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A Sabedoria e a Prosperidade

A Sabedoria e a Prosperidade

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Certo dia, em um reino distante, um jovem que entrou numa floresta e disse ao seu mestre espiritual: “Quero possuir riqueza ilimitada para poder ajudar o mundo. Por favor, conte-me, qual é o segredo para se gerar abundância?”

O mestre espiritual respondeu: “Existem duas deusas que moram no coração dos seres humanos. Todos são profundamente apaixonados por essas entidades supremas. Mas elas estão envoltas num segredo que precisa ser revelado, e eu lhe contarei qual é.” Com um sorriso, ele prosseguiu:

“Embora você ame as duas deusas, deve dedicar maior atenção a uma delas, a deusa da Sabedoria, cujo nome é Sarasvati. Persiga-a, ame-a, dedique-se a ela. A outra deusa, chamada Lakshmi, é a da Prosperidade. Quando você dá mais atenção a Sarasvati, Lakshmi, extremamente enciumada, faz de tudo para receber o seu afeto. Assim, quanto mais você busca a deusa da Sabedoria, mais a deusa da Prosperidade quer se entregar a você. Ela o seguirá para onde for e jamais o abandonará. E a riqueza que você deseja será sua para sempre.”.

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6 Responses to A Sabedoria e a Prosperidade

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Insegurança e Êxtase

Insegurança e Êxtase

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Pedro Tornaghi

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A queda inesperada de um avião com uma personalidade sempre inclina muitos a refletir sobre o quanto a vida é insegura. Mas, será sempre necessário sermos surpreendidos por um desastre para redescobrirmos essa realidade? Por que tamanha dificuldade em lidar com a insegurança? Por que escondê-la sob sete chaves? A vida é insegura por natureza, essa é uma qualidade indissociável dela. Isso não pode ser mudado. 

A vida está sempre se movendo do conhecido para o desconhecido. Como controlar o que não se conhece? Estar vivo é cruzar do conhecido para o desconhecido. E esse cruzamento é sinônimo de insegurança. O momento em que você passa por essa fronteira, você sente a insegurança. E, com essa insegurança, você se torna novamente sensível. Você se torna permeável pelo Universo. A dança da vida volta a dar voltas dentro e fora de você. O palpitar da existência acorda suas melhores qualidades. Você se torna um novo ser. Alguém que estava no ovo, quebra a casca, e você finalmente descobre o universo. Se integra a ele. Não há mais separação. Não há mais casca de ovo. Não há mais escuridão no interior do ovo. Não há mais interior, não há mais exterior, o pássaro está no universo. Suas asas serão, a partir de agora, sustentadas por esse universo. Não há mais dissociação, não há mais angústia, não há mais temor, não há mais saudade de um paraíso perdido. Há apenas o amor. A dança reveladora de cada novo momento, do conhecido para o desconhecido, do desconhecido para o conhecido. Você adentra em um tempo não mapeado. E a falta de referências é êxtase. É júbilo. É dança. É alegria. É felicidade. 

Você foi capturado por essa dança. Pelo êxtase. Pela felicidade. 

O medo do desconhecido é também o medo da verdade. A verdade é uma estrangeira em meio a nossas convicções. Nossas certezas são mentiras que alimentamos para nos proteger do desconhecido e ocultar a verdade. Tentamos nos cercar do que é conhecido como forma de nos proteger do desconhecido. E nossas crenças podem ser conhecidas, podem ser controladas, podem nos dar uma falsa noção de segurança. Experimente abrir mão das certezas, entregar-se à sua insegurança com amor e veja o que acontece. Se você amar sua insegurança, que mal ela lhe fará? 

Se você aceitar a insegurança, a vida estará em aberto para você, existirão possibilidades. Se você quiser a segurança, terá que se contentar com o já conhecido, o conhecido que não resolveu suas questões anteriormente e que também não resolverá as ainda desconhecidas que aparecerão pela frente. 

Se você aceita a insegurança, você se torna penetrável. Pela vida e pelo êxtase. 

O universo é imenso e desconhecido para você. Você só poderá aceitá-lo quando aceitar o desconhecido. Você só poderá amá-lo quando amar o desconhecido. Você só poderá ter um caso de amor com o universo e com a vida quando amar o desconhecido. E, tudo o que você vê na sua frente faz parte do universo. Você só poderá conhecer o amor com qualquer coisa à sua volta, se estiver aberto para o amor universal. A insegurança é, dessa maneira, a porta para o seu “país da maravilhas”. É a porta, a única existente, para o amor e para a realização. Ame-a e um milagre acontecerá. Ame-a e o Universo amará você.

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Leia também:

Evoluir em Profundidade: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=999

Desvios do Caminho: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2919

Senso de Urgência: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=921

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One Response to Insegurança e Êxtase

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    O texto é maravilhoso e o ” Pais das Maravilhas ” é uma Dádiva de Deus. O conhecido e o desconhecido….Quando chegamos na encruzilhada da vida…Ou abrimos mão da segurança, do conhecido para o desconhecido e abraçamos o Amor Universal ou continuamos na mesmice do conhecido. Grata por sua amabilidade de nos presentear com um artigo bem elaborado e explicado. Uma bela tarde.Bjsss

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Osho – Aprenda a ser paciente

Aprenda a ser paciente

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Osho

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O caminho do Tao não é o da iluminação repentina. Ele não é como o Zen. Zen é iluminação repentina, Tao é crescimento gradual. O Tao não acredita em mudanças repentinas e abruptas. O Tao acredita em respeitar o ritmo da existência, permitindo que as coisas aconteçam por elas mesmas, sem forçar o seu caminho, sem forçar o curso do rio. O Tao diz: não há necessidade de estar com pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante as sementes no tempo certo e espere; a primavera virá; ela sempre vem. E quando a primavera vier, as flores aparecerão. Mas, espere, não tenha pressa.

Não comece a puxar a árvore para cima, para que ela possa crescer mais rápido. Não tenha esse tipo de mente que pede que tudo seja como café instantâneo. Aprenda a esperar, porque a natureza tem um movimento muito vagaroso. É devido a esse movimento vagaroso que existe graça na natureza. A natureza é muito feminina, ela se movimenta como uma mulher. Ela não corre nem fica apressada. Ela vai muito devagar, uma música silenciosa. Existe grande paciência na natureza e o Tao acredita no caminho da natureza. ‘Tao’ significa exatamente natureza. Assim o Tao nunca está com pressa; isto tem que ser entendido.

O ensinamento fundamental do Tao é: aprenda a ser paciente. Se você puder esperar infinitamente, a iluminação pode mesmo acontecer instantaneamente. Mas você não deve pedir para que ela aconteça instantaneamente: se você pedir, pode ser que nunca aconteça. O seu próprio pedido se tornará um obstáculo. O seu próprio desejo criará uma distância entre você e a natureza. Permaneça em sintonia com a natureza, deixe que a natureza tenha o seu próprio curso; e sempre que ela vem, ela é boa; sempre que ela vem, ela é rápida. Mesmo que ela demore séculos para chegar, ainda assim ela não estará atrasada; ela nunca está atrasada. Ela sempre chega no momento certo.

O Tao acredita que tudo acontece quando é necessário; quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece. Quando o discípulo está finalmente pronto, Deus aparece. O seu valor, o seu vazio, a sua receptividade, a sua passividade tornam isto possível; não a sua pressa, não a sua correria, não a sua atitude agressiva. Lembre-se: a verdade não pode ser conquistada. É preciso entregar-se à verdade, é preciso ser conquistado pela verdade.

Mas toda a nossa educação, em todos os países, ao longo dos séculos tem sido de agressividade e de ambição. Nós tornamos as pessoas muito rápidas. Nós as tornamos muito medrosas. Nós lhe dizemos: ‘tempo é dinheiro e é muito precioso. Se o tempo for perdido uma vez, ele ficará perdido para sempre, por isso corra; tenha pressa.’

Isto tem levado as pessoas à loucura. Elas correm de um ponto a outro; elas nunca curtem lugar algum. Elas correm ao redor do mundo de um hotel intercontinental a outro hotel intercontinental. E eles são todos iguais, não há diferença, esteja você em Tóquio, em Mumbai, em Nova York ou em Paris. Esses “hotéis intercontinental” são todos iguais, e as pessoas continuam correndo de um para o outro, pensando que elas estão viajando através do mundo. Elas poderiam ter se hospedado em apenas um hotel intercontinental e não haveria necessidade de ir a nenhum outro mais. Todos eles são iguais. E elas pensam que estão indo a algum outro lugar. A rapidez está tornando as pessoas neuróticas.

O Tao é o caminho da natureza, do jeito que as árvores crescem e os rios correm e os pássaros e as crianças… exatamente do mesmo jeito crescemos para Deus.

Não tenha pressa e não se desespere. Se você fracassar hoje, não perca as esperanças. Se você fracassar hoje, isto é natural. Se você continuar fracassando por alguns dias, isto é natural.

As pessoas têm tanto medo de fracassar que, devido a este medo, elas nunca arriscam fazer tentativas. Existem muitas pessoas que nunca se apaixonaram porque elas têm medo. Quem sabe? Elas podem ser rejeitadas, por isso elas decidiram permanecer sem amar, assim ninguém jamais as rejeitará. As pessoas têm tanto medo de fracassar que nunca tentam qualquer coisa nova. Quem sabe? Se elas fracassarem, o que poderá ocorrer?

