: amanhã eu começo. O corpo mental da pessoa decidiu acordar cedo, mas o corpo emocional e o físico sabotaram. A pessoa fica se achando confusa, sem saber o que quer, chamando todas as sua partes indistintamente de “eu”, sentencia que sua vida é um constante conflito interno. Se a pessoa identificar que parte sua deseja acordar e qual quer dormir mais, já dará um passo para se tornar livre do conflito. Se ela conseguir libertar sua energia original dos propósitos de cada corpo seu, ela vivenciará o wu wei.

 

Essa mesma pessoa, se gosta de futebol e vai acontecer uma partida importante no Japão, transmitida de madrugada, é capaz de colocar o despertador para tocar às quatro horas da manhã, mas acordar espontaneamente cinco minutos antes, e sem cansaço aparente. O que acontece é que naquele momento todos os corpos da pessoa querem a mesma coisa, e a energia converge. Quando ela se entrega ao wu wei, passa a ter sempre todos os seus corpos em uma dança e correlação harmônicas. Consigo mesma e com o universo.

 

Essa energia que Freud chamou de trieb, o chinês chama de “energia chi”. Reconhecer o fluir do chi dentro e fora de você e afinar-se com ele é afinar-se com o que há de mais legítimo na vida, por trás da vida, em vida: o seu propósito original. Mas, para isso é preciso haver uma confiança na vida e uma confiança na sua própria energia.

 

Sua energia em estado original não tem dualidade. E ela sabe para onde quer levar você. Ela o quer levar a um lugar muito mais legítimo do que todos os objetivos juntos em que sua mente acreditou serem importantes durante a vida. Quando nos aproximamos da morte, vemos o quanto foram tolas nossas crenças de sucesso ou de moral, que consumiram quase todo o nosso tempo e combustível durante a vida. Quando amadurecemos, passamos a valorizar mais as coisas essenciais. O taoismo diz que o sábio age a partir do fluir espontâneo de sua natureza mais profunda. E por isso, se sente realizado. Essa energia sem endereço sobreposto a ela, ou o Tao, é a mais essencial experiência que podemos ter. A mais gratificante. A mais autêntica. Wu wei é vivê-la. Sem se opor. Ir com ela aonde ela lhe levar. Sem manipulá-la por interesses de segunda classe.

 

Wu wei é deixar que a expansão natural de energia de dentro de você, sopre suas velas e leve seu barco adiante. É uma ação que surge do vazio interno. Vazio de concepções, de noção de si mesmo. Apenas com consciência da dança do universo acontecendo através de você. É uma dança que surge de um ponto de quietude dentro de você. Sem esforço. Sem influência da sua identidade, sem a interferência de desejos artificiais. Sem nada preso. Com o ser inteiro. Com o corpo integral.

 

Wu wei é um estado de se sentir totalmente integrado aos fios invisíveis do universo. Sem tentar controlar essa integração. Apenas aceitando e usufruindo dela. É sentir-se sustentado pelo universo da mesma maneira que um dia você esteve sustentado por uma mãe em seu ventre.

 

Wu wei é andar com naturalidade e descobrir sua verdadeira natureza conduzindo suas atitudes. Momento a momento. Simplesmente. Só.

 

Essa natureza mais profunda que conduz as atitudes no wu wei era o que Lao Tsé chamava de Tao. E o adágio chinês vaticina que quando a ação acontece a partir do Tao, nada fica por ser feito. Nenhum conflito permanece por ser resolvido. A vida se torna um bailado harmônico, entre você e a consciência.

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Meditação e Respiração: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2503

Mestres da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2539

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One Response to Wu Wei

  • matilde ferraz:

    Que entendimento maravilhoso! Compreendi algumas coisas e me senti instigada a estudar mais. Fácil e complexo, mas quero poder praticar o Wu wei, sem julgamentos deixar a energia de todos os corpos fluir, penso que isso também é Amor por nós; por todos…

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O Tao

O Tao

Pedro Tornaghi

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A palavra Tao em chinês é composta pela soma de dois desenhos, um significa cabeça e o outro caminho. Cabeça remete a consciência e caminho a algo em movimento; e, consequentemente, a algo que se vai deixando para trás conforme se avança. Tao pode assim ser traduzido por uma “consciência dinâmica”, em evolução, ou uma consciência que vai se revelando durante o caminho.

 

Dessa maneira, um homem de Tao não almeja uma “iluminação” enquanto condição garantida, mas estar em contínuo processo de “revelação”. Para ele, verdades descobertas em curvas anteriores do caminho não se adequam inteiramente às novas questões que surgem estrada afora, faz-se preciso estar de olhos e poros abertos para que se possa descobrir, a cada instante, a sabedoria proveniente do próximo desafio. No caminho do Tao nunca cabe a acomodação de se achar que foi alcançado algum estado ideal de sabedoria, mas sempre dar novos passos para dentro do inédito momento presente com a percepção virgem, livre de qualquer pretensão de conhecimento, e o espírito aberto para aprender com a experiência.

 

Um mestre de Tao, assim, não é alguém que tenha chegado a um objetivo, mas alguém que saiu de uma zona de acomodação e colocou o pé na estrada, e se permite aprender durante a viagem. Mas, como se dá esse processo de aprendizagem?

 

Toda estrada possui duas margens. A do Tao não é diferente. Ela evolui entre uma margem esquerda e uma direita, uma onde o Sol nasce e outra onde ele morre, uma onde se respira uma atmosfera masculina e outra feminina. Caminhar conscientemente é avançar ciente dos eventos e possibilidades que surgem à sua direita e à sua esquerda; permanecer no Tao é não se deixar desviar por apelos que apareçam em uma ou outra margem; o homem de Tao é aquele que percebe todas as contradições da existência humana, mas caminha entre elas, dança com a dança da vida, com as curvas da estrada, mas permanece em seu itinerário, neutro entre os apelos que vão surgindo em ambas as margens.

 

Se estou sendo hermético, perdoem-me. Vamos devagar para retirar de nossa conversa mais lucidez que confusão, mais praticidade que abstração. Aliás, esse é o “caminho” da literatura oriental: afirmar em uma primeira frase ou parágrafo do livro, algo que pode ter significados múltiplos e em seguida desenvolver os significados que parecem relevantes ao autor no momento da escrita. Bem diferente da tradição ocidental de fazer um prefácio, apresentar os personagens aos poucos, descrever a situação, lugar, apresentar justificativas para a ação que se seguirá, desenvolver a situação até um impasse, resolver o impasse, e fechar o ciclo com um epílogo.

 

Em um texto oriental muitas vezes intuímos no início haver algo de precioso por trás daquelas palavras, sem conseguir distinguir exatamente “o quê”. E assim também é o início do contato com o Tao, há o pressentimento de haver ali um tesouro escondido, mas nem sempre é fácil identificar que tesouro é esse.

 

A primeira frase do Tao Te King, o livro de Lao Tsé emblemático do Taoísmo, diz: “O Tao que pode ser expresso em palavras não é o verdadeiro Tao”. Sim, o Tao não pode ser alcançado por especulações intelectuais – por mais sofisticadas que sejam – e quem tentar fazê-lo, estará fadado ao insucesso. A especulação intelectual é uma atitude “yang”, masculina, e pelo masculino é impossível chegar ao Tao. É preciso uma certa qualidade “yin”, feminina, de deixar-se fecundar pelo mistério do Tao, para compreendê-lo dentro de si. A fecundação é um processo estranho para o masculino, contrário à sua natureza e assim o intelecto é um recurso inapropriado para promover a compreensão do Tao.

 

Não é uma questão de conhecimento racional, mas de abrir os poros e o coração, e deixar-se arrebatar pela realidade sutil e mágica que está por trás de tudo. Deixar que o fundo de sua alma, vazio e silencioso, reflita clara e fidedignamente a existência à sua frente. O pensamento racional falha repetidamente ao tentar compreender e explicar o Tao.

 

Fritjof Capra quando escreveu “O Tao da Física” tentou simplificá-lo na equação yin + yang = Tao. O Tao não cabe em equações, e embora seja a coisa mais simples da existência, não se adapta com fidelidade a simplificações. O Tao não é, definitivamente, uma soma de yin com yang, mas o espaço neutro – que há – entre eles. O yin impulsiona a experiência em uma direção, o yang na oposta, o Tao está entre ambas as forças e neutro entre suas influências. Pela lógica é impossível realizá-lo. O caminho até ele pode ser por outra via acessível a nós, a sensibilidade.

 

O Tao é o princípio único que está por trás de tudo e que mantém todas as coisas interligadas e inter-relacionadas. É o que faz com que a existência não seja um caos, mas um cosmos, com que haja uma ordem por detrás dos diferentes corpos e diferentes acontecimentos. O Tao é a matéria dos cordões invisíveis que ligam todas as pequenas e as grandes existências do universo e orientam e orquestram a harmonia entre elas.

 

Assim, se o Tao está na essência de tudo, o caminho até ele não exclui nenhuma experiência, pelo contrário, qualquer acontecimento pode servir para revelar a inteligência que está por trás do acontecimento. O Tao é belo por que não exclui a vida para almejar a espiritualidade, pelo contrário, ele encara a vida, a deixa existir e busca o que há de lucidez na experiência, e não na negação dela.

 

Para descobrir a essência das coisas, é preciso penetrar nelas. E, quando se penetra nelas se percebe que dentro da escuridão há um tanto de luz, assim como dentro da luz há escuridão. Quando se entra em contato com a essência se percebe que o oposto dela também está ali presente. Assim, mesmo em um oceano de ignorância se pode reconhecer a presença da consciência, palpitando. A partir desse momento, qualquer experiência pode servir para acordar o discernimento e sabedoria mais profundos. A partir desse momento, qualquer aparente impasse em que a vida lhe jogue, servirá como porta de saída do estado de ignorância para o de sabedoria, qualquer aparente prisão servirá como ponte para a mais radical liberdade. O que antes se apresentava como fonte de infelicidade se tornará um bálsamo capaz de alimentar e estimular a seiva da árvore da sabedoria e da mais natural satisfação. Qualquer escuridão poderá servir como o breu de um laboratório fotográfico: para revelar a luz.

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Participe do Curso e Palestra:

Tao & Meditação:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020

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Leia Também :

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

Mestres da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2539

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3 Responses to O Tao

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    Que lindo, Pedro. Obrigada, saudades, carinho, bjssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

  • Paulo Tarso da Costa:

    Muito bom Pedro… obrigado por partilhar aqui teus conhecimentos, experiencias e reflexões.

    Legais as observações sobre o discurso oriental x ocidental. Começar do geral para o específico, DAR de cara, o “fato” a fonte… abrindo o leque, os olhos … depois as interpretações opiniões o ego, a versão particular… TENTAR não induzir a visão do outro, do ouvinte.

    Abraço !

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Ah!!! Se eu morasse no Rio de janeiro com certeza iria fazer o curso de Tao e Meditação contigo….Não sei nada de Tao…. Quem sabe eu aprendesse usar de uma forma mais proveitosa essa espontaneidade natural de ser. Tenho me policiado bastante a respeito.Grata pelo texto, pela sua dedicação e carinho para com todos. Sucesso na nova etapa que se inicia no próximo mês.
    “OM SHANTI.” Angela

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Brincando de Bola

  

Brincando de Bola

Pedro Tornaghi

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A bola atrai o fascínio não apenas do homem, dei uma bola de pingue-pongue ao meu gato e, desde então, parece não haver mais perigo de tédio em casa, toda hora o vejo correndo, passando a bola de pata em pata, com uma habilidade e rapidez de dar inveja a Messi e Neymar. Ele brinca com a mesma inocência que brinquei com minha primeira bola e com a mesma animação com que minha filha gostava de jogar comigo, horas a fio, na varanda de casa quando pequena. 

Que relação mágica é essa, o que essa atração significa? 

A bola é um ponto ampliado, e carrega consigo a ideia de perfeição da forma, um objeto proporcional em todas as direções, com o equilíbrio e harmonia desejados no fundo de qualquer alma humana. Essa expressão da perfeição ambicionada por todos, está ao alcance das mãos – e dos pés – de qualquer ser humano comum. É a democratização da perfeição, do divino, do Universo. 

O mundo é redondo, o Universo é redondo, o tempo é redondo, a pedra que rola no rio se arredonda e, na sua tragédia particular de se ver carregada por uma corrente acima de suas forças, se aproxima do universal. O redondo é o equilíbrio em movimento, em lugar do equilíbrio estático do cubo. 

A bola é uma representação do espírito. E, brincar com ela em uma arena de esportes, é poder relacionar o espírito com o tempo e o espaço, ver a presença do que é essencial inserida na matéria, se relacionando com ela. Sim, quando jogamos bola, nosso inconsciente elabora, integra e pode harmonizar a relação entre espírito e matéria, entre indivíduo e ambiente, entre o que se possui de mais particular e o coletivo. Brincar de bola pode ser um ritual de reintegração ao Cosmos. Um sentir-se novamente parte do Universo que nos sustenta. 

A bola exerce sim fascínio, mas nos pés parece exercer ainda mais. A Copa do Mundo de futebol rivaliza com as Olimpíadas – que soma o futebol a todos os outros esportes – enquanto preferência de interesse do público. As razões são muitas, mas talvez uma seja a principal. 

Pode-se dizer que os pés estão para a emoção e a intuição como as mãos para o pensamento crítico e objetivo, detalhista, técnico. Na astrologia os pés estão ligados a Peixes, signo que age por inspiração e as mãos são regidas por Virgem, signo que passa suas escolhas por filtros e critérios intelectuais. A precisão com os pés se alcança pela sensibilidade, a das mãos pela técnica. 

Dessa maneira, é fácil imaginar porque o futebol exerce essa atração inconsciente em multidões. E porque um país com a cultura do método como os Estados Unidos tem o basquete como esporte de massas e porque no Brasil, país da improvisação e movido por emoção e inspiração, o futebol é tão onipresente. O Brasil parece predestinado ao Futebol, antes mesmo do esporte ser inventado, sua bandeira já era instituída como um campo retangular e verde com uma bola azul no centro, como que esperando o chute inicial para a partida começar. E, a bola traz dentro de si um arco, sugerindo um passe à distância, sinuoso, com malícia e ginga, com noção de espaço. Como se os precisos e longos passes de Gérson e as curvas no ar de Didi, já fossem profetizados em meio aos sonhos de ordem e progresso. Talvez essa ordem ainda não tenha chegado por aqui, mas as curvas e dribles, já são há muito patrimônio cultural do país. 

O Brasil tem uma ligação forte com o signo de Peixes, embora a quase totalidade dos astrólogos hoje em dia acredite que o ascendente do país é Aquário, o colocam nos graus de passagem para Peixes. O Brasil tem vocação para lidar como os pés, é o país do samba, do xaxado, dos que gostam de pisar fundo no acelerador, dos bons utilizadores dos pedais do piano para tocar notas “ligadas”, do surf, dos inúmeros campeões de skate, do windsurf… Enquanto a América do Norte valoriza o boxe, o Brasil exporta a capoeira, uma luta que privilegia os pés, e vemos seus astros de MMA se destacarem pelo emprego de poderosos chutes. Que, como um bumerangue pisciano, por vezes se voltam contra eles mesmos. 

Vivemos em um país onde os pés gostam de sentir a terra. Em minha última viagem ao nordeste, me lembro quando entrava com diferentes grupos em mangues, a primeira coisa que os brasileiros faziam ao descermos de barcos, era tirar sandálias para sentir os pés no chão, enquanto turistas estrangeiros muitas vezes nem sandálias usavam, mas tênis que os protegiam por inteiro de qualquer contato maior com o chão. Me lembro do dia em que conheci João do Vale. Eu era flautista e ia tocar em um show com ele e seu filho Nonato do Vale, ensaiei à tarde com Nonato, que me apresentou às músicas do repertório, mas João só conheci na hora do show. Cinco para as dez, já com a platéia cheia, João saltou descalço de um ônibus, e veio a pé, descalço, até o teatro. E assim entrou em cena. E assim voltou para casa no final. Descalço. Ele era assim. Eu, que acabara de voltar dos Estado Unidos, onde estudara em um conservatório metódico e conservador, fiquei imaginando se seria possível ver um músico chegar de pés no chão por lá. Acredito que não. 

A capacidade do brasileiro de sentir o chão com os pés está ligada a sua enorme sensibilidade. Mas também à sua espiritualidade. O Peixes e os pés na astrologia estão ligados à fusão do homem com o todo. A bola é a própria representação do todo. Tocá-la é o início dessa fusão. Poder se enrolar com ela e rolá-la gramado afora é a possibilidade de entrar em harmonia com todo o Cosmos. Futebol é a dança do Universo acontecendo em seus pés, é ter o Universo a seus pés… amigavelmente, no melhor estilo pisciano. Cordialmente, como é preferência nacional.

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 Leia Também:

A Lei do Dharma e as Leis dos Homens: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

Mudança Interna e Harmonia no Planeta: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2576

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Participe do Curso:

Memória & Rejuvenescimento Celular Através da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=82

 

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7 Responses to Brincando de Bola

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    Obrigada _/\_ bjssss S

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Oi…Pedro!
    Seu artigo está muito bem elaborado e o momento é propício para se falar de bola. Penso que meio cultural mesmo…todos nós brasileiros temos essa intimidade com bolas devido aos estudos colegiais em que se exigia nas aulas de educação física a participação de todos, meninos e meninas, nos jogos com mãos, pés etc… Brincadeiras de infância… e até hoje é impossível dizer não a uma criança quando diz:: Vamos jogar bola??? rsrs… Mas não gosto de futebol. Seu signo faz jus ao que você.é e o que faz maravilhosamente bem.
    Bjsss!!!

  • Carmen Lia Araujo:

    Olá Pedro que texto maravilhoso,
    Poderias ser um grande escritor, não fora o professor, músico e astrólogo brilhante que tu és!
    Parabéns, escreve sempre, precisamos dessa tua Luz! Abraço

  • Pedro, gostei !!!!!!! Fascinante a comparação da bola com os astros! Não tinha me dado conta. Interessante a relação com os signos, as partes do corpo e os países.