E, naturalmente, para se movimentar no mundo interior você terá que fracassar muitas vezes, porque você nunca se movimentou ali antes. Toda a  sua habilidade e eficiência têm sido em movimentos externos, em extroversão. Você não sabe como se movimentar internamente. As pessoas escutam as palavras ‘movimente-se internamente, vá para dentro’, mas isso não faz muito sentido para elas. Tudo o que elas sabem é como ir para fora, é como ir para o outro. Elas não conhecem qualquer caminho de volta para si mesmas. Por causa dos seus velhos hábitos, é muito provável que você fracasse muitas vezes. Não perca as esperanças.

A maturidade chega vagarosamente. É certo que ela chega, mas isto leva um tempo. E lembre-se: para cada pessoa ela chegará num ritmo diferente, por isso não compare, não comece a pensar: ‘alguém está se tornando tão silencioso, e tão feliz, e eu ainda não alcancei isto. O que está acontecendo comigo?’ Não se compare com quem quer que seja, porque cada um viveu de uma maneira diferente em suas vidas passadas. Mesmo nesta vida, as pessoas têm vivido diferentemente. Por exemplo, um poeta pode ter mais facilidade em ir para dentro que um cientista; seus treinamentos são diferentes. Todo o treinamento científico é para ser objetivo, para se preocupar com o objeto, para observar o objeto, para esquecer a subjetividade. Para ser um cientista é preciso colocar-se completamente ausente do seu experimento. Ele não pode estar envolvido no experimento, não pode haver qualquer envolvimento emocional. É preciso estar completamente desapegado, como um computador. Ele não deve ser um humano, de jeito algum. Só assim ele será um verdadeiro cientista e será bem sucedido na ciência.

Um poeta tem uma habilidade totalmente diferente, ele fica envolvido. Quando ele observa uma flor, ele começa a dançar ao redor dela. Ele participa, ele não é um observador desapegado. Um dançarino pode vivenciar isto ainda com mais facilidade porque ele e a sua dança são apenas um e a dança é tão interna que o dançarino pode movimentar-se em seu espaço interior mais facilmente. Então, nas velhas e misteriosas escolas de mistérios do mundo, a dança era um dos métodos secretos. A dança era o fenômeno mais religioso, mas ela perdeu o seu significado tão completamente que quase caiu na polaridade oposta. Ela tornou-se um fenômeno sexual; a dança perdeu a sua dimensão espiritual. Mas lembre-se, tudo o que é espiritual, se fracassar, pode se tornar sexual; e tudo o que é sexual, se elevar-se, pode se tornar espiritual. Espiritualidade e sexualidade são irmãs gêmeas. Um músico pode ter mais facilidade que um matemático para entrar em meditação. Vocês têm habilidades diferentes, mentes diferentes e condicionamentos diferentes.

Por exemplo, um cristão pode ter mais dificuldade para meditar que um budista, porque com vinte e cinco séculos de meditação constante, o budismo criou uma certa qualidade em seus seguidores. Assim, quando um budista vem a mim, ele pode entrar em meditação muito facilmente. Quando um cristão vem, a meditação lhe é muito estranha, porque o cristianismo esqueceu-se completamente da meditação; ele só conhece prece.

A prece é um fenômeno totalmente diferente. Na prece, é necessário o outro; ela nunca pode ser independente. A prece é mais como o amor: ela é um diálogo. A meditação não é um diálogo; ela não é como o amor; ela é exatamente o oposto ao amor. Na meditação você fica totalmente só, nenhum lugar para ir, ninguém com quem se relacionar, nenhum diálogo, porque o outro não existe.Você é simplesmente você mesmo, totalmente você. Esta é uma abordagem completamente diferente.

Assim, tudo depende de suas habilidades, de sua mente, de seu condicionamento, de sua educação, da religião na qual você foi criado, dos livros que tem lido, das pessoas com as quais tem vivido, da vibração que criou dentro de si mesmo. Tudo dependerá de mil e uma coisas, mas é certo que ela chegará. Tudo que se precisa é paciência, trabalho silencioso, trabalho paciente e o centramento acontece e a maturidade chega. Na verdade, a pessoa madura e a pessoa centrada são apenas dois aspectos de um mesmo fenômeno. É por isto que a criança não consegue estar centrada, elas estão constantemente se movimentando, elas não conseguem ficar em um ponto, fixas. Tudo as atrai – um carro que passa, um pássaro que canta, o riso de alguém, o rádio do vizinho, uma borboleta voando – tudo, o mundo inteiro lhe atrai. Elas simplesmente pulam de uma coisa para outra. Elas não conseguem estar centradas, elas não conseguem viver com uma coisa tão totalmente que tudo o mais desapareça e se torne não-existencial.

Com a maturidade, o centramento surge. Maturidade e centramento são dois nomes para uma mesma coisa. Mas a primeira coisa a ser lembrada é que ela chega gradualmente. Não compare e não tenha pressa.

                                                                  The Secret of Secrets vol. II

                                                                         Tradução de Sw. Bodhi Champak

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

A força Maleável: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3065

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Participe do Curso:

“Tao, Meditação e Respiração”:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020

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3 Responses to Osho – Aprenda a ser paciente

  • paulette naressi:

    Bom dia Pedro,
    agradeço imensamente por seus posts, sempre massageiam minha alma.
    Namaste.
    Paulette.

  • Sônia de Andrade Ramos:

    Belíssimo texto, quase didático mesmo. Admiro demais o Taoísmo, grande “escola” de ensinamentos para a vida. Obrigada, Pedro.

  • Mariza:

    Oi, Pedro, cada vez aprendo mais um pouco com você e através de suas postagens! Este ensinamento de Osho sobre “aprender a ser paciente” me veio na hora certa, pois minha atual fase de vida me requer esta prática a todo momento. É um aprendizado de dentro para fora, muito interiorizado, que me puxa para a reflexão a cada ato e pensamento que cometo. Este ensinamento é o melhor que li porque me é o mais necessário agora! Muito obrigada!
    Um forte abraço.
    Mariza Binato Passos.

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Osho – A Fábula da Centopeia

A Fábula da Centopeia 

Osho

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Aquele que se tornou iluminado, aquele que uniu-se ao Tao, age sem impedimentos. Você sempre age com impedimentos, o oposto está sempre ali criando impedimentos; você não é um fluxo. 

Se você ama, o ódio está sempre ali, como um impedimento. Se você se movimenta, alguma coisa está puxando você para trás, você nunca se move totalmente, alguma coisa sempre fica para trás, o movimento não é total. Você se move com uma perna, mas a outra perna não está se movendo. Como você pode se mover? O impedimento está lá. 

E esse impedimento, esse movimento contínuo com apenas metade de você e o não-movimento da outra metade é a sua angústia. Por que você sente tanta angústia? O que cria tanta ansiedade em você? Seja o que for que você faça, por que a felicidade não acontece para você? A felicidade somente pode acontecer para o todo, nunca para a parte. 

Quando o todo se move sem qualquer impedimento, o próprio movimento é felicidade. A felicidade não é algo que vem de fora, é o sentimento que vem quando todo o seu ser se move, o próprio movimento do todo é felicidade. Não é algo acontecendo a você, é algo que surge de dentro de você, é uma harmonia no seu Ser. 

Se você está dividido – e você está sempre dividido: metade se movendo, metade se contendo; metade dizendo sim, metade dizendo não; metade amando, metade odiando, você é um reino dividido – há um constante conflito em você. Você diz alguma coisa mas aquilo nunca é o que você quer dizer, porque o oposto está ali impedindo, criando um obstáculo. 

Você já ouviu a estória da centopeia? A centopeia estava caminhando… – uma centopeia tem cem pernas – é por isso que se chama centopeia. É um milagre andar com uma centena de pernas. Controlar duas já é tão difícil, controlar cem pernas é realmente impossível, quase impossível, mas a centopeia consegue. 

Uma raposa ficou curiosa – e as raposas são curiosas. No folclore a raposa é o símbolo da mente, do intelecto, da lógica. As raposas são seres muito lógicos. A raposa olhou, observou, analisou, ela não podia acreditar ao ver como a centopeia era capaz de andar com tantas pernas. Ela disse: “Espere, só uma pergunta! Como você consegue? Como você não se confunde e sabe qual pé pôr atrás de qual? Cem pernas! Como acontece essa harmonia, como você consegue andar tão bem?” 

A centopeia disse: “Eu consigo andar, mas nunca pensei nisso. Dê-me algum tempo para pensar como eu faço”. 

Então ela fechou os olhos. Pela primeira vez ficou dividida: a mente como observadora e ela mesma como a coisa observada. Pela primeira vez a centopeia tornou-se duas. Ela costumava viver e andar, e sua vida era um todo; não havia um observador olhando para ela, ela nunca fora dividida. Ela era um ser integrado. Pela primeira vez surgiu a divisão. Ela estava olhando para si própria, pensando. Ela tinha se tornado o sujeito e o objeto, tinha se tornado duas, e então começou a andar. Foi difícil, quase impossível. Ela caiu – como pode você controlar cem pernas? 

A raposa riu e disse: “Eu sabia que devia ser difícil, sempre soube.” 

A centopeia começou a chorar, as lágrimas inundaram os seus olhos. Ela disse: “Nunca foi difícil, mas você criou o problema. Agora eu nunca mais vou conseguir andar.” 

A mente tinha entrado em cena, ela entra em cena quando você está dividido. É por isso que Krishnamurti continua dizendo que, quando o observador se torna o observado, você está em meditação. 

O oposto aconteceu com a centopeia. O todo se perdeu, se transformou em dois: o observador e o observado, divididos. o sujeito e o objeto; o pensador e o pensamento. Então tudo ficou perturbado, perdeu-se a felicidade, o fluxo de harmonia foi interrompido. E foi assim que ela ficou paralisada. 