  • Walter François Gasparini:

    Salve Pedro, sempre surpreendendo com seus textos interligados com símbolos, arquétipos, mitos, fatos, verdade, beleza, sutileza e etc …
    Hoje fiz uma ótima aula de yoga e depois levei minha cadela, Tora Flamejante para correr acompanhando a Bike até uma praça onde ela encontra uns amigos caninos! Rs …
    Daí tiro a sandália e ando paralelo à pista de Cooper, descalço, pisando na terra, na grama, nas raízes das Árvores e vou sentindo a energia da terra entrando pelo Chakra Raiz e invadindo meu ser enquanto vou jogando a bola para Tora que adora caçá-la !!! Rsrs …
    Uma bolinha de tênis faz minha felicidade, da Tora e de quem assiste ! Rsrs …
    Obrigado amigo por mais um texto sensacional ! …
    Mantenha-me informado ! Rs …
    Grande abraço,
    Walter.

  • Jussara Correa:

    Pedro, há anos e anos, desde a primeira vez que o vi soube que você era pura Luz…
    Bjo!!!

  • Jussara Correa:

    Pedro, desde a primeira vez que o vi, há anos, soube que você era Luz…
    Beijo!!!

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Pinceladas na Palheta dos Chakras

Pinceladas na Palheta dos Chakras

 

Pedro Tornaghi

 

 

 

Antes de começar a trabalhar com meditação e astrologia, tive uma breve carreira de músico. Uma noite, me lembro que eu tocava em um bar e uma moça que transbordava em sensualidade, com um vestido longo, preto e decotado, veio para o meu lado, pousou seu copo de uísque sobre o piano de cauda, empinou os seios e fez o tipo fatal “sou charmosa, toca o que eu pedir”. Era impossível negar, se eu o fizesse, naquela altura, o dono do bar se voltaria contra mim, ela era já, e desde o início, mais estrela que eu naquele show, agia como uma prima-dona, e virei mero acompanhante de seus desejos e extravagâncias. Ela começou por me pedir uma música de Cole Porter, que toquei sem certeza de estar tocando certo, era bastante fora de meu repertório. Em um momento, fiquei em dúvida se deveria colocar um fá sustenido ou um sol em determinado acorde, então, fiz um trinado gaiato, uma oscilação rápida entre as duas notas, no início do compasso para sentir como uma e outra soavam na melodia. Minha surpresa foi grande, o copo dela começou a vibrar excessivamente sobre o piano. Fiquei em dúvida e curioso de saber qual das duas notas tinha provocado tal abalo sísmico na bebida que era o néctar dos deuses naquele ambiente esfumaçado. 

 

Engatei imediatamente em outra canção de Cole que conhecia melhor e pude constatar que era o fá sustenido que criava aquele tremor frêmico no copo. Coloquei o microfone junto a ele e passei a apontá-lo com o indicador prenunciando cada novo fá sustenido que iria tocar. A platéia entendeu a brincadeira e passei a atrasar a nota, manter a música em suspenso por meio segundo, apontando o copo antes de tocar o novo fá sustenido. Aquilo criou uma emoção diferente em todos, parecia que todo o bar mantinha a respiração suspensa antes do fá ser tocado, e depois todos riam da reverberação. Foi quando a “femme fatale”, preocupada em perder a posição de centro do show, pegou o copo e se serviu de uma golada generosa, desafinando o copo. Desafinando não, para surpresa dela, o copo ficou afinado em mi. Troquei para o Samba de Uma Nota Só, que eu sempre havia tocado com o “si” sendo a “nota só”, e desta vez a fiz em mi. Brinquei com o ritmo da música, fazendo o copo se contorcer de tanto vibrar com a nota única do samba. Foi um delírio da platéia, eu retardava uma nota e todos prendiam novamente a respiração, como que querendo escutar melhor a próxima reverberação do copo.

 

Minha parceira de número não se fez de rogada, tomou um novo gole e dessa vez, o copo não ficou afinado em nenhuma nota. Levantei o indicador pedindo licença, humildemente, como cabia a um mero pianista-de-fundo-de-conversas, e beberiquei do copo da moça, afinado-o a uma nova nota. A brincadeira durou o suficiente para que re-enchêssemos três vezes o copo e eu ficasse um pouco alto e ela praticamente bêbada. A música tem essa capacidade, de fazer vibrar algo em que não encosta. Assim com a luz o tem.

 

Na Índia se estuda há milênios a relação entre notas musicais, cores e as diferentes regiões do corpo, assim como com os sete chakras. Musicalmente, os chakras se afinam às sete notas da escala de dó, assim, o dó corresponde ao primeiro chakra, o ré ao segundo, o mi ao terceiro e assim por diante, até o sétimo e último chakra se relacionar com a sétima e última nota da escala, o mi.

 

As cores ativam os chakras conforme a escala do arco-íris, indo do vermelho no primeiro chakra até o violeta, no sétimo e último. Os primeiros chakras são ativados pelas cores mais quentes, e, conforme se vai subindo pela coluna vertebral, os chakras são ativados por cores mais frias. Dessa forma, ao expor um chakra à sua nota musical ou cor, se consegue que ele vibre tal e qual o copo de minha diva daquela noite. Em estudando os efeitos psicológicos das notas ou das cores, pode-se entender muito sobre o comportamento e a psicologia dos diferentes chakras. E interferir neles.

 

Van Gogh ao descrever seu famoso quadro da sala de sinuca, explica que colocou uma rosa vermelho-forte sobre uma das mesas para destacar paixão naquela zona do quadro. Sim, o vermelho é a cor das paixões fortes e incontroladas. Assim sendo, não é difícil de imaginar que o primeiro chakra seja o de mais intensa e selvagem energia. O “chakra cor-de-sangue” quando despertado, deixa a pessoa com o sangue quente, passional, com uma grande necessidade de afirmação da própria energia. A pessoa se torna excitada, por vezes agitada, necessitando movimentar-se, fazer algo. O vermelho é uma cor que esquenta rapidamente, logo, esse chakra quando energizado na pessoa, faz com que ela desencadeie fortes processos vitais, e queira ir direto e rapidamente ao ponto naquilo que busca.

 

Certa vez, uma aluna em um curso de meditação perdeu os sentidos em um surto de hipoglicemia, ligamos para uma ambulância, mas enquanto essa não chegava, me lembrei de minhas aulas de cromoterapia com as irmãs-doutoras Valéria e Elaine Moreira em minha adolescência e mentalizei a luz vermelha internamente em minha testa e sobrepus minhas duas mãos sobre a moça. Tomei um susto com a rapidez com que ela voltou do surto e se levantou, sem demonstrar traço de tonteira. Ensinei a ela, que comprou lâmpadas vermelhas e avisou aos filhos, que usaram outras duas vezes para tirá-la do desmaio. O vermelho atua muito rapidamente, como o faz o primeiro chakra. O primeiro chakra é o apelo sexual do adolescente, que acha que quer tudo para ontem, que não pode esperar até amanhã para ser feliz. Você dificilmente encontrará uma pessoa cujo chakra predominante seja o primeiro que seja mais ou menos em algo. O vermelho é uma cor tipo ame-a ou deixe-a, o primeiro chakra é tipo “quem vai com tudo não cansa”.

 

Doenças ligadas ao primeiro chakra, como doenças de próstata, são amenizadas se comemos alimentos com licopeno, alimentos vermelhos, como tomate, melancia, morango, beterraba e etc.

 

O laranja, cor que rege o segundo chakra é uma cor que abre o apetite. Dizem que o Mac Donalds escolheu essa cor por deter essa informação. Mas é também a cor usada pelos monges renunciantes da índia. Se o primeiro é o chakra da paixão e da vida, o segundo é o da morte, onde a pessoa lida com a desidentificação com os objetos de desejo. O laranja é uma cor ligada ao jogo de sedução, ao aconchego, à vontade de ser escolhido por alguém, às trocas afetivas, à sensualidade e todas essas são qualidades ligadas ao segundo chakra. Porém, esse é um chakra de sutilezas. Ao mesmo tempo em que ele é mestre em criar laços e dar nós, é mestre em desdá-los. A superfície desse chakra está ligada ao atrair e reter. O centro dele, ao desapegar-se e deixar ir. É o chakra que rege nossos intestinos e seus movimentos peristálticos. Se ficarmos só na superfície do chakra tenderemos ao apego e a dificultar o andamento do tráfego intestinal. Se nos vincularmos ao seu centro, deixaremos ir do alimento coletado e digerido, aquilo que não nos diz respeito.

 

O amarelo é uma cor viva como o é o terceiro chakra, que ela rege. Uma cor de brilho forte para administrar um chakra que nos inclina a disputar um lugar ao sol. É uma cor ligada à atenção, relacionada ao chakra responsável pelo plexo solar, o centro da ansiedade. Sim, a ansiedade está ligada ao estado de apreensão, a estarmos extremamente atentos aos mínimos sinais do ambiente, para interpretá-los e reagir a contento aos desafios que nos aparecem pela frente. A ansiedade é algo que surge em nós quando entendemos que necessitamos alcançar algo e corremos o perigo de não alcançá-lo. Dessa maneira, o terceiro chakra nunca deixa que a claridade do amarelo se apague, e usa a agilidade intelectual que essa cor representa, para raciocinar o mais rapidamente possível e encontrar sempre a resposta mais afiada. Pode-se dizer que o terceiro chakra nos inclina ao estado de alerta constante, simbolizado pelo amarelo.