Sempre que a mente entra em cena, ela vem como uma força controladora, um gerente. Ela não é o mestre, ela é o gerente. E você não chega ao o mestre enquanto o gerente não for posto de lado. O gerente não vai permitir que você alcance o mestre, o gerente vai estar em pé diante da porta, controlando. E todos os gerentes administram mal – a mente tem feito um ótimo trabalho de má administração. 

Pobre centopeia, ela sempre fora feliz. Não tinha problema nenhum. Vivia, cantava, amava, tudo, sem problema algum, porque não havia mente. Com a mente veio o problema – com a pergunta, com a indagação. E existem muitas raposas ao seu redor. Cuidado com elas: filósofos, teólogos, professores, todos eles são raposas. Eles levantam perguntas e criam perturbação. 

Lao Tse, o mestre de Chuang Tzu, disse: “Quando não existia nem um único filósofo, tudo estava resolvido, não havia perguntas e as respostas estavam todas à disposição. Quando surgiram os filósofos, surgiram as perguntas e as respostas desapareceram.” Sempre que existe uma pergunta, a resposta está muito longe. Sempre que você pergunta, nunca obtém a resposta, mas se você para de perguntar, você verá que a resposta sempre esteve ali. 

Não sei o que aconteceu com essa centopeia. Se ela era tão tola quanto os seres humanos, está em algum hospital, aleijada, paralítica para sempre. Mas eu não acho que as centopeias sejam tão tolas. Ela deve ter deixado a questão de lado. Deve ter dito à raposa: “Guarde suas perguntas para si mesma, e me deixe andar em paz.” Ela deve ter descoberto que essa divisão não lhe permitiria viver, porque a divisão causa morte. Indiviso, você é vida; dividido, você é morte. Quanto mais dividido, mais morto. 

O que é felicidade? Felicidade é a sensação que surge em você quando o observador se torna o observado. Felicidade é a sensação que surge em você quando você está em harmonia, não fragmentado; quando você é um, não está desintegrado, é indiviso, uno. Esse sentimento não é algo que vem de fora. Felicidade é a melodia que brota da sua harmonia interior.

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

A força Maleável: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3065

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Participe do Curso:

“Tao, Meditação e Respiração”:

http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020

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5 Responses to Osho – A Fábula da Centopeia

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A Força Maleável

A Força Maleável

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Pedro Tornaghi

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 A Força Maleável

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Conta a lenda que, ao ser perguntado por um menino se era sempre melhor mostrar-se forte e inteligente e não deixar que os outros pensassem que se era fraco e tolo, Lao Tse respondeu: “você deve mostrar que é fraco e tolo, não deixe as pessoas pensarem que é inteligente”. Confuso, o menino argumentou que a maioria das pessoas pregava que ser forte e duro era bom, e ser fraco e mole era ruim. Lao Tse perguntou qual a parte mais dura e a mais mole do corpo. Após o menino responder que a mais dura eram os dentes e a mais mole a língua, Lao Tse sentenciou: “olhe para mim, sou tão velho que meus dentes todos já se foram, enquanto minha língua continua intacta. As coisas moles e aparentemente fracas costumam resistir melhor aos ataques do tempo e da vida, uma árvore de tronco duro por exemplo pode ser levada por um furacão, enquanto a grama macia, permanecerá firme no chão, a água maleável é capaz de esculpir duras pedras e montanhas.” 

Lao Tse era um homem surpreendente para seu tempo. Com uma visão original de vida, ele costumava ver com facilidade onde alguém estava insistindo em uma verdade pronta e inútil que trazia dentro de si e, com isso, não percebendo a resposta óbvia e apropriada que se estampava frente a seus olhos. Somos muitas vezes como a mariposa que dorme dentro de nossas casas e, pela manhã, deseja sair para a luz do dia, mas esbarra continuamente no vidro da janela. Abrimos a janela ao lado e fazemos de tudo para que ela veja a saída, mas ela insiste em dar novas cabeçadas na vidraça. Se, em vez de tentar ir em linha reta em direção ao seu desejo, ou na direção que considera certa, a mariposa voasse no sentido contrário e se afastasse da janela, poderia perceber que, logo ao lado da vidraça, havia uma saída real. Mas, ela não faz isso, poucos de nós fazemos, Lao Tse fazia. E, por fazer, enxergava o óbvio, que a quase todos costuma escapar. 

O óbvio é o natural. Como maneira de ver-se livre de soluções estudadas e encontrar as naturais, Lao Tse optou ser, ele mesmo, uma pessoa natural. E buscou sempre ser fiel não apenas à natureza exterior, mas à sua natureza interna, ao propósito legítimo e original que trazia dentro de si. Sim, cada pessoa tem sua natureza particular, quando essa natureza floresce, surge com cores e aromas únicos e próprios a cada um. Quando se fala em ser natural, não se pode imitar caminhos alheios ou já prontos desde antes. Todos os rios acabam no oceano, mas o percurso de cada rio até lá é único. 

Daí a dificuldade em ser natural, todos querem ensinar como é certo comportar-se, empurram toneladas de regras, dogmas e verdades para você acatar, acreditar e seguir. Embora o que é natural flua com facilidade de dentro para fora, foram erguidas barreiras contra a natureza pessoal de cada um, não é simples voltar a ser fluente e espontâneo. Já não era nos dias de Lao Tse. Talvez por isso ele tenha sido e seja até hoje uma exceção de lucidez, uma lucidez que grita como uma fratura exposta, mas que poucos vêm por terem sido ensinados a não ver o que é natural. 

Criou-se no homem um medo do natural. Em algum lugar, no fundo dele, foi plantada a convicção de que ser natural é perigoso. E, mesmo em dias em que por ter se afastado de sua natureza o homem está tendo sucesso em destruir o mundo, mesmo em dias em que está óbvio que o grande perigo para a sobrevivência da espécie não está na proximidade dele com a natureza, mas na distância, mesmo em dias assim, o medo de ser natural, onde quer que ele esteja plantado dentro do ser humano, dá frutos em abundância. 

Lao Tse percebeu que a coisa mais revolucionária – ou a única integralmente revolucionária – era seguir a própria natureza. Escutá-la e dar espaço a ela. Quando escutamos nossa natureza, descobrimos que tudo em nós e fora de nós está em movimento. Talvez isso seja mais fácil para um chinês perceber do que para um ocidental. Gostamos muito de substantivos em nossa cultura. Quando transformamos algo em substantivo, o transformamos em objeto, e temos a impressão de que podemos possuí-lo, guardá-lo em um bolso ou em um cofre. Para nós, consciência tornou-se um substantivo, o que sugere uma coisa estática, que uma vez alcançada, passa a ser um patrimônio seu. Até o amor foi instituído como substantivo em nossa língua, mesmo que abstrato. Para o chinês, tudo é movimento, assim por exemplo, o conceito de “chi”, que é traduzido nos livros em português como energia, para o chinês tem o sentido de “fluxo vital”, algo que corre, se esse algo parar, não é mais chi. Da mesma maneira, consciência e amor são para ele experiências que só podemos almejar no contexto do fluxo vital. 

Para Lao Tse, tudo na vida está em constante movimento, e o movimento do que vemos é dependente e afinado ao movimento do Universo. E, há algo em curso, por trás desse movimento essencial do Universo e por trás de tudo o que se move nele. Esse “algo mais” é o que ele chama de Tao. Há quem traduza a palavra Tao como um “curso contínuo”, sim, o Tao está constantemente se revelando, e é a essência de tudo o que se move no Universo. E tudo se move. 

Lao Tse nunca pretendeu deixar regras para serem seguidas para se alcançar o Tao, mas atentar para sua existência e inspirar quem o lesse a ter olhos próprios para enxergá-lo diretamente. Quando você encontra sua natureza, deixa de depender de regras para saber como agir e ganha maleabilidade. Quem age conforme regras estudadas, não tem margem de negociação com a vida, e, muito menos, consciência do que significa uma mudança de rumo. Já quem segue a própria natureza sempre será maleável, como a língua de Lao Tse. Dará resposta personalizada a cada novo desafio e cada nova questão que lhe aparecer. Quem segue sua própria natureza não precisa de certezas, mas de contato consigo e com a vida. 

Essa é parte da mensagem que Lao Tse passou no livro Tao Te King, onde ressaltou a importância de encontrarmos nossa “face original”, uma identidade anterior a todas a máscaras que aprendemos a usar, a todas as falsas noções de nós mesmos que colecionamos durante a vida. Para Lao Tse, uma identidade adquirida nos deixa presos a um mundo ilusório de dualidades, enquanto a identidade original nos leva a uma realidade sem dualidades, logo, imune a conflitos emocionais e psicológicos. 

Ele entende ser o Tao uma essência única, formadora de tudo o que existe, e sugere que quando contatamos essa essência, nos é revelada nossa real identidade, um projeto desenhado para nós nessa vida. Ao contrário da identidade adquirida, que está sempre em disputa e luta contra algo ou contra tudo, nossa face original está em paz e integrada ao Universo. A face original respira próxima do Tao, a dimensão imutável do universo, o lugar de onde viemos; logo, ela é livre de contaminações das ideias e medos que proliferam no mundo dual. 

Para Lao Tse, essa essência do Universo é informe e vive dentro de todas as coisas manifestadas. Mas, para continuar sendo universal, não pode se identificar com nenhuma dessas coisas, nem com o bem ou o mal, com o certo ou o errado, mas viver independente e neutra em relação a tudo. Essa essência não pode igualmente ser descrita, se você disser que ela é luz, você a excluirá do escuro, se você disser que ela é boa, a excluirá daquilo que considera ruim. Como onipresente, ela não cabe em definições. Assim, para atingi-la, o caminho possível é o da sensibilidade, entrega e faro intuitivo. Mas, nunca acreditando em definições e ideias que vamos construindo sobre ela durante o caminho. Quando criamos uma definição dessa essência e acreditamos saber o que ela é, acabamos de perdê-la, quando achamos que não a conhecemos, acabamos de abrir a porta da consciência para ela. 