 

O terceiro chakra é a busca da perfeição do ouro. Mas também da retidão de caráter, da claridade elucidadora. Na Índia ele é chamado de manipura. Mani significa jóia, aquela que é intocada pela impureza, traduzindo o desejo do competitivo terceiro chakra, de não se contaminar com o que o cerca.

 

O verde é uma cor equilibrada e intermediária, entre o quente e o frio e rege o quarto, o chakra central, situado entre os três primeiros, ligados a nossas ocupações materiais e os três últimos, relacionados a nossa inteiração com o universo espiritual. O verde é uma cor que equilibra quase tudo em nós, seja a nível psíquico, emocional, físico, energético ou espiritual. Ele é muito usado no final de sessões de cromoterapia, quando terapeutaa desconfiam ter exagerado na exposição do paciente a alguma cor. Eles finalizam a sessão com um banho de verde, como garantia de que a pessoa sairá equilibrada do consultório. O verde é uma cor que suscita a felicidade, o renascimento e a revitalização, propriedades também do coração e das emoções ligadas a esse chakra.

 

O verde é ainda uma cor que dilata e contrai as veias, sendo indicado para tratamento de varizes, que também melhoram a partir de outros exercícios que acordem e harmonizem esse chakra. O verde aumenta a variação entre contração e expansão do coração e ajuda a tirar o líquido espalhado pelo corpo. Ele aumenta a diurese e, pode-se de certa maneira dizer, que ele “enxuga” o corpo dos excessos de líquidos.

 

O azul celeste e turquesa estão ligados à paz e são cores que aumentam a criatividade, qualidade intrínseca do quinto chakra. Experimente passar algumas tardes deitado na grama, ou em um banco de praça, de quarenta minutos a uma hora por dia, deixando os olhos, relaxados, se alimentarem do azul do céu. Você se surpreenderá ao realizar como a cor que rege o quinto chakra o deixará mais e mais criativo. O azul celeste está ligado à maternidade, o momento de criação mais concreta disponível a um ser humano. Essa cor é usada na cromoterapia para tratamento de transtornos que aparecem do nada e que desaparecem repentinamente. O quinto chakra é assim, sua criatividade vem, não se sabe de onde, mas também desaparece facilmente, sem que se saiba para onde foi. O azul celeste é uma cor com propriedades adstringentes, anti-sépticas e calmantes. Para a ciência das cores, ela tem a qualidade de fechar os poros. Se assemelha ao quinto chakra que, por momentos, nos inibe de respirar as influências ambientes e nos permite tirar soluções próprias, de um baú pessoal, para os desafios externos.

 

O azul marinho ou índigo é uma cor calmante que estimula a meditação. O sexto chakra, regido por ela, é o chakra onde ficamos no limiar entre o mundo dual da natureza e a integração total com o universo. Ramakrishna, a grande referência mística da Índia no século XIX, costumava falar sobre os chakras para seus discípulos. Ele começava a falar pelo primeiro e ia avançando por ordem, mas nunca chegou a falar do sétimo. Quando começava a dissertar sobre o sexto, seus dois olhos iam se virando para o espaço entre as sobrancelhas e, de repente, ele entrava em samadhi, em estado de êxtase. O sexto cakra fica tão próximo do sétimo e último, o chakra da dissolução do eu no todo, da gota no oceano para usar a expressão dele, que quando mergulhamos profundamente no sexto chakra, ficamos a um fiapo de distância do êxtase espiritual derradeiro. Assim como o azul escuro da noite, que quando está profundamente escuro, se confunde com a escuridão total do negro.

  

O azul marinho é uma cor isolante, que estimula nosso estado de neutralidade entre a atividade e o descanso, entre o yin e o yang, entre os apelos passivos e os ativos da vida.

 

O violeta é uma cor que desencadeia processos em locais menos visíveis do corpo, age em doenças sutis e de difícil diagnóstico. Ela obtém uma resposta muito acentuada do sistema imunológico. O sétimo chakra, que é administrado por ela, nos torna imunes a provocações, por nos desidentificarmos delas. O violeta acelera todas as nossas respostas hormonais e esse chakra se liga diretamente à administração da chave-mestra de nosso sistema glandular. É uma cor muito usada em meditação, por desencadear insights e mesmo facilitar o contato com a fonte de onde vêm todos os insights. O violeta tem uma porção de vermelho que nos mantém acordados, mesclado a uma porção de azul que nos mantém calmos. Essa é a essência do sétimo chakra, estar ativo mas em plena consciência, estar participante da cena, ao mesmo tempo que reflexivo. É considerado na cromoterapia um “acelerador de karma”. Já o sétimo chakra, é quando, finalmente, nos vemos livres de todos os liames psicológicos que nos prendem ao mundo.

 

 

Participe do curso:

Meditação Através dos Chakras e da Respiração:  http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68

 

 

Leia também:

As Rodas da Vida: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2039

Psicologia dos Chakras: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1258 

Os Aliados da Transformação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1345

 

 

 

 

 

 

 

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9 Responses to Pinceladas na Palheta dos Chakras

  • Graça Maria Oliveira:

    Muito bons estes ensinamentos sobre chakras; sendo eu terapeuta, não perco assuntos com estes conhecimentos. Gostei demais. É uma pena que essa turma vive mais em São Paulo e Rio de Janeiro; aqui em Brasília não conheço Terapeuta.

    Olá Graça,
    Obrigado pela receptividade ao artigo, quando houver agenda em Brasília avisaremos pelo e-mail que você forneceu.
    Abraço fraterno,
    Pedro

  • CACILDA MARIA CASSANIGA:

    *** Muito interessante essa postagem * Realmente usar as cores, da mais forte até chegar à bem clara quase, ou até à branca* É de grande ajuda e faz toda diferença * NAMASTÊ ***

  • Denise:

    Muito bom, muito bem explicado, só gostaria de saber como ativar cada um dos chakras. Parabéns pelo conteúdo. Aprendi muito.

    Olá Denise,
    Se você morar no Rio de Janeiro, há a possibilidade de fazê-lo no curso “Meditação Através dos Chakras e da Respiração”. Você encontra os detalhes nesse link: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68
    Um abraço fraterno,
    Pedro

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Seu antigo sobre os chakras é encantador… você não deu pinceladas, mas nos faz pontilhar a cada um tocando em nossa sensibilidade os acordes de cada um no conjunto como um todo, do vermelho ao violeta. “As notas musicais…as cores… e os chakras” Lindo Pedro! Parabéns!!!!
    Bjsss!!!!

  • Claudia Alonso:

    Muito esclarecedor seu artigo sobre os chakras.
    Gostei muito mesmo.
    Quando eu puder gostarei muito de fazer esse curso.
    Bjs
    Cláudia

  • gilda p b almeida:

    Nunca havia me interessado por este assunto. Divirto-me com artes plásticas e senti muita proximidade entre minhas percepções e suas pinceladas.

  • D. J. Anacletto:

    Assunto interessantíssimo, porém a leitura prolongada na tela cansa demais a vista. Mais confortável a leitura em livros. Grato pela orientação !

  • algenir loiola:

    Pedro, terminei nesta semana a meditação da visão, por isso só vou iniciar dos chakras em junho, você pode me informar quando vai ser o encontro do Muladhara chakra? abração!!!!ah divisão do curso será prioritariamente por cada chakra em cada encontro?

    Oi Algenir,

    Fico feliz por você participar do curso de chakras. A organização dele será com uma introdução em maio e a partir de junho, um encontro para cada chakra.
    Copio aqui o quadro de datas:

    Maio 17 & 18
    Junho 14 &15
    Julho 19 & 20
    Agosto 16 & 17
    Setembro 20 & 21
    Outubro 18 & 19
    Novembro 15 & 16
    Dezembro 13 & 14

    Na página do curso você encontra todos os detalhes: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68
    Abraço amigo,
    Pedro

  • Mércia Araújo.:

    Muito útil a publicação; sou diabética e tenho sempre baixa de glicemia, por não gostar de comer passo mal, chegando quase a desmaiar, por sorte minha filha sempre está ao meu lado e me socorre, vou enviar essa publicação aos meus filhos para saberem socorrer-me quando necessário. Obrigada foi de muito proveito. Moro no estado da Bahia, em Salvador.

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Desvios do Caminho

Desvios do Caminho

Pedro Tornaghi

 . 

“Quando parares nesta estrada,
a estrada, dali em diante,
desaparecerá.”
Paul Auster

Ando me perguntando por que tantos se desviam do caminho do autoconhecimento, mesmo os que trilharam passos importantes dentro dele e reconheceram vocação para essa estrada; por que, tendo boas lembranças e as melhores perspectivas com a continuidade da experiência, tantos se afastam, com tão visível facilidade do próprio crescimento pessoal? Por que, mesmo depois de terem se sentido esclarecidos e realizados com as primeiras práticas espirituais, tantos conseguem dar as costas ao caminho e até esquecê-lo? 

É como se tudo o que sentiram e vislumbraram em suas vivências, tivesse agora pouco ou nenhum significado, mesmo que no momento primeiro tenha parecido ser o fato mais significativo de suas vidas. Teriam elas passado por algo ainda mais significativo depois, que justificasse apagar a importância dessas experiências anteriores? Não, não viveram. Apenas esqueceram a importância daquela experiência. Se desviaram das linhas condutoras que tinham descoberto para si mesmas, e passaram a vagar atrás de coisas efêmeras, vagar atrás de sonhos, esquecendo que o que um dia lhes deu contentamento, preenchimento não está presente em suas novas ocupações. Está neles, na parte deles que parou de ser ouvida, que deixou de desfrutar de suas preciosas atenções. 

Como retomar o caminho? Como perseverar nele até que a estrada evolua por novas curvas e revele novos horizontes? Paul Auster diz em seu poema: a estrada que você abandona, deixa de existir, o caminho que você deixa de percorrer, desaparece. Sim, desaparece. Como que cimentado, não apenas o caminho, mas também nossa consciência e lembrança dele. 

Tenho tantos amigos em que isso se tornou realidade… Aos dezenove anos, tive minha primeira experiência com meditação com uma senhora chamada Ruth. Ela foi impecável ao me instruir, passou alguns dias me orientando sobre a meditação que iria me ensinar, até chegar a hora da iniciação. Nesse momento, ela apagou as luzes, permaneceu ao meu lado orientando minha primeira meditação. Foi uma experiência de apenas quarenta minutos, mas eu queria que não tivesse parado tão rápido. Ao final, conversamos e me lembro de dizer a ela que, a partir daquele dia, se me colocassem em uma prisão perpétua eu não me incomodaria mais, pois sabia que poderia usufruir de uma experiência semelhante, mesmo encarcerado; ou em uma cama de hospital, ou onde quer que fosse. 

Entusiasmado com a experiência, passei a levar todos os meus amigos de adolescência para a meditação e o yoga. Nenhum permaneceu por mais de seis meses. Alguns foram só mesmo ao primeiro dia. Embora todos vivessem a procura de experiências extraordinárias, que transcendessem seus cotidianos habituais. Mas, eles se satisfaziam com drogas e bebidas nesse sentido. E me diziam que eu seria melhor se bebesse e comungasse com eles os coquetéis lisérgicos, sempre presentes quando nos encontrávamos. Nunca preguei a nenhum que voltasse à meditação. São todos meus amigos até hoje e imagino que estejam como querem estar, mas, certamente, para mim a experiência da meditação ressoou diferente. 

E não foram só meus amigos pessoais que me deram exemplos nesse sentido. Foram inúmeras as pessoas que conheci com os olhos brilhando quando falavam de meditação ou quando se entusiasmavam com suas experiências espirituais e que não continuaram com suas experiências. 

Observo-os não para demovê-los da desistência, sei não ter essa capacidade; e, quem sou eu para decidir o que será melhor para eles? Observo-os procurando aprender com eles, tentando usá-los de espelho, para não desistir inconscientemente da estrada. Se eu desistir, que seja por lucidez, e não por inconsciência. 

Não posso dizer que haja uma causa única para os que interromperam a estrada que diziam ser a melhor solução para suas vidas. Alguns sofreram demandas grandes de sobrevivência, suas e de suas famílias. Outros, foram satisfazer necessidades de socialização, outros foram atrás de aplausos, outros foram se afirmar na busca pelo poder; outros tiveram medo de perder suas identidades… 

Vou me deter em um aspecto de muitas desistências que vi. 

Há um momento em que torna-se tenso avançar no caminho do autoconhecimento, a estrada, rodeada de flores de fragrância insuperável, nos é de repente pintada como algo insuportável. Sim, mergulhar dentro de si próprio inclui encontrar o que quer que esteja acumulado aí dentro. De agradável ou desagradável. Todos entram na meditação com uma imagem ideal, de um paraíso de calma e serenidade. E é verdade. No fundo do seu oceano você irá encontrar essa paz. Mas, quem mergulha precisa passar pelas águas rasas, com suas correntezas e ondas, antes de chegar às mais profundas. E por toda a sujeira ali jogada e acumulada. 

Buscar a própria profundidade requer fôlego, e requer disposição para enfrentar conteúdos que foram estocados no “quarto da bagunça”, um cômodo interno onde você guardou muitas experiências para serem “processadas” depois. Como quem compra mais revistas e livros do que consegue ler e as vai estocando, guardamos conteúdos emocionais dentro de nós, em parte porque as experiências ocorriam mais rapidamente do que as podíamos “processá-las”, em parte porque algumas, no momento em que aconteceram, eram demasiado fortes para serem digeridas, em parte porque nos sentíamos mais “ricos” colecionando conteúdos emocionais, em parte porque precisamos armar defesas internas para garantir nossa integridade psíquica e emocional em momentos desafiantes… 

Enfim, meditar e se buscar internamente, em um certo momento, requer coragem para encarar de frente as dificuldades que surgem de dentro de si. E em outros momentos requer delicadeza e gentileza totais para contatar sutilezas profundas. Requer que sejamos yin e yang ao mesmo tempo. E, em outros momentos que nem isso sejamos, que sejamos totalmente neutros frente ao que nos acontecer no processo. Talvez por isso tão poucos não se sintam talhados para o processo interior. Talvez desconheçam as suas próprias potencialidades. Talvez estejam presos a um estilo único de agir, e não consigam modular quando necessário. Talvez desconheçam que todo homem contém em si todo o Universo, e assim, tem a capacidade de ser como o novo momento exige. Talvez por desconhecer a própria universalidade, perca a oportunidade de vivenciar o que possui de mais particular: sua maneira de contatar a verdade. 

Mas, uma coisa é certa. Todos podemos avançar no caminho da auto-realização. Sempre pudemos. Sempre poderemos! E, se decidimos retomar a viagem, não há problema se o mato desfez a trilha, o prazer de abrir inédita picada, floresta adentro, rumo ao profundo de si, junto ao frescor da fragrância do momento, nos alimenta. A alegria de descobrir a vida em sua essência e o que significa estar lúcido e em seu habitat natural faz qualquer dificuldade do caminho, por maior que antes pudesse parecer, mostrar-se irrelevante. A sensação de estar de volta em casa, faz com que qualquer sentimento estrangeiro anterior se torne apenas uma fotografia descolorida, de um passado já sem força.

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Participe do Curso “Meditação Através dos Chakras e da Respiração”:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=68

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Leia também:

Psicologia dos Chakras:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1258

Chakra do Coração:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=294

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3 Responses to Desvios do Caminho

  • Yam´na Jabour:

    Palavras sábias, Pedro! Como admiro a sua sapiência!!! Caminhar por esse caminho nos traz a certeza da verdade.E precisamos nos cuidar
    para que as ilusões não nos levem para caminhos opostos. Tenho reservado uma página com suas colocações, no hotmail. Obrigada por você existir!! Abraços fraternos. Yam´na

  • Luna Hobbs:

    Oi Pedro.
    Obrigada do sharing. I have been working a great deal on this subject. I say this , the road of self discover is not an easy road to travel.
    I can speak only on my own experiences and my life journey. Some people that stayed behind on my journey created great pains and others not at all. I guess sometimes we are not ready to cross a portal ,in this case we take a detour and life make us take a lot of detours indeed. Some of those unfinished self discover journeies when we stop for whatever reason ,we leave pieces of ourselves behind. As I grow older ,I find myself revisiting some of those places spiritually . Why ? That was the questions I had when I begun doing this. First I start just lightly touch the answers ….like I want to know but do I really want to know?I knew that for me to revisit those places and try to retrace where I was and where I am now and looking a bit far ,where I want to be, I would have to dive in spiritually…it can be scary .it leave us vulnerable to our own emotions. Anyway when I did it ,I found pieces of myself that had left behind ,some joyful pieces and some very painful that I had to face and deal with it. The spiritual work to reclaim all those little pieces of me took me deeply within my soul. It shook the very core of me but i made it….sometimes laughing , screaming and sometimes both at the same time. I want to be able to look at myself and the world without curtains ,with clarity and goodness of the heart.I want to walk the rest of my journey with peace ,joy and knowing that I will keep striving to be whole like Great Spirit created me. Keep sending those beautiful posts we all need them.Know in your heart that you touch souls when people read your writings.
    Walk softly and in peace
    Mitakuye Oyasin
    Luna

  • j virgilio moura:

    Oi Pedro…muito bom e oportuno para mim neste momento…pensei quase todos os dias desta semana exatamente o que escreves e descreves neste texto…obrigado…Virgílio

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Frases de Muro II

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“Relaxe, nada está sob controle.”

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“Oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você deixa passar.”

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“Por trás de toda mulher bem sucedida,
tem ela mesma.”

 

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“Evite acidentes! Faça tudo de propósito.”

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“Não existe amor proibido. Proibido é não amar.”

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“Eu tampouco sei como viver. Estou improvisando.”

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“O segredo da mudança é focalizar toda a sua energia, não em lutar com o velho, mas em construir o novo.”

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Esta página é continuação da página ”Frases de Muro” que atingiu o limite permitido de memória. Para ler as frases anteriores acesse:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2057

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Agora estas notícias
esta colagem de lembranças.
Como as contam
são obra anônima: a luta
de um punhado de pássaros contra a Ordem Estabelecida. Mãos leves as traçaram
com o giz que inventa a poesia na rua,
com a cor que assalta os anfiteatros cinzentos.