Lao Tse entende que todos temos essa sensibilidade e faro intuitivo dentro de nós; para lançar mão dele, basta que sigamos essa nossa natureza interior. Sua filosofia prega que, assim como a água do rio sempre encontra o caminho para o oceano, quando deixamos que a natureza interior mais íntima guie nossos passos, intuímos por onde prosseguir, até chegarmos ao grande oceano de consciência para o qual fomos moldados. Esse oceano onde o rio da individualidade se integra e dissolve é nada mais, nada menos, que a essência não manifestada de onde viemos, de onde tudo vem, todo o tempo. 

Diz-se na China que Lao Tse era guardião dos manuscritos reais, o equivalente a um bibliotecário em sua época. No final da vida, resolveu se retirar da cidade para meditar nas montanhas. Ao sair, um guarda de fronteira o reconheceu e pediu que deixasse registrada sua sabedoria em um livro. Ele então, que nunca havia escrito nada, sentou-se e escreveu os 81 pequenos poemas do Tao Te King, que sintetizam a sabedoria do taoismo e da China tradicional. Nos poemas ele enfatiza a importância de nos esvaziarmos para estarmos disponíveis ao crescimento e evolução e de adotarmos o caminho da brandura para chegar longe. Em certo ponto ele diz “Nada no mundo / demonstra mais suavidade e fraqueza do que a água. // No entanto, / dentre as coisas que atacam o duro e o forte, / nada a supera ou pode barrá-la. // Portanto, o fraco vence o forte, / a maleabilidade vence a rigidez.”  

A água acabou se tornando símbolo do taoismo e da obra de Lao Tse, com todos os seus atributos, de suavidade, sutileza, intuição, fonte da vida e ilimitação de forma. 

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16 Responses to A Força Maleável

  • É como diz na CABALA= é preciso que nosso cântaro seja vazio para podermos receber novas águas. Se estiver cheio, nada irá entrar. ..

  • Cecília M S Carvalho:

    Gosto e me sinto familiarizada com tudo…. <3

  • Cecília M S Carvalho:

    Gosto e me sinto familiarizada com tudo….. <3

  • As forças moles são as mais difíceis de encontrar em nós mesmos… Parabéns pelo artigo, muito inspirador.

  • ROSE MARIE MEGA:

    Realmente, é um texto lindo que nos leva à reflexão.

  • Raquel Yzar de Melo:

    Fabuloso!!

  • Raquel Yzar de Melo:

    Maravilha!!

  • Mariah Bortolotti:

    Obrigada Pedro!
    Que lindo , que profundo e que valioso esse ensimamento de Lao Tse.
    Que possamos todos nós estarmos prontos para nossa viagem individual e espiritual no caminho do Oceano de Deus.
    bjs
    Grata
    LUZ!!!
    Mariah

  • CÁCIA SILVA:

    Excelente artigo, traz uma mensagem positiva para os dias atuais e descobrimos, de forma simples, como estamos absorvidos pela materialidade. Sempre que medito, passo a conhecer-me, e descubro que minha natureza sente-se atraída pelas coisas simples.

  • Alesandra Christian Abrantes:

    Adorei esse artigo. Parabéns.
    Embora eu não conheça Lao Tse, o texto pode incutir em mim curiosidade para buscar mais sobre ele e sua filosofia.

  • valter jose vieira:

    Muito boa a filosofia em si. Todavia, como mortais, temos que interagir com o mundo e com nossos semelhantes. Daí surgem as necessidades. Lao Tse nunca teve a necessidade, ao que parece, de ter filhos e descendentes. Não precisava se deslocar para um trabalho distante. Não sentia necessidade de ter um lar. Tudo isso custa e muito. Há que se trabalhar e o Estado é vigilante nas obrigações e tributos. Há que se qualificar para o enfrentamento diário. As obrigações do Estado, família e trabalho. Os cuidados com a saúde e com o merecido descanso e férias (passeios e viagens,etc.). Então, cuidar da alma realmente é muito, muito importante porque é o que segue. O corpo frágil, mas forte o suficiente para a jornada é finito; merece todo o respeito e atenção e por ele nós vivemos grandes aventuras e projetos. Uns bem sucedidos, outros nem tanto. Mas a vida é assim. Cuidar e bem do conjunto é fundamental… Que Deus tenha piedade de nós neste entendimento e valorize cada qual conforme sua função de momento e consequências, pois contas teremos que prestar. Stay wise…….08/08/14 e Viva São Vicente!……

  • Eva Faht:

    Acrescentou bastante em meus conhecimentos !

  • Marco Prado:

    Não se pode de forma alguma atribuir o taoismo que é uma religião ao verdadeiro TAO, o verdadeiro TAO está acima de tudo e de todos, Lao Tsé ou Lao Tsu recebeu o TAO de Buda e passou a Confúcio; TAO é o caminho para todos, mas nem todos são para o TAO.

  • Marcia Gomes de Carvalho Nóbrega:

    Quero agradecer por todo o trabalho de multiplicador da essência da vida . Parabéns Pedro. Que o universo conspire sempre no teu caminho. Forte Abraço

  • Rosangela Soto:

    Água, o mais puro pensar quando pensamos em vida. Ela cai do céu, escorre pelos rios e mares, anda em nossos corpos, habita a terra desde que o mundo e mundo. Água é música aos ouvidos, pode ser apenas uma gota, gotas contínuas ou torrencial. Que importa?! Interessa como a sentes, como a percebes, como a tocas. Água flui,muda de curso, perfura, água evapora. A mente flui, muda de curso, perfura barreiras, evapora no tempo se parada. Observar a natureza nos ensina a fluir como ela, sem inventar muito ou rebuscar nada, apenas sendo simples. Lao Tse observou apenas e nos deixou seu legado. Observar e tentar, ao menos dentro do caos da vida moderna, ser o mais natural possível, respirando, observando e trazendo de dentro para fora o amor a tudo, intacto, respeitando seus próprios limites de tempo a aprender em cada passo. Sendo apenas um elemento a mais no elo da vida. DEIXAR FLUIR A TUA ESSÊNCIA, com simplicidade, como o barulhinho da água.

  • Mariza:

    Adorei! Obrigada, Pedro!

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Osho – O Caminho da Água Corrente

O Caminho da Água Corrente

Osho 
Tao, sua história e seus ensinamentos

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Havia uma estátua de Lao Tse, o fundador do Tao e durante anos um jovem pensou em ir às montanhas para ver essa estátua. Ele adorava as palavras, a maneira como Lao Tse falava, o seu estilo de vida, mas nunca tinha visto nenhuma de suas estátuas.

Anos se passaram, e sempre havia muitas coisas que impediam o jovem de satisfazer seu desejo de ver a estátua.

Certa noite, finalmente ele decidiu que precisava ir; não era muito longe, apenas cem quilômetros dali, mas ele era pobre e teria que ir a pé. Ele decidiu partir no meio da noite, pois sua esposa e seus filhos estariam dormindo e não poderiam criar problemas.

A noite estava escura, então ele pegou uma lamparina e se dirigiu para as montanhas. Quando ele saiu da cidade, pensou: “Meu Deus cem quilômetros! E tenho apenas dois pés, isso irá me matar, estou pedindo o impossível, nunca caminhei tanto e não há estradas!”

Havia uma pequena trilha pelas montanhas, que também era perigosa, então ele pensou: É melhor esperar o amanhecer. Pelo menos haverá luz e poderei ver melhor; se não sairei dessa pequena trilha e sem sequer ver a estátua de Lao Tse; estarei simplesmente acabado, porque me suicidar com isso? Nisso ele parou e se sentou desanimado.

Quando o sol nasceu, passou por ali um velho, que ao ver o jovem sentado lhe perguntou: O que você está fazendo aqui?

O jovem lhe explicou, e o velho riu e disse: “Você não ouviu o velho ditado, que ninguém pode dar dois passos ao mesmo tempo, apenas um passo por vez; e não importa se a pessoa é poderosa, fraca, jovem ou velha. O ditado continua: Passo a passo, um passo por vez. Uma pessoa pode caminhar dez mil quilômetros! Parece que você não é inteligente…e quem lhe disse que você precisa caminhar sem parar? Você pode levar o tempo que quiser, depois de dez quilômetros você pode descansar por um ou dois dias e curtir a paisagem também. Este vale é muito bonito, com belas cachoeiras, flores e frutas que talvez você nunca tenha provado. De qualquer modo, estou indo na mesma direção que você, podemos ir juntos se você quiser; Já fiz esta trilha milhares de vezes e tenho pelo menos quatro vezes a sua idade. Levante-se!”

Assim foram eles, e aquilo que o velho disse era mesmo verdade. Quando foram entrando na floresta a paisagem foi se tornando mais e mais bela e cheia de novas flores, árvores e paisagens nunca vistas pelo jovem. Este foi ficando mais e mais surpreso com tudo o que via e percebeu que tinha se esquecido do tempo, tamanho encantamento em seu coração.

Nisso, os cem quilômetros passaram rapidamente e eles chegaram a estátua de Lao Tse, um dos homens mais notáveis que já caminhou sobre a terra. Até mesmo sua estátua tinha algo especial, pois havia sido criada por um artista taoísta para representar o espírito do Tao.

O Tao acredita na filosofia da entrega; acredita que você não precisa nadar, mas apenas fluir com o rio, deixar que o rio o leve para onde ele estiver indo, pois todo o rio sempre chegará no oceano. Então não se preocupe, você também chegará ao oceano, e não há necessidade de ficar tenso e preocupado.