Aqui prossegue a tarefa de escrever nos muros da Terra:
O SONHO É REALIDADE”

Julio Cortázar

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Tirando Coelhos da Cartola

Tirando Coelhos da Cartola

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Pedro Tornaghi

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A primeira lembrança que tenho de uma Páscoa é de minha infância em Itaipava. Ao acordar, eu e meus irmãos procurávamos ovos de chocolate engenhosamente escondidos pela casa e pelo jardim. Mais tarde, íamos todos ao Itaipava Country Clube onde nossos pais se esforçavam para fazer o melhor para nós em múltiplas brincadeiras, como corridas com ovo na colher, corridas com sacos envolvendo as pernas e por último, a que todos mais gostávamos: ganhávamos pintinhos e em seguida soltavam dezenas de coelhos de casinhas de madeira em um grande  campo de futebol gramado onde corríamos, cerca de 20 crianças, atrás dos cerca de quarenta coelhos. Quem pegasse algum poderia levá-lo para si. E meus pais eram generosos, não nos deixavam criar os pintos até crescerem porque tínhamos que voltar para o Rio de Janeiro onde morávamos em apartamento, mas, nos deixaram criar um dos coelhos, solto no apartamento, por anos.

Essas experiências eram marcantes e a Páscoa era uma delícia esperada todos os anos. Mas desprovida de maiores significados espirituais para nós. Nunca entendia e nunca me explicavam a relação de um coelho ou de ovos de chocolate com a páscoa religiosa. Minha família era extremamente cristã, daquelas que levava a sério a missa. Em lugar nobre da sala em nossa casa havia um oratório, um móvel cheio de santos onde meu pai e minha mãe rezavam todas as noites. E pediam por mim e meus irmãos. Meu pai sempre dizia que pedia a Deus que desse jeito em mim, e me orientasse onde ele se sentia falhando: em me fazer acreditar nas mesmas coisas que ele. Em grande parte o rogo parecia nunca funcionar e eu teimava em ter opinião própria, discordante da dele em mais pontos do que ele achava razoável e conveniente. Mas ele respeitava e permitia as diferenças, embora voltasse a pedir todas as noites a seus santos que me afinassem com aquilo que acreditava ser o melhor para mim.

Com tamanha devoção à Igreja, eles se esforçavam para que a Páscoa fosse realmente inesquecível. O faziam com um amor e zelo tocantes. Mas, embora fosse fácil perceber um enorme significado emocional naquelas comemorações, eu nunca entendia a relação entre um ovo e um coelho, uma vez que coelhos não colocavam ovos. E muito menos a relação entre aquela festa de coelhos e ovos pintados de alegria e doçura e o sacrifício de Cristo, tal qual me contavam. Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes. E, minhas aulas de catecismos eram mais centradas no fato de que aquele homem havia morrido e sofrido por mim. A ressurreição passava quase que desapercebida no discurso do padre.

Oras eu perguntava e ficava sem resposta, oras me esforçava para ligar os fatos por mim mesmo, mas era impossível para meus precários neurônios. E ficava me sentindo incapaz. O significado da páscoa parecia escapar de minhas mãos com a mesma facilidade com que o coelho que criávamos pulava para fora de meus dedos quando brincávamos. E parecia não haver menção a coelhos no evangelho, de onde eles tinham saído? Com que propósito? Perguntei a outras famílias de amigos, mas nenhum outro pai foi feliz em me esclarecer. Me impressionava sempre quantos rituais os adultos eram capazes de repetir sem se perguntar o significado.

Mais tarde, um dia refleti que a páscoa era comemorada no início da primavera no hemisfério norte, de onde vem nossa cultura. Daí imaginei que coelhos e ovos remetessem à fertilidade, ao novo ciclo de vida que as plantinhas inauguravam a cada novo mês de março e abril, após um inverno rigoroso, onde toda a seiva havia sido guardada em suas raízes, como garantia e meio de sobrevivência ao rigor da estação fria. Custei a entender que essa alegoria da vida brotando poderia também estar ligada à ressurreição do Cristo, após os anos de submissão à força dramática da cruz eclipsando qualquer imagem de ressurreição em minha mente infantil.

Mas foi depois de adulto, lendo o Popol-Vuh, o livro sagrado maia, que comecei a vislumbrar a universalidade da imagem do coelho. Para eles, Menebuch, um coelho gigante, era a divindade máxima que combateu monstros gigantes no grande dilúvio e restabeleceu a vida tal qual está até os dias de hoje no planeta. Menebuch apareceu na Terra em forma de uma pequena lebre e possibilitou ao homem que vivesse como o faz hoje em dia. Ensinou a ele a destreza e as artes manuais. O deus coelho era considerado pelos maias o único interlocutor entre o mundo do sagrado e o terreno. O Messias por assim dizer. Mais tarde, quando evangelizados e constrangidos a abandonar seus “deuses pagãos” pelo colonizador, os descendentes dos maias passaram a representar Menebuch como Jesus Cristo. Assim como fizeram os afro-descendentes no Brasil ao buscar referenciais da Igreja Católica que representassem e possibilitassem a continuação do culto e adoração a seus orixás.

Ainda segundo os maias a deusa Lua certo dia, vendo-se em perigo, foi socorrida por um coelho que, salvando-a, salvou o princípio da renovação cíclica da vida, o princípio que rege a continuidade das espécies vegetais, animais e humana. Com isso, eternizou-se como um patrono da fertilidade e entidade ligada à primavera. Especificamente para os maias algonquinos, que habitavam e cujos descendentes ainda habitam a costa oeste norte-americana desde o Canadá até o México, assim como para alguns povos sioux, o coelho possui o segredo da vida elementar.

Mais tarde fui descobrir que para os Egípcios, que mantiveram o povo judeu escravizado e de cujas terras a fuga deu a origem à páscoa judaica, o coelho também era detentor dos segredos da origem da vida. Na mitologia egípcia Osíris é por vezes representado por uma lebre que é despedaçada e atirada no fecundo rio Nilo para garantir que a regeneração periódica não falte àquele povo. O povo egípcio tinha o Nilo como centro da vida. A relação que outros povos têm entre a primavera e a fertilidade, o egípcio tinha com os ciclos de cheias do rio. Na época do ano em que ele enchia, alargava em quilômetros suas margens. Na estação de baixa das águas, o povo plantava na extensão de terra fertilizada pelo alagamento e corria para colher antes da próxima cheia. Por essa razão o povo egípcio desenvolveu técnicas revolucionárias de armazenamento de alimentos, que permitiram o encaminhamento da humanidade na direção do que hoje em dia se chama civilização urbana. O Nilo era a renovação e fertilidade. E o coelho se misturava ao símbolo da água por lá.

Ainda nos dias de hoje, os camponeses xiitas da Anatólia respeitam a proibição de se alimentar de coelhos por defenderem que o animal é encarnação de Ali, para eles o interlocutor entre Alá e os crentes. Também na China clássica a lebre representava a ideia de morrer para renascer e por isso é representada em imagens da alquimia taoista sempre preparando a “poção da imortalidade”. Não é difícil encontrar relação entre o coelho e o ciclo de renovação e esperança de nova vida, que costuma ser identificada como a razão do coelho representar a páscoa. Porém, símbolos não fincam raízes por questões racionais, mas orgânicas. Acho que uma das principais razões para o coelho ter “colado” como símbolo da páscoa cristã é sua relação com a delicadeza e a sensibilidade. Coelhos são seres lunares por que dormem durante o dia e saem à noite em pulos e saltos. E sabem, como a lua, aparecer e desaparecer com o silêncio e a eficácia das sombras. Foram identificados com a lua não apenas pelos maias, manchas da lua são vistas como coelhos em diferentes civilizações europeias, asiáticas, africanas ou entre os astecas que dividiam a América do Norte com os maias. E, identificados com a lua, suas representações divinas são sempre descritas como entidades que se impõem pela delicadeza.

Cristo inaugurou a era de Peixes, encerrando a de Áries. Na era de Áries, a espiritualidade esteve sempre ligada ao espírito guerreiro. Gregos, persas, indianos e povos nórdicos foram invadidos e dominados por Arianos vindos das estepes russas, que trouxeram consigo uma mitologia repleta de heróis guerreiros. Os profetas dessas civilizações vinham sempre das castas guerreiras. Cristo vem ao mundo para inaugurar uma religião baseada na delicadeza, no amor matizado de gentileza, no perdão, em uma maneira feminina de se relacionar com a espiritualidade. Muito diferente do bélico Odim “deus dos deuses” nórdicos, muito diferente do indiano Krishna, um general que não hesita em aconselhar seu discípulo a mergulhar em uma guerra sangrenta e não parar com o banho de sangue até que o poder da Índia esteja em suas mãos e seus primos mortos; em um raciocínio ético oposto ao do profeta de “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou de “Dê a outra face ao inimigo”. Muito diferente da crença imperialista dos aqueus na Grécia, ou de Dario e Xerxes na Pérsia.

Enquanto os deuses bélicos das civilizações de cultura ariana eram heróis solitários que impunham justiça e ordem pela força, o coelho surge como um animal delicado e grupal, que considera o outro como igual. Segundo Gilbert Durand, “Para os negros da África e da América, assim como para alguns índios, a Lua é a lebre, animal herói e mártir, cuja ambiência simbólica deve ser associada ao cordeiro cristão, animal doce e inofensivo, emblema do Messias lunar, do filho em oposição ao guerreiro solitário”. Coelhos são companheiros e caem como uma luva para representar uma religião ligada à era de peixes, fundada teoricamente no amor ao próximo e na democratização do divino.

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Leia também:

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A Lei do Dharma e as Leis dos Homens: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

O Sentido do Reveillon: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2656

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763

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One Response to Tirando Coelhos da Cartola

  • silvia regina micocci de menezes:

    O seu texto é tão maravilhoso que o arquivei em meu computador para posteriores leituras. Quando você fala da sua família, lembrei-me da minha também. A Páscoa para as crianças é uma grande alegria mas à medida que crescem ficam as dúvidas. Me identifico em várias passagens do seu texto e uma delas é: “Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes.”
    Feliz Páscoa querido! Namastê! _/\_

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Tirando Coelhos da Cartola

Tirando Coelhos da Cartola

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Pedro Tornaghi

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A primeira lembrança que tenho de uma Páscoa é de minha infância em Itaipava. Ao acordar, eu e meus irmãos procurávamos ovos de chocolate engenhosamente escondidos pela casa e pelo jardim. Mais tarde, íamos todos ao Itaipava Country Clube onde nossos pais se esforçavam para fazer o melhor para nós em múltiplas brincadeiras, como corridas com ovo na colher, corridas com sacos envolvendo as pernas e por último, a que todos mais gostávamos: ganhávamos pintinhos e em seguida soltavam dezenas de coelhos de casinhas de madeira em um grande  campo de futebol gramado onde corríamos, cerca de 20 crianças, atrás dos cerca de quarenta coelhos. Quem pegasse algum poderia levá-lo para si. E meus pais eram generosos, não nos deixavam criar os pintos até crescerem porque tínhamos que voltar para o Rio de Janeiro onde morávamos em apartamento, mas, nos deixaram criar um dos coelhos, solto no apartamento, por anos.

Essas experiências eram marcantes e a Páscoa era uma delícia esperada todos os anos. Mas desprovida de maiores significados espirituais para nós. Nunca entendia e nunca me explicavam a relação de um coelho ou de ovos de chocolate com a páscoa religiosa. Minha família era extremamente cristã, daquelas que levava a sério a missa. Em lugar nobre da sala em nossa casa havia um oratório, um móvel cheio de santos onde meu pai e minha mãe rezavam todas as noites. E pediam por mim e meus irmãos. Meu pai sempre dizia que pedia a Deus que desse jeito em mim, e me orientasse onde ele se sentia falhando: em me fazer acreditar nas mesmas coisas que ele. Em grande parte o rogo parecia nunca funcionar e eu teimava em ter opinião própria, discordante da dele em mais pontos do que ele achava razoável e conveniente. Mas ele respeitava e permitia as diferenças, embora voltasse a pedir todas as noites a seus santos que me afinassem com aquilo que acreditava ser o melhor para mim.

Com tamanha devoção à Igreja, eles se esforçavam para que a Páscoa fosse realmente inesquecível. O faziam com um amor e zelo tocantes. Mas, embora fosse fácil perceber um enorme significado emocional naquelas comemorações, eu nunca entendia a relação entre um ovo e um coelho, uma vez que coelhos não colocavam ovos. E muito menos a relação entre aquela festa de coelhos e ovos pintados de alegria e doçura e o sacrifício de Cristo, tal qual me contavam. Para mim a páscoa era comemoração do martírio de Cristo e não da ressurreição. Nunca via pessoas com cristos ressuscitando em seus pescoços, somente com cruzes. E, minhas aulas de catecismos eram mais centradas no fato de que aquele homem havia morrido e sofrido por mim. A ressurreição passava quase que desapercebida no discurso do padre.

Oras eu perguntava e ficava sem resposta, oras me esforçava para ligar os fatos por mim mesmo, mas era impossível para meus precários neurônios. E ficava me sentindo incapaz. O significado da páscoa parecia escapar de minhas mãos com a mesma facilidade com que o coelho que criávamos pulava para fora de meus dedos quando brincávamos. E parecia não haver menção a coelhos no evangelho, de onde eles tinham saído? Com que propósito? Perguntei a outras famílias de amigos, mas nenhum outro pai foi feliz em me esclarecer. Me impressionava sempre quantos rituais os adultos eram capazes de repetir sem se perguntar o significado.

Mais tarde, um dia refleti que a páscoa era comemorada no início da primavera no hemisfério norte, de onde vem nossa cultura. Daí imaginei que coelhos e ovos remetessem à fertilidade, ao novo ciclo de vida que as plantinhas inauguravam a cada novo mês de março e abril, após um inverno rigoroso, onde toda a seiva havia sido guardada em suas raízes, como garantia e meio de sobrevivência ao rigor da estação fria. Custei a entender que essa alegoria da vida brotando poderia também estar ligada à ressurreição do Cristo, após os anos de submissão à força dramática da cruz eclipsando qualquer imagem de ressurreição em minha mente infantil.

Ma foi depois de adulto, lendo o Popol-Vuh, o livro sagrado maia que comecei a vislumbrar a universalidade da imagem do coelho. Para eles, Menebuch, um coelho gigante, era a divindade máxima que combateu monstros gigantes no grande dilúvio e restabeleceu a vida como está até os dias de hoje no planeta. Menebuch apareceu na Terra em forma de uma pequena lebre e possibilitou ao homem que vivesse como o faz hoje em dia. Ensinou a ele a destreza e as artes manuais. O deus coelho era considerado pelos maias o único interlocutor entre o mundo do sagrado e o terreno. O Messias por assim dizer. Mais tarde, quando evangelizados, constrangidos a abandonar seus “deuses pagãos” pelo colonizador, os descendentes dos maias passaram a representar Menebuch como Jesus Cristo. Assim como fizeram os afro-descendentes no Brasil ao buscar referenciais da Igreja Católica que representassem e possibilitassem a continuação do culto e adoração de seus orixás.

Ainda segundo os maias, a deusa Lua certo dia, vendo-se em perigo, foi socorrida por um coelho, que, salvando-a, salvou o princípio da renovação cíclica da vida, o princípio que rege a continuidade das espécies vegetais, animais e humana. Com isso, eternizou-se como um patrono da fertilidade e entidade ligada à primavera. Especificamente para os maias algonquinos, que habitavam e cujos descendentes ainda habitam a costa oeste norte-americana desde o Canadá até o México, assim como para alguns povos sioux, o coelho possui o segredo da vida elementar.

Mais tarde fui descobrir que para os Egípcios, onde o povo judeu ficou escravizado e de onde a fuga deu a origem à páscoa judaica, o coelho também era detentor dos segredos da origem da vida. Na mitologia egípcia Osíris é por vezes representado por uma lebre que é despedaçada e atirada no fecundo rio Nilo para garantir que a regeneração periódica não falte àquele povo. O povo egípcio tinha o Nilo como centro da vida. A relação que outros povos têm entre a primavera e a fertilidade, o egípcio tinha com os ciclos de cheias do rio. Na época do ano em que ele enchia, alargava em quilômetros suas margens. Na estação de baixa das águas, o povo plantava na extensão de terra fertilizada pelo alagamento e corria para colher antes da próxima cheia. Por essa razão, o povo egípcio desenvolveu técnicas revolucionárias de armazenamento de alimentos, que permitiram o encaminhamento da humanidade na direção do que hoje em dia se chama civilização urbana. O Nilo era a renovação e fertilidade. E o coelho se misturava ao símbolo da água por lá.

Ainda nos dias de hoje, os camponeses xiitas da Anatólia respeitam a proibição de se alimentar de coelhos por defenderem que o animal é encarnação de Ali, para eles o interlocutor entre Alá e os crentes. Também na China clássica a lebre representava a ideia de morrer para renascer e por isso é representada em imagens da alquimia taoísta sempre preparando a “poção da imortalidade”. Não é difícil encontrar relação entre o coelho e o ciclo de renovação e esperança de nova vida, que costuma ser identificada como a razão do coelho representar a páscoa. Porém, símbolos não fincam raízes por questões racionais, mas orgânicas. Acho que uma das principais razões para o coelho ter “colado” como símbolo da páscoa cristã é sua relação com a delicadeza e a sensibilidade. Coelhos são seres lunares por que dormem durante o dia e saem à noite em pulos e saltos. E sabem, como a lua, aparecer e desaparecer com o silêncio e a eficácia das sombras. Foram identificados com a lua não apenas pelos maias, manchas da lua são vistas como coelhos em diferentes civilizações européias, asiáticas, africanas ou entre os astecas que dividiam a América do Norte com os maias. E, identificados com a lua, suas representações divinas são sempre descritas como entidades que se impõem pela delicadeza.

Cristo inaugurou a era de Peixes, encerrando a de Áries. Na era de Áries, a espiritualidade esteve sempre ligada ao espírito guerreiro. Gregos, persas, indianos e povos nórdicos foram invadidos e dominados por Arianos vindos das estepes russas, que trouxeram consigo uma mitologia repleta de heróis guerreiros. Os profetas dessas civilizações vinham sempre das castas guerreiras. Cristo vem ao mundo para inaugurar uma religião baseada na delicadeza, no amor matizado de gentileza, no perdão, em uma maneira feminina de se relacionar com a espiritualidade. Muito diferente do bélico Odim “deus dos deuses” nórdicos, muito diferente do indiano Krishna, um general que não hesita em aconselhar seu discípulo a mergulhar em uma guerra sangrenta e não parar com o banho de sangue até que o poder da Índia esteja em suas mãos e seus primos mortos; em um raciocínio ético oposto ao do profeta de “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou de “Dê a outra face ao inimigo”. Muito diferente da crença imperialista dos aqueus na Grécia, ou de Dario e Xerxes na Pérsia.