A estátua estava naquele lugar solitário, e havia uma cachoeira ao lado, porque o Tao é chamado de O Caminho da Água Corrente. Assim, como a água segue seu fluindo sem nenhum guia, sem nenhum mapa, sem nenhuma regra, sem nenhuma disciplina…mas de uma maneira muito humilde, porque em todos os lugares ela está sempre procurando a posição menos elevada. Ela nunca vai para cima, sempre vai para baixo; ela chega ao oceano ao seu destino.

Ali, onde eles estavam emanava essa atmosfera, emanava esse deixar fluir.

O velho diz então:

“Agora começa sua jornada”.

O jovem se espantou e disse: “O quê? Eu estava pensando que depois de cem quilômetros a jornada estaria terminada”.

“Não meu jovem, disse o velho, essa é a maneira que falam os mestres ás pessoas. Mas a verdade é que a partir desse ponto, dessa atmosfera, começa uma jornada de mil quilômetros, e depois outros mil e mais mil. Apenas siga em frente. Seguir em frente é a mensagem.

A jornada é infindável, mas o êxtase continua se aprofundando mais e mais. A cada passo você é mais, sua vida fica mais viva, sua inteligência mais luminosa; na realidade ninguém pára. Uma vez que o buscador tenha chegado ao seu Ser, ele próprio torna-se capaz de perceber o que está a frente: tesouros e mais tesouros; 

A persuasão é necessária até o ponto do Ser. Esses primeiros cem quilômetros são os mais difíceis, depois deles podem vir milhares de quilômetros ou uma infinidade, não faz mais nenhuma diferença.

Agora você sabe na realidade que não há objetivo; a própria conversa sobre objetivos era para os principiantes, para as crianças. A jornada é o objetivo.

A própria jornada é o objetivo.

Ela é infinita, eterna.

Você encontrará estrelas, espaços desconhecidos, experiências impressionantes, mas nunca chegará a um ponto em que possa dizer: “Agora cheguei!”Qualquer um que diga “Cheguei!” não está no Caminho ainda. Ele nem viajou; sua jornada ainda nem começou e ele está apenas sentado no primeiro marco…”

Cada partícula é um pouco dolorosa, mas a dor será imediatamente esquecida, pois mais e mais bem aventurança se despejará sobre você.

Logo aprenderá isto: Não é preciso sentir dor quando você parte depois de um pernoite. Você se acostuma, sabe que a jornada é infindável e os tesouros ficam cada vez maiores…você não é um perdedor.

Parar em qualquer lugar será sim uma perda; então, não há fim, não há ponto final, nem mesmo um ponto e vírgula… 

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A Arte de Assumir Erros

A Arte de Assumir Erros

Pedro Tornaghi

 

 

Fico pensando por que será a humildade tão difícil, já que é tão bela. O que suscitou o questionamento foi a reação do técnico de futebol do país, ao defender e tentar justificar o injustificável após a massacrante derrota de sua seleção. Seu esforço para convencer a todos de que tinha feito o trabalho certo chegava aos limites do patético, não havia a menor possibilidade de persuadir a um único ouvinte a trocar o óbvio dos fatos por sua versão esfarrapada. Três dias antes da partida, zapeei a TV na hora dos telejornais e vi em três diferentes emissoras de grande audiência, times de comentaristas concordarem em unanimidade que a maneira de fazer frente à forte seleção alemã era povoar o meio-de-campo, colocar ali quatro jogadores, como havia feito a Costa Rica, como faria em seguida a Argentina, que com times inferiores, conseguiram dar trabalho ao timaço alemão. Ambos optaram pelo oposto de Scolari. Por que não reconhecer o erro, e todos os demais da preparação, não teria o passe dele saído menos combalido da tragédia? Quem quererá contratar um técnico que mostra não saber ler um jogo e ainda se diz inconsciente da própria ignorância. 

E, o que dizer do partido que governa o país há mais de uma década, que nunca se mostra disposto a refletir sobre uma crítica, se atém, em vez disso, a reagir com acusações a adversários. Não estariam em posição bem mais tranquila em pesquisas de intenção de voto se tivessem agradecido e digerido as diversas acusações, metamorfoseando-as em auto-crítica e em mudanças de rumos, onde o bom senso se mostrasse mais presente que em suas atitudes anteriores? Será que estariam com tamanho índice de rejeição? 

Admitir um erro ou atitude inconveniente é belo, eleitores e torcedores gostam de ver o lado humano em seus líderes e a vontade de acertar. Não parece ser uma estratégia inteligente de marketing, nem do técnico nem do partido no poder. Aparenta ser, sim, mera reação. Um traço de imaturidade difícil de entender em adultos com posição de tanta proeminência social. 

Admitir um erro requer desapego do ego. E não é o fim, como aqueles que estão em posição de poder costumam acreditar, mas muito mais um começo, um começo de uma atitude mais afinada, quiçá mais próspera. Admitir um erro é mostrar que se é falível e humano e isso cria uma atmosfera propícia para a aproximação dos outros; negar, estimula o afastamento, ou ao menos inibe a aproximação. Admitir um erro é mostrar que se é mais hoje do que se era ontem. Juscelino Kubitschek disse um dia: “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro.” 

O tanto que se esforça o marketing da presidência para seduzir o eleitor quando diz “vote em mim para a mudança”… eles certamente convenceriam melhor se embarcassem na dica de Juscelino e dissessem e mostrassem: “erramos, mas reconhecemos e agora estamos melhores”. Mesmo com todo o apego ao poder e revelando-se óbvio que a postura de durona não está convencendo, não é fácil identificar sinais de vulnerabilidade na postura da presidenta. Assim como na do técnico Scolari. Bom, o artigo não é para julgá-los, mas para estudá-los, aprender com eles. Se eu os estiver julgando, perdão desde já, mudemos de tom. 

Admitir um erro é admitir que não se estava no controle até então, e talvez por isso seja tão difícil para tantos. Vivemos em uma sociedade controladora, onde convencionou-se que vale mais quem controla mais. O que é um equívoco, se não uma falácia. Mostrar vulnerabilidade é visto como algo temeroso, mesmo que seja comovente e belo. Então, qualquer esforço para estar no comando parece ser justificável para eles. 

Me lembro de uma cena no final dos anos 80, quando eu estava na Índia e conheci o Swami Kabir que dirigia um trabalho original e interessante de terapia astrológica no Ashram do Osho. Houve uma grande empatia entre nós e uma admiração mútua pelo trabalho um do outro. Kabir me propôs que passássemos a trabalhar juntos, mudo afora como ele costumava fazer, dando cursos e grupos de crescimento. Ele era uma personalidade estabelecida, tinha meia dúzia de assistentes, alguns o acompanhavam há anos, destacando-se uma astróloga alemã que aparentemente não se conformou em eu ter acabado de chegar por ali e já ser considerado sócio, enquanto ela se dedicava há anos àquele trabalho e continuava como assistente. Todo dia eram nítidos os olhares de soslaio dela em minha direção. Um dia, entrando no Ashram, ela me disse “Pedro, há uma coisa que tenho que compartilhar com você: não sei porque, mas sempre que olho para você tenho a forte sensação de que eu estou certa e você errado!” Sorri para ela e sugeri: “quanto a mim, você não precisa ter dúvida, eu estou errado, mas o que você vai fazer com essa convicção de que está certa, isso é com você, em relação a isso não imagino como te ajudar.” Aquela mulher guerreira e durona, de repente parou desconcertada na porta do ashram. E eu saí com a certeza de que Lao Tse estava certo ao afirmar que ser tolo tem vantagens. E do quanto é difícil para alguém de educação européia, perder o controle. 

Saí tão leve da conversa que me pareceu mais claro do que nunca, como é gratificante não ter razão ou não ter que tê-la. Ter que ter razão é uma doença. Ou ao menos um sintoma. Sintoma de que se carrega um estado de tensão e estresse crônicos dentro de si. Em nome de quê? De uma honra? Conferida por quem? Por algum tirano que elogia e premia quem consegue estar com a razão? Qual é a recompensa? Um – falso – sentimento de inserção social. Falso sim. A que levou a certeza daquela astróloga alemã? Kabir era um experimentalista, um inovador, nunca a adotaria como sócia por ela estar sempre com a razão. Era estratégia errada mesmo para ela que acreditava em caminhos assim. 

Admitir que não se está certo, que não se possui a certeza, envolve humildade e gera fertilidade em quem o faz. Não o tipo de humildade que faz a pessoa se sentir superior por ser mais humilde que a outra, mas a humildade de que falam Lao Tse e o Tao, que nasce naturalmente quando percebemos que o controle que tínhamos da situação era tão falso quanto a promessa de que seríamos felizes se a controlássemos. A humildade que nasce de sabermos que não podemos controlar por que não somos entidades separadas do Universo, existimos como parte dele, somos “um” com ele. A cada vez que comemos ou respiramos, o universo entra em nós, passa por nós e se vai. Como pretender ser algo separado dele? 

Admitir “erros” gera vida, não admiti-los torna a pessoa estéril. A palavra humildade vem da mesma raiz da palavra humus; ser humilde é saber que se é apenas parte da fertilidade do Universo, nunca mais que ele, mas ele em si, ser humilde nos torna férteis e criativos. E seres criativos tornam-se também responsáveis. Assumir “erros” nos torna responsáveis. O que talvez seja parte do motivo para que se tema admiti-los. A atitude de assumir um erro aponta para a mudança e o crescimento, negá-lo aponta para a estagnação. 

Dizem que Thomas Edson todo dia ao escurecer, tinha ataques de fúria e mau humor e por vezes chegava a quebrar todo o seu laboratório, frustrado por mais um dia de tentativas e esforços hercúleos e em vão, sem chegar a descobrir a fórmula da lâmpada elétrica. No dia seguinte acordava leve e de bom humor e dizia: que bom, falta um erro a menos para descobrir a lâmpada. 

Negar o erro é negar o aprendizado que a experiência proporciona. Se a pessoa souber olhar, um erro reconhecido pode ser uma oportunidade de ouro, da pessoa se livrar do fardo de falsas crenças no sucesso, do fardo de compromissos assumidos anteriormente e que não se mostram produtivos ou legítimos. 

Embora seja um direito nosso, cometer os próprios erros, podemos também aproveitar os dos outros para aprender. E ficarmos gratos por isso. Posso por exemplo, ao ver um técnico de futebol com dificuldades de mudar de comportamento, aproveitar a ocasião – como um alerta – para ver onde eu também ando insistindo em algo que não me tem levado aonde eu pretendo chegar, onde estou teimando por repetição inconsciente. E, a partir disso, mudar. Críticas são para serem agradecidas. Como sugere o Tao, o tolo rebate críticas, o sábio as agradece. 

Os poemas de Lao Tse no Tao te King sugerem como um todo, que a humildade traz mais frutos que a arrogância. Diz ele no poema 78: “Nada no mundo demonstra mais suavidade que a água / No entanto, dentre as coisas que atacam o que é duro e forte, / nada a supera ou pode barrá-la. // Portanto, / o fraco vence o forte, / a maleabilidade suplanta a rigidez, // Quase todos conhecem essa verdade, / Entretanto, poucos a praticam.” Já lá atrás, há mais de dois mil anos os que detinham o poder tinham dificuldade de escutar e admitir fraquezas. Impressiona a persistência da teimosia. 

Se não admitir erro é infantilidade, admiti-lo é maturidade. O nome Lao Tse significa menino velho, sim, em seu nome ele já carrega sua obra, saber amadurecer sem perder a maleabilidade e naturalidade da criança é a arte do Tao, saber chegar no oceano com a mesma pureza da água que um dia brotou na fonte é o seu segredo. 

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8 Responses to A Arte de Assumir Erros

  • Belíssima reflexão! Eu tenho enorme admiração pelo modo de pensar pautado na sabedoria indo-chinesa, cresci muito nos últimos dez anos refletindo nessa vertente, demorando, mas, admitindo erros colossais antes que eles me congelassem na ilusão do tempo. (O sábio ensina sem pavaras e age por meio da não ação)

  • Este link leva a um de meus escritos oriundos de um “namoro” com a sabedoria dos aforismos místico-filosóficos do oriente e do ocidente. Eu chamo de mysthesis (um tipo de fusão da mística com a estética filosófica).

  • Muito sutil, muito lindo e verdadeiro.

  • Adélia Praia:

    Eu leio e gosto das reflexões que você escreve ou de outros sábios. Eu gosto de aprender sempre com quem sabe, quero me tornar um ser melhor. Muito obrigada por você conseguir fazer com que tenhamos prazer em ler o que você sabe e sente.

  • MARIA APARECIDA CAVALLINI DE SOUZA:

    Gratidão é a palavra exata para exprimir o sentimento pelo encontro com o Mestre… Ele realmente aparece no tempo oportuno…

  • Malu Dixon:

    Que linda e importante reflexão. Grata.

  • Alessandra Verssaly:

    Amei esse estudo, esse texto é MARAVILHOSO…

  • Hilda Heise:

    Os erros, pelo menos no meu entender, são acumulados quando sentimos que estamos na zona de conforto, que ninguém ou algo nos deixa na dúvida, ou que estamos perdendo algo…

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Curso “Tao, Meditação e Respiração”

Tao, Meditação e Respiração

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curso com Pedro Tornaghi

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Este é um curso que alia técnicas de meditação a práticas de respiração e à filosofia do Tao. 

Nele buscaremos, em ensinamentos de antigos mestres taoistas, inspiração e meios para chegar ao autoconhecimento e, nas meditações, o silêncio interior e a lucidez necessárias para o entendimento das dimensões sutis do taoismo. 

Tao e meditação se auxiliarão durante as práticas. As meditações permitirão que o contato com o Tao seja uma experiência direta, e não apenas um entendimento intelectual, enquanto os ensinamentos taoistas contribuirão para que as meditações não se tornem momentos de pouco proveito.

 

Quartas-feiras, turmas às 16:00h e 20:00h
Mensalidade: R$ 270,00 

Local: Academia Ananda
Av Nossa Senhora de Copacabana 769/102 – Rio de Janeiro
Informações e inscrições: (21) 2508-8608
meditarsempre@gmail.com
ou mensagem pelo site

O Tao 

 

O Tao é uma filosofia milenar chinesa que sugere um estilo de vida em que tudo flua com a naturalidade da água corrente de um rio. Assim como a água segue seu caminho fluindo sem nenhum guia, sem nenhum mapa, sem nenhuma regra e chega ao seu destino, o oceano, aquele que adota o Tao segue sua natureza interna e chega ao seu destino, a consciência. 

O homem que se dedica ao Tao enxerga em todas as manifestações da natureza a presença da realidade oposta, encontrando assim, uma maneira de mudar situações de impasses em momentos de abertura de novos horizontes. 

Fundamentada na simplicidade, essa filosofia pode ser de grande ajuda para entendermos nossas contradições e encontrarmos um caminho de harmonia. Ela não oferece respostas prontas, mas meios para o entendimento próprio através da percepção pessoal. 

Em tempos de excessivas informações, estímulos e apelos de nossa atenção, um caminho como o Tao pode ser essencial para fornecer a atmosfera de inocência e sobriedade necessárias ao melhor discernimento, transformação pessoal, paz e felicidade. 

O Trabalho 

O curso é formado por quatro pilares, que atuam em sinergia, auxiliando uns aos outros e os tornando mais eficazes: 

- Trabalhos corporais que reorganizam nossas energias conforme sua natureza original, proporcionando maior flexibilidade e melhor saúde física e permitindo o fluir natural da energia. São exercícios que além de aumentar a disposição e gerar um bem estar natural, criam as bases para o estado de “relaxamento ativo” do corpo, possibilitando-o agir sem esforço e sem desgastes desnecessários. 

- Respirações dos Cinco Animais Sagrados Chineses, que estimularão a atenção mais desperta ao mesmo tempo em que aumentarão o metabolismo do corpo, proporcionando a melhor performance de suas funções e uma longevidade saudável. 

- Meditações que geram paz, harmonia e consciência e fixam as transformações promovidas pelos trabalhos corporais e as práticas de respiração. 

- Ensinamentos de mestres taoistas, apresentados como caminhos para experimentarmos estados de “espontaneidade consciente”.

 

Rio, 24 de julho de 2014

Amigos e amigas,

No meio dos anos 80 Rose Marie Muraro me pediu para escrever um livro sobre o Tao te King e a Astrologia. Tao Te King é o livro mais emblemático do taoismo, o segundo livro mais publicado do mundo, só perdendo para a Bíblia e, pouca gente sabe, seus 81 poemas contêm a síntese da astrologia mais moderna, apresentando os 12 signos astrológicos como 6 eixos de energia e mostrando como um signo é complemento de seu signo oposto.

Sentei-me naquela época com Caio Fernando Abreu por trinta dias das 9 da manhã até às 22 horas com a ilusão, minha e dele, de que conseguiríamos dar conta da encomenda da Rose. Caio morava em São Paulo e eu no Rio, tínhamos que aproveitar o período de suas férias no “Estadão”, onde ele era editor do caderno de cultura. Ele se mudou para meu apartamento no Rio e fomos rigorosos com os horários, às nove em ponto nos sentávamos em dois computadores em uma mesma mesa e começávamos a produzir. Só parávamos para o almoço e à noite, quando tínhamos um ritual que se repetia cotidianamente, andávamos por dois quilômetros no calçadão de Copacabana e jantávamos no mesmo restaurante, para depois desmaiarmos exaustos, até a manhã seguinte.

No final não ficamos satisfeitos com o resultado e pedi à Rose o direito de entregar apenas as traduções dos poemas para a editora. Ela, gentilmente como sempre era, topou. A tradução foi editada, mas o livro com a interpretação astrológica dos poemas ficou guardada em meu armário por esses quase trinta anos. Recentemente, a Paula Dip, biógrafa do Caio e que está dirigindo e roteirizando um documentário sobre ele, esteve em minha casa e pediu para ver os originais. Tirei do armário aquelas pastas com folhas amarelecidas, impressas em uma impressora matricial que, após a ida dela ficaram de fora, esperando para serem guardadas. Em um domingo ocioso, resolvi dar uma olhada no material e vi quantas coisas interessantes pensamos naqueles trinta dias. Foi o estopim para que eu quisesse dar esse curso e, quem sabe, me animar para terminar o livro, em parte como homenagem aos dois amigos queridos, Caio e Rose.

Assim, no curso, serão fornecidos aos poucos os poemas e parte de sua interpretação astrológica. Tenho a convicção de que eles podem ser tão importantes para os participantes como foram em minha vida e do Caio.

Um abraço fraterno,

Pedro

 

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Leia sobre o Tao:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

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11 Responses to Curso “Tao, Meditação e Respiração”

  • Eva Menezes:

    Este curso irá acontecer também em intensivo de finais de semana?