Enquanto os deuses bélicos das civilizações de cultura ariana eram heróis solitários que impunham justiça e ordem pela força, o coelho surge como um animal delicado e grupal, que considera o outro como igual. Segundo Gilbert Durand, “Para os negros da África e da América, assim como para alguns índios, a Lua é a lebre, animal herói e mártir, cuja ambiência simbólica deve ser associada ao cordeiro cristão, animal doce e inofensivo, emblema do Messias lunar, do filho em oposição ao guerreiro solitário”. Coelhos são companheiros e caem como uma luva para representar uma religião ligada à era de peixes, fundada teoricamente no amor ao próximo e na democratização do divino.

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Leia também:

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A Lei do Dharma e as Leis dos Homens: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2477

O Sentido do Reveillon: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2656

Reveillon e Espiritualidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1763

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One Response to Tirando Coelhos da Cartola

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    Que lindo..

    Uma páscoa de ressignificação plena de tudo prá todo mundo e pro mundo todo…

    …Bjssss _/\_ S

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O Progresso que Interessa

O Progresso que Interessa

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Pedro Tornaghi

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“O homem sensato se adapta ao mundo;
o insensato insiste em adaptar o mundo a ele.
Todo o progresso depende, portanto, do homem insensato.”
Bernard Shaw

 .

Bernard Shaw disse que todo o progresso depende do homem insensato e meu irmão Eduardo – de ascendente virgem – ao ouvir questionou: “a propósito, o que vem mesmo a ser progresso?”. 

A pergunta procede. Fiquei curioso de saber o que é progresso no entendimento dele, mas preferi ficar com a pergunta, ecoando, como um “koan zen”, cavucando o solo do inconsciente, até beirar ou mesmo se esbaldar em alguma fonte interna. 

É, o que vem mesmo a ser progresso? Progresso é romper com o estabelecido e dar um passo adiante. Se é bom ou ruim, para o bem ou para o mal… depende do sentido em que o passo é dado e do ângulo em que se vê a cena. Não pretendo me estender em especulações filosóficas em todas as direções e possibilidades que a ideia de progresso permite, mas pegar a deixa para aprofundar uma questão. Estamos buscando um progresso que nos interessa ou perseguindo algo que enganosamente nos satisfaz? 

O que é o progresso no sentido humano? Somos um produto de luxo da natureza, cada um de nós uma semente de um Buda, sim, cada um de nós provido de alguma qualidade de consciência e carregando consigo a possibilidade de levá-la ao ápice. Mas quantos de nós chegam a esse estado? Quantos regam a semente de consciência, quantos a deixam crescer e chegar ao auge? Quantos chegam a usufruir da fragrância de suas flores e o sumo de seus frutos? 

Tenho amigos montanhistas que sonham em escalar o Everest, sabem que arriscam suas vidas nessa aventura, mas questionam qual o sentido da vida se você não puder se arriscar pela felicidade e auto-realização? Sim, verdade, mas quantos no mundo atual são capazes de “dar tudo”, realmente tudo o que têm para escalar os everests internos? E, quantos vislumbram que a felicidade pode estar neles? 

O progresso é algo inevitável, a questão é: para onde ele está acontecendo. O que está progredindo em nós? A inconsciência ou a consciência? 

Quando a pessoa adoece, pode-se entender o momento como o progresso da doença no corpo dela. A colônia de vírus em pleno progresso e sua saúde… caminhando para a falência. O mesmo acontece com relação à psicologia e às emoções. Quando a inconsciência avança dentro da pessoa, ela vê sumir, entre labirintos ocultos da memória e pelos corredores dos cânions de dias tensos, uma lucidez que trazia consigo. Quando a ansiedade progride dentro dela, o prazer e a calma fenecem. Quando o medo se desenvolve, o amor encolhe, se espreme e, o que era puro néctar, transforma-se numa alquimia nefasta e perversa, em asqueroso pus. Quando a ambição e a vaidade progridem, a lucidez se dissipa. 

Pode-se dizer que a energia que alimenta a inconsciência e a consciência é a mesma. A única a nosso dispor. Se ela, como um rio, corre na direção da inconsciência, a consciência adormece desnutrida. E vice-versa. Se a energia irriga o amor, o medo se dissipa, se ela alimenta a musculatura do medo, o amor é eclipsado. Se ela se adensa nos corredores da ansiedade, o prazer morre de inanição; se ela alimenta as crenças que levam ao orgulho e à vaidade, a lucidez some no ar como um balão de hélio, que voa tão alto até se perder de vista. 

Sim, a energia é uma só, as terras que ela irrigar se tornarão culturas férteis, as que sofrerem de abstinência de seu fluxo, minguarão. 

Se o homem é a semente de um Buda, se traz consigo todas as possibilidades de se tornar um iluminado, quando a energia irriga sua natureza original, ele tem tudo para tornar o projeto de consciência, que costumamos chamar de homem, em uma realidade. Mas, os desvios e as apropriações da energia pelos oportunistas de plantão, como o medo, a ansiedade, a ambição, o orgulho e cia, facilmente abortam o projeto legítimo que ele traz consigo. 

E, o problema é que nos esquecemos do projeto original que trazemos dentro de nós. O que fazer então para retomá-lo? E, se retomado, será que ele terá a capacidade de nos tornar felizes e realizados? 

Sim, dentro de nós, todos temos a lembrança de que um dia soubemos que esse “projeto original” era mais que um destino, era a verdadeira “terra prometida”, o lugar onde nos sentiríamos novamente “em casa” e à vontade no mundo em que estamos. Todos temos essa memória guardada em algum lugar recôndito dentro de nós. E, ao resgatá-la, não será difícil entender onde mora nossa felicidade. 

Mas a questão é, como recuperar essa memória do que nos é essencial? Como chegar a essa região interna onde supostamente temos a lucidez e o bom senso mais afiados? 

A resposta não é difícil. Nem mesmo de ser entendida. Todos temos algum amigo que um dia já foi assaltado. Quando chegou à delegacia para prestar queixa o delegado pergunta se ele pode descrever o assaltante, ao que o amigo reage: “como me lembrar do rosto dele? Eu estava muito tenso”. Mas e se o delegado é diferenciado e sugere uma sessão de hipnose… o que era impossível por se tornar mesmo fácil. Há registro de pessoas que foram capazes de se lembrar detalhes impressionantes com precisão cirúrgica, do tipo “tinha duas pequenas pintas acima do lábio direito superior e uma menor acima da sobrancelha, três fios de cabelo branco na extremidade esquerda da sobrancelha”. O rosto do assaltante estava todo lá. Como uma fotografia. Que, de repente, pode ser recuperada da memória graças ao profundo estado de relaxamento que a hipnose proporcionou à pessoa. 

Nossa memória funciona assim. Registramos nossas experiências em zonas rasas e profundas de nossa psique. Quando estamos tensos, temos acesso apenas à superfície desse mar, para chegar às zonas mais profundas, onde a memória está melhor organizada e nítida, é preciso relaxamento também profundo. Quando aprendermos a relaxar profundamente, teremos acesso a memórias como essas, mas também à memória que nos pode ser mais essencial e significativa. A memória de quem somos e de quem poderemos chegar a ser. A memória do que dentro de nós anseia, de maneira mais legítima, por progredir. O que era o nosso desejo original de progresso, antes que acreditássemos em tantos outros projetos de felicidade, implantados pela convivência social. Por vezes torta e equivocada. 

Quando recuperarmos essa memória interna, vamos nos lembrar do que sempre soubemos, mesmo quando nos esquecemos nas regiões mais rasas de nosso oceano interior: quem somos e a que viemos.

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Participe do curso:

“Memória e Rejuvenescimento Celular Através da Meditação”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=82

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Leia Também:

“A Arte Milenar da Memória “: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1159

“As Meditações da Pineal”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1135

“O Paraíso Esquecido”: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=1177

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3 Responses to O Progresso que Interessa

  • Natividade:

    Texto profundíssimo e lindo. Me vi diante de reflexões inusitadas na minha concepção de caminhante. Tantas vezes me perguntava, por que me atraem tanto os temas do mistério da vida e de nós mesmos? Que há comigo? E a espiritualidade, saber das leis ocultas que regem nossa vida e o universo, por que gosto tanto? A resposta: “o homem tem tudo para tornar o projeto de consciência, que costumamos chamar de homem, em uma realidade”.
    O texto é maravilhoso!

  • Marisa Oreiro:

    Olá,
    Gostaria de participar da palestra nesta segunda sobre meditar para se ter memória e rejuvenescimento.

    Olá Marisa,
    A palestra é aberta, basta aparecer,
    Um abraço fraterno,
    Pedro

  • A questão de não saber que a jornada é a raiz de toda auto percepção, mas descobrir onde somos melhores no servir, somente.
    Que tipo de meditação entre em sintonia para aqueles que gostam do agir.

    Um Grande Abraço, encontrando “outros(as)-sintonia” no signo do servir com contentamento,sendo o crescimento do “outro” o nosso!!!

    Roberto Willians

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