    Olá Eva,

    O curso acontecerá apenas no formato semanal, em finais de semana teremos o curso “Meditações da Visão e da Audição”, que começará no dia 13 de Setembro.
    Você encontrará o programa dele nesse link: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=107
    Um abraço fraterno,

    Pedro

  • Tatiana Motta Lima:

    Vou com mais dois amigos na palestra. É necessário fazer inscrição? Obrigada, Tatiana

    Olá Tatiana,
    Não é necessária a inscrição para a palestra.
    Um abraço fraterno e até quarta-feira,
    Pedro

  • Barbara Mattos:

    Favor me cadastrar no mailing de vocês… grata

  • Barbara Mattos:

    Favor me cadastrar em vosso mailing.
    Grata, Barbara

    Cadastrada Barbara.
    Abçs

  • Maria de Lourdes Neves Cavalcanti:

    Quanto tempo de curso?

    Olá Maria de Lourdes,
    O curso terá a duração de um ano (dois módulos de 6 meses cada)
    Um abraço fraterno,
    Pedro

  • Flavia Cotrim:

    Infelizmente estarei viajando nesta data.
    Gostaria muito de fazer o curso.
    Peço por gentileza que me avisem das próximas.
    Grata

    Avisaremos Flavia,
    Abraço fraterno e uma boa viagem,
    Pedro

  • Aida Cristina Abreu:

    Me interesso pelo Tao e irei assistir a palestra amanhã, dia o6 de agosto. Pelo que entendi as aulas serão às quartas-feiras, dia em que tenho compromisso assumido todas as semanas!
    Mas irei para tentar algum outro dia o conhecimento.
    Dia repleto de luz

  • Fernanda Cardoso:

    Adoraria estar no Rio para fazer seu curso, mas é inviável para mim. Vou me esforçar para participar do curso de meditação de fins de semana. Pode me incluir no seu mailing para que eu possa receber tudo que você publicar? Te encontrei no Facebook, vou tentar te adicionar. Resido em Volta Redonda RJ

    Olá Fernanda,

    Obrigado pelo carinho com o curso, colocarei você na mala direta, mas infelizmente o blog não tem o recurso de compartilhar as atualizações diárias. Se você quiser, há uma página do Face onde as compartilho sempre, você pode estar sempre atualizada por lá: https://www.facebook.com/pages/Pedro-Tornaghi/158638770921122

    Um abraço fraterno,

    Pedro

  • Rosane Padilha:

    Tenho interesse em fazer esse curso Tao, Meditação e Respiração será ministrado quantas vezes por semana, ainda tem vaga para o horário das 20 horas?

    Abraço fraterno,

    Rosane

    Olá Rosane,

    O curso será uma vez por semana, sempre às quartas-feiras, a aula das 20:00h vai até às 21:45h. Ainda temos vaga para a turma da noite.

    Abraço fraterno,

    Pedro

  • Marília Mattos:

    Desejo saber qual o grau de parentesco do Pedro com o Eduardo Tornaghi.

    Olá Marília, somos irmãos.
    Um abraço fraterno,
    Pedro

  • Pilar Del Rosario Leyton Diaz:

    Muito me interessa esta filosofia, gostaria sim de fazer o curso!

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Wu Wei

Wu Wei

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Pedro Tornaghi

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Wu wei é ao mesmo tempo o principal paradoxo e a ideia central do taoismo. Frequentemente traduzido como “ação sem ação”, ele se tornou um enigma difícil de ser decifrado ou entendido por ocidentais, algo do tipo decifra-me ou devoro-te. E tem sido mais devorador do que decifrado. Pudera, Lao Tse dizia que mesmo seus contemporâneos chineses eram incapazes de entender a sutileza da linguagem do Tao e particularmente o significado do wu wei. 

Mas ele não é tão difícil assim de ser entendido. E muito menos impossível. Wu wei é uma ação livre de dualidade, algo como deixar a energia vital fluir de dentro de você e deixar-se fluir com ela. Algo como agir a partir desse fluxo natural e assistir sua atividade. Deixar-se ir com ele, não resistir ao fluxo natural – da vida. Toda energia está em movimento e esse movimento possui um propósito e uma direção inerentes. Possui um endereçamento. Wu wei, em última análise, é assistir à energia brotar dentro de si e cumprir seu propósito, e “ir com ela”, nunca contra. 

Existe um mundo dual, que nos divide em muitos vetores. No wu wei, tudo em você está fluindo, nada barrado, os fluxos que vêm de sua região mais profunda podem se manifestar sem restrições, barreiras ou apropriações de sua energia. 

A dificuldade em se vivenciar uma ação sem dualidade vem de nossa mente que a tudo julga. Em sessões de meditação, quando peço a todos que prestem atenção à respiração, vejo em seguida todos tentarem controlá-la e respirarem da maneira que consideram ideal. É difícil só olhar, sem interferir a partir de um julgamento do que é bom ou ruim. Wu wei é uma ação descontaminada das ideias que temos de bom e ruim, certo e errado, melhor e pior e assim por diante. 

É quase impossível para um ocidental simplesmente estar atento à própria respiração. Você pede para a pessoa somente testemunhar o ar entrando e saindo das narinas, mas ela extrapola o papel que lhe é pedido. Imediatamente ela deixa de ser somente uma testemunha e se torna também um promotor que se acusa de estar respirando tensamente, rapidamente ou superficialmente; e assume também o papel de juiz, decretando como a respiração deve passar a ser, e veste a carapuça do réu, se sentindo culpada e diminuída por estar respirando mal, e se torna advogada de defesa, justificando a si mesma e apontando razões aceitáveis por estar respirando de maneira inadequada. E muitas vezes se imputa uma pena por isso. 

Freud criou o conceito de trieb, pulsão. Ele chamou de pulsão a energia excedente que criamos em nossa células e órgãos e que procura se manifestar e expressar além delas. Quando isso acontece, a energia encontra nossos pensamentos e ideias sobre a vida (ou quaisquer representações mentais) que se apropriam da energia e emprestam a ela seus objetivos. Wu wei, é agir a partir da energia pura, não impor a ela objetivos ilegítimos. 

Na Índia se diz que temos vários corpos, um corpo físico, um mental, um de energia, um emocional e um espiritual. Esses corpos costumam formar ideias próprias do mundo, e disputam o uso de nossa energia, tentando sempre influir em nossas atitudes. Mas nem sempre os desejos e vontades dos diferentes corpos são convergentes. Todos conhecem pessoas que vivem planejando fazer regimes para emagrecer, mas que acabam sempre comendo mais do que devem, ou pessoas que se propõem a acordar mais cedo para meditar ou fazer yoga, mas pela manhã, quando o despertador toca, elas o desligam e dizem a si mesmas: amanhã eu começo. O corpo mental da pessoa decidiu acordar cedo, mas o corpo emocional e o físico sabotaram. A pessoa fica se achando confusa, sem saber o que quer, chamando todas as sua partes indistintamente de “eu”, sentencia que sua vida é um constante conflito interno. Se a pessoa identificar que parte sua deseja acordar e qual quer dormir mais, já dará um passo para se tornar livre do conflito. Se ela conseguir libertar sua energia original dos propósitos de cada corpo seu, ela vivenciará o wu wei. 

Essa mesma pessoa, se gosta de futebol e vai acontecer uma partida importante no Japão, transmitida de madrugada, é capaz de colocar o despertador para tocar às quatro horas da manhã, mas acordar espontaneamente cinco minutos antes, e sem cansaço aparente. O que acontece é que naquele momento todos os corpos da pessoa querem a mesma coisa, e a energia converge. Quando ela se entrega ao wu wei, passa a ter sempre todos os seus corpos em uma dança e correlação harmônicas. Consigo mesma e com o universo. 

Essa energia que Freud chamou de trieb, o chinês chama de “energia chi”. Reconhecer o fluir do chi dentro e fora de você e afinar-se com ele é afinar-se com o que há de mais legítimo na vida, por trás da vida, em vida: o seu propósito original. Mas, para isso é preciso haver uma confiança na vida e uma confiança na sua própria energia.

 

Sua energia em estado original não tem dualidade. E ela sabe para onde quer levar você. Ela o quer levar a um lugar muito mais legítimo do que todos os objetivos juntos em que sua mente acreditou serem importantes durante a vida. Quando nos aproximamos da morte, vemos o quanto foram tolas nossas crenças de sucesso ou de moral, que consumiram quase todo o nosso tempo e combustível durante a vida. Quando amadurecemos, passamos a valorizar mais as coisas essenciais. O taoismo diz que o sábio age a partir do fluir espontâneo de sua natureza mais profunda. E por isso, se sente realizado. Essa energia sem endereço sobreposto a ela, ou o Tao, é a mais essencial experiência que podemos ter. A mais gratificante. A mais autêntica. Wu wei é vivê-la. Sem se opor. Ir com ela aonde ela lhe levar. Sem manipulá-la por interesses de segunda classe. 

Wu wei é deixar que a expansão natural de energia de dentro de você, sopre suas velas e leve seu barco adiante. É uma ação que surge do vazio interno. Vazio de concepções, de noção de si mesmo. Apenas com consciência da dança do universo acontecendo através de você. É uma dança que surge de um ponto de quietude dentro de você. Sem esforço. Sem influência da sua identidade, sem a interferência de desejos artificiais. Sem nada preso. Com o ser inteiro. Com o corpo integral. 

Wu wei é um estado de se sentir totalmente integrado aos fios invisíveis do universo. Sem tentar controlar essa integração. Apenas aceitando e usufruindo dela. É sentir-se sustentado pelo universo da mesma maneira que um dia você esteve sustentado por uma mãe em seu ventre. 

Wu wei é andar com naturalidade e descobrir sua verdadeira natureza conduzindo suas atitudes. Momento a momento. Simplesmente. Só. 

Essa natureza mais profunda que conduz as atitudes no wu wei era o que Lao Tsé chamava de Tao. E o adágio chinês vaticina que quando a ação acontece a partir do Tao, nada fica por ser feito. Nenhum conflito permanece por ser resolvido. A vida se torna um bailado harmônico, entre você e a consciência.

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Participe do Curso:

“Tao, Meditação e Respiração”:

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Leia também:

O Tao: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2987

Meditação e Respiração: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2503

Mestres da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2539

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2 Responses to Wu Wei

  • matilde ferraz:

    Que entendimento maravilhoso! Compreendi algumas coisas e me senti instigada a estudar mais. Fácil e complexo, mas quero poder praticar o Wu wei, sem julgamentos deixar a energia de todos os corpos fluir, penso que isso também é Amor por nós; por todos…

  • José Emilio Delben:

    Ação da não ação è a manifestação do Poder do não poder, sem a dispersão da energia, levando ao Grande Silêncio onde tudo age e penetra.

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O Tao

O Tao

Pedro Tornaghi

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A palavra Tao em chinês é composta pela soma de dois desenhos, um significa cabeça e o outro caminho. Cabeça remete a consciência e caminho a algo em movimento; e, consequentemente, a algo que se vai deixando para trás conforme se avança. Tao pode assim ser traduzido por uma “consciência dinâmica”, em evolução, ou uma consciência que vai se revelando durante o caminho.

 

Dessa maneira, um homem de Tao não almeja uma “iluminação” enquanto condição garantida, mas estar em contínuo processo de “revelação”. Para ele, verdades descobertas em curvas anteriores do caminho não se adequam inteiramente às novas questões que surgem estrada afora, faz-se preciso estar de olhos e poros abertos para que se possa descobrir, a cada instante, a sabedoria proveniente do próximo desafio. No caminho do Tao nunca cabe a acomodação de se achar que foi alcançado algum estado ideal de sabedoria, mas sempre dar novos passos para dentro do inédito momento presente com a percepção virgem, livre de qualquer pretensão de conhecimento, e o espírito aberto para aprender com a experiência.

 

Um mestre de Tao, assim, não é alguém que tenha chegado a um objetivo, mas alguém que saiu de uma zona de acomodação e colocou o pé na estrada, e se permite aprender durante a viagem. Mas, como se dá esse processo de aprendizagem?

 

Toda estrada possui duas margens. A do Tao não é diferente. Ela evolui entre uma margem esquerda e uma direita, uma onde o Sol nasce e outra onde ele morre, uma onde se respira uma atmosfera masculina e outra feminina. Caminhar conscientemente é avançar ciente dos eventos e possibilidades que surgem à sua direita e à sua esquerda; permanecer no Tao é não se deixar desviar por apelos que apareçam em uma ou outra margem; o homem de Tao é aquele que percebe todas as contradições da existência humana, mas caminha entre elas, dança com a dança da vida, com as curvas da estrada, mas permanece em seu itinerário, neutro entre os apelos que vão surgindo em ambas as margens.

 

Se estou sendo hermético, perdoem-me. Vamos devagar para retirar de nossa conversa mais lucidez que confusão, mais praticidade que abstração. Aliás, esse é o “caminho” da literatura oriental: afirmar em uma primeira frase ou parágrafo do livro, algo que pode ter significados múltiplos e em seguida desenvolver os significados que parecem relevantes ao autor no momento da escrita. Bem diferente da tradição ocidental de fazer um prefácio, apresentar os personagens aos poucos, descrever a situação, lugar, apresentar justificativas para a ação que se seguirá, desenvolver a situação até um impasse, resolver o impasse, e fechar o ciclo com um epílogo.

 

Em um texto oriental muitas vezes intuímos no início haver algo de precioso por trás daquelas palavras, sem conseguir distinguir exatamente “o quê”. E assim também é o início do contato com o Tao, há o pressentimento de haver ali um tesouro escondido, mas nem sempre é fácil identificar que tesouro é esse.

 

A primeira frase do Tao Te King, o livro de Lao Tsé emblemático do Taoísmo, diz: “O Tao que pode ser expresso em palavras não é o verdadeiro Tao”. Sim, o Tao não pode ser alcançado por especulações intelectuais – por mais sofisticadas que sejam – e quem tentar fazê-lo, estará fadado ao insucesso. A especulação intelectual é uma atitude “yang”, masculina, e pelo masculino é impossível chegar ao Tao. É preciso uma certa qualidade “yin”, feminina, de deixar-se fecundar pelo mistério do Tao, para compreendê-lo dentro de si. A fecundação é um processo estranho para o masculino, contrário à sua natureza e assim o intelecto é um recurso inapropriado para promover a compreensão do Tao.

 

Não é uma questão de conhecimento racional, mas de abrir os poros e o coração, e deixar-se arrebatar pela realidade sutil e mágica que está por trás de tudo. Deixar que o fundo de sua alma, vazio e silencioso, reflita clara e fidedignamente a existência à sua frente. O pensamento racional falha repetidamente ao tentar compreender e explicar o Tao.

 

Fritjof Capra quando escreveu “O Tao da Física” tentou simplificá-lo na equação yin + yang = Tao. O Tao não cabe em equações, e embora seja a coisa mais simples da existência, não se adapta com fidelidade a simplificações. O Tao não é, definitivamente, uma soma de yin com yang, mas o espaço neutro – que há – entre eles. O yin impulsiona a experiência em uma direção, o yang na oposta, o Tao está entre ambas as forças e neutro entre suas influências. Pela lógica é impossível realizá-lo. O caminho até ele pode ser por outra via acessível a nós, a sensibilidade.

 

O Tao é o princípio único que está por trás de tudo e que mantém todas as coisas interligadas e inter-relacionadas. É o que faz com que a existência não seja um caos, mas um cosmos, com que haja uma ordem por detrás dos diferentes corpos e diferentes acontecimentos. O Tao é a matéria dos cordões invisíveis que ligam todas as pequenas e as grandes existências do universo e orientam e orquestram a harmonia entre elas.

 

Assim, se o Tao está na essência de tudo, o caminho até ele não exclui nenhuma experiência, pelo contrário, qualquer acontecimento pode servir para revelar a inteligência que está por trás do acontecimento. O Tao é belo por que não exclui a vida para almejar a espiritualidade, pelo contrário, ele encara a vida, a deixa existir e busca o que há de lucidez na experiência, e não na negação dela.

 

Para descobrir a essência das coisas, é preciso penetrar nelas. E, quando se penetra nelas se percebe que dentro da escuridão há um tanto de luz, assim como dentro da luz há escuridão. Quando se entra em contato com a essência se percebe que o oposto dela também está ali presente. Assim, mesmo em um oceano de ignorância se pode reconhecer a presença da consciência, palpitando. A partir desse momento, qualquer experiência pode servir para acordar o discernimento e sabedoria mais profundos. A partir desse momento, qualquer aparente impasse em que a vida lhe jogue, servirá como porta de saída do estado de ignorância para o de sabedoria, qualquer aparente prisão servirá como ponte para a mais radical liberdade. O que antes se apresentava como fonte de infelicidade se tornará um bálsamo capaz de alimentar e estimular a seiva da árvore da sabedoria e da mais natural satisfação. Qualquer escuridão poderá servir como o breu de um laboratório fotográfico: para revelar a luz.

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Leia Também :

Wu Wei: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3008

Mestres da Meditação: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=2539

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9 Responses to O Tao

  • silvia Almeida de oliveira costa Martinez:

    Que lindo, Pedro. Obrigada, saudades, carinho, bjssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

  • Maria Regina:

    Gostaria de receber informações sobre as palestras e cursos.

  • Paulo Tarso da Costa:

    Muito bom Pedro , obrigado por partilhar tuas reflexões e experiencias.

    Legal as observações sobre o discurso oriental x ocidental. Começar do geral para o específico, dar de cara, o “fato” a fonte… abrindo o leque, os olhos … depois as interpretações opiniões o ego a versão particular… TENTAR não induzir limitar a visão do outro, do ouvinte.

    Abraço !

  • Paulo Tarso da Costa:

    Muito bom Pedro… obrigado por partilhar aqui teus conhecimentos, experiencias e reflexões.

    Legais as observações sobre o discurso oriental x ocidental. Começar do geral para o específico, DAR de cara, o “fato” a fonte… abrindo o leque, os olhos … depois as interpretações opiniões o ego, a versão particular… TENTAR não induzir a visão do outro, do ouvinte.

    Abraço !

  • Angela Zanol Cavalcanti:

    Ah!!! Se eu morasse no Rio de janeiro com certeza iria fazer o curso de Tao e Meditação contigo….Não sei nada de Tao…. Quem sabe eu aprendesse usar de uma forma mais proveitosa essa espontaneidade natural de ser. Tenho me policiado bastante a respeito.Grata pelo texto, pela sua dedicação e carinho para com todos. Sucesso na nova etapa que se inicia no próximo mês.
    “OM SHANTI.” Angela

  • Elisabeth:

    Texto muito esclarecedor!

  • celina:

    Bom dia, quais são os dias do curso e sua duração?
    Grata,

    Olá Celina,

    Fico feliz pelo seu interesse no Tao e suas meditações, nesse link você encontra as informações básicas do curso: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020 .Qualquer dúvida ou necessidade de maiores informações, estaremos à disposição.

    Um abraço fraterno,

    Pedro Tornaghi

  • celina:

    Bom dia!

    Quais são os dias do curso e sua duração?

    Grata,

    Olá Celina,

    O curso será uma vez por semana, sempre às quartas-feiras, com turmas às 16:00h e às 20:00h. Nesse link você encontrará as informações básicas sobre o curso: http://pedrotornaghi.com.br/blogger/?page_id=3020.

    Um abraço fraterno,

    Pedro

  • celina:

    Ola Pedro,
    Infelizmente não deu pra participar desta vez, mas gostaria de em próxima oportunidade de participar. Um abraço,
    Celina

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